Getsu
3 A chuva
Getsu — A chuva
Naruto
Ainda tava com o gostinho do beijo da Sakura nos lábios. O cheiro dela estava por todo meu apartamento, na minha memória, nos meus sonhos, essa mulher me vira a cabeça e não tem ideia de como eu faria tudo por ela. Quantas vezes já salvei sua vida? Mas eu sempre recebi um obrigada diferente do que eu imaginava. Só que nunca deixava de querer salvá-la.
Me levantei rápido! Olhei no calendário, aquele era o dia do aniversário dela. Tomei um banho logo e me vesti, peguei do armário a caixa de presente. Eu sempre compro adiantado, esse eu comprei quando fazia missão na Vila próxima daqui, um estojo para as peças de trabalho. Foi caro mas valeu cada centavo gasto! Eu tinha dinheiro mas não tinha no que gastar. Então torrava o que podia em comida e presentes. No dia que comprei o presente de Sakura, fiquei sem jeito por lembrar somente dela. Aproveitei então e comprei algo simples para a Hinata. Uma coisinha para não me sentir mal.
Desci as escadas e bati na porta dela, arrumando o cabelo e esperando que abrisse. Mas eu só esperei. Sakura não abriu a porta! Talvez nem estivesse em casa, queria falar pra ela que já estava melhor, queria dar um feliz aniversário. Mas não seria naquele momento. Daí eu pensei que talvez, aquele beijo foi uma despedida. Ela ta se afastando de vez de mim e me beijou para se despedir.
Escrevi um bilhete desejando feliz aniversário e deixei o presente na porta do apartamento dela. Não teria problemas, ali as pessoas são boas, ninguém rouba nada, principalmente de shinobis.
Caminhei desanimado em direção ao distrito Hyuuga!
Hinata
Fiquei preocupada com o Naruto-kun, mesmo assim voltei prá casa e tive que revisar muitos documentos. Briguei com toda a minha família para poder viver aquele amor e não deveria me sentir incompleta, como me sentia agora. A verdade é que nunca imaginei que deixaria o Naruto sozinho doente, mesmo que me proibissem. Ainda assim eu voltei, por vontade própria.
Quando o vi à porta do meu escritório dizendo que estava bem eu fiquei feliz sim e felicitei-o por isso. Ele me chamou para dar uma volta nos jardins do clã e lá fomos nós.
Ele estava calado e eu bem desconfiava o motivo.
– Hoje é aniversário da Sakura-chan, não?
Naruto
Eu não me sentia muito a vontade dentro daquele clã, ao menos no jardim a gente podia caminhar e ver as flores. A quem eu quero enganar? Na verdade, ali na frente de todos, a gente só se mantinha um ao lado do outro, não havia toques nem tentativas de beijos. Eu ainda tava com a Sakura na minha boca, não era honesto beijar a Hinata, então se precisasse fugir eu ia fazer.
– Hai! – Caminhamos em silencio por mais um momento. Se a Sakura me beijou, porque fugiu? Ela nunca foi tão ousada assim com o Teme! E porque comigo foi? Olha aí como Homem não presta! A Hinata tão graciosa ao meu lado e eu pensando em outra. – Comprei algo para você. – Tirei do bolso um enfeite de cabelo, e a entreguei. – Hinata? Posso te perguntar algo? Você... você é feliz?
Hinata
– Arigatou pelo presente... – Era um enfeite simples, que vendia em qualquer lugar. Aquilo teria sido o melhor da minha vida, se eu não tivesse visto sem querer no dia anterior, o mesmo enfeite ao lado de um caro kit de alojamento de poções, que provavelmente ele entregaria para Sakura. Tudo bem que era o aniversário dela, mas eu era a namorada dele, não?
E agora aquela pergunta... será que finalmente, depois de quase um ano e meio, ele se deu conta de que nós estamos vivendo de aparências? Ele não gosta de mim e eu... bem, eu já não me sinto mais tão desesperada por isso.
– A minha vida é boa, Naruto-kun... mas ainda não posso dizer que sou feliz. E você?
Naruto
– Sim! Eu também tenho uma boa vida. Não tenho do que reclamar do meu trabalho, faço o que gosto e sou bom nisso né? – Tentei um sorriso mas ela não parecia tão feliz como dizia. – Hinata, se você não estivesse feliz... iria me dizer não é? Porque eu sou as vezes meio desligado sabe? Não quero parecer um namorado ruim... Eu não sei, talvez tenha acordado hoje pensando demais em minha vida. Eu preciso de um caminho a seguir, um passo de cada vez as vezes é pequeno demais para alguém que sempre teve coisas grande a fazer. Entende? Eu quero algo grande! Preciso disso para minha vida. Ta faltando alguma coisa. E você pensa assim também?
Hinata
Eu não entendia para que aquela conversa... o Naruto-kun às vezes era muito confuso e eu tentava acompanhá-lo, honestamente tentava.
– Eu não sei o que pensar... na verdade, o que você quer dizer com coisas grandes? Não se sente bem ao meu lado? – Há muitos anos eu tinha diminuído com a gagueira e há meses que não me lembrava de uma única situação onde tivesse gaguejado.
Naruto
– Iie Hinata-chan. E-eu não to falando disso não. Quero dizer coisas como meu pai por exemplo. Ele foi um grande homem, fez coisas incríveis e se sacrificou! Sabe? Ero-sennin, todos eles, eu quero honrar a todos. Quero ser bom. Eu quero uma vida também, não quero ser somente Naruto, conhecido pela Kyuubi. Eu quero... uma família. – Ela arregalou os olhos, gaguejando meu nome, fazia tempos que não via Hinata gaguejar. – Espera! Eu não to falando de casamento não! Não precisa se preocupar.
Eu tava piorando tudo. Ela se sentiu ofendida, claro que sim, eu acabei de chutar um sonho feminino. Não era bom mesmo com as palavras. Eu não sei o que acontece comigo, que não consigo conversar com a Hinata sem fazer besteira. Tinha gente demais nos olhando e eu pedi para ir há um lugar mais reservado.
Hinata
Não adiantava a gente se isolar. Estava ali, mais claro que qualquer outra coisa. O Naruto dizia com todas as palavras que não pensava em casamento comigo, mesmo ciente que essa era uma realidade prá mim nos próximos meses. Eu tinha até dezembro prá isso e achei que até lá ao menos uma insinuação...
Poderia ser também porque ao meu lado ele ficaria mais à sombra? Bem, fosse qual que fosse a desculpa, dava prá ver o verdadeiro motivo: ele não gostava de mim e ao menos a minha dignidade eu manteria.
– Naruto... eu... eu... eu não quero ficar como substituta de outra pessoa. Você nunca me amou, eu sei que tentou, mas não conseguiu. Então aos poucos eu também fui aprendendo a não sofrer por isso. Aprendi muito com você, a maior lição foi saber que eu posso sim enfrentar a minha família e vou levar esse ideal para a minha liderança no clã. Mas não acho que você e eu devemos continuar nossa relação... não quando você claramente não tira a Sakura da cabeça, muito menos do coração.
Naruto
Então ela sabia! Claro né? Eu não fazia tanta questão assim de esconder meus sentimentos. Eu tinha medo de errar os nomes delas, eu tinha medo de beijar a Hinata e sonhar com a Sakura, eu tinha medo de ficar sozinho com ela, porque sei que com esse meu jeito safado ia acabar fazendo besteira e ai sim eu não ia poder reclamar se ela dissesse ao pai e eu fosse obrigado a casar. Mas, ver a Hinata toda triste, ou um pouco desanimada, me partia o coração.
Puxei ela para um lugar mais vazio e a coloquei contra a parede, alisando os cabelos longos! Eu gostava muito dos cabelos dela, lisos e cumpridos. Mas isso era porque eu sempre amei os cabelos longos da Sakura. Tsc! Nem tentando ser carinhoso com ela consigo esquecer a outra. Precisava ter certeza, aquele beijo de ontem a noite martelava na minha cabeça, eu me senti pleno com os lábios rosados, sera que eu sentiria o mesmo hoje?
Beijei a Hinata segurando a cintura dela com mais força e sem vergonha mesmo. Mas não senti meu coração pular, eu fiquei com tesão, mas era normal, a Hina tem um corpo lindo! Qualquer homem a desejaria, mas o meu não passaria de desejo, eu não a amo.
– Gomen... – A soltei aos poucos. – Eu não sei porque fiz isso. Me perdoe se eu não fui tudo o que você sonhou. Acho que você merece alguém de que a ame cem por cento. Eu não mereço esse seu amor Hinata, eu sou um idiota!
Hinata
Ele me beijou e foi bom, mas não foi melhor porque eu sabia que ele me fazia aqueles carinhos sem que fossem prá mim. E no final aquele pedido de desculpas me arrepiou o coração. O que dizer?
– Tudo bem, a gente tentou, né? Eu... aprendi muito Naruto... só espero que você fique feliz. – Mesmo conformada eu não deixaria de derramar as minhas lágrimas, mas não na frente dele. Afinal de contas, eu ainda tinha sentimentos por ele.
Naruto
– Eu não posso sair assim Hinata. Seria covardia de minha parte deixá-la. – Caiu a ficha de que ela ouviria muito, aquele “Eu sabia” do pai dela com certeza seria horrível. Ela não merece mesmo um canalha como eu. – Você fez tanto por mim, e olha como eu retribuo o seu amor. Me perdoe! – Abracei-a sem medir a minha força, eu queria só uma vez proteger a Hinata, e dessa vez seria de mim mesmo. Eu a fazia mal. Era errado. – Me deixe falar com seu pai, esses velhos aí chatos do tal conselho, deixo até o Neji me bater.
Aquele era o final, fui ali pensando em melhorar nosso namoro, mas acabei dizendo apenas o que o meu coração pedia. E a Hinata estava tão forte, imaginei lágrimas e desespero, mas encontrei uma Hyuuga séria, como todos eles eram.
Hinata
– Iie... não precisa. Eu... eu vou dizer que não ficamos mais juntos porque eu não quero impor a você a vivência rígida do meu clã. Deixe que todos pensem que estou abrindo mão de você pelo clã... então não vão me condenar, mas quem sabe me deixar um pouco mais em paz. – Desvencilhei-me dele aos poucos, era difícil até mesmo fitá-lo nos olhos. – Onegai, deixe-me ir. Não é bom me afastar tanto durante o dia. Eu... torço para que consiga alcançar seus sonhos.
Não esperei que ele falasse ou dissesse mais nada. Queria apenas sair dali e saí. Pelo visto passaria algumas horas lamentando a perda de um amor que apenas eu vivi e do qual eu mesma me conscientizei que não tinha futuro. Crescer dói....
Naruto
Eu tentei segurar na mão dela, mas Hinata era rápida. Deixou-me falando sozinho e seguiu o seu caminho.
Ainda era hora do almoço, eu fui para o Ichiraku e fiquei la um bom tempo, comi tudo o que tinha para comer e paguei. Perambulei pela Vila, tentando ao máximo desviar de caminhos que iam para o hospital ou para o terreno baldio do Distrito Uchiha, aqueles lugares tinham lembranças e tristezas que faziam meu coração parar. Subi no monte em homenagem aos Hokage e fiquei ali, sobre a cabeça do meu pai. Eu sei que onde quer que ele esteja, iria me ouvir:
– Otousan! Porque tudo é tão mais difícil para mim? Será que foi assim para você também? – Eu não tinha mais lágrimas para gastar, agora só haviam os pensamentos e escolhas. Precisava de um caminho. Sem Hinata, e com Sakura me evitando... – Porque comigo?
Fiquei ali até o por do sol iniciar e com ele as nuvens negras chegarem em Konoha! Começou uma chuva fraca que logo foi aumentando, junto com ela as minhas ideias cresciam, eu queria uma luz, qualquer coisa. Vi um relâmpago no céu, no momento em que me lembrei do beijo de Sakura!
Ela não teria me beijado a toa... Não teria...
Foi pensando nisso que eu desci correndo e segui para meu apartamento, passei por um parque, ainda não era época das flores de cerejeira, então peguei uma da árvore que mais parecia com ela.
Pela chuva eu segui até meu prédio. E parei de frente a ele. Não havia muitas pessoas na rua por conta do temporal. Eu respirei fundo, tava decidido a fazer uma última tentativa, senão, eu iria embora de Konoha, quem sabe aceitar a proposta de Gaara em Suna.
– Sakura-chan!!! Sakura-chan!!! – Gritei com força e a janela do apartamento dela se abriu. – Onegai! Me ouve. – Eu não conseguia ver com nitidez os olhos verdes, mas eu sentia o chakra dela oscilando. – Demorei muito para isso. E eu preciso falar de uma vez por todas. Eu... eu … amo você! Acabo de fazer uma estupidez, por esse amor. Deixei uma pessoa que me amava, e vim aqui correndo na chuva para lhe dizer isso. Porque por você, eu enfrento as tempestades, perigo... o medo, enfrento tudo por você. Me diz Sakura! Fala que não foi em vão a burrice que fiz hoje. Diz que não magoei a Hinata a toa. Ou que toda a minha vida e meus esforços para te agradar não foram estupidez minha e para você não valeu nada!!!
Sakura
Cheguei em casa um pouco antes da chuva começar, depois de um plantão de doze horas. Ao pé da porta um pacote e um bilhete: meu presente de aniversário, dado pelo Naruto.
Aniversário??
Oh Kami, eu tinha me esquecido por completo que era esse o dia. Entretanto, para que lembrar? Por ter deixado o presente ali, entendi que o Naruto não queria me ver. Deixou ali algo que já deveria ter comprando num lugar qualquer e que não tinha razão de jogar fora. No bilhete apenas um “Feliz Aniversário” escrito de maneira apressada.
Ainda assim eu peguei aquele pacote e entrei. Ao abri-lo, não pude deixar de sentir lágrimas encherem meus olhos. Eu deixei o Naruto, não foi? Agora era cada um por si. Não dava prá gente ser amigos... não quando ele tinha sentimentos por mim, mas estava com outra. Outra não...
“ – É, não chama a menina assim... ela tem mais coragem que você!” – A inner estava certa... e olha que a Hinata sempre foi chamada de tímida, de covarde... Ah, mas eu escolhi, não vou me arrepender.
A chuva começou a castigar Konoha, então optei por um banho prá tirar aquele cheiro de hospital. Depois de um bom banho quente, dei uma arrumada no meu apartamento, que de tão pequeno conseguia ser ajeitado em vinte minutos. Ao menos se alguém lembrasse do meu aniversário, não encontraria a casa uma bagunça. E depois eu reclamava que o Naruto era bagunceiro... Ah, olha a tonta pensando nele novamente!
Não dava prá arrancar uma pessoa assim da vida, não quando ela era tão importante e de tantas maneiras.
De tanto pensar no baka, jurava que ele estava me chamando, de algum lugar. Mas que coisa! O Naruto não está aqui, não viria aqui. E lá fora... tá caindo o céu de tanta chuva. Acendi a luz e abri a janela, olhando aquele homem ensopado e dizendo coisas como grande erro, e ter largado a Hinata. Não, ele não fez isso!
Fez sim, e estava gritando com os pulmões cheios que me amava. Que me amava!
Ele queria que eu fizesse o que? A mesma coisa? E as pessoas?
“ – Ah sua imbecil, para de pensar nos outros, ao menos uma vez, pensa só em você!”
Eu estava só com uma yukata vermelha e chinelos, desses de ficar em casa. Mas fui, com um guarda-chuva grande pro meio daquela chuva toda. Dava prá ver o sorriso dele aberto, por ter me visto do lado de fora.
– Vem Naruto, vai ficar gripado assim.. vamos prá dentro e lá a gente conversa!
Naruto
Quando não a vi mais na janela, imaginei que tudo fora em vão mesmo. Baixei a cabeça olhando a pequena flor molhada na minha mão. Tudo acabaria assim? Não mesmo! A porta se abriu e eu vi a Sakura caminhar debaixo de um guarda-chuva ate mim. Mas ela não entendeu direito o que eu queria.
– Iie Sakura! Eu não vou entrar. Se não me entendeu, eu estou aqui na rua, gritando pelo seu amor. Me molhando nessa tempestade, sem medo de nada. Eu corro riscos Sakura, sempre fiz isso, e você, nunca correu riscos por amor? Uma gripe não é nada... Eu não quero subir e conversar com você lá, eu quero resolver isso agora. – Sai debaixo da proteção daquele guarda-chuva. – Você vai pisar no meu amor novamente? Ou vai me dar uma chance? – Estendi a mão para ela.
Sakura
– Naruto! – Aquele teimoso estava sendo fatalista, era só isso que eu precisava.
\" – Ah boba, para com isso e beija ele logo.\" – Tá, tem horas que eu quero matar essa inner!
Mas como resistir aqueles olhos azuis me chamando, o sorriso me cativando, me fazendo esquecer do que eu não podia fazer e me lembrando o que eu QUERIA fazer?
Pronto, segurei a mão dele. E sem medo, sem vacilar. Se ele tinha feito uma loucura, por que não fazer também? Se eu realmente o amava, em parte eu deveria ser um pouquinho louca também.
– Eu não vou pisar em você Naruto... nunca fiz isso. Mas também não vou te deixar ir. Não consigo mais fingir que não sinto nada por você, mesmo sabendo que não sou digna do seu amor... ah Naruto... eu amo você tão intensamente, que me assusta não poder te dizer o quanto... – A gente não tirava os olhos um do outro, mas eu queria que ele soubesse que era tudo verdade. Sem mentiras entre nós.
Naruto
Ela me ama! Ta vendo Otousan? Ela me ama.
Eu queria gravar aquele momento para sempre, olhei-a por um século de segundos e a puxei pela mão, fazendo com que deixasse o guarda-chuva cair.
– Se molha também Sakura... – Eu a segurei pela cintura, fazendo seu corpo erguer no alto até nossos lábios ficarem da altura certa. Não tinha pressa para aquele beijo que minha boca babava enlouquecidamente querendo provar. Ela não esperou, e me beijou com as mãos me apertando o pescoço. A chuva não parava, nem precisava, o vento passou e deve ter levado o guarda-chuva no chão, porque não o encontramos depois. Eu só queria sentir o beijo, o corpo de Sakura, apertando-a mais contra meu corpo, segurando-a com força e alisando suas costas. O beijo dela era tão delicado e urgente, buscava ar no meio das gotas da chuva e eu voltava a beijá-la.
Sakura
Oh, era fome dele, eu sabia disso! Era isso que me fazia tão vazia e por isso que me senti mal a noite passada e esse dia todo, até estar ali novamente, provando do beijo quente dele.
Sentia as mãos firmes do Naruto me erguendo alto, num carinho que eu tentava retribuir com as minhas mãos pequenas. Nossas bocas se explorando mutuamente, era fome, era sede... era necessidade um do outro. Aos poucos ele me desceu e eu senti então que a chuva só aumentava. Não dava prá gente ficar ali, ele tinha acabado de se recuperar.
– Onegai, vamos entrar... você precisa trocar de roupa!
Naruto
– Hai, agora podemos entrar. – Entreguei a pequena flor para ela, que segurou com um zelo tão bonito que eu me apaixonei ainda mais. Puxei o corpo dela para junto do meu sussurrando em seu ouvido, apertando sua cintura. – Arigato.
Eu poderia ver a Sakura avermelhada no meio da noite e com aquela tempestade toda. Segurei a mão dela e corremos para o prédio. Ela toda preocupada com as minhas roupas, mas eu só conseguia enxergar a yukata vermelha que vestia, toda grudadinha no corpo dela, os bicos dos seios pontudos e a cinturinha marcada. Como eu posso ser tão safado assim? Mas eu não queria transparecer esse tesão em vê-la daquela forma, a Sakura iria me achar um tarado. Entramos no prédio, os dois molhados e sujando a entrada. Queria levá-la pro meu apartamento, mas ela pediu para eu entrar, porque o dela era ali no primeiro andar.
Entramos e eu fiquei meio sem saber o que fazer. Meu corpo pedia para beijá-la e abraçar aquele corpo tremendo de frio e molhado. Só que não era tão fácil. Fui no banheiro e tirei minhas roupas como ela mesmo mandou, senão ia pegar um resfriado. Adoro essa preocupação exagerada dela comigo!
– Sakura! Não dá pra tirar toda roupa senão o que vou vestir?
Sakura
Ainda tinha guardada algumas roupas dele que eu sempre lavava. Então tinha uma blusa e uma bermuda. Estendi prá ele, que ainda reclamou mais um pouquinho. Pedi prá ficar no banheiro até eu trocar de roupa, a única “porta” que tinha no meu quarto era a do banheiro, de resto, só a da saída.
Troquei de roupa bem rápido e coloquei uma camisola de algodão bem comportada e um roupão de algodão também. Não queria dar idéias pro Naruto... bem, eu não sabia o que queria fazer.
Ele saiu com os cabelos molhados e eu peguei uma toalha prá secar. Me puxou pro colo e segurou firme minha cintura, enquanto ficava beijando meu pescoço, dizendo que me amava, que ainda conseguia sentir o cheiro do meu perfume. Ou seja, todo safado.
– Yare.. deixa eu secar direito, vai ficar doente Naruto...
Naruto
Ela estava tão gostosinha, toda coberta naqueles panos. Era coisa demais tampando a beleza da Sakura. E eu não conseguia tirar da cabeça os peitinhos dela na yukata molhada e colada no corpo.
Mas eu tinha que me comportar, então deixei ela secar os meus cabelos como queria, mas sentada no meu colo. Daí eu percebia que tava na cama dela. Uma cama de casal. Nem eu tinha uma. E aquela ali tava me dando muita idéias. Ah! Sossega homem! Parece que nunca viu mulher. Mas tinha um tempinho que não transava. Não toquei na Hinata de forma alguma, nem sequer tencionei em avançar um passo pequeno, não saíamos dos beijos e passeios pelo jardim.
– Sakura? Porque você tem uma cama de casal?
Sakura
Ao menos ele estava quieto... e pensando besteira!
– Já estava aqui quando eu me mudei. Aluguei o lugar mobiliado, não tinha nada prá trazer. Não quis trazer nada da minha antiga casa, muitas lembranças... mas é bom dormir numa cama grande! É diferente...
Deu prá sentir as mãos dele sorrateiras por dentro do roupão, tocando minhas costas ainda cobertas com a camisola e a boca dele chamando a minha no mesmo instante que terminei de secar-lhe os cabelos. Estava bom ficar ali e ganhar os beijos dele. O Naruto pedia em silêncio com as mãos, que eu ficasse mais perto, que deixasse os nossos corpos mais unidos. Eu respondia como podia, ainda me acostumando aqueles carinhos.
– Aishteru Naruto... Motto... – Eu não queria parar de falar aquilo nunca, finalmente eu vivia um sonho que tive.
Naruto
– Eu só ouvia você falar isso nos meus sonhos... – Afaguei os cabelos dela, beijando o pescoço, eu sentia a Sakura amolecer, mas retesar com os meus carinhos. Eu tava indo com muita sede, e ela, bem ela nunca deve ter ficado assim com alguém. Pelo que conheço de Sakura, nunca mesmo. – Eu também amo você Sakura.
Sakura
Nós estávamos cada vez mais ligados, mais próximos. Eu mesma já estava me sentindo mais à vontade em tocá-lo e em me deixar ser tocada, quando um ANBU com máscara de falcão estacionou ao nosso lado. Eu gritei, o Naruto xingou e tratou de me cobrir.
– Que invasão é essa na minha casa?
Naruto
Eu tinha mesmo raiva daquelas invasões. Já havia sido pego no “flagrante” varias vezes por esses caras mascarados. Mas quando eu fui reclamar pra obaa-chan ela só riu de mim.
Pedi desculpas para a Sakura e mandei aquele cara não olhar pra minha mulher! Ta pensando o que?
– Mais tarde eu volto! Eu prometo. – Eu tinha que dar satisfação da minha missão. Beijei a Sakura assim que aquele intrometido sumiu. Segui para o escritório da Hokage! Eu ia reclamar com ela sobre esse abusado, mas achei melhor ficar calado. Afinal, a Sakura era a pupila dela, e depois que os pais morreram, ela a pegou como filha. E se eu dissesse que tava cheio de más intenções para a filhinha dela, tava morto.
Demorou muito pra terminar aquilo, eu precisei fazer o mesmo relatório umas quatro vezes porque sempre errava algo. Como me concentrar tendo na minha mente o corpo da Sakura? Só porque ela tava mais a vontade e deixando eu mostrar para ela como queria...
Eu to me saindo um sacana de primeira! Claro que não é isso que as mulheres querem, até mesmo o velho pervertido me dizia isso. A Sakura deveria querer mais romance, e eu não sou assim tão insensível, eu a amo, e como quero fazê-la feliz.
Enfim acabei e corri para vê-la. Cheguei lá, a chave da porta estava no lugar onde ela falou, caso eu viesse mais tarde, isso significava que a gente ate poderia passar a noite juntos, eu quero, como eu quero!
Quando entrei eu chamei pelo nome dela, fui no quarto e lá estava a minha linda! Dormindo.
Tudo bem, fiquei um tempo só velando o sono dela, e depois eu dei um de abusado e deitei na cama também, abraçando o corpo dela. Queria ficar ali e sentir a minha Sakura.
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Notas finais
Bem, me perguntaram quem faz quem na fic.
Kori faz Narutoe a Lila faz Sakura e Hinata.
Mais pra frente entra novos personagens.
Beijos,
Kori e Lila
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