Get Out Of My Head
22 I'm back!
3 semanas depois...
Bee’s POV
- AI MEU DEUS, EU TÔ NO PARAÍSO – estava na varanda do chalé contemplando a paisagem. Depois que briguei com Harry e Zayn, resolvi sair do hotel. Como deixei um bilhete dizendo o número do meu vôo, tinha certeza de que todos iriam me seguir (mesmo que eu tivesse deixado mil recados dizendo pra NÃO me seguirem), então entrei na internet e pesquisei um lugar tranqüilo aqui no Brasil, e encontrei informações sobre uma ilha isolada em Angra dos Reis. Resolvi pegar um barco pra ficar nessa ilha por alguns dias, precisava de um descanso. Quando cheguei aqui fui até um hotel de chalés e pedi o mais isolado de todos, e eles prontamente me ofereceram este. Quando entrei no chalé, notei que não tinha absolutamente NADA nele. Não tinha televisão, ar-condicionado, som, e mais, aqui não pegava celular. Sem meus aparelhos eletrônicos não sou ninguém, então resolvi voltar pro Rio. Quando cheguei na recepção dizendo que queria desistir do quarto, eles disseram que eu teria que ficar porque o barco só ia até lá de 3 em 3 semanas, e ele tinha acabado de partir. Nem preciso dizer que tive um ataque, mas aqui não funcionou como no hotel no rio. O pessoal daqui era pacífico DEMAIS. Fiquei até com vergonha depois.Voltei para o chalé e fui me deitar, pensando na vida. Peguei um papel que tinha na mesinha da cama e vi que eles tinham muitas coisas hippies aqui, como “aulas de ioga”, “massagem relaxante”, “contemplação do por do sol” e coisas assim. Dormi. Quando acordei já era de manhã, então resolvi sair pra tomar um banho no mar. É bom, mas sozinha fica meio chato. Quando voltei ao chalé tinha uma pessoa arrumando, então resolvi pedir a ela algumas aulas de ioga, e ela disse que uma professora viria falar comigo. Depois que ela saiu, fui tomar um banho relaxante de chuveiro, me vesti lá mesmo e, quando voltei, a professora estava batendo na minha porta. Ela era uma mulher muito bonita, calculei que ela teria aproximadamente 30 anos.
- Olá, meu nome é Anna Karina e sou sua professora de ioga, vamos começar? – ela perguntou, sorridente.
- Ah, claro – falei, um pouco desanimada.
- Aconteceu algo com você? – ela parecia preocupada.
- Bem, nada de mais...
- Tudo bem, pode me contar, eu moro aqui nesse lugar isolado, nunca saio e não tenho muitas pessoas pra conversar, vai ser meio difícil eu contar pra alguém, não acha? Além do mais, eu sei guardar segredos, e posso te dar alguns conselhos – é, ela tem razão, preciso de alguns conselhos, e ficar guardando isso não vai adiantar de nada. E ela parecia ser legal.
- Bem... – contei tudo, desde o dia que soube que era adotada até a briga com os meninos enquanto nós fazíamos os exercícios, e ela escutou pacientemente. Quando terminei, ela fez uma posição de relaxamento e eu a imitei.
- Olha Beatriz, sua história é muito complexa, admito. Mas caramba, esquece um pouco o que te perturba e olha o que você conseguiu! Você conseguiu uma família adotiva maravilhosa, que te ama, conseguiu o emprego dos sonhos de muitas meninas por aí e ainda é disputada por dois meninos que são sonho de consumo de muitas também! Você não deveria estar se lamentando pelas coisas ruins que aconteceram, ninguém deveria se lamentar. Sabe, sempre que acontece algo chato comigo, eu pego duas horinhas do dia pra pensar profundamente sobre aquilo. Por exemplo, no seu caso, eu estaria me perguntando qual dos dois realmente me merece. Qual deles faz meu coração bater mais forte, qual que me faz ficar sem fôlego, que se preocupa com como foi meu dia, que percebe quando estou triste... Esse tipo de coisa. Eu não posso resolver esse problema pra você, mas pelo que você me contou, o garoto certo é o Zayn. Ah sabe, ele é fofo com você, sempre percebe quando algo está rolando... Mas em compensação, o Harry te conhece desde criança, sabe suas manias, seus gostos, seu jeito melhor que ninguém. Eu te conheci hoje, não posso dar palpites em sua vida. Apenas digo uma coisa: trate bem quem te quer bem. Reflita sobre isso ma fille (minha criança), depois tome sua decisão – ela sorriu.
- Muito obrigada Anna, você foi muito gentil de ter ouvido minha história.
- De nada, às vezes eu queria que alguém escutasse as minhas – ela olhou pro lado.
- Se você quiser eu posso ouvir...
- Não ma fille, você já tem problemas demais – ela deu um sorrisinho triste e se levantou. – A aula acabou por hoje. — E finamente me toquei que ela falava em francês.
- Espera, você é francesa? – fiz uma pergunta idiota.
- Ah, sou sim.
- Espera aí, eu te conheço de algum lugar... – eu conhecia ela de algum lugar.
- Haha, claro que não ma fille – ela sorriu. – Até amanhã.
- Até... – estranho.
Então, todo o dia de manhã, durante o tempo que fiquei no chalé, Anna vinha conversar comigo. Não só sobre mim, mas sobre assuntos variados. Comi comida orgânica e vegetariana, banhei muito no mar, contemplei o por do sol... Me senti uma completa hippie. Então, finalmente as 3 semanas acabaram.
- É hora de voltar pra casa, ma fille – Anna sorriu, me abraçando, enquanto eu dava uma última olhada no chalé.
- Vou sentir falta desse lugar. E de você Anna – olhei pra ela e uma lágrima caiu do meu rosto. Ela passou a mão no meu rosto e a secou.
- Não chore ma fille, seja forte – ela me deu um beijo na bochecha. – Também vou sentir sua falta. É melhor você ir, se não o barco vai embora sem você. Adeus.
- Adeus – olhei pra ela por um tempo e fui.
“É hora de voltar pra casa, ma fille”.
É mais que hora, mon ange gardien. É mais que hora de ajeitar minha vida.
Zayn’s POV
- Vou buscar um cafezinho para os senhores – a empregada, Jolie, disse e se retirou.
Thamyres chegou perto de mim no sofá e me abraçou. Essas últimas 3 semanas foram muito difíceis, não só pra mim, mas pra todos que a amavam. Quando vimos a notícia na TV, quase não acreditamos, começamos a chorar e ficamos desesperados. Voltamos imediatamente pra França, e Thamy veio conosco. Demos a notícia para Brigitte e Bernard, que até então não faziam idéia do que tinha acontecido. Brigi desmaiou e Bernard ficou desolado, deu pena dos dois. Algumas horas depois o mundo inteiro estava sabendo que o vôo que carregava Baudelaire B. tinha caído. O telefone da casa tocava o tempo inteiro e milhares de pessoas estavam na porta da casa querendo falar com alguém de dentro. Brigitte nos ofereceu hospedagem e nós não recusamos. Estávamos muito cansados pra viajar.
Não tinha um dia sequer que eu não lembrasse dela. Do seu sorriso, seu toque, o gosto de seus beijos... Eu estava completamente arrasado. Como ela pode fazer isso? Me fazer amá-la e depois me deixar, deixar seus amigos, sua família? Como Deus pode criar tamanha perfeição e depois acabar com ela, sem motivo algum? Será se ele a criou pra nos castigar, pra aprendermos como é ruim perder a coisa que mais amamos e depois aprender a superar? Superar como? É impossível.
- Pronto senhores, aqui está – Jolie voltou com o café.
- Obrigada – dissemos, em um tom desanimado. Olhei pra Thamyres que agora pegava seu cafezinho.
Ela ter vindo foi uma das melhores coisas que aconteceu nesses últimos dias. Ela vem me ajudando como ninguém nunca antes ajudou. Me dando conselhos, me incentivando a continuar e me levantando quando caio. Eu estava começando a gostar muito da companhia dela.
Eu sou um estúpido mesmo. Me levantei bruscamente.
- O que foi Zayn? – Liam perguntou, um pouco assustado.
- Vou pro quarto, estou com sono. Tchau – disse e me dirigi até o quarto, sentando na cama.
Beatriz Baudelaire Tyrell. É ela quem eu amo. Estando morta ou viva. Ela será a pessoa que vou amar pra sempre, ninguém vai mudar isso. Não, ninguém pode acabar com esse sentimento. Ela era tudo pra mim, eu não posso... Não posso...
- Zayn... O que aconteceu? Está precisando de ajuda? Pode dizer o que é, se estiver ao meu alcance eu faço – Thamy entrou devagar no quarto.
Ela é linda. Ela está do meu lado, está me ajudando, e principalmente... Ela não está morta. Deus me perdoe.
- Fica comigo Thamy?
Harry’s POV
- O que foi Zayn? – Liam perguntou.
- Vou pro quarto, estou com sono. Tchau – ele disse, grosseiro, saindo da sala.
Ele está sendo muito estúpido esses últimos dias. Tudo bem, ele está se sentindo afetado com a morte da Bee, mas não é somente ele que está sofrendo, todos nós estamos, principalmente eu.
Me pego toda hora pensando nela. Suas manias, seus medos, sua risada, o jeito que ela falava meu nome... Eu sou um idiota, fiz tudo errado. Primeiro a perdi, depois quis tomar ela como se fosse um objeto, não respeitei seus sentimentos. E agora, a perdi de novo, e dessa vez pra sempre. Algumas pessoas sempre perguntam se você se arrepende de não ter feito algo na vida e, se alguém me fizer essa pergunta agora, direi que me arrependo de tudo. De ter ignorado ela quando éramos crianças, de ter entrado naquele estúpido reality show, de ter tentado fazer ciúmes nela com outra menina, de tudo. Eu daria qualquer coisa pra ter ela aqui comigo novamente, mas sei que nunca a teria mesmo.
- Vou falar com ele – Thamyres disse. Isso estava muito estranho. Eles passavam o tempo todo juntos, se abraçando, como se se conhecessem a muito tempo. Eu não gostava de pensar no que estaria acontecendo entre eles. Não suportaria saber que o menino que a Bee escolheu, que pensou que seria só seu pra sempre, que jurou amá-la estaria traindo ela assim.
Resolvi subir também, mas pra outro quarto, e dormi. Acordei bem cedo, porque tive alguns pesadelos, o que estava se tornando rotina desde a morte dela. Não agüento mais ficar nessa casa. Íamos passar só um dia, mas Brigitte e Bernard pediram pelo amor de Deus pra ficarmos até o velório de Bee, quando achassem o corpo dela. Sabíamos que isso não ia acontecer nunca, mas resolvemos aceitar o pedido. Mas eu cansei. Entrei na internet e compre minha passagem pra Londres. Ia voltar pra Holmes Chapel. Minha mãe considerava Bee uma filha, ela deve estar precisando mais de mim do que as pessoas aqui.
-
- Tem certeza de que você não quer ficar, filho? – Brigi perguntou, com uma cara inchada e um copo de chá na mão.
- Tenho sim, muito obrigada pela hospitalidade e por tudo. Quando tiverem alguma notícia me liguem. Até mais.
- Até – Bernard respondeu. Resolvi sair de lá antes que os meninos acordassem e pedi pra Brigi e Bern avisarem que fui embora. Seria melhor assim, evitaria mais perguntas.
Peguei um táxi até o aeroporto e embarquei. Chegando em Londres fui direto á rodoviária e peguei um ônibus até Holmes Chapel. Cheguei lá durante a noite, exausto.
- Harry, meu filho! – mamãe me abraçou, com cara de choro. Gemma foi a próxima e depois Robin. Sentamos todos no sofá e ficamos nos olhando. Gemma começou a chorar e subiu pro quarto. Mamãe me olhou e balançou a cabeça.
- Ela está muito mal Harry – mamãe fungou. – Não só ela. Bee era uma filha pra mim. Sempre me disseram que dói muito perder um filho, mas agora que eu realmente pude perceber o quanto – ela começou a chorar também, cheguei perto e a abracei.
- Calma mãe... Deus sabe o que faz, nada é por acaso. Olha, eu não sei como é perder um filho, mas agora sei como é perder a pessoa que você mais ama na vida. Deve doer do mesmo tanto, se não for pior. Mãe, todos nós estamos sofrendo, mas temos que aprender a enfrentar. Bee não ia querer que chorássemos a vida inteira por ela, ia querer que continuássemos... E é isso que estou fazendo – a campainha tocou.
- Quem será? – Robin perguntou.
- Eu vejo quem é – disse e fui até a porta, a abrindo.
Ah, meu Deus, não pode ser! É um milagre, Deus ouviu minhas preces. Ele é tão bom! Não acredito nisso, tudo que eu mais queria, aqui na minha frente, como uma miragem.
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