Ghost
17 O Homem Visível
Notas iniciais
Quando descobri que tinha me tornado completamente visível, estava em um prédio muito alto, com Albert, meu irmão. Ainda não era noite, mas era quase... Já dava para ver a Lua e algumas estrelas tímidas.
Estávamos no penúltimo andar. De tão alto, algumas construções pareciam apenas promontório na paisagem. O que se destacava, de fato, eram os prédios que competiam com a altura do que estávamos e as cores que apesar de distantes, existiam por toda parte. Estávamos ali apenas para conhecer uma doceria que um amigo do meu irmão indicara. Era um luxo que não teríamos anos atrás. Foi exatamente nessa doceria que percebi que as pessoas me viam.
Em meio ao burburinho, era possível ouvir coisas como “Não são os filhos do Herbert von Taurus ali?” ou “As sardas dele não são fofas? Os olhos puxaram aos do pai!”
A pessoa que falou a última frase, em especial, me deixou desconfortável. Era uma garota com vestimentas escolares, levando uma colher de parfait à boca suja de chantilly.
Me olhava como se eu fosse um quadro em uma exposição.
Meu irmão Kevin tinha elogiado minhas sardas antes de sair pro trabalho...
Uma desconhecia não devia estar reparando aquilo.
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