Get Out Of My Kitchen - Larry Stylinson
1 Cara de Neném
Notas iniciais
O tédio reinava naquela tarde de domingo, assim como costumava ser em todas. O fim de semana já ensaiava seu adeus, deixando para trás somente o sabor agridoce das poucas recordações que eu guardava desde a sexta-feira. Happy hour, o show de Zayn no qual eu e Liam estávamos na plateia, Liam de novo, reclamações sobre friendzone e muita ressaca. Eu resumiria boa parte assim. Levantei do sofá no qual estava deitado desde o começo da tarde assistindo filmes que escolhia ao acaso. Pois sendo sincero, em uma situação normal eu mais lia sinopses e colocava defeitos nos trailers de filmes e séries do que de fato os assistia.
Não me dei ao trabalho de procurar o controle para desligar a televisão, embora talvez devesse fazer isso. Os créditos de Emma continuaram rolando enquanto eu me perguntava se era pedir muito conhecer um homem escrito por mulher e ele se apaixonar instantânea e loucamente por mim. Na minha opinião, era algo perfeitamente razoável para se desejar, mas um tanto surreal caso você fosse Louis William Tomlinson. Mas para o mal ou para o bem, esse era eu.
Segui preguiçosamente o caminho que eu fazia pela casa na qual morava sozinho, considerando por alguns segundos cruzar o corredor e ir até o apartamento que Liam e Zayn dividiam, mas logo descartei a ideia. Conseguiria um pouco de comida decente, é verdade, mas também veria os olhinhos castanhos e desanimados desse primeiro que tinha sentimentos um tanto óbvios pelo outro. Zayn Malik era o único habitante do planeta burro o bastante para não perceber o estrago que fazia no pobre coração de Liam Payne. Ou Lee estaria puto por alguma coisa que Zayn tenha feito e de qualquer forma sobraria para mim. Eu só não estava no espírito para matar alguém naquela tarde e acabar na cadeia. Seria trabalhoso demais.
Por esse e por outros motivos me contentei em ir para minha cozinha, a mesma que se pudesse falar contrataria um advogado e pediria uma ordem de restrição contra mim. Em minha defesa, eu me esforçava para tentar cozinhar. Mas definitivamente não levava jeito, por isso até mesmo as tentativas eram dignas de pena. Ou risadas. Preocupação também, especialmente se o microondas estivesse envolvido.
Deixando de lado meu péssimo histórico, fui até a pia e comecei bebendo um copo imenso de água. Porque para mim não havia meio termo, era o dia inteiro sem lembrar de beber água ou uma quantidade absurda sorvida de uma vez que resultava em inúmeras idas ao banheiro. A ideia de equilíbrio nunca foi interessante para mim. Mais meio copo depois, lá estava eu abrindo o freezer na tentativa de decidir qual prato pronto congelado seria o escolhido para o jantar. Ri sozinho ao pensar que eu era uma piada, mas o que poderia fazer já que aquela era a mais pura verdade?
O que de fato fiz foi tirar uma pizza de calabresa lá de dentro e ir até meu celular carregando na sala para convidar os meninos para virem mais tarde. Eu os odiava um pouco por toda a raiva que era obrigado a passar, mas também os amava. Liam foi o primeiro a responder, mandando apenas um emoji de joinha como se já fosse um senhor velho idoso. Ele não tinha filhos, mas isso não o impedia de agir como um pai. Já Zayn… Bom, aquele ali não sabia o significado de ter um celular. Saiu trocentas vezes do grupo que originalmente nós três participávamos, mas que sempre que eu ia conferir, só havia eu e Lee, então eu o colocava lá de novo e o ciclo recomeçava. Então se dessa vez o eremita não estivesse lá eu esperava que seu colega de casa pudesse transmitir o recado.
O tédio me atacou novamente, e não havia muito o que eu pudesse fazer. Como bom iludido, eu era um leitor. Aplicativos de leitura costumavam ficar abertos no meu celular, mas naquele momento minha biblioteca não parecia ser capaz de prender minha atenção. Nem mesmo as fanfics, meu prazer proibido. Se alguém descobrisse aquele hobby altamente comprometedor da minha vida secreta, eu estaria ferrado. Os meninos com certeza me julgariam até o final dos tempos, eu teria que mudar de cidade e começar uma vida nova sob outra identidade.
Deixando de lado meus planos exagerados acerca de um possível desmascaramento, deixei os livros e as fanfics para ver se havia algo de novo no Facebook. Saí de lá quase que instantaneamente. O Instagram não parecia muito promissor também. Você sabe, pessoas sorrindo, praias, bebidas, pessoas sorrindo na praia com bebidas, minha professora de teatro do ensino médio, a senhora Woodhouse, anunciando a adoção de mais um gatinho e lhe desejando as boas-vindas à família… Nada novo sob o sol. Curti o pequeno compilado de fotos de seus filhos pets e deixei um pequeno comentário sobre a sorte que todos os animais tiveram ao serem resgatados por ela, e estava quase fechando o aplicativo quando algo chamou minha atenção.
O cara que ganhou uma competição gastronômica na tv há cinco anos estava ali, sorrindo no celular que eu segurava naquele momento. Em seu colo o pequeno Buzz, o cachorrinho branco que ele claramente amava. Na frente de ambos, uma panela vermelha virada para baixo. Sorri antes de perceber que o fazia, e já nem lembrava o que era tédio quando apertei o play, fazendo com que Harry Styles e seu cachorro se mexessem na minha frente.
Uma música instrumental de fundo começou quando Styles olhou solenemente para a câmera e ergueu as patas dianteiras de Buzz, que estava em pé no seu colo. Zayn era o músico ali e talvez ele fosse a pessoa certa para identificar os instrumentos, mas ao meu ver era o som de uma bateria soando animadamente no mesmo ritmo que as patas do cachorrinho chegavam até a panela. Ou seria um tambor? Harry e Buzz batiam na panela de forma tão sincronizada com a música que aquilo ficou incrivelmente engraçado.
Minha risada acompanhou Buzz — a verdadeira estrela ali — bater rapidamente com as duas patinhas, fazer uma pequena pausa enquanto ele e o dono olhavam para a direita e assentiam, depois ir mais devagar com uma pata de cada vez e repetir aquilo algumas vezes de acordo com o ritmo da música. A sinfonia foi finalizada com toda a elegância e talento esperados da bolinha de pelos. Como eu adorava aquele cachorro!
Era desnecessário dizer que eu fiquei os próximos minutos preso naquele vídeo, sorrindo, mexendo a cabeça no ritmo — coisa que demorei a perceber que estava fazendo — e achando tudo o máximo. Só quando a barra de notificações apareceu com a foto de Zayn, seu nome e o texto “obg pelo convite, bro. Até daqui a pouco :)” foi que lembrei sobre o restante da existência na Terra. Rapidamente cliquei na notificação e já na conversa mandei uma figurinha de gosto questionável que o próprio vagabundo fez de mim bêbado meio deitado em cima de uma mesa de sinuca mandando beijos na direção de quem filmava, pois não podia perder o evento raríssimo que era Zayn Javadd Malik online em qualquer plataforma de comunicação que fosse.
Isso me fez lembrar do convite, da pizza, e de que minha casa ainda estava uma zona. Ok que eram meus amigos mais do que acostumados com meu modo peculiar de arrumação que viriam, mas de vez em quando eu gostava de pensar que ainda tinha um pouco de vergonha na cara que fosse. Se mamãe visse o estado pavoroso que minha casa ficava oitenta e cinco por cento do tempo, com certeza teria uma síncope.
Essas e outras coisas me fizeram dar ouvidos àquela chata e estraga-prazeres voz que, segundo boatos, todo indivíduo tem. Acho que é consciência o nome, o tal do grilo falante do Pinóquio. E a voz chata me avisava que o mais indicado a fazer era largar o celular e dar um jeito naquele lugar, o que concordei em fazer. Antes disso, sorri mais uma vez para a imagem de Buzz e Harry na tela, apertando o botão para curtir e deixando como comentário vários emojis de um carinha dançando. E como o emoji, fui dançando para a cozinha lavar a pouca louça do almoço, que consistia basicamente em uma panela suja de miojo, outra que usei para cozinhar o ovo, um copo e a jarra que anteriormente continham suco. Eu era um rapaz de gostos simples.
Conforme limpava não pude evitar pensar que Harry Styles era uma gracinha, eu tinha que admitir. Até porque qualquer ser humano com olhos chegaria à mesma conclusão no segundo em que o conhecesse. Eu não o conhecia pessoalmente, é claro que não. Mas até que seria legal caso a fanfic acontecesse. Ele era famoso, gente boa e eu um eterno desajeitado. Pelo menos na cozinha. Então se fosse adicionada à equação o Starbucks, coque frouxo e um esbarrão fatal para o café de alguém, em algum tempo nós estaríamos subindo ao altar. Ri da ideia absurda ao pegar a vassoura e ir para o quarto.
A verdade é que eu não pensava nele daquele jeito, ao menos não para valer. Quero dizer, quem nunca sonhou em ser notado por um famoso? Não era como se eu realmente fosse a fim do cara. Em contrapartida, ele era a pessoa mais gentil que eu conhecia. O que era uma droga, já que eu jamais o vira pessoalmente. E claro, tudo poderia ser uma farsa por trás das câmeras. Ninguém era tão bondoso assim na vida real.
A primeira vez que eu o vi foi há cerca de dois anos, quando Liam não tinha mais o que fazer da vida e decidiu que arrastaria Zayn para o meu apartamento e nós três teríamos uma noite agradável em frente da televisão. Para filmes com armas, violência ou homens sem camisa? Era o que eu queria, mas o bastardo insistiu em colocar na plataforma de streaming um programa culinário famoso no país inteiro. A indireta foi recebida com sucesso.
Havia várias edições do tal programa, mas como ele e Zayn tinham visto as duas primeiras temporadas decidimos que veríamos a terceira, que passou em rede nacional havia três anos na ocasião e nenhum de nós sabíamos o que aconteceria. Eu estava distraído com o pedaço de pizza que os meninos trouxeram quando o grito entusiasmado de Liam me assustou.
— Eu não acredito, olha a cara de neném desse! — Bradou Lee, me levando a olhá-lo com alarme, notando pela visão periférica um Zayn zangado franzir as sobrancelhas em seu gesto característico de desgosto. Segui o olhar encantado de Liam, e foi instantâneo. Eu não ligaria se o garoto na tv conseguisse a proeza de cozinhar até pior que eu. Eu torceria para ele.
— Tem razão, um moleque que nem saiu das fraldas, esse aí. — Ouvi a voz de Zayn, já que meus olhos estavam ocupados observando o menino e lendo a faixa que apareceu na parte inferior com seu nome. Harry. Harry Styles. — Vai ser devorado pelos outros competidores como um aperitivo na primeira oportunidade, vocês vão ver. Ai!
— Aaaai… — Liam usou uma voz afetada para imitar nosso amigo. — Ai nada, seu invejoso. Você só está com dor de cotovelo porque o cara de neném deve cozinhar divinamente.
— Melhor que euzinho? — Com o despeito escorrendo de suas palavras, Malik quis saber. — É sério que levei um beliscão por causa desse borra fraldas?
— Não chame o cara de neném assim! Está decidido, nós vamos torcer por ele.
— Nã-não. De jeito nenhum, Payno. O cara de sapo é só o terceiro a aparecer, e nós perdemos a apresentação de não sei quantos participantes com essa sua obsessão maluca.
Somente nesse instante retirei os olhos do aparelho de tv, dando um pouco de atenção para os meus amigos. Liam apertou os olhos, focando nas outras pessoas que a câmera deveria estar mostrando.
— Ok, tem razão. Perdemos a apresentação de alguns, mas aquele barbudo que está passando agora também parece ser legal. Nós vamos torcer para os dois.
— Naaaaão! — Reclamou Zayn.
— Markus Bloom e o carinha de neném. E não se fala mais nisso.
— Cara, você nem sabe o nome do moleque!
— É Harry Styles. — Falei, atraindo a atenção de ambos. Zayn me lançava seu olhar julgador como se eu o tivesse traído, obviamente. Já Liam apenas sorriu e disse que era um nome legal, roubando uma mordida da pizza de Zayn, que encontrou um novo réu.
— Liam já tem os favoritos dele, mas eu não sou obrigado a nada. — Disse quando já havia uma senhora ruiva na tela. — Mas e você, Tommo, o que achou até agora?
— Eu não sou o melhor juiz de caráter que existe, meu ex está aí de prova. Mas a empolgação do Payno com os dois rapazes me contagiou, eu vou seguir os instintos dele nesse primeiro momento. Pelo menos até decorar alguns nomes e ver se mais alguém chama minha atenção.
— Traidor. — Zayn se limitou a dizer, inconformado, enquanto que Liam me soprava um beijinho.
E assim passou a noite, com dezenas de comentários maldosos de Zayn, inapropriados de Liam e apaziguadores vindos de mim. Comemos muito, rimos e julgamos ainda mais, e ali se iniciou uma tradição. Durante as noites seguintes, os meninos estavam no meu apartamento enquanto assistíamos ao programa. Eu e Liam tínhamos Harry e Markus como favoritos, ou Hazz e Mark para nós, que àquela altura já nos sentíamos íntimos. Zayn ainda implicava com ambos, mas quando algum se livrava da eliminação ele comemorava aliviado. Zee achava estar sendo discreto, mas Liam e eu percebíamos toda vez, apesar de nossos corações estarem prestes a sair dos corpos instantes antes.
Mark foi o sexto colocado, se não me engano. Não gostei, porém a verdade é que embora simpatizasse com o homem, desde o começo não foi ele meu favorito. Mas posso jurar que vi Payno limpar uma lágrima no canto do olho quando foi para minha cozinha naquela noite beber água e reclamar sobre roubo.
Ao longo da competição houve um verdadeiro complô contra Styles, pois eu e meu amigo não fomos os únicos a notarmos sua já mencionada carinha de neném. Harry tinha vinte e dois anos quando começaram as gravações, mas aparentava ter ainda menos. O que era uma afronta contra aqueles homens e mulheres com muito mais experiência, estudo, e acredito que segundo eles, direito de estar ali. O que a maioria parecia não entender ou aceitar muito bem, era que Hazz tinha o talento inato para aquilo, coisa que nem os mais caros cursos poderiam comprar. Eles tinham a chance de se aperfeiçoar, é verdade. Mas Harry Styles simplesmente tinha o dom para aquilo.
Foi um longo período assistindo comentários maldosos que a maioria dos participantes faziam sozinhos em uma cabine enquanto Harry era um adversário digno e ainda mais gentil enquanto pessoa, na frente deles ou quando não estavam. Inclusive foi uma das razões para Zayn deixar um pouco de lado sua implicância com Liam e parar de criticar o pobre que cozinhava na tv sem nem fazer ideia da nossa existência.
Harry chegou inclusive a ser sabotado na cara dura e por pouco não foi eliminado depois de Mark. Eu tinha um desprezo particular por uma participante que se denominava a perita em doces por ter feito um curso de seis meses em uma renomada escola francesa cujo nome não há a mais remota possibilidade de eu lembrar. Foi um prazer inenarrável quando Styles ganhou o primeiro lugar na prova cujo tema era a suposta especialidade da lambisgoia e conquistou o direito à imunidade na semana seguinte. Comemorei como se eu mesmo tivesse ganhado aquilo. Eu, a pessoa que literalmente não sabia nem cortar um tomate direito.
Por essas e por outras eu era a imagem do orgulho quando Harry disputou a final com aquela jararaca e ganhou dela com louvor. Agora era eu a limpar discretamente o canto dos olhos depois de um longuíssimo abraço com Liam, no qual o agradeci várias vezes por escolher nosso campeão, parabenizando-o por sua escolha feliz.
Parecíamos pais orgulhosos, mas eu não conseguia segurar as emoções. Foram tantas semanas torcendo para Harry, xingando seus adversários de tudo quanto é nome, sofrendo e vibrando com e por ele, que realmente era como se tivéssemos feito parte de sua jornada e vitória de alguma forma. Estávamos sendo patéticos? Creio que sim, pois Zayn não cansava de repetir aquilo, embora sorrisse. Até o safado estava aliviado com a vitória, e não havia um pingo do despeito daquela primeira noite. Mas sinceramente? Acho que posso falar por Payno quando digo que não poderíamos nos importar menos.
Aquela temporada da competição culinária, aquelas noites com os meninos… Aquilo nos marcou de uma maneira única. Mesmo para Zayn, apesar de todo o seu ridículo esforço para disfarçar o óbvio. Nós nunca mais encontramos aquilo de novo assistindo o que fosse, mas isso não nos impediu de encontrar genuína diversão desses dois anos para cá.
Deve ter sido lá pelo final da temporada que Liam veio até mim e confessou que naquela tarde não resistiu e procurou seus dois favoritos do começo no Instagram com o objetivo inocente de segui-los sem ver nada. Mas é claro que não resistiu e levou diversos spoilers, pois vasculhou o perfil de quase todos os participantes e descobriu quem venceu. Afinal, o programa que estávamos vendo fora gravado havia três anos. O fiz prometer que não me contaria nada mesmo se eu o implorasse de joelhos, o que de fato fizemos. Eu não consegui resistir nem meia hora antes de invadir seu apartamento implorando por respostas e Lee manteve sua palavra mesmo após ameaças, drama, tentativas de suborno e talvez algumas lágrimas Felizmente meu drama não levou a melhor naquela situação, pois descobri tudo da maneira mais emocionante possível. Liam segue Harry Styles nas redes sociais desde então. Eu e Zayn, desde que assistimos o episódio final. Eu sei, eu sei, ele não passa de um hipócrita.
Mas algo aconteceu. Eu falo de Zayn, mas também não sou muito de mexer nas redes sociais. Acho que sou hipócrita também. E quando mexo, mal curto as coisas, mesmo de conhecidos. Comentar, menos ainda. Só que os vídeos de Styles eram tão espontâneos e criativos que eu sempre me pegava sorrindo para eles. Eu era seu exato oposto na arte culinária, mas isso não me impedia de achar tudo o que ele fazia nela fascinante.
Passaram-se cinco anos desde que o programa foi ao ar, e dois desde que o assisti com os garotos através de uma plataforma de streaming. Apesar de fazer um tempo considerável, quando eu o via na internet experimentava o mesmo orgulho de assistir aquela final. Harry Styles agora era chef de cozinha. Em seu próprio restaurante!
A cara não era mais tão de neném assim, mas ele era sempre tão sorridente e afável que nada me tirava aquela primeira impressão da cabeça. Ele era um neném sim, independente de quantos anos tivesse. E por eu ter essa impressão de que já o conhecia, mesmo tendo ciência que ele não fazia ideia da minha existência, depois passei a curtir seus posts, os comentar e assistir pacientemente os stories. Sempre eram vários porque ele falava tão devagar quanto era possível, mas eu não me importava. Já estava mais do que acostumado.
E o mais impressionante de tudo é que ele curtia os comentários e os respondia de volta em alguns minutos. Em uma sequência de stories na piscina com o cachorrinho Buzz que eu pude comprovar que se aquele homem tinha algum defeito, era no pé. Porque puta que pariu, que pé feio. Mas era tão lindo o rosto que chegava a compensar.
Foram dois anos de Harry Styles na minha vida desde que o vi pela primeira vez no meu aparelho de televisão, cerca de um desde que comecei a comentar suas postagens, então não foi exatamente uma surpresa quando desbloqueei o celular e ignorei as notificações de mensagens do grupo da família, indo direto para o Instagram.
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Sorri feliz ao ver aquilo. E ele ainda perguntava? Fui até o perfil de Styles, clicando na publicação. Sua resposta para mim estava embaixo da legenda, então a curti e digitei “kkkkkkk sim, toda vez ♥️”. Eu não me importava em pensar em algo rebuscado e charmoso para dizer de volta quando Styles me respondia. Tampouco puxava assunto ou coisas do tipo, eu só era natural. Apenas eu mesmo, o cara sem muita bateria social para gastar por aí. Eu era assim com minha família, com Zayn, Liam e o restante dos meus amigos. E eu simpatizava com Styles, então ele também estava incluído na lista. Na minha cabecinha perturbada eu o conhecia, e ele não me conhecer só não fazia diferença.
Era só não criar expectativas que estava tudo certo. Ok que Styles me respondia e tal… Como fazia com qualquer seguidor que gostava do seu trabalho e interagia. Mas eu sabia que isso não significava nada. E tudo bem para mim. Porque, sendo franco… Quando no mundo que aquele cara incrível daria bola para mim?
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