Get Mad, Ear.

11 Capítulo 11


Depois de falhar miseravelmente em controlar a ativação da explosão sônica antes do treino de individualidade a parte, Jirou contou aos professores sobre sua conversa com Bakugou e sobre a ideia de criar um caminho.

Como uma espécie de dever de casa, Aizawa aconselhou-a a ficar algumas horas da semana tentando formar um caminho, sem realmente tentar ativar sua individualidade, apenas mentalizar um percurso para o som.

Por isso Jirou estava aqui, plena 6h da manhã de sábado, traçando linhas pelo seu corpo partindo do seu coração. Ela havia tentado fazer isso apenas usando a imaginação, mas como não funcionou, Kyouka pensou que talvez fosse preciso algo mais real, físico, para sentir o traçado das novas rotas.

E foi assim que, depois de duas horas, ela acabou só de calcinha e sutiã, sentada na sua cama, focando toda a sua atenção nos seus batimentos cardíacos. Jirou estava tão distraída que não ouviu Yaomomo chegando ao andar de seu quarto, nem mesmo a batida em sua porta, ou a maçaneta girando.

— Kyouka-chan, você ainda está... – Yaoyorozu entrou e julgou ser melhor não olhar para a sua amiga, claramente ocupada.

— Momo? – Jirou perguntou calmamente ao abrir os olhos.

— Interrompi alguma coisa? – Yaomomo perguntou com um leve rubor.

— Não – Jirou respondeu franzindo o cenho, confusa com o rubor da amiga – Não! Não mesmo! – Jirou exclamou ao perceber o erro de interpretação que a situação causava – Eu estava... tentando fazer um caminho para o som dos meus batimentos – Ela explicou cobrindo-se rapidamente com os lençóis – Sabe, para controlar a explosão.

— Ah, sim, entendo – Momo fechou a porta e sentou-se na cama ao seu lado – Algum progresso?

— Não muito – Jirou suspirou, pegando sua blusa largada na cama e a vestindo – Honestamente, não sei nem como eu consegui criar uma linha direta dos meus fones com o meu coração.

— Bem, talvez não seja preciso usar exatamente seu coração – Momo sugeriu entregando os shorts de Jirou que estavam no chão para a garota.

— Como assim?

— Bem, suas artérias também pulsam, não é? – Yaoyorozu lembrou com indiferença – E elas estão pelo corpo todo.

— Momo, você é um gênio! – Jirou exclamou pulando da cama e correndo para a porta enquanto terminava de vestir seus shorts e pegava seu casaco.

— O quê? Como? Aonde você vai?! – Momo gritou no corredor, Kyouka no topo da escada.

— Achar um lugar amplo. Eu quero testar uma coisa! – Jirou respondeu muito animada, um sorriso enorme pela excitação.

— Kyouka, espera, eu vou com você!

Yaoyorozu não sabe se Jirou não ouviu ou simplesmente não conseguia esperar por sua amiga. Porque a morena precisou correr atrás de garota punk, pedindo desculpa dos colegas de turma em quem Jirou esbarrou quando saía do dormitório.

Momo agradeceu por ter melhorado seu condicionamento físico nos últimos meses, porque Jirou correu mais rápido do que Yaoyorozu lembrava ser possível para alguém com as pernas tão curtas. A garota só parou quando chegaram a uma área aberta a quase um quilômetro e meio dos dormitórios.

— Ok, aqui vai servir – Jirou disse. Ela estava tão animada que não conseguia ficar quieta.

Yaoyorozu estava a apenas 10 passos da amiga, e a viu fechar os olhos e respirar fundo. Jirou estava tentando sentir suas artérias. Isso foi tão estupidamente óbvio! Como ela não percebeu antes? Ela não precisava fazer um caminho ligando seu coração às partes de seu corpo, nem mesmo ligar suas artérias, porque elas SÃO o caminho!

Com um comando familiar, Jirou conseguiu enviar seus batimentos cardíacos através de suas artérias para o corpo todo. Ainda gerou uma explosão maior do que a que ela pretendia, mesmo assim, foi infinitamente menor do que as ativações forçadas. Rapidamente Jirou conseguiu reduzi-la e deixar seu corpo vibrando levemente.

Kyouka não conseguiu conter a alegria ao perceber que havia conseguido, ela comemorou dando pulinhos e tentando não gritar em excitação. Ela começou a sentir o incômodo em seus ouvidos e achou melhor desativar a explosão. Foi quando lhe ocorreu: Se ela consegue ativar somente o caminho para os seus fones, então ela também consegue ativar e desativar seus batimentos em qualquer artéria, certo? Então, talvez... se ela focar e conseguir encontrar a artéria vibrando que causa dor...

Demorou um pouco mais do que ela esperava para conseguir, mas quando anulou sua individualidade nos seus ouvidos, ela continuou a vibrar e agora sem dor.

— Kyou-chan, você conseguiu! – Momo comemorou aproximando-se da amiga.

— Eu sei! Eu nem acredito! – Jirou sorriu olhando para si mesma. – Oh, vamos testar!

Jirou desativou a explosão sônica e tentou ativá-la somente em sua mão. Seu braço ricocheteou quando seus batimentos cardíacos percorreram alguns metros longe de seu corpo. As duas riram e Yaoyorozu ajudou sua amiga a levantar do chão com delicadeza.

Elas continuaram assim por alguns minutos, Jirou ativando e desativando sua explosão em diversas partes do corpo. Depois tentando manter a explosão em nível mínimo em todo o corpo enquanto a aumentava em apenas um ponto específico.

Não demorou nem dez minutos para que a diversão acabasse. Sem qualquer aviso, as pernas de Jirou desabaram e ela precisou se apoiar em seus braços trêmulos para não cair com o rosto no chão. Desativando a explosão, Jirou jogou-se no chão ofegante, ainda rindo, embora exausta.

— Kyou-chan! – Momo chamou pondo-se ao lado da amiga.

— Está tudo bem, Momo – Jirou a acalmou com um sorriso largo – Eu acho que passei tempo demais vibrando, meu corpo parece uma geleia – Ela gargalhou ofegante.

Ela não estava nem aí se havia excedido seu limite, ela conseguiu controlar! Sabe o que isso significa? Que ela vai poder ter treinos de individualidade com a sua turma de novo, sem treinos a parte, sem barreiras de contenção, e quem sabe até sem testes de laboratório!

— Kyouka, não é engraçado! – Momo a repreendeu ajudando-a a levantar.

— Desculpa – Ela suspirou esforçando-se para se mover – Mas não precisa se preocupar, já vi acontecer antes quando eu usei meus fones em alguém. São só espasmos, vai passar logo.

—Vamos voltar para o dormitório.

— Eu preciso de um tempo, eu realmente não consigo me levantar.

— Eu levo você. – Yaoyorozu disse puxando Jirou do chão.

Kyouka não conseguia manter-se em pé, então Yaomomo a estava apoiando.

— Momo, não precisa, sério.

— Nós ainda temos nosso café das garotas! – Momo lembrou-a.

Ah é, Jirou tinha esquecido. Com tanto tempo treinando e tendo aulas, as garotas da 1-A quase não tinham tempo para aproveitarem juntas. Jirou estava em condições ainda piores, já que havia todos os treinos extras e os seus momentos semanais de rato de laboratório. Com muito esforço e apertando todas as agendas, as garotas decidiram trocar a primeira sessão de estudos do sábado por um café da manhã só das seis. Assim elas poderiam ter tempo para realmente conversar sobre qualquer coisa que não sejam movimentos supremos, suas individualidades ou os assuntos das provas.

Por isso Jirou deixou Momo a arrastar lentamente de volta ao dormitório. Por sorte, quando elas estavam próximas do dormitório, Kirishima as viu pela janela e correu para ajudar. Com uma breve explicação do que aconteceu, o ruivo colocou Jirou nas costas e a levou para o quarto, deixando-a na cama.

— Obrigada, Kiri – Jirou sorriu de orelha a orelha quando foi largada na cama.

— De nada, melhore logo para a gente testar suas explosões na minha individualidade! – Kiri sorriu confiante e exibiu seus bíceps endurecidos.

— Com certeza. Hey, você pode fazer um favor para mim?

— Claro

— Agradeça ao Bakugou por mim, se não fosse por ele e Momo eu não teria conseguido.

— Pode deixar! – Ele concordou saindo pela porta – Até mais.

— Parece que vamos cancelar o café da manhã – Momo suspirou desapontada ao sentar-se ao lado de Kyouka na cama.

— Nãaao – Jirou gemeu fazendo beicinho – Não deve demorar a passar. Qualquer coisa Uraraka me faz flutuar e vocês me amarram como um balão – Ela brincou tentando se sentar.

— Ao menos eu deveria avisar as garotas – Momo riu delicadamente.

— Ashido me viu subindo, tenho certeza que todo mundo já está avisado.

— Kyouka-chan – Momo chamou com uma reprimenda.

— O quê? Eu não disse nenhuma mentira.

Antes que Momo pudesse perguntar mais alguma coisa, a porta de Jirou se abriu com um barulho exageradamente alto.

— Que porra que você fez, Orelha? – Bakugou berrou entrando no quarto com um olhar ameaçador.

— Eu consegui, eu entendi! – Jirou exclamou esforçando-se para controlar o tremor dos braços e se apoiar neles, não funcionou e ela caiu na cama novamente – Você estava certo, tinha um caminho. Momo foi quem me fez perceber que eram as minhas artérias.

— Eu não estou perguntando disso, porra. – Bakugou rosnou aproximando-se altivo – Você nem se mexe da cama, o que caralhos você fez?

— Parece que meu corpo não aguenta a explosão por muito tempo ainda, eu estou com espasmos – Kyouka explicou enquanto Momo a apoiava para sentar-se novamente.

— Tch, não deixa ela torta assim, rabo de cavalo – Bakugou resmungou empurrando Jirou bruscamente com as costas na cama.

Ele retirou os travesseiros, deixando-a completamente reta na cama, puxou-a pela perna e começou a alongar a panturrilha da garota.

— Ai! O que você está fazendo?! – Jirou gritou com dor e tentou puxar sua perna para longe de Bakugou sem sucesso.

— Acredite, essa dor não é nada comparada com a que vem depois. – Ele respondeu com uma calma incomum para Bakugou – Você excedeu seus músculos, se não alonga-los, eles vão ficar tão rígidos que vão rasgar se tentar mexer. Estique os braços dela, Rabo de cavalo.

Momo obedeceu. Eles ficaram ali esticando e contraindo os músculos de Kyouka por cerca de 20 minutos. Bakugou permaneceu calado, o rosto emburrado, como se estivesse fazendo isso a contragosto. Jirou não se importou, essa era a expressão base do garoto e ela sabia que ele poderia ir embora a hora que quisesse.

Yaoyorozu ficou conversando com Jirou sobre os planos que ambas poderiam fazer com essa nova habilidade de Kyouka. A individualidade de Momo dependia de sua imaginação, e quanto mais ela pensava, mais forte ficava. Jirou ficou fazendo perguntas sobre o treino atual de Yaomomo que ela estava fazendo com Luch Rush. Pelo que a garota pôde entender, eles estavam desenvolvendo uma espécie de “lanchinho” rico em lipídeos e de rápida absorção para que Momo mantivesse em seu uniforme e o consumisse quando sua reserva se esgotasse em uma luta.

Depois que Jirou conseguiu se manter de pé, ainda que com as pernas trêmulas, ela agradeceu a Bakugou, que simplesmente ignorou-a e foi embora, e à Momo, com quem desceu para tomar café atrasado. Já eram 9h da manhã, eles estavam acostumados a comer cedo, então Jirou e Yaoyorozu foram as únicas que realmente comeram durante as duas horas de conversa fiada das garotas. Todas as outras já haviam comido. Ainda assim, foi divertido, e todas estavam animadas para começar a semana todas juntas oficialmente.

Notas finais
Lembre-se de se alongar antes e depois dos exercícios físicos. Sério, na moral, ninguém quer um músculo estirado, dói como os infernos e demora bastante para sarar. E não façam exercícios exagerados. Todos ficam velhos e os exageros vão ser cobrados mais na frente. Eu tenho metade das articulações bichadas, e eu já estirei quase todos os músculos das pernas. Falo por experiência própria: bebam água, se alonguem, segredo da vida feliz.