Getaway car
1 Nothing good starts in a getaway car

Seu chefe sabia o quão pouco podia confiar nele. Sanji tinha a teoria de que o primeiro encontro entre duas pessoas diz tudo sobre a relação entre elas e aquele homem havia o conhecido enquanto o loiro era um pirralho que tentava roubar sua carteira. Prudentemente, agora que era seu empregado sempre mantinha todos incumbidos de vigiá-lo a todo instante, especialmente os motoristas. O último nesse cargo, por exemplo, detestava Sanji ao ponto de levar isso a sério demais, prendendo o pulso o loiro com uma algema no carro toda vez que fugiam juntos. As únicas vezes em que punha as mãos no dinheiro era quando o roubava. Depois do assalto, a grana sempre estava muito bem vigiada em outras mãos, geralmente as de Nami-san, que amava o vil metal o suficiente para dedurar Sanji sem pensar duas vezes, por mais que fossem amigos.
Pé-de-cabra, chave mestra, serra, luvas de couro, óculos escuros, balaclava. Checou tudo que precisava antes do roubo e entrou naquele banco para dar seu show. Talvez se considerasse o melhor gatuno daquela quadrilha, se não fosse por sua adorada amiga, que tinha um talento inato e assustador para aquilo com o qual nem mesmo ele poderia competir. Tudo bem, ele se contentava com o segundo lugar. Nunca havia falhado numa missão, obviamente, ou estaria apodrecendo na cadeia, e isso bastava.
Assim como não tinha falhado em sua missão de hoje, já são e salvo no carro de fuga, apenas saboreando a vitória. Sanji preferia carros abertos. Carros fechados eram claustrofóbicos demais e, além disso, ele gostava de se exibir um pouco. Qual o ponto em estar acima da lei se não fosse para mostrar que conseguia? Mostrar que fez tudo bem abaixo dos narizes de todos e conseguiu escapar ileso, debochando da cara de todos, era a melhor forma de acabar um assalto. Assim que entrou no veículo, tirou a balaclava e os óculos escuros. Seus olhos claros mal conseguiam ficar abertos com tanta claridade, mas ele ainda assim gostava. Achava que aquele sol aconchegante e amigável sempre seria melhor do que a solidão noturna em um beco qualquer.
Seu olho visível cintilava como uma safira no retrovisor e Sanji podia ver o motorista novato ao seu lado o encarando abobado, não como se estivesse vigiando e sim como se estivesse apenas mergulhado no azul dos seus olhos, como se não estivessem no meio de uma maldita fuga. Era a primeira vez que fugia com aquele homem de estranhos cabelos verdes, e já estava achando péssimo.
“Olho na estrada, marimo. ” Sanji disse se perguntando como que tinham arrumado um motorista cego de um olho e ainda por cima distraído. Aquele era o pior candidato imaginável, será que a oferta de capangas estava tão escassa assim? Mas o pior de tudo, era que Sanji começou a perceber que o percurso deles era o mais absurdo possível e a polícia ainda estava visivelmente atrás deles.
“Seu imbecil! Eles vão nos pegar! ” Sanji estava apavorado ao perceber que estavam fazendo exatamente o caminho contrário do que deveriam. “Se eu for preso por sua culpa vou estourar essa sua cabeça de musgo. ”
Nami-san havia dito a ele no dia anterior que o rapaz era um motorista incrível, mas Sanji havia descoberto que ele o era por todas as razões erradas. O único motivo pelo qual aquele cara havia conseguido aquele emprego era seu senso de direção abominável. Em outras palavras, o tal de Zoro se perdia tão perfeitamente bem que nem a polícia conseguia encontrá-lo.
Zoro fazia o percurso mais insano possível, se metendo em becos e atalhos que Sanji nunca a havia visto na vida, dando voltas e círculos que faziam a polícia se confundir porque desafiavam qualquer lógica e bom senso. O pé do homem de cabelos verdes parecia ser feito de chumbo, e o ponteiro do acelerador aumentava progressivamente a cada segundo, dando a impressão de que iriam bater o carro a qualquer momento, mas aquilo nunca aconteceu...
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