Get Mad, Ear.
8 Capítulo 8
Notas iniciais
No dia seguinte à discussão que Kyouka teve com Yaoyorozu, Jirou decidiu que não iria ficar naquele maldito quarto enquanto todos estavam treinando nos campos. Obviamente ela decidiu fazer isso em segredo. Kyouka sentiu-se terrivelmente culpada por ter sido tão injusta com Momo. Ela refletiu sobre isso e sabia que a amiga não estava ciente dos acontecimentos. E Jirou não estava muito interessada em contar.
Com a falta de sono e todo esse tempo estando parada, Kyouka começou a perceber que seu corpo estava mais lento e cansado. Por isso ela decidiu usar o tempo vago em que não havia ninguém no dormitório para usar a academia do lugar.
Jirou esperou todos saírem para a aula da manhã, desceu para o salão comum, esperou um pouco, chamou seus amigos e batucou na mesa principal. Quando não houve nenhuma resposta e ela teve certeza que não havia ninguém ali, Kyouka subiu para o seu quarto, trocou de roupa e desceu para a academia.
Ela realmente perdeu condicionamento. Ao final de 40 minutos treinando sozinha, Jirou estava tão exausta que mal podia respirar. Ela jogou-se no chão da academia e se acalmou um pouco. Podia ser cansativo, mas cada segundo ouvindo os ecos de seus próprios movimentos eram como um concerto renomado para seus ouvidos. E a energia dispendida liberou a frustração das últimas duas semanas.
Ela voltou para o seu quarto bem antes que todos estivessem no prédio. Ainda havia um certo receio de ser pega fugindo do seu cárcere curativo. Contudo, quando a turma novamente saiu para as aulas vespertinas, Jirou fez o mesmo ritual de volta à academia.
Naquela noite, mesmo sem música, Jirou conseguiu dormir quase quatro horas seguidas. Foi uma melhora interessante. Por isso ela voltou para a academia no primeiro instante que se viu sozinha.
Depois de quatro dias, Jirou sentia os músculos doloridos pelo exercício. Isso não a fez menos animada em continuar. Ela esperou no salão comunal enquanto todos se preparavam para a aula. Kyouka tamborilou os dedos no braço do sofá para dispersar a impaciência enquanto espionava com o canto dos olhos os últimos colegas de classe saindo com uma despedida silenciosa. Jirou mal esperou a porta bater para correr para o vestiário.
Quando ela caminhou pelo salão principal Kyouka não fez o ritual para confirmar se realmente estava sozinha. Ela simplesmente caminhou apressada para a academia. Um belo erro, porque Bakugou, Midoriya e Kirishima estavam lá.
Jirou parou no meio de um passo e sentiu seu corpo enrijecer ao ver os três ali, especialmente porque eles estavam olhando para ela. E Bakugou tinha aquela sobrancelha levantada que não representava nada bom para Kyouka.
— Jirou-san, tudo bem? – Midoriya perguntou calmamente.
— Ahn... é, é. Claro – Jirou confirmou assumindo seu rosto indiferente – Vocês não deviam estar na aula?
— É, mas ainda temos tempo – Kirishima deu o seu melhor sorriso confiante – Midoriya esqueceu um caderno e ontem eu estava com as luvas de treino do Bakugou, ele vai precisar hoje, então nós voltamos para buscar também.
— O que você pensa que está fazendo, Orelha? – Bakugou deu um passo à frente. Pelo tom sério do garoto, Jirou sabia que tinha sido pega.
— Nada, eu só desci beber alguma coisa. Um café ou um suco, sei lá. – Ela tentou com o seu melhor.
— Ah, eu faço um suco para você – Kirishima se ofereceu um pouco preocupado – O liquidificador pode ser barulhento, melhor você esperar...
— Com luva de treino e toalha de rosto? – Bakugou interrompeu o amigo impedindo-o de sair com um braço estendido a sua frente.
— Por que não? – Ela desviou o olhar e enrolou o indicador em um dos fones.
— Só volta para a porra do quarto, Orelha – Bakugou suspirou apertando o nariz com a ponta dos dedos.
Jirou bufou e cruzou os braços.
— É só um pouco de treino na academia! – Ela argumentou em um resmungo – Eu nem estou usando meus fones, nem absolutamente nada.
— Há quanto tempo você está fazendo... – Bakugou começou a elevar a voz com irritação, então parou, rosnou com impaciência e continuou mais baixo – Há quanto tempo você está fazendo essa merda?
— É só a porcaria de um treino físico! – Ela gritou batendo os pés, quando Bakugou baixou o tom de voz ela sentiu aquela irritação de novo – Eu não aguento mais ficar trancada por horas aqui só esperando para ser testada naquela porcaria de laboratório!
— Você não pode fazer esforço, caralho! – Bakugou retrucou contendo tudo o que pôde para não gritar – você esqueceu a porra das regras?! Esse seu “treino físico” pode foder com os seus ouvidos, merda!
— Ah, porra nenhuma! – Ela debochou irritada – Meus ouvidos não tem nada a ver com tudo isso! Agora, me deem licença, porque eu tenho mais o que fazer! – Ela fez questão de gritar, para mostra-los de que esse limite de volume a enfurecia mais.
— Você não vai para lugar nenhum – Bakugou rosnou segurando-a pelo braço bruscamente.
— Me solta seu imbecil! – Jirou ordenou batendo nele com a outra mão, ela realmente piorou no condicionamento, porque isso só ajudou Bakugou a segurá-la pelos dois punhos – Bakugou, me deixa! Eu estou cansada de não fazer nada, me solta! – Ela pediu se debatendo.
— Cala a porra da boca! – Ele perdeu a paciência tentando mantê-la quieta – Para de gritar, caralho. Você vai foder seus ouvidos!
— Bakugou, calma... – Kirishima, que estava apenas observando todo esse tempo, sentiu necessidade de intervir. Nenhum dos três estava realmente certo de como conter Jirou sem machucá-la.
— Eu estou dizendo para me soltar – Ela rosnou puxando-se. Ela estava ficando furiosa e a sensação de impotência por não conseguir sequer se livrar do aperto de Bakugou só piorava tudo isso.
— Não.
— Me solta, Bakugou!
— Fica quieta!
— Me solta. Me solta. Me soltAAAAAAHHH
Antes que todos percebessem o que estava acontecendo, a curta explosão que Jirou soltou pela boca passou por cima do ombro de Bakugou e continuou até a parede que dividia a sala comum e o vestiário, deixando um enorme buraco onde a atingiu. Com essa mudança brusca de cenário e graças à parte dessa explosão sônica ter atingido seu corpo, Bakugou caiu no chão e soltou Jirou antes de ser lançado a três passos da garota.
Kyouka sentiu o efeito da explosão no mesmo segundo em que a liberou. A garota cambaleou dois passos, com as mãos pressionando seus ouvidos e sentindo-se tonta. Antes que ela caísse de joelhos, Midoriya a apanhou e pousou-a no chão com delicadeza
— Porra – Bakugou ofegou assim que viu Jirou no chão. Ele engatinhou com pressa até ela e estapeou as mãos de Midoriya para longe da garota – Tá doendo? Sangrando? O que você está sentindo? Porra, orelha, por que você tem que ser tão teimosa?
— Agora não, Bakugou – Ela gemeu encolhendo-se lentamente.
— Jirou-san, eu preciso saber como você está – Pediu Midoriya delicadamente puxando a mão da garota para revelar suas orelhas. – Não está sangrando, talvez não tenha sido grave. Kirishima-kun, eu vou chamar a Recovery Girl, você pode avisar Aizawa-sensei?
— Eu estou bem – Jirou resmungou irritada. Ela não queria ter que voltar tudo de novo – Não está doendo, eu só preciso descansar – Kyouka tentou se levantar e sentiu-se muito tonta para isso. Com um grunhido e uma careta, ela acabou desabando no ombro de Bakugou de novo.
— Porra, você vai para o se quarto – Katsuki a ergueu nos braços com pressa.
— Por favor, não – Ela chorou angustiada – Qualquer lugar menos o isolamento, por favor – Ela suplicou agarrando-se na camisa do loiro.
Isso deixou os três garotos com o coração apertado. Jirou parecia prestes a chorar, seja lá o que o isolamento estivesse fazendo com ela, nenhum dos garotos se sentiu tentando a deixar isso continuar.
— Tch. Para onde você quer ir, então? – Bakugou resmungou com um beicinho contrariado.
— Qualquer lugar que eu possa ouvir o vento, por favor – Ela pediu tão baixinho que só Bakugou realmente ouviu.
O loiro começou a andar para as escadas do lado masculino com Kyouka no colo.
— Ei, Cabelo de Merda – Ele chamou calmamente – Avisa o Sensei que eu vou faltar à primeira aula. – Katsuki subiu as escadas calmamente até o primeiro andar antes de escolher um dos quartos no corredor – Tape os ouvidos, Orelha, eu vou arrombar uma porta.
Jirou lentamente guiou as mãos para as orelhas enquanto bufava uma risada. Logo em seguida Bakugou chutou a porta do quarto e entrou. Era um dos cômodos vazios que o Heights Aliance, mas não era o interior que Katsuki estava interessado, e sim a varanda. Se Kyouka queria um lugar para ouvir o vento, nada melhor do que um ponto alto e ventilado.
Katsuki abriu a varanda desajeitadamente, já que Jirou estava em seu colo, passou para o lado de fora e avaliou o espaço retangular por alguns segundos antes de decidir sentar-se no chão, apoiado com as costas na mureta lateral, era baixo o suficiente para que a cabeça de Bakugou tivesse onde se reclinar.
— Devagar aí, Orelha – Bakugou sussurrou ao ver Jirou se contorcer com um gemido e apertar os olhos.
Kyouka ainda sentia a vertigem. Por isso Bakugou a ajustou em seu colo para que ela estivesse deitada entre suas pernas e usando seu corpo como um grande puff. Katsuki descansou os braços de qualquer jeito ao lado do corpo enquanto Jirou permanecia imóvel em seu peito.
— Eu devia falar alguma coisa, ou o quê? – Katsuki perguntou depois de ficar incomodado com a inércia.
— Você não precisa – Jirou balbuciou sem mover-se.
— Fico em silêncio então – Bakugou decidiu um pouco chateado. Calmaria não era muito bem o seu estilo. Por algum motivo, Kyouka riu e isso chamou sua atenção – O quê?
— Nada – Ela respondeu rapidamente. Bakugou moveu-se um pouco para ter uma visão melhor de seu rosto, não foi uma resposta convincente — É só... Bem, você nunca fica em silêncio. Pelo menos não para mim. – Jirou explicou com um sorriso leve.
— O que isso quer dizer? – Bakugou ergueu uma sobrancelha.
— Bem, você tem essas... microexplosões acontecendo por todo o seu corpo o tempo todo. Então você é sempre barulhento, até quando está calado.
— Está acontecendo? – Katsuki perguntou, o corpo enrijecido com a surpresa – Tipo, agora?
— Uhum
— Porra, está machucando você? – Ele encolheu o corpo e afastou os braços rapidamente, em uma tentativa pífia de criar alguma distância da garota.
Jirou apenas soltou uma risadinha divertida e se aconchegou ainda mais no garoto.
— Não, nem um pouco. Elas são tão pequenas que nem fazem cócegas. – Ela acalmou-o roçando a bochecha em seu torso. O atrito era o som mais bonito de todos naquele momento. – Eu gosto delas, são como pipoca. Poc poc poc poc.
— Você é estranha, Orelha – Bakugou bufou uma risada e relaxou, desta vez deixando os braços descansarem nas costas da garota.
— E você é barulhento, pipoca. Eu mal posso ouvir os pássaros com o seu barulho.
— Droga, não tem pássaros por perto, Orelha – Ele constatou preocupado – Você devia ir para a velha beijoqueira.
— Tem sim, eles estão muito longe, mas eu posso ouvir. – Ela explicou calmamente – Queria que Kouda estivesse aqui, ele poderia chamá-los. Argh, eu mataria para ouvir a voz dele, é tão doce. — Jirou começa a esfregar o rosto contra Bakugou novamente e suspirou satisfeita – Cara, eu nunca pensei que fosse gostar tanto do som do atrito do meu cabelo.
Bakugou achou isso ridiculamente engraçado e precisou segurar uma risada. Por algum motivo que ele desconhece, seus dedos começaram a caminhar pelo cabelo dela e Jirou assobiou com um sorriso satisfeito. Então Katsuki decidiu continuar com isso.
Ao mesmo tempo, Midoriya estava explicando para o Sensei tudo o que aconteceu. Ele e Kirishima haviam falado com Recovery Girl e a velha senhora disse que era melhor dar algum tempo até que Jirou se acalmasse. Como Midoriya lhe contou que a garota estava consciente e sem sangramentos aparentes, ela julgou deixá-la descansar antes de refazer todos os testes. Nos últimos dias Jirou não estava sendo tão colaborativa quanto no início, e o fato da garota ter treinado sem permissão, mostrou que sua boa vontade estava no limite.
Aizawa decidiu seguir a aula com seus alunos. Não havia motivos para atrasar a todos se Recovery Girl já estivesse ciente do fato. Mesmo assim, quando a aula acabou, cerca de duas horas depois, Shota decidiu dar uma olhada.
Ele acompanhou a turma A de volta ao dormitório, ele chamou Midnight e Cementos só por garantia. Pelo que ele lembrava, a explosão sônica de Jirou sumia quando ela estava inconsciente, e talvez fosse preciso reforçar algumas paredes se ela realmente saísse do controle novamente.
A turma A e os professores nem precisaram entrar no prédio para saber onde Jirou e Bakugou estavam. As muretas de vidro blindado não esconderam a visão de Katsuki com um olhar distante e as mãos apoiadas na curva das costas de Jirou, quem estava aninhada nele. Uma visão preocupante. Por que, se Bakugou ainda estava ali depois de duas horas, devia ter ser um caso de vida e morte. O loiro explosivo não era o tipo de pessoa que espera pacientemente por qualquer razão.
Apressando um pouco o passo, Momo, Iida, Kaminari e Aizawa subiram atrás deles. Ao passarem pela porta parcialmente quebrada, Kaminari soltou um leve gritinho de surpresa.
— Calem a porra da boca, ela acabou de dormir, caralho – Bakugou rosnou o mais baixo que conseguiu.
— Como ela está? – Momo sussurrou aproximando-se da varanda, os demais a seguindo lentamente.
— Bem – Katsuki respondeu movendo-se lentamente para checar se a garota não havia acordado com os novos visitantes, lentamente passando o polegar na base da orelha dela.
— O que você está fazendo? – Yaoyorozu perguntou ajoelhando-se ao lado dele.
— Vendo se ela acordou. Ela mexe os fones quando tá acordada.
— É melhor levá-la para o isolamento – Sugeriu Aizawa com sua voz monótona.
— Isolamento é minha bunda! – Bakugou negou apertando os braços em torno de Kyouka protetoramente e direcionando um olhar ameaçador a todos – Se vocês colocarem a Orelha de volta nessa merda eu vou explodir ela para fora de lá.
Ok, isso foi inesperado. Os quatro se entreolharam com desconfiança antes de Iida se manifestar.
— Bakugou, vai ser melhor para ela.
— Melhor uma porra. Ela odeia silêncio e vocês a trancaram – Ele rosnou segurando a cabeça de Jirou com uma mão, nunca tirando os olhos dos quatro – Ela precisa de som, caralho, nem que seja um estúpido barulho de pipoca. – Bakugou murmurou as últimas palavras checando-a novamente.
Jirou deu uma breve explicação antes de dormir. Bakugou não sabia todos os detalhes, tudo o que ele sabia era que o isolamento era ruim. Isso fez as coisas simples: Mantenha o barulho baixo, chute a bunda de quem gritar e nunca a deixe em silêncio.
— Eu vou pedir para Cementos retirar o isolamento do quarto dela – Aizawa declarou após ponderar alguns segundos.
— É melhor levarmos ela para o meu quarto – Momo sugeriu – Para ela ficar mais confortável.
— Ela está bem aqui – Bakugou negou. – Ela pode acordar.
— Midnight-sensei está aqui, mesmo que ela acorde, ela pode voltar a dormir – Iida contou mexendo os óculos – Além do mais, quanto tempo você está nessa posição? Você deve estar cansado.
— Eu aguento até tirarem o isolamento – Katsuki desviou o olhar e se remexeu em seu lugar. Ninguém precisava saber que ele preferia ficar um pouco mais com ela ali. – Mais uma coisa, ela disse alguma coisa sobre o Coelhinho chamar os pássaros.
— Quê? – Aizawa ergueu uma sobrancelha.
— Kaminari, você pode chamar o Kouda? – Yaoyorozu rapidamente traduziu as palavras de Bakugou.
Kaminari estava com a mão na boca desde o momento em que chegaram. Ele acompanhou toda a conversa com os olhos, sem dizer uma palavra, com medo de machucar Jirou de alguma forma. Ele assentiu com veemência antes de andar com pressa até o andar de baixo.
Seus amigos o seguiram logo depois. Quando Iida estava atualizando a turma do estado geral da situação e Aizawa sensei levou Cementos até o quarto de Jirou para desfazer o isolamento, Kouda subiu para ver Jirou, assim como a garota queria.
— Licença – Kouda pediu baixinho ao chegar à varanda.
Bakugou acenou com a cabeça e o outro garoto sentou-se timidamente ao seu lado, apoiando as mãos no chão para aproximar-se de Jirou adormecida.
— Orelha falou de você quando estava acordada – Bakugou informou, fazendo Kouda corar um tom.
— E-ela está bem? Eu posso fazer a-alguma coisa para ajudar? – Ele pediu olhando para o chão.
— Chame alguns pássaros. – Katsuki respondeu curtamente.
— Ok – Kouda concordou timidamente.
— Kouda – A voz grogue de Jirou soou e os dois garotos olharam para a garota e a encontraram com os olhos entreabertos e um sorriso leve nos lábios.
— O-oi, Jirou – Kouda cumprimentou corando muito – e-eu te acordei? Me desculpe, eu vou deixar você dormir – Ele disparou nervoso enquanto preparava-se para sair.
— Por favor, fica – Ela pediu agarrando-o pelo pulso – Você devia falar mais, eu amo sua voz ela é tão doce – Kyouka tinha uma flutuação na voz que deixa claro que ela não estava em sua completa faculdade mental.
Katsuki riu levemente da garota punk, sempre tão fria e sarcástica, mostrando seu lado macio por causa da sonolência.
— O-obrigado – Kouda agradeceu sem jeito.
— Eu senti sua falta – Ela balbuciou com um bocejo. Os olhos novamente fechados e se aninhando em Bakugou enquanto afrouxava o aperto na mão de Kouda.
— Você quer ouvir uma andorinha de rabo? – O garoto perguntou cobrindo o rosto com a mão livre para esconder o rubor no rosto – Talvez um rouxinol, eles são seus favoritos, não são?
— Uhum – Ele suspirou levemente.
Kouda esticou a mão para tocá-la, porém recolheu-a rapidamente. Ao invés disso, o garoto decidiu chamar seus amigos animais e pedir a eles para conversarem entre si. Assim Jirou poderia ouvir seus sons enquanto dormir.
— Obrigada – Ela sorriu ao ouvir os pássaros – Desculpa não abrir os olhos, eu não durmo assim há duas semanas – Ela se desculpou com um bocejo.
— Porra, Orelha – Bakugou bufou surpreso – Duas semanas, por quê?
— Isolamento – Ela balbuciou lentamente
Katsuki até tentou tirar mais alguma informação além dessa. Contudo a garota já havia dormido novamente. Então ele só recostou-se ali e ficou olhando os pássaros. Depois de um tempo ele fez algumas perguntas para Kouda, a fim de afastar o tédio. Mas o garoto não era muito de conversa.
Depois de quase 20 minutos, Bakugou começou a sentir a dormência em suas costas e decidiu que era hora de levantar. Ele ordenou que Kouda fosse na frente e fizessem todos calarem a porra da boca enquanto ele descia com Jirou. Seu plano era colocá-la no sofá enquanto não retiravam o isolamento. Mas, felizmente, quando ele chegou ao salão comum, Aizawa e Cementos estavam descendo do dormitório feminino. O quarto estava pronto.
— Bom. Acabou meu tempo de babá – Bakugou empurrou Jirou na direção de Aizawa.
— Ela ainda não acordou mesmo com todo esse barulho? – Midnight perguntou se aproximando do garoto e deixando uma dose de sua individualidade escapar no rosto de Kyouka para garantir que ela não acordasse com a mudança de lugar.
— Claro que não, essa idiota não dorme desde que entrou no isolamento – Bakugou resmungou irritado.
— Ela não falou nada sobre isso – Aizawa ergueu uma sobrancelha esticando os braços para receber a garota adormecida.
— Jirou nunca fala nada – Yaoyorozu bufou cruzando os braços – Para ninguém. – Momo estava dividida entre a preocupação e a irritação. Sua amiga se fechava demais!
— Tchau, pipoca – Jirou balbuciou quando Bakugou a soltou no colo do Sensei.
Ninguém entendeu o que aconteceu. Eles ficaram parados em silêncio por um par de segundos, imaginando que o gás de Midnight-sensei pudesse não ter tido o efeito desejado por ser em uma garota.
— Hehe. Parece que o Pikachu não é o único que tem um modo Whey – Bakugou debochou cutucando a bochecha de Jirou.
Quando Jirou não se mexeu, Aizawa decidiu levá-la de uma vez. Com algumas ordens de Cementos-sensei, todos seguiram o resto da noite mais tranquilos.
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