Ghost Of You
2 Jeremy

Era estranho morar com meu cunhado enquanto minha irmã morava na Faculdade. Quer dizer, claro que Damon e eu temos nos tornado amigos, mas ainda assim é um pouco estranho, até pelo fato de que eu sou um caçador de vampiros e ele é um vampiro. Decidi ir dar uma volta pela cidade, talvez passar no Grill pra ir ver o Math e saber se ele precisa de ajuda. No caminho, fiquei pensando no que as pessoas comentavam, sobre uma nova menina na cidade que iria morar no apartamento do nosso antigo professor de História, Alaric Saltzman, que morreu dois anos atrás.
Sorri ao pensar em Alaric, ele era como se fosse parte da minha família, namorava minha tia Jenna e depois que ela morreu ele se tornou o guardião legal meu e da minha irmã, morou com a gente, me ensinou muita coisa. Sentia falta dele, olhei para o lado e lá estava ele sorrindo pra mim. É, outro fato sobre mim, eu posso ver fantasmas que ficam presos no que chamamos de "Outro Lado" onde as criaturas sobrenaturais ficam presas depois que morrem.
— Sabe que sinto muito sua falta também, não é amigão? — ele disse me olhando.
— Imagino. — eu disse e sorri. — Se não sentisse, você não estaria aqui conversando comigo. — eu ri.
Ele riu e ficamos em silêncio pelo caminho, mas fiquei feliz de apenas ele estar ali. Sabia que ele sempre estava ali, mas de toda forma era como se ele estivesse...vivo. Estacionei na frente do Grill e olhei as pessoas em volta, elas cochichavam sobre a garota nova estar no Grill. Bom, pelo menos vou saber como ela é. Entrei no Grill e mal dei dois passos, alguém se esbarrou em mim.
— Ops, me desculpe. — escutei ela dizer e a olhei, fazendo nossos olhares se encontrarem.
Seus olhos eram castanho-chocolate, e de certo modo eu senti como se eu já a conhecesse, não sei de onde e nem sei como a conheci, mas sei que já a vi. Ela ficou sem graça ao me ver, e pelo que pareceu, ela devia ter tido a mesma sensação.
— Você está bem? — ela me perguntou.
— Estou sim. — eu disse assim que me libertei de meus pensamentos. — Você deve ser a garota nova.
— É, sou sim. — ela sorriu levemente corada de vergonha. — Eu sou Claire. — ela me estendeu a mão.
— Eu me chamo Jeremy. — sorri ao apertar a mão dela.
Ela sorriu e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Math me chamou no balcão do bar.
— Ahm, me desculpa, mas eu preciso ir. — eu disse.
— Ah, tudo bem. — ela disse. — Eu acho que te vejo na escola. — sorriu.
— Claro!
Ela se dirigiu até a saída e eu fui até o balcão. Math me olhou e nos cumprimentamos com um aperto de mão.
— Então, já conheceu a novata, né? — ele me perguntou enquanto limpava alguns copos.
— Sim. — eu disse. — Você chegou a falar com ela enquanto ela estava aqui?
— Ela não ficou nem dois minutos aqui. Ela entrou, viu que todos a encaravam e se virou para sair quando se esbarrou em você.
— Eita, ela, se queria comer, deve ter desistido.
— Pois é.
Ele continuou limpando os copos e eu esperei sentado ele terminar para podermos sair e treinar um pouco. Fiquei pensando na menina nova, Claire, e em como ela era familiar, os olhos castanho-chocolates, o cabelo ondulado castanho-escuro com cachos nas pontas longo, as pequenas sardas em seu rosto. Continuei perdido em meus pensamentos até receber uma mensagem da minha irmã me perguntando como eu estava e se estava me controlando quanto ao meu "lado caçador". Essa é minha irmã, sempre preocupada comigo. Respondi que estava tudo bem e então Math saiu já pronto para irmos. Me levantei e seguimos até o carro.
Dirigi até uma parte no meio da floresta, onde não podíamos ser vistos, até porque o nosso treinamento não era comum, pelo fato de eu ser um caçador de criaturas sobrenaturais e Math ser um humano com um anel sobrenatural que podia fazê-lo voltar à vida. Nos aquecemos, preparamos alguns alvos, treinamos luta corpo a corpo e em seguida tiros. Estávamos muito melhores do que nas últimas vezes. Poderia dizer que Math tinha potencial para ser um caçador.
Continuamos treinando até o sol se pôr e voltarmos para casa. Deixei Math na antiga Mansão Lockwood, que Tyler passou para o nome de Math, e segui até a antiga pensão dos Salvatore onde Damon me esperava. Ou pelo menos deveria estar me esperando, pois entrei e não vi ninguém na sala. Escutei algo vindo do segundo andar e segui subindo as escadas, com uma estaca de madeira preparada em meu ante-braço. Segui na direção do quarto do Damon, me preparando para um invasor quando apenas o vi revirando o quarto fazendo o maior barulho à procura de algo. Suspirei e revirei os olhos.
— Que aconteceu, Damon? — perguntei quando ele passou por mim.
— Estou procurando um caderno que se parece com o diário do Stefan, mas não é dele. — disse Damon e xingou frustado ao ainda não encontrar.
— Onde você o colocou? — entrei no quarto com o intuito de ajudá-lo.
— Estava em baixo da madeira da minha cama, Gilbert. Deveria estar lá.
— Será que não estava desaparecido antes mesmo de você voltar pra cá?
— Não, eu tenho certeza que ninguém mexeu nele.
— E se não misturou com os do Stefan?
— E você acha que eu já não procurei nas coisas dele? — perguntou um pouco bravo.
Revirei os olhos e continuei procurando. Quando ouvimos o som da porta se abrindo, então ficamos quietos. Damon deu uma rápida arrumada no quarto e nós seguimos na direção das escadas. Não estávamos esperando por visitas. Mantive a estaca escondida em meu ante-braço e respirei fundo. Olhamos em volta na sala e não vimos nada. Escutamos um som passando pelo corredor e respirei fundo.
Estava louco para entrar em ação. Até que senti alguém me derrubar no chão e dei de cara com Rebekah Mikaelson. Ela havia se tornado nossa aliada e me surpreendi ao vê-la. Ela me ajudou a me levantar e então pude ver sua feição de preocupação.
— Que aconteceu? — perguntou Damon.
— Houveram alguns assassinatos aqui por perto e eu ouvi dizer que chegou uma novata na cidade. — ela disse e deu um sorriso falso. — Adoro gente nova. Principalmente se mora no apartamento de um professor morto.
Damon pareceu surpreso com a notícia, mas não posso culpá-lo, ele estava tão focado em encontrar o Stefan e sua Sombra também conhecida como Silas, que mal prestava atenção nos assuntos da cidade.
— Veio apenas por isso? Por causa da menina nova? — perguntei.
— Eu vi o encontrão que vocês deram, e olha — ela começou dizendo. — ela não me parece boa coisa, eu se fosse você ficava longe.
— Ta aí um conselho que não irei aceitar de Rebekah Mikaelson. Afinal, você não confia em ninguém. — eu disse e subi as escadas.
Entrei em meu quarto e lá estava Bonnie sorrindo pra mim. A minha ex-namorada fantasma que eu amava e não podia acreditar que tinha dado a vida por mim.
— Como está hoje, Jer? — ela perguntou ao me ver.
— Bem, estaria melhor se você estivesse viva. — eu disse.
— Você sempre diz isso. — ela disse baixo. — Mas sabe que foi pra te fazer viver que eu fiz isso.
— Sim, eu sei. — a olhei e vi uma feição de preocupação. — O que aconteceu?
— Não sei ao certo. — ela disse. — Mas tenho a impressão de que algo de ruim está para acontecer, e senti isso logo depois que a garota nova chegou.
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