Getsu

20 Do fim ao começo


Notas iniciais
Leiam, comentem e não me matem. Preciso dizer que o capitulo vai pra jennifer_n pq ela sempre me manda msg lembrando pra postar a fic.


Ino

O Naruto não aprende mesmo, eu pedi para comprar fatias e não tiras. Tinha que arrumar tudo de novo na cozinha. Ele é mesmo bom somente com rámen. Vamos lá, senão o jantar vai ser servido amanha cedo.

Ficamos de nos reunir aquela noite. Sasuke logo chegaria e enquanto isso, eu preparava toda a comida, decidi fazer um agrado, já que sempre é a Sakura quem cozinha pra gente. E hoje eu estava animada até para um dia de esposa.

Parecia então que só faltava a salada ficar pronta. Cortava os legumes certinho, e bem fininhos. Senti um incomodo, como estar sendo vigiada, e isso não era o feitio de Naruto, e Sasuke ainda deveria estar com Udon. Virei-me com a faca em mãos, apontando para a porta. Quase que a deixo cair no chão com o susto.

– Mas o que faz aqui?

Gaara

Visitar Konoha era algo que eu adiava há meses, porque não queria estar tão perto dela, não depois de ter sido abandonado daquela maneira. Tive que lidar com graves consequências em Suna, as pessoas me criticavam e viam cair por terra a única oportunidade do Kazekage constituir família. Em Suna o título de Kage é hereditário, por isso a preocupação com meus herdeiros.

Entretanto, quando a reunião para decidir o acordo entre a segurança das rotas de comércio foi agendada, eu não pude mais evitar. E muito menos queria.

Fui para Konoha disposto a conversar com a Ino, porque eu sabia que ela não poderia deixar de sentir por mim o que disse que sentiu por tantos anos de um dia para o outro. Passei na floricultura da família e nos lugares que me lembrava e não a encontrei, mesmo quando me afirmaram que ela não estava em missão. Percebi nas pessoas certa hesitação, mas não soube dizer o motivo. Restou-me ir à casa do meu amigo Naruto, ao menos não perderia a viagem e conheceria o menino, coisa que ele me cobrava todas as vezes que aparecia em Suna.

Mas quão grande não foi minha surpresa ao dar de cara com ela ali, na cozinha dele.

– Como está, Ino?


Ino

A resposta estava na ponta da língua. Eu estou muito bem longe de você e do seu modo muito estranho de amar. Mas resumi isso de uma forma mais simples.

– Estou bem. Naruto está lá em cima, com Sakura. – E eu sabia muito bem que aqueles dois safados não iam descer tão rápido. – Pode esperá-lo na sala se preferir, estou ocupada cortando legumes.

Virei-me para a mesa e voltei a cortar, mas dessa vez o corte não era tão delicado e fino como antes, saiu de qualquer jeito. Minhas mãos tremiam, me denunciando para os olhos de Gaara. Ele não se moveu, somente quando entrou ainda mais na cozinha e passou para o outro lado da mesa, me encarando.

– O que faz em Konoha? Kazekage-sama.

Gaara

Vê-la ali agindo indiferente quando não estava só fez acender em mim a vontade de tê-la outra vez. E acho que dessa vez poderíamos acordar algo que não fosse ruim para os dois, onde Suna não ficasse prejudicada, nem ela. E também eu.

– Negócios e coisas mais importantes. – Não era de rodeios, nunca fui. – Vim ver você e quero que volte comigo para Suna.

Ino

Maldita hora que resolvi olhá-lo, cortei meu dedo no momento em que ele disse que desejava meu retorno com ele. Juntos!
Corri para a pia, lavando o corte, Gaara somente me olhava, esperando a resposta. Com ele era assim, tudo muito fácil. Mas não era.

– Com que direito faz isso? – O sangue parou de sair. – Depois de meses. Como tem coragem de vir me pedir algo assim? Na verdade, isso nem foi um pedido, não é? Como sempre, o Kazekage decidiu o que deseja e leva o que quer. Mas não hoje, não mais comigo. Porque você não lutou por mim quando sai do seu quarto naquela noite. Você me deixou ir embora. E o que faz vir hoje querer novamente o que parecia ser interessado somente uma vez por mês?



Gaara

– Você sempre foi voluntariosa e caprichosa. Pensei honestamente que era mais um dos seus caprichos. Quando percebi que não era, meu orgulho falou mais alto e me impediu de vir. Só que tudo tem limite Ino e eu preciso de você em minha vida. Não é uma coisa da qual abrirei mão sem lutar.

Aproximei-me dela e não me intimidei com a faca que impunha.

– Estou aqui, para lutar.

Ino


– Mas agora é tarde, Gaara! Você e seu orgulho demoraram muito para vir atrás de mim. Eu reconstruir minha vida e meus sonhos bem distante de Suna. Eu sou uma filha de Konoha, é aqui que devo ficar. E hoje tenho alguém que me ama e que não deseja me ver somente uma vez por mês. Está ao meu lado sempre e se me dá licença, eu preciso terminar esse jantar que logo mais o meu noivo vai chegar. E ele não vai gostar nada de ver alguém tão próximo de sua futura esposa. Como você está agora. Volte para Suna, sem mim.

Abaixei a faca, mesmo que tenha inventado ser noiva de Sasuke, e dizer com tanta ênfase que ele me amava muito, eu me sentia melhor e achava mesmo que ele iria sair.

Gaara

Naquele momento eu me arrependi por não ter seguido os conselhos de Kankurou e instalado uma vigilância em Konoha. Há anos eu não tinha mais vontade de matar, não aquela sede de sangue. Mas só de pensar em outro tocando a pele macia dela... isso me tirava a paz de espírito, por completo.

– E a qual pessoa eu devo informar a perda? – Ela me olhou sem compreender. – A sua perda.

Ino

Eu não iria dizer o nome de Sasuke, mesmo porque ele não iria me perder. E Gaara não precisava saber quem era o meu namorado. Mas o sorriso malicioso dele me tirou do sério. Na certa estaria pensando que eu estava mentindo sobre tudo aqui. Perguntou mais uma vez quem era o tal, se é que ele existia.

– Sasuke jamais me perderá! – Esbravejei e ele sério. – Você não fará nada de mal a ele porque eu o proíbo. Mesmo que não seja necessário, pois meu noivo pode muito bem se defender sozinho e me proteger. Então vá embora agora Kazekage. Não volte, já me magoou demais.



Gaara

Segurei o braço dela com força, não era possível. Era uma total loucura, mesmo para Ino.

– Uchiha Sasuke? O mesmo que abandonou a Vila e voltou desmemoriado e que lhe feriu vezes e vezes durante um tratamento? É esse o homem maravilhoso que aguarda por você?

Ela disse que sim e falou mais algumas coisas, que não pareciam em nada com o verdadeiro Sasuke. Ele tinha um lado sombrio, como eu mesmo tinha. Isso não desaparece da noite pro dia.

– Você fala, fala. Mas em nada me faz acreditar. Definitivamente, esse homem de quem fala não é Uchiha Sasuke. O que você tem é uma cópia. O que acontece no dia em que o verdadeiro vier à tona?



Ino

Essa questão era sempre martelada na minha cabeça. Mas eu não tinha medo de Sasuke. Sei que ele faz de tudo para manter-se bem. Essa hipótese não diminuiria o que eu sentia por ele. Nunca!

– Eu estarei aqui pra ele. Isso é o que vai acontecer. Porque do contrário de outras pessoas, eu não sei abandonar. Eu não deixo de amar, eu jamais o deixarei. – Ele ainda me segurava, me engolindo com seus olhos verdes. Não era bom te-lo tão próximo assim de mim. – Onegai! Me solte... não há mais nada que você possa fazer aqui. Entenda Gaara, eu não deixarei Konoha, nem o que eu estou construindo aqui para ir com você.

Gaara

Ela negociava comigo, pois bem, não me importo de entregar tudo o que tenho.

– Eu sonho com você todas as vezes que consigo dormir, sinto seu cheiros nos meus lençóis, ainda posso dizer cada curva do seu corpo, ou como seu rosto contrai quando sorri. Posso dizer suas flores prediletas e também o seu momento do dia. E também sei que é uma pessoa de sentimentos puros e que aqueles que devotou para mim por tantos anos não sumiram, fazem parte de você e ainda estão aí, esperando que esse homem entenda o que fez. Peça Ino, peça o que quiser. Te ofereço o meu poder, a minha terra, a minha vida. Ou pode compartilhar disso tudo ao meu lado, como sempre foi a sua vontade.



Ino

– Se sabe tudo isso então diga... Diga pra mim Gaara. Você sabe também o quanto chorei por você? O quando sofri desejando ouvir isso que me diz hoje, mas há anos atrás. Eu colhi migalhas de amor, juntava-as e me contentava. Mas vi que é muito pouco para mim. É pouco demais quando nos sentimos amada de verdade. Sasuke pode não ter o mesmo poder que você, ou mansões e dinheiro. Mas ele tem o que o Kazekage jamais irá ter novamente, que sou eu. Ele me ama, e quer o melhor de mim, ele faria tudo que estivesse ao seu alcance pra me ver feliz.

Eu cuspia palavras que não tinha certezas, mas sentia que Sasuke se estivesse ali, iria dizer isso à mim.

Gaara

– Você não pertence a homem algum Ino, a ninguém! Você é muito maior e por isso não queria que ficasse em Suna, presa a mim. Mas eu estou disposto a abrir mão de tudo que tenho, se com isso você acreditar em mim. – Rodeei o corpo dela com meus braços, encontrando uma breve dificuldade, mas eu soube driblar. – Esteja comigo, não seja minha, mas compartilhe comigo a vida que sempre quis.

Por um segundo eu vi expectativa, eu vi esperança. Os azuis tremiam novamente por mim.



Ino

Durante longos quatro anos, eu vivi para amar uma pessoa. E mesmo que essa pessoa não fosse a mais indicada para fazer uma mulher feliz, por ter um passado com pesadelos, eu ainda queria ser o sonho dele de noite. E parecia que agora eu tinha o que queria. Mas parecia errado. Era tarde demais para aquilo?

– Gaara, não faça isso comigo. – Ele acariciava meu rosto, aproximando sua boca na minha pele. – Onegai! – Me beijou no rosto, respirando forte. – Porque agora? Porque me quer agora? Eu não quero sofrer novamente. Me diz que não vai me fazer sofrer. – O que eu estava dizendo.

Sasuke

Udon estava bem agitado, por isso passei direto da cozinha, onde sabia que a Ino estaria, ajudando com os preparativos do jantar. Bati à porta do quarto do casal e o menino foi chamando pelo pai. Naruto agradeceu por ter ficado com ele e disse que ainda esperaria a Sakura para descer. Avisei então que ficaria na cozinha, com a Ino.

Ao descer as escadas, reparei numa vibração diferente no chakra da Ino, bem como o de outra pessoa que estava ali. Mais uma vez eu era observador naquela casa, mas dessa vez, de uma cena que me fazia pensar. E tremer por dentro.

Ao ouvir a Ino perdendo o controle e se entregando, senti-me um tolo, por tudo. Eu estive atuando como substituto, todo o tempo? Quando irrompi na cozinha não foram gritos, mas o meu tom de voz comum, acentuado pelo meu orgulho ferido:


– Aparentemente, você apenas se preocupa com o seu sofrimento. Pelo visto acho que nunca existiu nada entre nós, você sempre esteve à espera do Kazekage-sama. – Virei-me para ele, a vontade de matar aquele homem era imensa e eu sabia que podia fazê-lo. – Faça bom uso, Kazekage-sama.

Ao sair, mal ouvi a voz do Naruto, que descia as escadas preocupado.

Naruto


Eu ouvi a voz de Sasuke sério, e um grito de Ino pedindo para ele esperá-la. Desci as escadas e havia mais gente ali.

– Gaara? O que esta acontecendo? – Ele apenas me cumprimentou dizendo que veio me visitar e enfim conhecer o Udon. Logo depois Sakura desceu também e deixou o menino comigo. Perguntou por Ino, mas naquela confusão eu não vi que ela havia saído. – Deve ter ido atrás de Sasuke. – Voltei-me para Gaara. – Eu não sei o que houve, mas Sasuke não sairia daqui sem ter ouvido ou visto algo sério.

Ele nada falou, sentando-se no sofá e conhecendo Udon. Como deveria ser mais de um ano atrás quando ele nasceu. Mas eu entendo que o seu cargo lhe tirava muito tempo.

Ino

–
Matte Sasuke!!! – Eu corria pelas ruas, enquanto ele somente caminhava pesadamente. – Onegai! Me deixa explicar. Onegai.

Minhas lágrimas já molhavam meu rosto, eu não conseguia enxergar mais nada na minha frente, senão ele. O que eu tinha feito? Me deixado levar pelos verdes, deixado que meus sonhos antigos me abraçassem. Não posso negar que foi emocionante ver Gaara me desejar novamente, mas era errado.
Sasuke sumiu dos meus olhos. Eu corri para todos os lados e nada de achá-lo. Fui então para seu apartamento, abrindo a porta com força.

– Sasuke! Você está aqui? – Ele estava sentado na janela, olhando para o nada. – Sasuke-kun, eu posso explicar tudo.

Sasuke

Eu queria ter raiva, mas não conseguia: era direito dela viver aquele sonho e eu sabia da existência dele. Afinal de contas, por que não preferir um Kazekage poderoso, ao qual sempre foi apaixonada, a um jounin esquecido de Konoha, que vai empenhar pra sempre a alcunha de traidor? Não havia muito o que pensar mesmo. Mas eu estava sim chateado, por ainda assim saber que sentiria falta dela.

– Não precisa me explicar Nada Ino. Eu não posso dizer que estou desapontado, porque nós nunca prometemos nada um para o outro.



Ino

Nunca prometemos nada, nem houve juras de amor, nem palavras apaixonadas. Somente a companhia, conversas e o carinho cúmplice. Mas eu tinha sim uma explicação. Deveria ter explicação para o meu comportamento.

– Perdão Sasuke. Mas eu acho que você não ouviu toda a conversa. Chegou no momento que eu vacilei, confesso. Poderia ter sido mais forte sim. Admito que meu coração balançou quando ouvir que ele veio até aqui para me levar, porque fez algo errado. Eu só queria saber até onde ele estaria disposto por mim. Mas eu não deixei de pensar em você um momento sequer. Eu não quero ir para Suna, quero ficar com você, se ainda me quiser. Não me culpe de ser fraca por um minuto. Eu fui forte por meses.

Sasuke

– Você não precisava ser forte! Ao menos não foi o que eu quis, eu desejei que você estivesse ao meu lado, por achar que era o mesmo que você queria! Mas quantas vezes esteve comigo apenas para entreter-se enquanto ele não voltava, para lhe fazer o pedido de hoje? Por que não me disse Ino? Eu não merecia essa consideração? Ou será que você estava enfim tendo algum prazer em me torturar, mas não em sonhos como minhas memórias, mas na vida real?



Ino

– Não! Jamais. Sasuke eu nunca faria algo de ruim para você, não premeditado, sinto, sinto muito por hoje. Foi somente um deslize meu, prometo que não irá mais acontecer. Estou contigo porque quero. Desejo, eu te … Nós estávamos indo tão bem não é? Eu estraguei tudo. Gomenasai, Sasuke-kun. – Sentei-me na cama, abaixando minha cabeça até os joelhos, sentia-me um pouco tonta pela corrida.

Ficamos ali, alguns minutos em silêncio.

– Esse tempo em que passamos juntos eu aprendi muita coisa de mim mesma. E dos outros também, ouvir mais, falar menos, sentir... ter paciência... Será que você não me entende Sasuke? Será que se fosse com você, também não iria se sentir assim? E se Sakura corresse até aqui dizendo que te amava e que desejava passar a vida toda com você. O que faria?

Sasuke

– Se a Sakura viesse até aqui? Eu diria, sem medo de errar, que eu não faria o Naruto sofrer mais ainda na vida. Eu não amei a Sakura, não como você amou, ou ama, o Kazekage. Eu apenas achava que alguém que foi capaz de me amar mesmo quando ninguém o fazia, esse alguém, merecia os meus sentimentos. E aos poucos eu fui aprendendo que o melhor a fazer pela Sakura em retribuição, era deixá-la livre desse peso. Assim como eu acho que pode ser o melhor para você agora.

Desci da janela, queria que ela me entendesse bem, e que não tivesse dúvidas:

– O que você teve Ino, foi um vacilo que jamais existiu na Sakura. Isso porque ela quer estar com o Naruto, porque sente alguma coisa por ele de verdade. Não se sinta menor que ela por isso, mas acho que você deve ouvir seu coração, mesmo que não pareça lógico.



Ino

– E se eu lhe disser que meu coração está dividido? Se eu falar para você que não pensava nele quando estava contigo, acreditaria? Mas que mesmo não querendo, aquele homem se apossava dos meus sonhos e me fazia sofrer, achando que te traia. – Eu não desejava o fim, não sabia mais o que queria. – Pode me ajudar Sasuke, você tem como me ajudar a tirar isso da minha cabeça. Eu estou aqui... eu corri para você. Me ajude.

Abracei-o com força, beijando seu rosto, puxando-o para a cama, mas ele foi me afastando aos poucos.


– Me perdoa?

Sasuke


– A questão nunca foi perdoar Ino. – Afastei-a, tentando em vão não ser grosseiro. – Eu lamento, mas não posso continuar com nosso relacionamento. Não sei se durante a próxima visita do Kazekage de Suna eu poderia aguentar perder minha esposa, por isso prefiro ver uma namorada partindo para ser feliz. Eu me sentiria ainda mais danoso. Gomen, preciso sair, se quiser, pode ficar para se recompor, mas eu não posso ter minhas certezas em alguém que tem tantas dúvidas quanto eu.



Ino

– Sasuke-kun! Onegai, não me deixa aqui sozinha. – Ele se foi. Fechando a porta sem falar mais nada. Por minha culpa, por minhas dúvidas ridículas. Ele se foi, não posso culpá-lo.

Esperei mais um pouco, não voltaria para o jantar na casa de Sakura, seria até mesmo muita cara de pau minha. Fui então para a minha casa. Papai deveria estar saindo para o Centro de Comando, e ao entrar, eu o vi com uma cara muito zangada. Eu imaginei que Sasuke poderia ter passado ali, ou estivesse me esperando, quem sabe decidiu me perdoar. Mas não era ele que estava em pé na sala.

– O Kazekage-sama está aqui já faz algum tempo Ino. Eu preciso ir trabalhar agora. Mas se precisar de algo, sabe como me chamar. – Ele se despediu com respeito de Gaara, era notório o esforço que papai tinha para fazer aquilo. – Filha, você é adulta. Mas não me faça ter que resolver seus problemas.

Ele saiu dando-me um beijo na testa e fechou a porta.

– Já não ficou satisfeito com o que fez hoje? O que ainda quer comigo? Eu não estou boa para discussões.

Cruzei meus braços já indo abrir a porta para ele sair da minha casa.

Gaara

– Eu gostaria de dizer que lamento a situação, mas não posso fazer isso porque seria uma mentira. Lamento sim, o incidente. Permanecerei na Folha por sete dias e posso esperar por você quantos dias forem necessários. Eu conheço você Ino, se não quisesse vir comigo, jamais teria me deixado aproximar. E pelo visto, o Uchiha a conhece também. Vou esperar o dia em que você mesma reconheça isso.

Levantei-me e tentei acariciar-lhe o rosto, mas ela desvencilhou-se.

– Qualquer hora, só precisa me chamar ou ir ao meu encontro. Eu não tenho pudor algum por ir atrás de você. Não mais.



Ino

Ele saiu antes que eu ordenasse. Bati a porta com raiva e corri para o meu quarto. Eu não queria que aquelas palavras dele fossem nem de longe uma alternativa para mim.

Precisava e iria conseguir caminhar com minhas próprias pernas, e viver sozinha se preciso, mas em cinco minutos os meus pensamentos eram divididos pelos dois homens.

Gaara desenterrou um sentimento que me abalava, e Sasuke parecia querer enterrar.

Não dormi, passei toda a noite me torturando com a imagem dos dois na minha cabeça, não havia escolha certa ou errada. Não era justo eu ficar ali no meu quarto enquanto alguém ainda se sente mal por um ato meu.
Me levantei assim que o sol nasceu, tomei um banho gelado para criar coragem e fui atrás dele. Esperei na entrada da Academia, mas quando Sasuke apareceu, ele passou direto, não me deixando tempo nem pra ficar próxima. Esperei mais tarde mas ele não saía. Quando perguntei para Iruka-sensei, Sasuke já havia ido embora há algum tempo.

Fui até Sakura, e estava envergonhada demais pra contar tudo, não era nem necessário porque ela já imaginava o que havia acontecido. Me deu o mesmo conselho que Sasuke, ouvir meu coração. Mas como se ele grita coisas que eu não entendo. Tentei encontrá-lo no seu apartamento, mas claro que não estava lá.
Voltei para casa e me acolhi nos braços de papai, ele me segurou com carinho em seu colo e me ouviu. O mesmo conselho foi dado, eu agradeci, beijei-lhe o rosto e fui para o quarto.

Eu queria falar com Sasuke, eu queria lhe dizer o quanto estava me apaixonando por ele, que esse amor antigo pelo Gaara seria passado se ele me aceitasse de volta. Como uma menina ingênua eu imaginei que naquela semana ele viria me ver, me procuraria dizendo que me amava e que eu não fosse para Suna, que ficasse com ele em Konoha. Mas isso não aconteceu. Naquela semana a única coisa que bateu na minha porta foram mensageiros e entregadores. Presentes enviados por Gaara, jóias, flores raras, mensagens curtas. Ele me perseguia até mesmo nos meus pensamentos.

No sétimo dia, quando Gaara disse que partiria para o país do vento, eu estava sem ter uma decisão, senão aquela de continuar vivendo as minhas burradas.
Me arrumei, sem muito glamour. Talvez eu tenha me enganado todo esse tempo, quem sabe eu realmente não estava apenas esperando-o até hoje.

Saí de casa e só havia um caminho para seguir. Cheguei no hotel, era como se eu estivesse sendo aguardada por eles. Quando me viram, levaram-me até onde ele estava hospedado.

– Kazekage... – Entrei no quarto um pouco receosa, Gaara estava em pé na janela, quando virou para mim, sorriu estendendo a mão, e eu a alcancei.

Gaara

– Eu esperei pacientemente.

E mesmo que ela não estivesse ali plena, feliz, satisfeita – ainda assim –, ela estava ali. E fazê-la confortável seria a minha resolução de vida. Aconcheguei-a em meus braços, aspirando novamente o perfume de seus cabelos.

– Será tudo diferente, é uma promessa. – Voltamos para Suna três dias depois. Em menos de um mês, para mostrar a intenção de minhas palavras, Suna ganhava mais um membro da família oficial. A minha mulher, aquela que escolhi para viver ao meu lado.

Notas finais
Eu fiz isso sim, aliás, nós temos uma boa desculpa para essa reviravolta. Juro!!! Vamos entrar na segunda fase da fic no próximo capitulo. Então! Quero que todos não abandonem a história por isso. TOT

Beijos meus docinhos

Kori e Lila