Getsu

12 Lembranças vermelhas


Notas iniciais
A mente confusa de Sasuke.





Naruto

Sakura ficou com Udon, eu permaneci sentado na poltrona, de onde poderia ver bem a escada e a porta do quarto de hóspedes, ali fiquei até o jantar, mesmo sem fome eu comi pra não ouvir nenhuma reclamação.

Na hora de dormir fiquei no quarto até que Sakura pegasse no sono. Pela manhã eu imaginei que alguém em nome da Hokage iria bater na minha porta, e como imaginei aconteceu. Um anbu gostaria de saber o estado de saúde de Sasuke, eu relatei o acontecido. Pedi para não levá-lo embora, estava com a família. Assim que estivesse recuperado eu mesmo o levaria para a obaa-chan vê-lo. O anbu também me passou os relatos que alguns pescadores contaram. Sasuke fora encontrado no rio desacordado e levado para Konoha, perdido provavelmente.

Assim que me informou de tudo o que sabia, saiu. Mesmo que as lembranças dele não sejam as mais felizes, era importante Sasuke ter de volta suas memórias. E quem melhor que Ino para ajudar? No fundo ela pareceu ser a pessoa mais indicada para isso, ainda mais ontem que chorou tanto pelo Teme.

Subi as escadas e ouvi um barulho no quarto, ao entrar encontrei ele arrumando-se, como se fosse sair.

– Onde vai? Precisa descansar mais um pouco, olha como esta ruim.



Sasuke

Já tinha abusado por demais da estadia naquela casa e não me agradava em nada saber que por ali eu não era tão bem querido como a palavra \"irmão\" me parecia. Claro! Ficou óbvio pelo tom de desconfiança e por vezes sarcasmo, que Uzumaki Naruto não confiava em Uchiha Sasuke. E eu não achava sensato ou até mesmo justo pagar pelos erros de outro, mesmo que este fosse eu mesmo.

– Agradeço a hospitalidade, mas meu lugar não é aqui. Ao que entendi, abandonei esta Vila há muitos anos, porque não havia nada para mim aqui.



Naruto


Mais uma vez o Sasuke tomava uma decisão sem pensar nas outras pessoas, isso me deixava mais puto ainda.

– Qual é? Vai fugir novamente? Já fez isso uma vez, porque não fazer outra, né? Ta certo Teme! Eu to cansado também de querer te ajudar, te resgatar, e de consolar a Sakura ou a Ino que viviam tristes por causa de uma pessoa que as ignorava. Pois é, volta lá pra onde você estava, deveria ser bem divertido. Me fala? Você se lembra de algo bom que fez? Sabe porque não se lembra? Porque só fez merda, e quando pode mudar seu destino e ficar onde tem pessoas que se importa com você, vai embora de novo. Até parece que perdeu a memória só pra esquecer de vez da gente.

Sasuke

– Você não sabe o que eu passei! Nem mesmo eu sei o que passei, já não acha que isso é ser punido o suficiente? Não adianta de nada pedir desculpas a qualquer pessoa, porque eu simplesmente não sei o que fiz de errado! – Baixei os olhos, farto daquela discussão desnecessária. – Deve ser um raciocínio muito complicado prá você, Dobe...

Eu sei que o ofendi, aquela não era maneira de falar com o dono da casa que me dava abrigo. Mas os olhos espantados e confusos foram indecifráveis para mim.



Naruto

– Ah!! Ta vendo só? Você está se lembrando de mim. – Ele ficou parado me olhando. – Sasuke você pode não se recordar do que aconteceu ou do que fez, mas confia em mim. Uma chance! Só isso, vai ver que será melhor do que voltar para um mundo onde você não tem nada. Aqui tem uma família.

A Sakura passou pelo quarto, mas não parou na porta, seguiu direto. Ele a viu passar, e ficou um tempo calado pensando. Isso me dava medo, mas não deixaria ele ir embora. Afinal, eu tenho ainda a ajuda da Yamanaka.



Sasuke

Eu queria fazer parte daquela família, mesmo que sentisse no fundo que ela não me pertencia. Indo contra todos os meus instintos, eu tinha o desejo de ficar.

– Não tenho profissão, posses, nada. Mas posso aprender um ofício em troca de casa e comida. Por um tempo, pode servir. Acha que Ino-san poderá mesmo me ajudar com minhas memórias? – Ele balançou a cabeça afirmativo, aquele olhar de esperança era algo como a tal luz que a mulher tinha me dito. – Eu apenas quero tê-las novamente... as minhas lembranças. Quero saber quem fui, o que fiz. Quero ser o dono do meu destino, não ouvir minha vida da boca de outros.

Sentei no futon, cruzando as pernas e pensando.

– Por enquanto, o que posso fazer para pagar a estadia em sua casa?

Naruto

Ele aceitou, espero então que Ino consiga dar um jeito, em tudo. Mas agora o que deveria fazer é não tratá-lo como um inútil só porque não se lembra de como se usa o katon.

– Bem, aqui a casa é grande, tem um jardim e um quintal enorme, geralmente eu estou em missão fora da Vila, e Sakura sempre com o Udon, se quiser pode ajudar a cuidar dessa área, é fácil. Ou se preferir, podemos conversar com a obaa-chan, a Vila sempre precisa de alguma ajuda. Você é um ninja, pode ter perdido a memória, mas o seu corpo não se esquece dos treinamentos, pode ser muito útil em algumas coisas.

Então ali parecia que estávamos novamente começando do zero. Como antigamente quando nos conhecemos de verdade no time sete. Eu separei algumas roupas minhas, a gente tinha quase o mesmo tamanho, apesar do Sasuke estar magrelo e eu todo sarado, hehe. Depois que ele tomou um banho, desceu para comer alguma coisa.

– Se quiser, posso te levar agora até a Ino. É bom começar logo, talvez ela tenha tido alguma ideia.

Sasuke

– Hai... – Eu falaria bem pouco, porque não era a fala que precisava ser recuperada e precisaria de toda minha concentração para o tratamento. Estava sentado à mesa, em posição contrária a da esposa de Naruto, que observava o sono do filho enquanto comia. – Um menino... devem estar muito orgulhosos. – O mínimo de educação ainda era necessário, afinal, estava na casa deles.


Sakura

Seria estranho acordar e dormir todas as noites sabendo que o Sasuke estaria no quarto ao lado! Mas eu devia isso ao Naruto e ao Sasuke também, em nome da nossa amizade. Tentei não parecer nervosa, mas falhava miseravelmente. Nunca quebrei tantos pratos em toda minha vida, como naquele dia.

Distraía minha mente com o Udon, que dormia tranquilo. Com a chegada do Sasuke, Naruto e eu até esquecemos da nossa recém-descoberta.


– Arigatou, chama-se Udon.



Naruto

– Meu filho já é um orgulho para mim. Sabe? Ele é cego, mas é esperto demais, as vezes acho que enxerga de modo diferente de nós. A Sakura e eu estamos aprendendo a criá-lo, eu não tenho muita prática com crianças, e ainda mais com aquelas que tenham deficiência. Não que isso seja um problema, porque eu o amo de qualquer forma. Sakura-chan! Quer que eu leve Udon para o quarto? Assim que Sasuke terminar de comer vamos encontrar com a Ino.

Peguei Udon no colo, ele parecia bem manhoso e sonolento. Sakura queria reclamar dizendo que eu ia mimar o menino, mas subi antes que ela começasse.

Sakura

Não sabia se o Naruto estava me testando ou outra coisa, mas de qualquer maneira, eu não tinha que ter medo de nada. Comecei a retirar os pratos da mesa e o Sasuke ofereceu-se para lavar a louça.


– Se quiser, pode secar, lavo mais rápido e não é bom você mexer com água, estava com febre até ontem. – Ele concordou e comecei a lavar a louça, um grande silêncio entre nós.


Engraçado, eu achava que teria muitas palavras a dizer para aquele homem, mas em minha mente ele era ainda um menino, no máximo um rapaz.


– Sane Sasuke... eu fui a última pessoa a te ver na Vila, quando você partiu. Eu fui atrás de você e disse que fugiria com você, que te seguiria onde fosse, mas você não quis. Me agradeceu e largou meu corpo desacordado no banco da saída da Vila. Agora eu preciso te agradecer... – Ele me olhou sem compreender, o que diabos eu agradecia. – Por causa disso, hoje eu tenho uma família que me ama e que eu amo.



Sasuke

Eu a olhava, e parecia que alguma coisa dentro de mim queria muito tentar se lembrar de quem ela era, e o que representava para a minha vida. Ela me agradecia por eu tê-la deixado para trás. Isso não parecia ser algo bom. Porque eu deixaria uma pessoa como essa para trás?

– Eu não me lembro, mas acredito que se fosse hoje, eu não tomaria essa atitude. Mas talvez não seja mais importante você saber disso. Eu fico feliz que a minha decisão no passado tenha feito o seu futuro mais bonito, com sua família. Ao que me parece, você dois, são um casal bem unidos.

Sakura

– Sim, somos. Unidos por você, pela dor de perdê-lo. – Ele me olhou espantado novamente, Sasuke nunca surpreendeu-se comigo. – Para o Naruto, você e eu éramos a única família que tinha. Quando partiu, ele perdeu metade dela e levou muito tempo para se recuperar. E quanto a mim... bem, eu me recuperei.

Ele não precisava saber de que, nem em quanto tempo. O que cabia era a verdade que tinha dito no final.

– Se recuperar suas memórias, ou parte delas... pretende ficar na Vila?



Sasuke

– Eu não sei. Não sei o que me espera. O que será de mim quando lembrar de quem fui, do que fiz. Sinto uma profunda curiosidade agora em saber dos meu feitos, mas quando ouço coisas como essas que me falou, sinto-me tentado a não querer saber quem eu fui. Porque eu iria embora se tinha uma família? Foi algum motivo sério? – Ela se calou, terminando de lavar a louça. – Sakura-san? Se eu fui alguém ruim, para que lembrar-me disso?

Sakura

– Você nunca foi ruim, o que aconteceu com você foi que fantasmas te assombravam. E você não confiou na sua família para se livrar deles. No fundo queria nos proteger, com medo de que nos contaminássemos com o que tinha feito você perder o brilho de um garotinho, mas não nos deu a oportunidade de dizer que amigos caminham juntos, lado a lado. Não um atrás do outro.

Entreguei a ele o último prato, ouvindo os passos do Naruto aproximando-se de nós.

– Konoha é seu lar... e essa é a sua família. Não se esqueça de que estamos aqui.



Naruto

Eu fiquei mais tempo do que imaginava no quarto de Udon, ele parecia tão calmo, e passava para mim a sua tranquilidade. Meu filho me dava uma força nova para viver. Eu queria ser o melhor para ele. Um exemplo na verdade.

Claro que deixá-los sozinhos la embaixo foi de caso pensado, pelo visto a Sakura deveria ter algo para falar que não seria na minha frente. Uhm! Eu confio nela, e mesmo que Sasuke recupere a memória... se ele a ignorou uma vez, provavelmente faria isso de novo.

– Já terminou? Vamos! A Ino pode estar na floricultura essa hora. – Chamei o Sasuke e ele por um segundo agradeceu Sakura por alguma coisa. Entregou para ela o pano e me seguiu. – Quem sabe caminhando pela Vila você não se lembra de algo.

No caminho até a floricultura Yamanaka, mostrei para ele os lugares, lojas e meu antigo prédio, mesmo que um pouco distante. Mas nada o fez recordar.
Chegamos na floricultura e ela estava lá como eu imaginei, em cima de uma escada arrumando os vasos nas prateleira.

Ino

Acordei tão cedo, que acho que nem consegui dormir por uma hora sequer. Fui para a loja e já que não haveria missões para mim naquela semana, achei melhor me ocupar com alguma tarefa. A primeira coisa foi organizar todas as flores, arranjos e vasos, criei até uma nova prateleira. Quando estava terminando de arrumá-las, ouvi uma voz conhecida, quase cai da escada. Ainda parecia um sonho vê-lo de volta a Vila.

– Olá! Eu não achei que fossem vir aqui tão cedo. – Pedi para que entrassem. Achei melhor fechar as portas da loja, Sasuke não deveria estar se sentindo bem com toda aquela gente o apontando. – Podemos usar a sala dos fundo, onde o otousan usa de escritório.

Sasuke

O clima estranho da casa dos Uzumaki não era nada, comprado à Vila de Konoha durante o dia. Eu podia sentir a hostilidade ali, assim como a surpresa e o espanto. O que mais percebi foi que nenhuma pessoa sorriu para mim, assim como eu não fiz em retorno.

Quando chegamos na floricultura, entendi porque aquela mulher cheirava tanto a flores: ela vivia rodeada delas. Confesso que fiquei preocupado com a maneira como ela iria me ajudar, mas naquela parte da minha vida eu não podia deixar que uma barreira ficasse.

Acompanhei-a e logo depois o Naruto saiu, dizendo que tinha que ir ao escritório da Hokage e que não era prá eu sair dali sozinho, mas a Ino adiantou-se e disse que me levaria de volta para a casa dele, quando terminasse. Ele se foi e ficamos os dois sozinhos.

– Eu... me sinto um tolo agradecendo... porque não faço a mínima ideia do que estão fazendo por mim, não compreendo o seu mundo, Ino-san.



Ino

Polido demais, educado demais, esse não era o Sasuke de anos atrás. Eu pedi para ele se sentar numa cadeira e puxei a outra de frente pra ele. Tirei meu avental, e me sentei. Antes de começar imaginei que seria bom a gente conversar um pouco.

– Eu recebi um pergaminho vindo direto da Hokage, ela já sabe tudo o que está acontecendo, e confiou em mim essa tarefa de te ajudar. Primeiro, Sasuke, eu quero que saiba o quanto estou feliz por saber que está vivo, mesmo que não se recorde de mim. Tente relaxar, e não pensar em muitas coisas. Eu vou tentar entrar novamente na sua mente, isso fará com que você sinta-se adormecido. Quando eu retornar, se por acaso me ver desacordada na cadeira, não se preocupe, as vezes isso acontece.

Sasuke

Não me movi, e ela fez alguns movimentos com as mãos e em seguida eu já não sentia mais nada, como se subitamente tivesse caído no sono. Quando eu acordei, era como se a estivesse expulsando, aos gritos.


– Fora da minha mente sua inútil! Não posso protegê-la aqui dentro!!!

Quando dei por mim estava segurando o corpo dela com força, balançando seus ombros e ela me olhava assustada, com lágrimas nos olhos. Que tipo de monstro eu sou?



Ino

Quando eu entrei na mente de Sasuke, estava mais concentrada então a barreira não parecia ser problema, depois tudo ficou negro, eu somente ouvi alguns gritos e vi sangue. Haviam cobras, e algumas lembranças de guerra solta. Foram segundos, poucos segundos de horror, tudo preso na mente dele, quando eu senti meu corpo ser seguro, estava de volta, e Sasuke com olhos vermelhos, o sharingan ativo. Me apertava os braços, gritando comigo. Aos poucos ele me soltou e eu não conseguia parar de chorar.

– Sa-sasuke... – Ele virou-se de costas empurrando as cadeiras e apertando as mãos na cabeça. – Você se recorda de alguma coisa? Qualquer coisa...

Me levantei, mas ele não deixou que eu me aproximasse dele.

Sasuke

– Não se aproxime de mim, Ino!


Meus olhos ardiam, assim como a minha cabeça. Voltei o rosto para longe dos olhos azuis espantados e dei de cara com meu reflexo amedrontador no espelho: era claro porque ela temia. Eu tinha sangue até mesmo nos olhos.

Sim, eu vi um fragmento das minhas lembranças e aquilo tinha sido terrível. Mas eu sei que algo dentro de mim impediu a Yamanaka de avançar. Sinto que há muito mais escuridão dentro de mim que os olhos ou a mente dessa mulher podem alcançar.


– Quem você viu? A mim? – Eu não olhava prá ela e também já não tentava mais se aproximar de mim. – Não posso voltar para aquela casa Ino... você viu! Eu tentei matar o Naruto! Como ele me chama de irmão?



Ino

Eu não poderia dizer o que achava ter visto, Sasuke já estava atormentado demais somente por ver no espelho o reflexo de seu sharingan. O que seria quando soubesse de tudo.

– Algumas imagens distorcidas, acho que deve ter sido a última coisa que você viu antes de perder a memória. Mas... Sasuke, quanto ao Naruto. O que aconteceu, foi que ele tentou te trazer de volta, mas você não queria voltar. Vocês lutaram e quase se mataram, mas cada um seguiu um caminho. Mas o passado não interfere o seu futuro. Me deixa continuar tentando, eu posso ser mais cautelosa daqui para frente, podemos começar com recordações simples, hipnose ou algo assim. Me deixa te mostrar que não há somente coisas ruins na sua vida, também houve coisas boas.

Me aproximei dele, tocando em seu ombro.

Sasuke

– Eu não consigo acreditar nisso... não consigo acreditar em mim. Mas quem sabe eu não confio em você o suficiente para nós dois? Eu... agradeço pela ajuda, mas acho que por hoje já é mais que suficiente...


Ela me compreendeu e voltamos para a casa dos Uzumaki. Quando eu cheguei, o filho estava acordado num cesto de bebê no meio da sala e este rodeado por muitas almofadas, certamente a mãe não estava próxima.

Sentei-me ali e recordei que Naruto disse que o menino não podia ver. Não me parecia isso, mas os azuis tendiam a ser mais escuros, quase turvos. Diferentes do pai e muito mais dos verdes dela.

Sakura

Era ainda estranho não me pegar surpresa com a presença do Sasuke, mas eu o senti ali em casa e fui ver. Ah, mãe tem dessas coisas, não podia arriscar nada com o meu bebê.


– Já de volta Sasuke? – A cara dele não era muito boa, não que um dia tivesse sido para mim. – Algum problema?



Sasuke

– Hai. Sinto muito se incomodo, mas achei melhor voltar logo, acho que para o primeiro dia, eu já vi mais do que queria. Digo, Ino-san viu. – Ela perguntou onde estava a amiga, respondi que fora para casa ou algum outro lugar que não me recordo onde. Observei o menino no cesto, sempre ativo e se mexendo muito. – Acho que a machuquei hoje.

Sakura sentou-se próximo a mim, e esperou que eu terminasse de falar. Quando eu relatei o pouco que havia compreendido daquela cena estranha, ela nada disse, parecia pensar, como se lembrasse de algo ou tentasse encaixar melhor suas ideias.

Sakura

A mente dele era uma total bagunça, disso eu sabia, acostumei-me à essa ideia ao longo dos anos. Entretanto o horror parecia ainda maior, a tal ponto que nem mesmo Sasuke queria suportar.


– Sasuke... não nos impeça de ajudá-lo, não cometa o mesmo erro duas vezes. Se a Ino não disse nada contra, não abandone o tratamento. Ela é muito honesta e uma das pessoas que se preocupou com você e se preocupa agora. – Udon estava tão inquieto, pelo amor de Kami-sama! Quase como se fizesse a vez dos pais ao não me deixar sozinha com o Sasuke. Ah, eu bem merecia isso! Peguei meu filho no colo e já tinha reparado como o Sasuke olhava diferente para ele.


– Sabe, sempre foi seu objetivo reconstruir seu clã. Aliás, era um dos objetivos. O clã Uchiha era um dos de mais prestígio de toda Konoha.



Sasuke

– Uchiha? – Ela parecia tão amorosa com a criança, o menino acalmo-se rápido quando percebeu estar no colo da mãe. Imagino como Uzumaki Naruto seja, feliz com sua família. – Eu tinha um clã? E onde eles estão? – Mas eu entendi melhor que ela disse reconstruir, isso significa que eu poderia ser um dos últimos.

Um clã, uma família que não era bem minha, pessoas que se preocupam demais comigo, e minha mente em conflito. Tudo aquilo me deixava sem saber que decisão tomar, mas era incrível como o olhar dela me acalmava, tranquilizava dos problemas. Sentia que aquilo poderia até mesmo ser recíproco. Me aproximei de Sakura, olhando o garotinho mais aninhado no peito dela.

– Eu não entendo ainda, porque a abandonei.

Sakura

Com que direito ele fazia aquilo? Recordando-se ou não, era o mesmo Sasuke egoísta de antes... mesmo que não fosse intencional. Acalentei Udon, mas não desviei os olhos dos dele, tentando passar a frieza que ele mesmo usou ao dizer as palavras anos atrás:


– Você me chamava de irritante e dizia que só fazia atrapalhar. E também era um menino, assim como eu era uma menina. Crianças não abandonam umas às outras, apenas são teimosas demais para pedir desculpa. Anos mais tarde, quando nos reencontramos... ali sim... ali você escolheu por abandonar a todos, não apenas a mim. Eu não sou melhor que ninguém Sasuke...



Sasuke

– Onegai! Me desculpe, Sakura, eu não queria te insultar ou criar algum caso. Sinto muito se pareci grosseiro. Eu somente gostaria de me desculpar se fui rude no passado. Não é uma realidade muito justa que eu esteja aqui sendo tão bem tratado e que fui tão péssimo antes. Eu aceito a ajuda de vocês, não vou fugir. Agora mais do que nunca, desejo saber quem realmente foi Sasuke, somente não quero ser mais uma vez algum problema. Eu vou, me retirar, acho que vou olhar o jardim e o quintal, como seu marido comentou mais cedo comigo.

Saí da sala sem esperar que ela dissesse algo. Passei as horas seguintes olhando a plantas, juntando folhas e arrumando algumas coisas. De alguma forma, eu sabia como fazer tudo aquilo.

Naruto

Cara que saco, a obaa-chan tava mais possessa do que nunca. Reclamou tanto por eu não ter levado Sasuke de imediato para ela, mas depois ficou toda feliz porque a Ino já estava concentrada no problema. Isso significava mais tempo para ela cochilar ou perder dinheiro por ai. Esperta demais.
Passei na floricultura e estava fechado, imaginei que a sessão ainda estava acontecendo, mas eu a vi caminhar pela rua um pouco desorientada. Ino parou ao me ver e caiu em lágrima, mais essa. As mulheres hoje estão doidas.
Só que ela me contou o que aconteceu, e o que viu, se haviam tantas cobras assim e sangue, poderia ser alguma batalha que Sasuke travou com alguém, e quem sabe assim perdeu a memória.

Voltei para casa e ele estava arrumando o jardim.
Sakura estava mais preocupada com Udon, outra coisa que eu falei com a obaa-chan e ela me disse que iria ajudar no que fosse necessário, mas do meu filho eu cuidaria certinho, o problema era mesmo cuidar do Sasuke, ele não parecia tão bem como antes.


Notas finais
Aiai, eu até fiquei com peninha do Sasuke. Pobre coitado, magrelo, abandonado e sem memória.
Ah!Logo o Gaara aparece, sei que ta demorando um pouco, mas é que essa historia do Sasuke enrolou muito. rs

Beijos amore