Get Mad, Ear.

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Oh, já devem ter percebido que eu gosto do estilo narrador/personagem, um pouco diferente, claro. Eu gosto de usar o narrador onisciente, porém é muito chato ficar colocando os pensamentos dos personagens, então eu gosto de absorver a personalidade do personagem para o narrador sem necessariamente colocar como sendo seu ponto de vista. Assim eu posso trocar e destrocar de ponto de vista de modo brusco sem quebrar o contexto nem a narrativa.

Midoriya estava voltando para o dormitório depois do segundo banho morno preventivo. Quando Jirou destruiu o prédio com seus batimentos cardíacos, ela também destruiu o acelerador de partículas, o que liberou altos níveis de radiação. Todos em um raio de 2 km foram alertados da possível exposição e os estudantes da UA tiveram que tomar algumas medidas preventivas.

Iida e Yaoyorozu foram espetaculares na liderança. Ambos cuidaram de tudo, desde informar as autoridades, explicar a situação e escoltar o vilão. Midoriya fez uma nota mental para desenvolver essas habilidades.

Quanto aos demais, não houve ninguém com ferimentos graves além de Jirou, alguns arranhões e hematomas, nada demais. Os heróis ainda estavam sob controle do vilão, porém, com uma mordaça o impedindo de dar ordens, eles apenas andavam sem rumo esperando pelo próximo comando. Era um pouco assustador. Entretanto, eles teriam que esperar até o efeito passar ou o vilão os liberar de seu controle.

No dia seguinte, com uma análise dos materiais que sobraram do local, a equipe forense de heróis constatou que era possível para o vilão controlar pelo menos 70% do globo terrestre se ele alcança-se a velocidade máxima que as partículas do seu cérebro aguentavam e transmitisse sua individualidade pelo transmissor gigantesco.

Midoriya ficou surpreso ao descobrir que ele e sua turma tinham acabado de salvar o mundo pela primeira vez. Ainda assim, ninguém da turma A estava particularmente feliz. Jirou ainda estava hospitalizada, e eles sequer tinham notícias da garota. A última atualização que tiveram, foi que ela não podia ser removida do hospital, pois seu estado era instável.

Nem mesmo a boa notícia de ver seu professor de volta à sala de aula na primeira aula do dia animou os garotos. Aizawa havia sido liberado de manhã cedo e quis todas as informações possíveis do que aconteceu ao saber que seus alunos tinham quebrados centenas de regras por ele. E pior, um deles estava no hospital.

— Não pensem que o que vocês fizeram foi certo – Aizawa os repreendeu monotonamente – Mas como o erro também foi meu de ter seguido uma pista sozinho no meio da busca, e também dos outros profissionais por não darem ouvidos a vocês, não haverá punição. O que vocês fizeram ontem foi uma atuação digna de heróis.

— Então porque toda essa merda parece não ter valido a pena? – Bakugou grunhiu mais alto do que pretendia.

— Bakugou tem razão, eu sinto em minha alma que fizemos mais mal do que bem – Tokoyami concordou apoiando a mão no peito.

— Não conseguimos salvar os heróis com lavagem cerebral, contaminamos pessoas com radiação e... Kyouka-chan... – Momo baixou a voz e desviou o olhar com tristeza.

— Vocês salvaram o mundo. – Lembrou Aizawa – Nem sempre de um modo justo. Mas é assim que a vida de herói acontece. Vocês ainda tem muito que melhorar. Agora, vamos começar a aula, já perdemos tempo demais com isso.

Shota preferiu mudar de assunto. Ele estava grato por não ter expulsado nenhum de seus alunos no primeiro dia. Esses garotos o estavam orgulhando, doía um pouco pensar que eles fizeram isso para ajuda-lo e agora estavam com esses rostos tristes. Quase o fez desejar não ter sido preso.

Em contrapartida, ele estaria no mesmo estado que seus colegas de trabalho se não o tivessem sido usado como distração. Em algum lugar dentro de si, Aizawa sabia que seus alunos o tentariam resgatar nessa situação também.

Depois desse evento, a 1-A ganhou ainda mais destaque na escola. Foi impressionante a quantidade de pessoas que os pararam nos corredores para perguntar sobre a batalha. As coisas se acalmaram no segundo dia, quando Bakugou perdeu a paciência e realmente agrediu um senpai. Apesar de o garoto ser punido com a limpeza da sala por uma semana, ele não reduziu as ameaças de morte para quem perguntasse mais alguma coisa sobre isso.

Para a tristeza de todos, a UA conseguiu entrar em contato com o hospital e os alunos foram avisados que Jirou ainda não tinha acordado. Os pais da garota punk nem sequer podiam visita-la. Kyouka estava em isolamento completo. Alguns exames mostraram danos nos tímpanos e nos ossículos da orelha de Jirou. Qualquer ruído poderia causar uma surdez irreversível na garota.

Demorou uma semana para que Jirou tivesse permissão de receber visitas. Ainda assim, eram extremamente restritas, com durações reduzida e completamente proibidas de barulhos altos. Aizawa não contou isso aos seus alunos. Ele sabia que todos estavam preocupados com a colega de classe. Entretanto, os pais da garota tinham prioridade na fila de visitantes. O segundo grupo a visitar Jirou foram os policiais, eles precisavam de um depoimento simples dela para o julgamento do vilão.

No terceiro dia, os médicos vetaram visitas para testar os efeitos das mesmas na garota. Por isso, só no quarto dia Aizawa informou da permissão de visitas à Jirou.

— Eu posso levar até dois alunos comigo – O Sensei explicou monotonamente. – Ergam a mão quem quer ir.

Surpreendentemente todos se manifestaram, até mesmo Bakugou.

— Não sei nem porque perguntei – Aizawa suspirou.

— Sensei – Momo chamou docemente – Por favor, como vice-representante de sala e, acredito que eu, uma das pessoas mais próximas da Jirou-chan, eu deveria ir.

— Yaoyorozu pegou uma das vagas – Shota declarou apontando para a garota.

— Ei, eu também, eu também! – Kaminari gritou levantando da carteira pensando que a seleção era feito por aqueles que se manifestassem primeiro.

— Barulhento demais, eu avisei que Jirou está em isolamento acústico, próximo – Negou Aizawa.

— Sensei, por favor, me deixe ir – Midoriya pediu com o rosto sério – Eu preciso agradecer Jirou-san. Boa parte do crédito veio para mim, por ter descoberto o plano e quebrado a máquina. Mas eu queria dizer à Jirou que se ela não tivesse quebrado o controle mental antes que eu fosse controlado, eu nunca poderia ter reagido a tempo de ajudar os outros.

— Yaoyorozu e Midoriya então – Aizwa decidiu com indiferença.

— Eeeeei, não é justo – Kaminari chorou de seu lugar – Eu sou muito mais próximo de Jirou. Por favor, Sensei, eu mal tenho dormido de preocupação – Ele praticamente implorou com um beicinho cômico.

— Eu posso confirmar a parte do não dormir – Kirishima levantou a mão – Ele fica andando pelos corredores no meio da noite.

Shota suspirou novamente e esfregou as têmporas. Já era esperado que seria trabalhoso fazer a seleção. Ele planejava faz isso rápido e sem reconsiderações, mas parece que essa turma o estava amolecendo.

— Temos 40 minutos de visita. Se vocês se dividirem em dois grupos, podem ir mais três – Aizawa cedeu com uma pitada de impaciência.

— Isso! – Kaminari comemorou.

— Se você continuar assim, não vai nem no segundo grupo, Kaminari – Shota alertou severamente – as condições de Jirou são delicadas, nenhum aluno barulhento vai ser permitido ao lado dela, entendeu?

Kaminari concordou com um sussurro curto e sentou-se encolhido em sua carteira. Depois de mais cinco minutos de seleção, Asui e Uraraka foram escolhidas para acompanhar Denki no segundo grupo de visitas.

O grupo selecionado foi liberado das aulas da tarde, já que esse era o horário de visitas. Eles chegaram ao hospital, passaram na recepção e adentraram uma antessala onde encontraram uma enfermeira alta, a pele morena e os olhos escuros.

— Eu disse três, Shota, não seis – Ela repreendeu com uma careta assim que os viu entrar.

— Eu sinto muito, mas eles insistiram em ver a amiga, eles concordaram em se dividir em dois grupos de três, mas eu vou falar com ela primeiro.

— Você não vai perturbar a garota com perguntas sobre o que aconteceu, vai? – Ela apoiou as mãos na cintura e ergueu uma sobrancelha — Já não basta os policiais?

— Eu serei o mais breve possível, Kaia, mas se a individualidade dela mudou, eu preciso saber em que sentido, para ajuda-la – Aizawa explicou com uma leve reverência.

— Tá! – Ela bufou revirando os olhos – Mas eu vou junto, se ela oscilar uma respiração que seja, eu vou chutar sua bunda magra dali, entendeu?

— Totalmente. Eu só preciso de 5 minutos a sós com ela, o resto é todo deles – Aizawa concordou apontando para os alunos com o polegar.

— Venham comigo, eu preciso dar as orientações para todos de uma vez.

Eles seguiram pelo corredor e Midoryia fica pensando. Se o sensei não via entrar em grupo, então um dos grupos seria só uma dupla, mas se a enfermeira não deu as orientações agora, então mais alguém está vindo?

Quando eles passaram por uma porta de borracha sem fechaduras a enfermeira pediu que deixassem seus celulares, relógios e qualquer outro dispositivo eletrônico, além de lavarem as mãos e colocarem uma blusa simples e esterilizada.

— Quem é aquele? — Tsui percebeu que tinha alguém encarando uma das portas no final do corredor.

— Ah, ele está ali há uns dez minutos, eu o deixei entrar, mas quando chegou na porta decidiu que ia esperar por vocês, acho que ele está com vergonha de entrar sozinho – ela encolheu os ombros.

Ao se aproximarem, Midoriya percebeu que era Shinsou quem estava esperando. Seus olhos pareciam mais cansados do que o habitual, a palidez e magreza de seu rosto mostravam que ele não estava em seus melhores dias.

— Ah, vocês chegaram. Bom.

— Ok, garotos, regras: Não toquem em nada, falem baixo e não soltem aqueles nós nos pés dela – A enfermeira começou contando as regras nos dedos – se eu ver aquela garota fora da cama eu vou saber que foram vocês, entenderam? — Todos engoliram em seco com o tom de ameaça da última frase. — Esperem um pouco aqui fora, quando ele sair, vocês entram – ela apontou para o Aizawa.

— Como você chegou aqui, Shinsou-san? – Tsui perguntou.

— Eu consegui permissão do Vlad-sensei e vim cedo, mas não quis acordar a Jirou. Então achei melhor esperar vocês.

Enquanto isso, Shota entrou no quarto e viu Jirou recostada na cabeceira da cama, ligada por alguns fios a um monitor cardíaco silenciado e Um acesso venoso no braço direito.

— Sensei! – Jirou sorriu ao vê-lo.

— Como vai? – ele perguntou calmamente.

— Entediada.

— Agora me ofendeu, mocinha – Kaia debochou com um sorriso enquanto checava as orelhas de Jirou – Abre a boca, isso, agora olha para cima. Bom, Dor? Calor? Frio? – Jirou negou com a cabeça – Desembucha, Shota – Ela comandou acenando com a cabeça para Aizawa.

— Jirou, eu preciso fazer algumas perguntas para você, tudo bem? – Ele pediu sentando-se na cadeira ao lado da cama da garota.

— Claro.

— Você pode me contar o que aconteceu? Quero dizer, quando você perdeu o controle.

— Eu não sei muito bem. – Ela murmurou tocando seus fones enfaixados – Tudo o que eu me lembro é de ficar furiosa por alguém estava invadindo minha cabeça. Então senti minha pulsação por todo o corpo e a raiva aumentou ainda mais. Quando eu vi, estava explodindo tudo, e o som era tão alto que fez minhas orelhas doerem, eu senti o sangue e fiquei com medo... O resto que lembro é do hospital.

— Mais alguém da sua família já teve alguma coisa semelhante?

— Não. É a primeira vez.

— Melhore logo, por favor – Shota despediu-se com um sorriso leve e um aceno.

Assim que o professor saiu, as garotas entram. Shinsou sugeriu que as damas fossem o primeiro grupo.

— Momo! – Jirou quase pulou de alegria ao ver a amiga.

— Ei, nada de gritos – Kaia repreendeu apontando para Kyouka.

— Desculpa – Jirou pediu se encolhendo com um gritinho agudo.

— Tem mais visita ainda, Kyouka-chan, não vamos exagerar, certo? – Asui sorriu gentilmente.

— Quem? – Kyouka perguntou curiosa – Por que não entram logo?

— Não vou colocar seis adolescentes barulhentos para berrarem no seu ouvido, Jirou, eu não devia nem deixar os outros entrarem – Kaia negou cruzando os braços.

— Ah, qual é, não tem diferença entrarem agora ou depois – Jirou argumentou, não funcionou — Por favor, Kaia – Ela gemeu puxando o jaleco da mulher – Eu prometo silêncio absoluto quando eles forem embora. – Isso pareceu surtir algum efeito – Eu nem tento levantar da cama.

— Você sabe que tem um medidor de volume aqui, se eles fizerem muito barulho, eu tiro todos sem dó nem piedade – Kaia cedeu.

— Sim, capitã – Jirou satirizou com uma falsa continência e Kaia saiu do quarto – Ela é legal, mas vai me enlouquecer com esse silêncio. O quarto é totalmente isolado, nenhum som além dos que eu possa fazer. Era preciso antes, agora é ensurdecedor.

Lentamente a porta se abre e um tufo loiro aparece para espiar a sala.

— Jirou, você tá legal? – Kaminari sussurrou ao entrar.

— Não precisa sussurrar, Jamming Whey. – Kyouka revirou os olhos com um sorriso enorme.

— Eu não quis arriscar. – Ele sorriu aproximando-se e passando um braço pelos ombros dela – Você deu um susto e tanto na gente!

— Hmff, a que ponto cheguei, eu não acredito que senti falta até da sua voz irritante, Kaminari – Ela debochou cutucando-o, com os dedos, os fones ainda estavam muito sensíveis.

— Jirou-san. Que bom que você está melhor – Midoriya sorriu.

— Oi, Midoriya.- Ela cumprimentou antes de virar-se para Shinsou colado na porta. O gato comeu sua língua, soneca?

Com um sorriso tímido, Hitoshi se aproximou também. Ele tinha uma sacola de papel nas mãos e coçou a nuca antes de estica-la na direção de Jirou.

— Chocolates, eu não sei se você pode comer, são crocantes, eu tirei dos plásticos para não fazer barulho quando abrir. Mas agora isso parece um pouco idiota – Ele balbuciou monotonamente.

— Obrigado, eu vou esconder debaixo do travesseiro – ela brincou.

Todos ficaram em silêncio de repente. Shinsou continuou encarando-a como se fosse irreal, ele parecia tão pálido que acharam melhor deixa-lo falar. Jirou inclinou a cabeça para o lado um pouco inquieta.

— Shinsou, você tá legal? – ela perguntou remexendo-se o melhor que pôde por causa dos pés presos.

Hitoshi não respondeu, apenas aproximou a mão lentamente do ombro dela e, assim que tocou, percebeu que Jirou era real e estava bem. Ele suspirou aliviado e deixou os ombros caírem relaxados.

— Eu fiquei tão preocupado... E-eu... eu sinto muito, Jirou – Ele começou com uma pitada de culpa – Você me enviou uma mensagem e eu não vi. Se eu estivesse lá talvez eu conseguisse quebrar o controle mental e você não precisaria fazer isso. É minha culpa você estar aqui, eu sinto muito.

Jirou ficou surpresa com o amigo. É por isso que ele parecia tão casado? Ele estava se culpando pelo que aconteceu? Midoriya sentiu que talvez fosse melhor sair um pouco. Contudo, Kyouka interrompeu seu pensamento.

— Tem razão, é sua culpa eu estar aqui, seu idiota – Ela respondeu franzindo o cenho. — É tudo sua culpa. Se você não tivesse me ensinado a criar um gatilho todos nós estaríamos fazendo tudo que aquele idiota egocêntrico quisesse. Você salvou o dia Shinsou, você foi um herói. – Ela explicou placidamente, mostrando ao amigo que não o culpava por nada.

— Jirou-san – Midoryia chamou com confiança – Eu quero agradecer por ter feito o que fez. Se você não tivesse quebrado o controle mental a tempo, eu não poderia ter ajudado os outros.

— Bem, foi tudo culpa dele – Jirou apontou para Shinsou fingindo seriedade.

Não demorou muito para todos voltarem a conversar alegremente. Kaminari sentou na cama, perto dos pés de Jirou, o que incentivou Momo a sentar do lado da amiga. Shinsou já estava por perto, então se sentou do outro. Eles só perceberam que o tempo havia passado quando a enfermeira voltou para o quarto.

— Ok, garota, hora do seu—Ei! O que vocês estão fazendo? – Ela repreendeu os vendo na cama de Jirou – Não podem ficar na cama dela, querem que ela pegue uma infecção?! – Ela os expulsou com um aceno de mãos.

— Oh, socorro, acho q estou morrendo. Momo, é sua culpa – Jirou debochou dramaticamente jogando-se na cama e apoiando a costa da mão na testa.

— Você tem muita sorte que eu gosto de você, mocinha, — Kaia meneou destampando uma seringa — Sabe essa belezinha aqui? Eu poderia aplicar na sua bunda, mas eu vou ser legal e usar o acesso – Ela disse antes de aplicar lentamente uma seringa de 20 ml.

— Obrigada, eu te amo – Jirou piscou os cílios, fingida – Jamais aceitaria drogas de outra pessoa q não fosse você.

— Eu vou sentir sua falta garota – Kaia bufou uma risada.

— Isso quer dizer que eu vou ter alta?!

— Não se anime tanto, ainda tem alguns testes no fim de semana, mas se eles foram bem, a Dra. vai te despachar daqui. – Ela informou retirando a seringa e fechando o acesso – Pronto, alguma coisa diferente nos últimos 30 minutos?

— Sim, pode, por favor, retirar essas contenções? Eu não consigo sentar direito – Kyouka pediu remexendo-se na cama e fazendo uma careta.

— Eu avisei que ia amarrar você, não avisei?

— Por favor, Kaia, eu aprendi minha lição! – Kyouka chorou.

— Eu não ligo, elas ficam – Kaia negou resoluta — Para você se lembrar do seu pecado da desobediência – Ela debochou.

— Por favor, por favor, por favor, por favor, eu prometo que não tento me levantar mesmo que eu não sinta minha bunda. Por favoooooor – Jirou gemeu puxando-a pela manga.

— Eu vou tirar — Jirou comemorou — Mas se eu ouvir o som da sua respiração, eu vou amarrar você inteira e enfiar gaze na sua boca. – Kaia ameaçou com os olhos estreitos — Você sabe que eu posso, e eu vou.

Jirou acenou várias vezes e bateu continência com uma expressão séria. Kaia pegou um bisturi e cortou as amarras, depois abriu a porta e avisou:

— Vocês tem 10 minutos, se eu não ver vocês lá fora até lá, eu venho buscá-los com as faixas do Shota, entenderam?

Todos concordaram veementemente.

— Cara, ela é a enfermeira dos pesadelos – Kaminari comentou engolindo em seco.

— Ela é doce, do jeito dela. – Jirou defendeu esfregando os tornozelos – Ok, um jeito meio Bakugou, mas ainda um amor – Kyouka encolheu os ombros.

Eles saíram pouco depois, Aizawa foi buscá-los dizendo que precisavam ir. Eles relutaram um pouco, mas só foi preciso o Sensei fazê-los escolher entre ele e Kaia que os garotos se despediram de Jirou rapidamente.

Eles chegaram na UA quase na hora de jantar. Midoriya estava terminando de vestir sua camisa quando ouviu Bakugou chamando do lado de fora de seu quarto.

— Katchan? – Ele perguntou com receio.

— Você viu a Orelha – Não foi uma pergunta.

— Uhum.

— Como ela está? – Bakugou murmurou enfiando as mãos no bolso.

— Muito bem – Midoriya sorriu. Era bom saber que Bakugou se importava com as pessoas – Ela se divertiu bastante hoje. E está sendo bem cuidada. Tinha uma enfermeira que até brincava com ela. Elas pareciam se dar muito bem com as piadas.

— Pff, mantendo o sarcasmo em dia – Bakugou bufou uma risada. – Sinal de que ela está bem.

Katsuki não agradeceu nem nada, ele só virou as costas e voltou para o seu quarto.

Notas finais
Todas as paradas sobre acelerador de partículas foram pesquisadas em diversas fontes que eu já nem lembro mais, porque faz meses que eu escrevo essa fanfic. Oh, e a enfermeira? Eu me baseei em mim mesma para ela huheueuheuhe Quanto ao estado de Jirou, bem, uma vez, em um estágio, atendi uma garota de uns 14 anos que teve meningite, ela acabou tendo alguns problemas agudos de equilíbrio, já que os ouvidos foram afetados também. Como Kyouka teve os ouvidos atingidos, é óbvio que o equilíbrio também não tá muito bom. Essa garota era muito zoeira, sério, eu me divertia cuidando dela. O problema é que ela era muito agitada e tinha risco de queda. Ela não podia ficar andando sozinha etc, então eu literalmente amarrei na cama e proibi os pais de desamarrar huheueuheu Eu sou horrível, pai, me perdoe. E,por favor, não deitem na cama do paciente quando estiverem de acompanhante, isso não é legal.