Getsu

38 Despedida e Conflito


Notas iniciais
Iformações sobre sumiço no final do capitulo.

Udon

Visitamos Mika em uma semana, na outra já teria Yume indo para Suna. Até esperamos que ela viesse se despedir, mas alegou cansaço.
Levei Yume para jantar fora, ficaria longe dela por no mínimo uns seis meses, algo relacionado ao seu posto em Suna.
Para ficarmos mais a vontade achei melhor ir em um restaurante em outra vila. Em Konoha todos falavam demais, e eu queria mais intimidade. Em outro lugar as pessoas não ficariam tão curiosas, mesmo nós dois sendo filhos de líderes, quase impossível de ocultar nossas identidades.
O jantar estava calmo, ela animada com a novidade que seria Suna. Estava me falando o que faria, como seria seu trabalho junto com o pai.

– Yume! Fico feliz por você. – Eu estava mesmo feliz, mesmo que tudo aquilo significasse que nós ficaríamos separados por um tempo. – Assim que tiver tempo eu vou querer ir te visitar lá, tudo bem?

Yume

Eu estava empolgada sim, mas um pouco receosa de deixar o Udon sozinho tanto tempo. Mesmo que Suna fosse próxima de Konoha, ainda eram três dias que nos separavam e sabe-se lá o que o Udon faria com as assanhadas da Vila. Ele pensa que eu não percebo a Reika dando mole pra ele, o dia que ela for mais abusada, eu entro na mente daquele cachorro feio dela e faço ele dar um mordidão na bunda!

Assim eu acabo assustando o Udon, mas ele não percebeu meu tom de voz alterado quando ri um pouco do que imaginei.

– Udon, claro que eu quero você lá sempre! Sempre que puder e quiser, o otousan tem que me explicar muita coisa no início, mas eu prometo que te mando notícias assim que as coisas estiverem mais calmas.

Procurei as mãos dele, queria todo o carinho que pudesse me dar.



Udon

– Eu também tenho algumas coisas para ajudar o meu pai. Pelo jeito cada um esta seguindo a carreira do pai. – Eu sorri meio sem jeito. Não queria tomar nenhuma decisão ou querer dar um passo muito grande, a única certeza que eu tenho era o amor que sinto pela Yume. – Eu já falei com você sobre isso antes, mas acho que não fiz do jeito certo. Quero que saiba que o meu amor por você não vai mudar com essa viagem.

Procurei dentro da camisa, no bolso, a caixinha. Tirei e segurei na frente dela procurando com a mão a abertura. O anel que comprei com a ajuda da okaasan, era como eu queria, com a pedra verde. Igual aos olhos dela, aqueles olhos que eu sonhava em um dia poder ver, ao menos um segundo.

– Yume! Eu só quero saber se você ainda quer casar comigo. – Consegui abrir a caixinha e só ouvia a reação dela. – Mas, não precisa responder agora, sa-sabe, eu só queria te dar isso po-porque, eu achei que seria uma lembrança minha para quando estiver sentindo sa-saudades.

Yume

O Udon era realmente gentil, carinhoso e buscava fazer tudo especial pra gente. Ele me pedia em casamento, pra me deixar marcada pra sempre pelo amor dele.

– Claro que eu aceito! Não preciso pensar numa resposta melhor que essa. – Agarrei-o pelo pescoço efusivamente e dei vários beijos, pra logo depois oferecer minha mão toda boba pra ele colocar o anel. – Você não precisava ter gastado tanto! É tão lindo, a pedra é verde. Eu adorei.



Udon

– É bom que o anel seja bonito mesmo, tenho que confessar que fiz a okaasan perder um dia inteiro comigo procurando o que eu queria. – Ela sorriu, eu podia sentir quando colocava minha mão em seus lábios. Consegui depois colocar o anel com a sua ajuda. – Bem, acho que estamos noivos, só espero que nossos pais não fiquem bravos por eu não ter convidado eles para participar do noivado.

Pedimos a sobremesa, e a conta em seguida. Yume estava já resmungando que não queria ver o final daquela noite, e nem eu queria. Estava muito bom ficar com ela, e amanhã, essa hora, ela já estaria indo embora.

Yume

– Você vai me visitar? – Eu já tinha repetido que Suna era perto de Konoha, mas ainda assim, parecia que estava indo para o outro lado do munod. E eu estava morrendo de ciúmes por antecipação. Agora eu deixaria o Udon em Konoha sabendo o quanto ele precisava de alguém ao lado dele. E as possibilidades são muito grandes em relação a isso, não falta quem desejaria fazer companhia a ele. Mas eu deveria confiar mais no sentimentos que temos.



Udon

Por mim eu iria a cada duas semanas, ou uma vez por semana ou menos ainda, mas não era assim tão simples sair de Konoha e ir pra Suna, ainda mais sendo praticamente um alvo, e sempre que saíamos de Konoha eu tinha que avisar, o paradeiro também, ao menos o otousan não era paranoico como a okaasan e não enviava a ANBU para me seguir e fazer a guarda. Isso era constrangedor.

Confiava em Yume demais, só que comecei a sentir algo que nem mesmo tinha fundamento algum. Ciúmes era muito cedo para definir, não que ela fosse encontrar alguém lá, mas eu não sei. Não estarei lá para cuidar dela.

Abracei-a sem falar nada, o restante da noite ficamos fazendo planos. No outro dia bem cedo teríamos que retornar para Konoha, pois ela viajaria logo mais tarde. Não sei se a parte mais triste seria me despedir, ou vê-la indo embora. Pior, sentir um vazio depois de sua partida. Acho que tudo isso junto foi doloroso demais. Mas mantive um sorriso para fortalecê-la e mostrar que eu estaria ali esperando.


~ — ~



Kaoro

Finalmente o quarto só para mim. A primeira coisa que fiz foi afastar a cama da princesinha pro canto do quarto, joguei um monte de almofadas em cima e uma colcha colorida que comprei com o meu próprio dinheiro. E também não era só isso, mamãe deixou eu pintar o quarto, mesmo sabendo que eu faria sem consentimento. Já estava cansada daquelas cores bregas e horríveis que Yume gostava e o papai sempre fazia suas vontades. A cama virou sofá, o guarda roupa finalmente com mais espaço e minhas coisas não ficariam mais enfiadas em baú.

Pendurei alguns enfeites que Tenkaro me presenteou para comemorar a minha liberdade. Isso porque a okaasan foi até boazinha e não ter colocados mais gente nesse quarto. Acho que nossa casa precisava crescer. Precisamos de mais espaço, porque o otousan não recorre ao conselho e pega de volta o distrito Uchiha? Seria muito melhor, somos o único clã antigo sem distrito, que vergonha.

Pintei as paredes a tarde toda, ficou um show! Queria que meu amorzinho visse.

Fui tomar um banho e quando voltei me deparei com o senhor Uchiha no meu quarto, será que tava fuçando nas minhas coisas?

– Não tem nada pra você aqui otousan, só calcinha e boneca. – Peguei das mãos dele um porta retrato da foto de Tenkaro comigo. – Vou sair, preciso me trocar.

Ele ficou parado, voltei para o banheiro e me vesti lá mesmo, se otousan queria falar alguma coisa e não conseguia, problema dele. Arrumei minha bolsa e já tava saindo. Mas que droga, deixei tudo cair no chão, foi maquiagem e dinheiro pra todos os lados. A bolsa tava mesmo cheia.



Sasuke

Fui até o quarto das minhas filhas mais velhas reclamar com Kaoro da algazarra que fazia. Ino tentava descansar, estava já na reta final da gravidez, dessa vez a última. Chega de sujeitá-la àquelas dores todas, já tinha me conformado em ser pai de quatro meninas.

Kaoro ainda não tinha se redimido da discussão com a irmã, muito pelo contrário, os atritos entre as duas estavam cada vez piores. E agora eu via que a intenção dela era a de extinguir Yume de nossas vidas.

Tudo estaria suficientemente caótico, mas Kaoro era a rainha da confusão, em aumentá-las. Enquanto ela arrumou a bolsa e deixou cair algumas das coisas, algo que eu não achava possível estar nos pertences da minha filha de dezesseis anos me chamou a atenção. Peguei o pacote de preservativo aberto, apenas com uma unidade.


– Kaoro, o que significa isso? – Eu achava bom ela me dar uma explicação onde o filho do Naruto não aparecesse na história.



Kaoro

Merda!
Isso tinha que estar fora da bolsinha. Era pra estar junto com meus absorventes. Ah! Otousan vai pirar agora. Como é que eu saio dessa? Pior, ele vai matar meu namorado.

– Eu não sei como isso veio parar aqui. – Inventei a desculpa mas velha do mundo. Jogar a culpa em outra pessoa, principalmente de alguém longe. – Acho que estava junto com essas coisas jogadas no chão. O senhor não viu? Olha aqui, tem coisa da Yume pra tudo quanto é lado, isso aí é dela com certeza. Afinal, é a única com um noivo garanhão aqui nessa casa, já que eu não posso nem ir na vila ao lado com o Tenkaro ver um filme no cinema. Pergunta pra sua filhinha do coração porque ela largou as camisinhas aqui no quarto. Vai ver porque em Suna ela não precisa.

Já saía do quarto com a bolsa vazia mesmo, quando o otousan me segurou pelo braço, sem medir força.

Sasuke

– Escute aqui, você já passou dos limites! Ofende sua irmã, sua casa, sua própria honra! Agora está pensando que pode ofender minha inteligência? Isso não! Eu bem vi que isso caiu da sua bolsa e que as coisas de Yume estão bem escondidas por você em algum lugar desse quarto. – Segurava o braço dela firme, nunca levantei a mão para minhas filhas, mas Kaoro era de longe a mais petulante. – Não consegue se dar ao respeito? Só tem dezesseis anos.

Ouvi as meninas brincando no quintal, e depois chamando pela mãe, quando ouviram a minha discussão com Kaoro.



Kaoro

– E o que você tem haver com isso? Vive babando pela sua filha perfeita. Vive correndo atrás do Udon pra ele respeitar sua filha preciosa. Deixou o Tenkaro namorar comigo só para se livrar de mim logo. É isso Sasuke? Pois bem, ele cuida de mim eu saio com ele quando quiser, na hora que quiser e você não vai poder fazer nada. Pra que honra se você não usa? Porque se rebaixa!!! Eu bem queria que meu pai fosse um Uchiha de verdade, quem sabe que nem Itachi-sama. Ele com certeza não deixava ser feito de tolo da Vila.

O tapa veio forte, mas não me intimidei, olhei para ele sem desviar, que me batesse mas eu ia falar a verdade.

Sasuke

Eu não conseguiria olhar nos olhos dela, porque seria muito mais que desaprovação e fúria. Tinha o meu sentimento de ter falhado por completo e contribuído para aquela decadência toda na jovem que seria minha sucessora no clã.


– Fique no quarto, não ouse sair Kaoro. Você, definitivamente, não conhece o pai que tem, então não me desafie ainda mais.

Saí do quarto dela e fechei a porta, não tranquei. Espero que ela me respeite. Demorei quase dez minutos para fazer o trajeto até o meu quarto, onde Ino descansava. Sentei no meu lado da cama e pesei minhas ações: eu tinha perdido agora duas filhas, por não ter sido um bom pai. E como me manter firme com isso? Eu chorei, ainda que em silêncio, para não acordar minha mulher.



Ino

Não era preciso muita coisa para me acordar. Mais uma vez Kaoro deve ter passado dos limites, mas nesse momento, Sasuke tinha total atenção sobre a filha, então com certeza viu algo que reprovou.

– Ouvi gritos vindo do quarto das meninas. Algum problemas? – Me sentei na cama com dificuldade, aquela era a gravidez mais complicada que eu estava passando. – Vem cá, me deixa te abraçar, quero sentir o calor do meu marido comigo. Me conta o que houve? Só porque estou grávida não quer dizer que deva ser posta de lado nos acontecimentos de casa. Ainda mais agora que Yume foi embora, ela me ajuda muito com a menina mais nova, já que Kaoro vive saindo. Sei que esta sendo difícil para você, mas eu também estou passando por isso. Sasuke! Tente compreender mais suas filhas, são quatro mulheres, por Kami-sama, você precisa se acostumar com as mudanças. O que a Kaoro fez dessa vez? Falou mal da irmã? Disse que ia fugir de casa de novo? Vai por mim, não ouviu nem metade do que ela costuma reclamar quando você não esta aqui.

Sasuke

– Nossa filha está transando com o namorado há bastante tempo, pelo visto. E teve a petulância de me dizer isso como se fosse uma mulher feita, como se apenas assim ela fosse alguém. É isso que ela costuma dizer para você? É assim, passando o atestado de incompetência como pai? – Eu sabia o quanto ela estava sensível, mas infelizmente não soube dosar as palavra.



Ino

Se eu dissesse que sabia ele ficaria bravo, mas não que Kaoro tenha me contado, percebi que ela estava diferente, desconversou quando eu conversei com ela a sós.

– Ela está crescendo, não podemos impedi-la de sentir desejo sexual pelo namorado. Ora, você mesmo permitiu o namoro dela. Eu aceitei bem por ser filho de Sakura, mas nós nunca podemos ter certeza do que os filhos estão fazendo. Mas você precisa conversar com ela. Qual foi a ultima vez que a levou para um treino? Vocês eram apegados quando ela era pequena, mas conforme Yume foi crescendo, você foi prestando mais atenção em uma do que em outra. Isso pode ser pra chamar atenção sua.

Sasuke

– Ino, não tente me iludir você também. – Suspirei, deixando os ombros pesarem cansados. – Eu não estou me eximindo da culpa, mas isso não pode ser apenas para chamar minha atenção , ou pode? Ela se danificaria dessa maneira apenas para se fazer presente? Ino... você fala de desejo, ela mal fez dezesseis anos! Ela faz pouco da Yume desde sempre, eu quis ensiná-la que os arrogantes não tem vez, assim como eu não tive. E a minha lição pelo visto não foi entendida, como eu posso dizer à minha filha que sinto vergonha dela?



Ino

–
É simples. Seja o Sasuke que eu conheci. Onde esta o homem que enfrentou comigo duas vilas? Mostra para sua filha o que acontece com quem não segue as regras. Seja pai! Você é o homem da casa, eu ou as meninas jamais lhe desrespeitamos, Kaoro não tem exemplo ruim em casa, ela aprendeu isso com a tristeza que sente. E jamais irá saber até onde ela te desafiará se não cortar isso agora.

Massageei suas costas, beijando-o no rosto. Pedindo para ter calma, teria mais outras meninas pra ele cuidar daqui alguns anos.

Sasuke

– Se eu proibi-la de ver o Tenkaro, as coisas ficarão piores, certo? – Ela concordou e eu lamentei. – Mas Kaoro é menor de idade, assim como o filho do Naruto. Eu vou ter uma boa conversa com ele, ensinar o filho a respeitar a filha dos outros e Kaoro,... eu não sei como falar disso com uma menina, como... ah, preciso de ajuda. Me diga o que fazer, o que falar.



Ino

– Não precisa ficar nervoso. Primeiro tem que colocar limites. Você nunca se preocupou com o horário que ela chega em casa, desde que esteja na vila. Bem, dê um horário. E não a proíba de fazer sexo. Isso já não tem como resolver, nós já conversamos sobre sexo, a mesma coisa que falei com Yume eu disse com Kaoro. Eu não sei se fiz algo errado. Me perdoe se não fiz o papel de mãe direito. Não podemos se culpar totalmente pelo o que nossos filhos fazem. Depois acho que uma conversa com Tenkaro seria bom, não vá falar com Naruto, mesmo que o menino seja menor de idade, já sabe resolver seus problemas sozinhos. E o mais importante. Seja mais presente, participe mais da vida dela. Pergunte, e ouça o que ela tiver que falar.

Sasuke

– Eu? Falar com ele? Ino, eu não vou conseguir olhar para aquele moleque sem imaginar que colocou aquelas mãos imundas na minha garotinha! Está me pedindo demais. Eu vou falar com o Naruto. Ele resolva com o filho dele, do contrário quem resolve é a minha espada.


Agradeci com um beijo na testa e voltei para o quarto da minha filha, que chorava num canto da cama. Puxei uma cadeira para perto, erguendo o rosto dela.


– Desculpe por bater em você, não foi uma coisa da qual me orgulhei. Eu só não soube o que fazer, você me pegou desprevenido Kaoro. Mas não era isso que eu deveria ter feito. Tem razão quando me chama de negligente, mas não quando diz que o faço porque prefiro Yume. Todas são minhas filhas, você é minha sucessora! De onde tirou que me importava menos com você?



Kaoro

Eu estava pronta para sair pela janela mesmo, sem me preocupar com o que ele faria. Mas na janela fiquei receosa, voltei para a cama e ele chegou. Por pouco eu não receberia outro tapa.

– Você acha que é igual com todas, mas não é. Esta sempre preocupado com a Yume, porque? Eu que quero saber o que aquela ruiva tem de mais! É porque ela não é sua filha? Tirou a mulher do Kazekage e ainda queria a filha dele. Você quer tudo dos outros. E a única coisa que eu queria era ter o meu pai. Para mim. Só que eu tenho que dividir você com alguém que nem precisa de um.

Eu não tinha medo dele, que usasse a força em mim, não ficaria calada. Não agora que resolveu vir falar comigo.

Sasuke

– Kaoro, olha como fala da sua própria mãe! – Precisei me acalmar, se me exaltasse, era ponto pra ela. – Se eu não tivesse lutado pelo amor da mulher que amava, hoje eu não teria você, nem suas irmãs... nem Yume! – Ela fez um muxoxo quando eu falei da irmã. – Sabia que sua mãe não tinha certeza de quem era o pai dela? Eu passei toda a gestação torcendo para que essa menina fosse minha filha, do meu sangue e quando ela nasceu, veio com todos os traços do verdadeiro pai. Sabe o que é amar um ser, mesmo sem se importar dela ser filha da sua maior ameaça? Pois bem, eu amei sua irmã desde o primeiro dia, mesmo sabendo que a existência dela poderia me tirar a mulher que amava. Sim, porque sua mãe poderia abrir mão do que sentia por mim, para dar a família que era verdadeira para Yume. Se isso tivesse acontecido, não existiria nem você, nem suas irmãs... não consigo nem imaginar isso! Foi apenas por amar sua irmã como se ela fosse meu próprio sangue, apenas por isso, que sua mãe ficou em Konoha, porque sabia que não haveria diferença entre os filhos.



Kaoro

– Otousan. E porque você não é comigo da mesma forma que é com Yume? Eu sinto falta de quando você me levava no lago pra treinar jutsus. Sinto falta de quando ficava empolgado comigo, quando eu ativei o sharingan, mas parece que isso não significa nada. Você viu a Yume crescer e me largou de lado, você se preocupa com ela muito mais do que comigo, eu preciso gritar dentro dessa casa para ser ouvida, preciso fazer um monte de coisa para que você olhe pra mim. Será que vai ser sempre assim? Não porque ela foi embora, e eu espero que não volte, porque você esta aqui no quarto pra falar comigo, se a Yume estivesse aqui, você nem ia ver a camisinha na minha bolsa, não ia nem saber que eu transo com meu namorado e muito mesmo iria estar sentado nessa cadeira e preocupado comigo. Ainda bem que ela foi, porque só assim eu tenho um pai.

Eu senta mesmo falta dele, as lágrimas caíam mais rápido do que eu queria, me levantei da cama e atirei-me no colo dele, quase derrubando a cadeira com nós dois em cima.

Sasuke

Em parte Ino estava certa, ela só queria chamar atenção. Em parte não, por completo. Se ela queria isso, conseguiu com sucesso. Ela teria a atenção do pai, para as coisas boas e as não tão boas assim.

Não afastei o contato, abracei minha filha, como não fazia há muito tempo.


– Kaoro-chan. Não vai mais reclamar por ter um pai ausente, mas também não reclame por me ter presente. – Ela não entendeu o que eu quis dizer. – Não é um castigo por chamar minha atenção, mas pela maneira como o fez. E não estou dizendo isso porque decidiu violar a si mesma e me envergonhar com isso: o corpo é seu, a vida é sua. – Acariciei os cabelos dela, tão bonitos e negros, dando a ela uma aparência tão ingênua. – Mas o castigo é por não saber tratar sua irmã como merece e por não respeitar as regras de casa. Yume continua sendo parte da família e você vai entender isso Kaoro-chan, é uma promessa do seu pai.


Afastei os cabelos que encobriam o rosto, queria que os negros dela encontrassem os meus e vissem que eu não estava brincando:

– Até o bebê nascer você vai ajudar sua mãe, como Yume fazia. – Antes que ela falasse qualquer coisa, adiantei. – E sem reclamações. Seu namoro com Tenkaro agora tem regras e bem definidas: você tem horários para chegar, todos os dias e nada de sair todo dia, temos que reiniciar seus treinamentos específicos. E ainda hoje vai combinar sua mãe uma ida ao médico para... para ver se está tudo bem com você. – Ela corou, mas trataria dela como adulta, ora essa. – E não seja má com suas irmãs ou fale mal da Yume nessa casa, não quero me desapontar com você, Kaoro-chan, não mais. Eu vou fazer o papel do pai que você pede, e você o de filha, o de minha filha.


Kaoro


O carinho que ele fazia nos meus cabelos era um lembrança distante da minha infância, senti muita falta de ter otousan comigo. Só para mim. E eu iria fazer tudo o que ele me pedisse, mostrarei para ele que não precisa de Yume em casa, não vai nem sentir falta quando ela se tornar a Líder de Suna, porque eu estarei aqui, sempre. Nunca vou abandoná-lo.

Os dias específicos para sair era chato, mas quem sabe lá pra frente eu não consiga mais confiança dele e seja liberada.

Notas finais
Desaparecidas duas autoras: Kori e Lila
Calma, não sumi não, só não estava postando a atualização.
Muitas coisas pessoais acontecendo, justamente na epoca em que eu decidi reformular essa fic. Daí ja viu ne? xD
Acabei me enrolando e não fiz o que queria.
Enfim, continuando com a programação normal.
Beijos a vocês