Getsu

17 Quais são seus interesses?


Ino

Passei toda a noite acordada, pensando e refletindo no que havia acontecido naquela noite. Nunca, nunca que iria imagina Sasuke vindo na minha casa pedir para meu pai consentimento de namorar comigo. Chegava a ser cômico, se eu contasse isso pra alguém que o conheceu antigamente, ririam com certeza, e essa ideia me deixou brava. As pessoas com certeza iriam comentar e falar demais como sempre, subjugá-lo. Não me importo com os outros, mas sei como um olhar feio e torto destrói nossos sonhos.

Eu não esperei o sol nascer, otousan chegou e eu estava limpando a casa. Ele achou muito estranho, claro que era, eu nunca que pegava numa vassoura aquela hora da manha. Achou mais estranho ainda a comida estar sendo preparada tão cedo. Pedi para ele tomar um banho e ir descansar pois teríamos uma visita especial na hora do almoço. O sorriso dele se alargou e fez algumas piadas bobas comigo.

– Não otousan. Nenhum Líder de estado, herdeiro famoso ou Kage. Melhor, muito melhor que isso.

Ele me obedeceu, eu mando papai obedece. Meio dia o senhor Yamanaka estava arrumado e esperando na sala o tal convidado melhor que qualquer coisa que eu já havia tido. Não disse quem era, não sei porque, mas fiquei com medo da reprovação dele.

Assim que bateram na porta eu corri para atender, mas ele foi mais rápido e a abriu. Papai virou-se para mim, dizendo que meu convidado havia chegado, o sorriso malicioso dele me deixava nervosa. Pediu para que Sasuke entrasse e ficaram na sala. Eu voltei para a cozinha porque estava ainda de avental, nunca que Sasuke me veria daquele jeito. Arrumei meu cabelo, tirei o avental, quando cheguei na sala papai falava alguma coisa, e claro, Sasuke em silêncio.


Sasuke

Agora eu sabia de onde a Ino tinha puxado o jeito exuberante de agir: seu pai era ainda melhor naquilo. Em cinco minutos ele foi capaz de dizer mais de quarenta qualidades de sua filha.

– Obrigada por me receber, Yamanaka-san. – Ele foi muito educado, isso não posso negar. E ambos sorrimos, cada qual à sua maneira, quando Ino apareceu na sala. – Está muito bonita. – Ela sorriu, ficando com o rosto avermelhado e em seguida ouvindo algum gracejo do pai.



Ino

Eu acho que sei porque nunca trouxe de verdade alguém em casa. Papai era um casamenteiro de primeira. Espero que ele não tente o truque da sobremesa esquecida, porque não ia adiantar de nada ficar sozinha com o Sasuke.
Ofereci algumas coisas antes do almoço estar pronto. Na verdade ele estava desde as nove da manhã, mas eu estava esquentando novamente algumas coisas que esfriaram.
Chamei-os para a mesa e servi os dois, juntamente, igual sem querer parecer mais cheia de dedos com ambos do que já estava.

– Papai, Sasuke está agora trabalhando na Academia. – Otousan adorava falar do trabalho, assim ele parava de se lembrar de okaasan e como eu era parecida com ela, em tudo. – Quem sabe não o nomeiam logo um sensei. Não? Quem sabe um time, já pensou nisso Sasuke?

Sasuke

– Bem, acho que não quero isso Ino. Eu desejo mesmo é voltar às missões. Nada contra a vida de sensei, mas por enquanto já tenho o suficiente da academia. – O senhor Yamanaka perguntou-me se eu tinha alguma coisa contra cuidar de crianças e a Ino deu um grito. E ele disse que só queria saber se ainda esperaria muito tempo para ser avô.

Então eu engasguei com alguma coisa na comida. Que ótimo, dando vexame na casa do sogro.

– Eu... nós não... acho que é cedo prá isso, Yamanaka-san. – Disse, entre uma tossida e outra.

Ino


Papai era ainda mais vidrado em ter uma criança em casa do que eu mesma. Mas ali já era demais, iríamos ter uma boa conversa depois. Mas não acabou por aí, eu até tentei mudar de assunto e falar de missões, até o otousan tocar no assunto proibido. Suna, Gaara e filha chorando. As ameaças de um pai, para um homem, mesmo que fosse bem discreta ainda assim era muito vergonhoso.

– Ninguém vai me fazer chorar otousan. A não ser essa pimenta, acho que exagerei no molho. – Bebi mais água.

– Filha assim Sasuke-san irá achar que você não sabe cozinhar. Mas sabe de uma coisa? É a melhor na cozinha, pena que não gosta tanto de ficar lá. – Ele não fazia por mal, eu sei que não, mas estava me deixando já louca. – Precisa ver quando ela resolve fazer regime, não posso nem trazer rámen pra casa que ela briga.

– Otousan... – Ele pediu pra eu pegar mais água porque também achou a comida picante. Ah! Lá vem, conversa particular de homem.

Sasuke

A desculpa esfarrapada era a brecha para alguma conversa que eu evitaria normalmente, mas não ali. Yamanaka-san não me olhava tão receptivamente como há segundos atrás.


– Vou dizer para você o que não tive oportunidade para dizer ao bam-bam-bam da Areia: Faça minha flor feliz e você terá em mim o maior dos aliados. Faça-a sofrer e conte os dias para morrer.


Era uma ameaça e das mais graves. E nem ao menos tentei avaliar o poder daquele homem, que à essas alturas ainda era maior que o meu. Eu poderia ser mais forte sim, mas estava destreinado. E com sentimentos no meio, as pessoas ficavam mais fortes.


– Ino não terá motivos para chorar, tem a minha palavra. Eu peço apenas um voto de confiança.


Ele voltou a sorrir, levantou-se e me deu um abraço sufocante. Meus olhos encontraram os de Ino, suplicando por auxílio.


Ino

– Aqui sua … água, otousan! – Eu quase derrubei a bandeja com a garrafa e os copos. Ele me chamou e fez o que eu não queria, me abraçou junto. – Está bem, acho que já estamos bem... unidos. Vamos terminar o almoço.

Nos sentamos, e agora sim ele ia falar, e falou. Muito mais do que eu imaginava. Sobre nossa vida, sobre a minha vida, sobre a vida do Sasuke também. Papai conheceu o pai de Sasuke, isso até me surpreendeu porque eu não sabia. Depois de um tempo ele disse que iria buscar a sobremesa. Mas como eu sei que Sasuke não gosta de doce então não fiz, mesmo assim otousan saiu dizendo que iria comprar algo. Pronto agora ele iria demorar, e nos deixar sozinhos.
Pedi desculpas para Sasuke, meu pai era igual a mim, isso é até difícil de aceitar. Fomos para a sala e la ficamos, sentados no sofá, um ao lado do outro.

– Você disse que iria pegar uma folga a tarde? Podemos... – O que podemos fazer na vila?

Sasuke

Ainda estava zonzo com tantas palavras. Eram ainda mais que na casa do Dobe. Ainda assim, senti-me muito bem ali, mesmo com as ameaças de Yamanaka-san. E dava para entender o motivo de tanto zê-lo, afinal, Ino era filha única, de um homem viúvo há muitos anos.

Eu disse no dia anterior para ela pensar em alguma coisa, mas pelo visto passou a noite inteira enfurnada na cozinha. Justo para mim, que não tenho gostos especiais para me alimentar.


– Não sei... o dia está bem quente, quer ir nadar? Tem uma cachoeira, não muito longe daqui. Dá para ir e voltar ainda antes do escurecer. Se você quiser e o seu pai não se importar, gostaria de levar você prá jantar.

O Naruto tinha me dito para fazer isso, levá-la ao Ichiraku. Porém eu não suportava mais o cheiro de ramén... como gastava muito pouco, tinha algumas economias e poderia me permitir uma noite no restaurante dos Akimichi.



Ino

Sasuke deu uma boa ideia, eu estava com calor e seria uma boa oportunidade de fazermos algo mais “inocente”. Papai não iria se importar, disse para ele que não era necessário pedir permissão, eu era adulta e podíamos sair a hora que quiséssemos.
Fui ao meu quarto e demorei um pouquinho só para me arrumar e separar algumas coisas para levar na bolsa. Toalha, creme, roupa e mais creme. Não era exagero, ao menos para mim.
Saímos de casa e passamos pela Vila de mãos dadas. Todos olhando, claro. Passamos pelo bar onde otousan costumava ficar com os antigos companheiros de time dele e não foi surpresa alguma vê-lo la dentro. A sobremesa prometida ia demorar ao menos um dia inteiro pra chegar.

Chegamos na cachoeira, estendi a toalha no chão, depois tirei minha roupa, só que o biquíni estava um pouco apertado. Um pouco era bondade minha, eu fiquei sem graça com ele me olhando. Mas eu não tinha outro, o que ia fazer? Ficar pelada? Aí, o santo Uchiha morria de vez no celibato.

Sasuke

\"Não reclame, você que deu a ideia!\"

Ela provocava intencionalmente ou não? De qualquer maneira, era melhor enfiar a cabeça debaixo da água e deixar a temperatura fria acalmar os meus ânimos. Passamos uma tarde agradável, ainda era estranho o contato entre nós. Eu evitava sim, mas não porque não queria. Eu estava mesmo obstinado a fazer as coisas direito dessa vez.

E só naquelas horas eu tinha conhecido mais da Ino que em toda a minha vida. Ela não gostava de cenoura, apesar de gostar de flores, margaridas lhe davam medo por um trauma de infância e ainda guardava no quarto uma boneca dada pela mãe. Eram traços de uma pessoa, uma pessoa completa.

Ino

A tarde com o Sasuke foi quase como passar horas com alguém desconhecido de mim. Ele me ouvia interessado no que eu contava. Falei sem problemas sobre a morte prematura de minha okaasan, ele também sabia como era perder uma mãe. Mas mudamos de assunto. Todo momento eu sentia vontade de abraçá-lo, um desejo incontrolável de beijá-lo, mas me segurei, por ele.

Quando o sol já ia se por, fomos embora. Ele iria me levar num restaurante, disse que não era necessário, mas ele fazia questão. E para ir em um lugar assim eu ficaria um tempo me arrumando. Pedi para ele me buscar as oito que estaria pronta.

Em casa, otousan estava saindo para trabalhar, mandou eu me divertir e não me preocupar com a hora de voltar. Tá bem, só queria que ele não completasse a frase com o use camisinha, mas ele queria ser avô logo.

Me arrumei em tempo, vestindo algo mais leve pelo calor, um vestido, o mais comportado que tinha no guarda roupa. Eu só tinha duas opções, ou curtos ou decotados. Foi um decotado mesmo.

Sasuke chegou na hora certa em que terminei de por os brincos, desci correndo as escadas colocando os sapatos, os mais altos que tinha pra ficar ao menos na altura do ombro dele.


Sasuke

Em casa, refleti bem sobre minhas ações daquela tarde. Foram horas agradáveis, como negar aquilo? Esperava sinceramente que a noite fosse tão agradável quanto. Procurei uma roupa apresentável, não tinha tantas assim. Uma calça mais nova e uma blusa escura. E ao chegar na casa da Ino, tive uma surpresa... e sim, mais uma vez agradável.

– Eu... – Faltaram-me as palavras. Precisei pensar rápido, porque ela já me olhava risonha. – Boa noite. Está muito bonita, outra vez.



Ino

– Ora, que honra senhor Uchiha Sasuke. Está muito bonito também, essa cor combina com seus olhos. – Eu brinquei com ele, pedindo um minuto para retocar o batom e pegar minha bolsa. Quando voltei ele olhava algumas fotos na parede, o tesouro do otousan. – Essa é minha okaasan, acho que foi a última que ela tirou. Vamos?

Dei a mão para ele, ainda me acostumaria melhor com aquilo. Fomos para o restaurante, o lugar estava cheio de pessoas conhecidas, Chouji nos recepcionou e eu pedi a mesa mais reservada que pudesse haver ali. Ele levou-nos até o fundo do restaurante, próximo ao jardim de fora, paisagem feita por mim.
Sasuke não tinha qualquer frescura com comida, e eu com fome, mas pedi salada, nada pesado de noite.

Sasuke

O jantar transcorreu bem, na minha opinião. Ino mostrava-se cada vez mais e mais alcançável, com erros e acertos. Até então eu tinha apenas ouvido. Porém em um momento ela disse que tinha cansado de ouvir a própria voz. Eu perguntei o que ela queria saber de mim e ela disse um \"tudo\".


– Bem, vou contar \"tudo\" que vale à pena, combinado? – Ela disse que por enquanto bastava. Mulheres são mesmo complicadas. – Tive a sorte de contar com uma segunda chance e estou tentando não cometer os mesmo erros, mas não me esquecer dos antigos. Tenho uma família pequena, apenas um irmão, uma ex-companheira de time e um afilhado. E agora, uma namorada. Estou na academia ninja de maneira provisória, até expirar o prazo que a Hokage-sama me deu como punição... gostaria de entrar para a ANBU, mas isso está longe. Apenas os homens de confiança de Konoha alcançam tal ponto. Quero sair do apartamento do Naruto, ter o meu próprio lugar. Uma casa, afastada do centro da Vila, um lugar mais calmo, pode ser pequeno. – Ela me olhava e eu procurava decepção nos olhos dela. – Planos pequenos para um Vingador, não?



Ino

– Gomen, Sasuke, eu não queria passar algo ruim. – Mas eu estava vendo mesmo que ele não pensava alto, como imaginei que fosse um Uchiha. – Bem, isso que você disse eu até já sabia. Uma coisa em comum que temos é sobre uma casa. Queria morar mais afastada, ter um canto maior, digo, um quintal. Mas o otousan não quer se desfazer daquela casa. As vezes acho ela grande demais... – Pronto! Lá estava eu novamente falando de mim, e deixando ele como ouvinte. – Posso te perguntar algo pessoal? Se não quiser responder, tudo bem... – Ele apenas esperou a pergunta. – Como era viver longe daqui? Não ter um lar, nem pessoas de confiança ao seu lado, alguém que pudesse ser mais que um conhecido para você.

Sasuke

– Não era bom.

Eu me manteria o mais fiel ao meu conceito de \"verdade ao máximo\". E embora não tenha ilustrado com detalhes, ela conhecia muitos deles.

– Eu queria pedir uma coisa, mas não sei se você concordaria . – Ela perguntou o que era e eu realmente pareci desajeitado. – Procuro uma maneira de recompensar o Dobe, digo, o Naruto pelo que ele fez por mim e bem.. enquanto estava na casa, sei que os dois se dividiam entre cuidados com o Udon. Me ajudaria a tomar conta dele por um dia, algumas horas? Assim eles dois poderiam ficar mais à vontade sozinhos.

Outra coisa que eu tinha me decidido: Sakura não era minha mulher, nem nunca teve qualquer intenção do tipo. Ela era do Naruto e a minha amizade por ele não se perderia por algo que eu nem mesmo sabia distinguir.



Ino

– Ótima ideia, tem um tempo que a Sakura disse que não saia pra passear. Fale com Naruto, com certeza ele vai gostar da ideia.

Terminamos de jantar e pulamos a sobremesa. Ficamos mais um tempo conversando, sob o olhar atento dos outros clientes que quando dava, olhava para nossa mesa na cara de pau. Ali era caminho para os toaletes, e eu vi uma movimentação grande de mulher passar de uma lado pro outro. Não é possível que todas resolveram ir ao banheiro no mesmo tempo. Quando elas voltavam, passavam colando na mesa e olhando pro Sasuke. Ah! Mas na minha frente nenhuma franguinha vai dar em cima do meu namorado. Quase que me levanto quando uma sorriu desavergonhada pra ele, mas Sasuke segurou minha mão. Deixa só! Ela que tente chegar perto dele.

Sasuke

Pelo visto não era eu que teria que me preocupar com outros homens. Ino estava claramente alterada com algumas mulheres, mas acho que era coisa da cabeça dela, porque a mim não pareciam ter qualquer intenção.

– Acho que está na hora de irmos, certo? Amanhã preciso acordar cedo para trabalhar. Desculpe por isso.

Ino

Ah! Por culpa dessas desaforadas o jantar terminou com eu sendo a neurótica. Mas tudo bem, tentarei ser mais calma na próxima vez. Sasuke me levou em casa. Pedi para ele entrar só um pouco, não recusou por educação eu acho, ofereci um pouco de água. Os sapatos estavam já me machucando e os tirei. Ele disse que estava tarde. Eu não queria que fosse embora assim.
Abracei-o, agradecendo pelo dia maravilhoso, sussurrando no ouvido dele que me diverti muito. Claro que ele percebeu minhas segundas ou terceiras ou todas intenções. Mas é impossível não ter isso quando estamos tão próximos. Não deixei ele me afastar e o beijei, nada de beijinho simples, queria dormir ao menos com um beijo gostoso que me tirasse o fôlego e fizesse eu sonhar com ele a noite toda.



Sasuke

Paciência tem limite e se eu recusasse aquela mulher mais uma vez num mesmo dia, ela teria todo direito de duvidar da minha masculinidade. Então se é um beijo que ela quer, terá um beijo.

Quando eu me dei conta, já fazia quarenta minutos que estávamos ali. Minha boca estava dolorida e a dela até um pouco inchada. Ela não parava de rir e aquele sorriso aquecia alguma coisa dentro de mim, algo bom.


– Agora eu vou mesmo, boa noite. – Despedi-me e ela disse que sonharia comigo. Não se escolhe com quem se sonha e eu bem sabia disso. Mas depois de ter passado aquele dia com ela, não duvidava que fosse capaz disso também.

Notas finais
Povo lindo e amado
Tentei ser o mais rapida possivel pra postar, mas essa ultima semana foi fogo. Minha amiga linda que tava aqui em casa passando as ferias, foi embora hj, ai como chorei xD
Enfm, espero que gostem desse capitulo. Me digam o que acharam.

Beijos enormes ;**

Kori Hime