Get Mad, Ear.
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Bakugou estava caminhando para a oficina de suporte. Ele precisou avisar que o idiota do Deku quebrou suas granadas de punhos nos treinos. Cabelo de Merda estava indo junto, como sempre fazia, então Katsuki não se importou de verdade.
Katsuki nunca tinha visto O Boneco de Porcelana ali com tanta frequência como na última semana. Bakugou teve que concordar com as garotas sobre a orientação sexual do cara. Bakugou tinha certeza que ele deveria estar ali só para ter uma chance de encontrar o Cabelo de merda.
Agora, foi realmente uma surpresa perceber a reação de Kirishima ao ver o Boneco de Porcelana saindo de debaixo de um robô de 4 metros, com óleo de freio no rosto só com um macacão jeans.
— Kirishima-kun, como vai? – Ele cumprimentou limpando os dedos de graxa antes de estender a mão para o ruivo.
Bakugou precisou empurrar Kirishima pelas costas para fazê-lo parar de babar e realmente falar alguma coisa.
— Muito bem! – O ruivo respondeu com a voz mais alta do que o pretendido. – Ainda trabalhando nos babys da Hatsume-san?
— Sim – Ele suspirou cansado antes de se encostar em uma mesa cheia de ferramentas ali perto – É mais completo do que eu pensava. Eu não posso passar os tubos de condução por algumas áreas sem afetar a parte elétrica, então esse projeto requer toda a minha atenção.
Bakugou sabia muito bem o que requeria toda a atenção de Saito. Quem, em plenas férias de inverno, não ia usar uma maldita camisa para se enfiar no meio de metais congelantes se não fosse para exibir o corpo?
E que corpo, diga-se de passagem. Nosso amigo fluido tinha uma constituição bem estruturada de todo o seu tempo carregando placas metálicas e peças mecânicas.
— Ei, vocês chegaram! – Hatsume surgiu de lugar nenhum cutucando os uniformes de Bakugou e Kirishima – Hm, quem quebrou as granadas dessa vez? E Kirishima-kun, quando vai me deixar fazer alguns babys para você? Saito-san, terminou o balanceamento?
— Respire, Hatsume-san – Saito pôs as mãos nos ombros da amiga – Porque não resolve o problema de Bakugou-san enquanto eu tento convencer Kirishima-kun a fazer algumas mudanças no uniforme?
Bakugou bufou revirando os olhos. Tem outras coisas que o porcelana quer convencer o Cabelo de Merda a fazer, isso Katsuki tem certeza.
Quando eles saíram da oficina, Katsuki estava enjoado com tanto doce desses dois. Porra, ele nunca percebeu o quão óbvio o Cabelo de Merda conseguia ser. Bakugou se chutou mentalmente por não percebido que seu amigo era gay antes.
Katsuki estava dividido entre mandar que Kirishima resolvesse essa novela logo e afastar Saito de seu amigo o mais depressa possível. Por um lado, Bakugou não tinha paciência para ver os dois flertando pela eternidade, por outro, ele tinha a forte intuição que seria deixado de lado se seu amigo começasse a namorar.
Era até estranho ver Kirishima se recusando a fazer algo com ele porque iria encontrar o Boneco de Porcelana. Isso aconteceu duas vezes essa semana. DUAS. E esses filhos da puta mal se conhecem. Não tem nem um mês que eles se falaram pela primeira vez e esse branquelo já praticamente mora no Heights Aliance.
Tudo bem que agora eles estão de férias e estão tendo apenas treinamento físico, por isso todos tem mais tempo para “descansar”. O que não quer dizer que Kirishima pode ignorá-lo só por causa de um par de calças.
— Você está com aquela cara – Jirou sussurrou ao seu lado.
Os dois estavam na cozinha, a turma acabara de jantar e Bakugou estava lavando sua louça quando Jirou se aproximou.
— Que cara? Essa minha cara – Ele resmungou.
— Aquela cara de quem está pensando demais em alguma coisa estúpida – Ela explicou lavando a própria louça – Quer falar sobre isso?
—Tch – Bakugou estalou antes de guardar seu prato e a encarar por um par de segundos enquanto se decidia – Depois – Ele concordou indo para o salão comum.
Com depois, Katsuki quis dizer antes de dormir. Como eles estavam de férias, a maioria da turma deixou de dormir cedo, o que era um obstáculo incômodo para os dois. Especialmente porque Bakugou tinha o hábito de dormir estupidamente cedo.
Por isso Jirou era quem costumava ir para o quarto dele nesses últimos dias, caso contrário, Bakugou acabava dormindo enquanto esperava pelos outros subirem. Supreendentemente ele descobriu que não era tão fácil assim ultimamente. Sim, no começo das férias ele acabou cedendo ao sono, ele ainda tinha algumas horas atrasadas do semestre. Agora que ele conseguiu recuperá-las, a cama de solteiro era estranhamente espaçosa demais para conseguir dormir facilmente.
— Chega para lá – Jirou entrou no quarto enrolada em seu edredom, somente o rosto aparecendo e a ponta dos dedos gesticulando para Bakugou afastar.
— Por que o edredom extra? – Katsuki perguntou abrindo os cobertores para que Kyouka deslizasse para dentro.
— Está -2º lá fora, eu estou congelando – Ela respondeu se enfiando na cama.
— Você tentou vestir uma calça pelo menos? – Ele revirou os olhos sabendo do hábito de sua namorada de dormir com o mínimo de tecido possível.
— Três – Jirou respondeu se enroscando nele – Ah, e eu trouxe todos os seus casacos – Ela brincou afastando um pouco o seu edredom para mostrar que os estava vestindo.
— Você vai ao menos devolver? – Ele bufou uma risada enfiando as mãos no casulo que a garota criou e deixando sua individualidade gerar um pouco de calor. Seus casacos ficariam com um leve cheiro de fumaça, mas valeria a pena.
— Não – Ela afirmou com indiferença – Agora, por que o mau-humor de hoje?
— Porque eu quero matar aquele boneco de porcelana – Katsuki rosnou apertando-a contra o próprio corpo.
— De novo?
— Ele é tão fodidamente escroto com aquela cara de nerd filho da puta e a porra do corpo de crossfiteiro! – Bakugou reclamou com uma careta gesticulando muito – Não tem como ser os dois e ser normal!
— Ok, primeiro, não deixe o frio entrar ou eu mato você – Kyouka o puxou bruscamente e colocou as mãos geladas por debaixo da camisa de Katsuki para se aquecer – Segundo, você é um nerd bombado, então não tem o direito de julgar o Saito-san; terceiro, seja direto! Eu já falei que não posso ler mentes, então só diga o que está incomodando ou eu não posso ajudar.
Bakugou bufou ligeiramente irritado. Seu orgulho não estava realmente feliz em admitir que estava com medo de perder seu melhor amigo por causa de um cara. Felizmente, ele começou a se sentir mais aberto com Kyouka. Também ajudou a garota já ter aprendido a lidar com Katsuki, fazendo-o ser mais direto e aplacar um pouco o orgulho do garoto. Nunca julgando ou rindo dele, sempre com o rosto inexpressivo de sempre e ouvindo suas reclamações mais estúpidas com calma e atenção. Por isso, quando eram só eles, Katsuki lentamente começou a sentir-se confortável em compartilhar.
— E se... E se o Cabelo de Merda enjoar da minha cara e só quiser ficar com o Porcelana? – Bakugou murmurou baixinho.
— Estamos falando do Kirishima, Katsuki, ele nunca faria uma coisa dessas – Jirou acalmou-o.
— Eu não sei, ele não quis treinar ontem para sair com esse idiota – Bakugou suspirou olhando para o teto.
— E daí? Foi só um treino. É até bom para ele descansar um pouco, você vive arrastando ele para treinar. Além do mais, vocês não nasceram grudados, os dois podem viver algumas horas separados e sobreviver.
— E se ele começar a namorar? E se ele não quiser fazer mais nada com ninguém a não ser o Boneco de Porcelana? – Bakugou começou a respirar mais rápido e afastou Jirou para que pudesse encará-la – E se Saito proibir o Cabelo de Merda de me ver? – Ele perguntou fitando Jirou com preocupação.
— Ok, calma. Respira, você está ficando maluco – Kyouka, muito a contragosto, sentou-se na cama e segurou Bakugou pelos ombros – Isso não vai acontecer. Olha, Kiri é uma pessoa incrivelmente amável e gentil, mesmo que ele comece a namorar, ele não abandonaria os amigos por alguém, então relaxe, ok? – Ela lentamente depositou um par de beijos no loiro – Eu sei que você não gosta da ideia de falar com Kiri sobre isso, mas talvez você pudesse ao menos, sei lá – Ela o beijo novamente – Tentar não surtar sobre isso.
— Eu só não quero que as coisas mudem – Bakugou balbuciou no meio do beijo – Eu quero você aqui, o Cabelo de Merda aqui do lado – Ele apontou para a parede ao seu lado com o polegar – O Pikachu ali embaixo, até aquele Cara de Fita.
— Eu sei – Jirou ronronou uma risada quebrando o beijo – Eu sei, mas só porque algumas coisas vão mudar, não quer dizer que nós vamos embora.
Às vezes era surpreendente como Bakugou podia ser inseguro. Antes de eles começarem a namorar, Kyouka o via como alguém além da perfeição. Katsuki sempre conseguia o que queria, era um dos melhores em tudo, sempre no topo de tudo. Aos poucos Jirou foi descobrindo que nem tudo era perfeito e que seu namorado se cobrava demais e que toda a sua confiança era autoimposta, para não sucumbir a toda insegurança que ele carregava.
— Continuo não gostando – Ele bufou revirando os olhos – Cabelo de Merda deveria ser a porra do meu amigo, e só meu.
— Isso... – Jirou semicerrou os olhos e abriu e fechou a boca um par de vezes – É muito egoísta da sua parte.
— Quê? – Bakugou piscou.
— Desculpa, mas é verdade – Jirou acusou – Olha, Kirishima... não, todos nós, qualquer um que fique perto de você, está lá porque quer. Somos livres para sair à hora que quisermos. É muito egoísmo achar que tem o direito de nos prender – Kyouka o olhou com uma reprimenda ao cruzar os braços – Além de ser uma ideia idiota, já que somos pessoas, não objetos.
— É claro que vocês são pessoas, mas o que...?
— Bakugou, você tem que aceitar o fato de que Kirishima tem uma vida, e ele vai encontrar alguém uma hora ou outra, sendo Saito-san ou qualquer outra pessoa – Kyouka esfregou as têmporas, ela realmente estava tendo que explicar isso para ele? – Então é melhor você se conformar com isso ou vai acabar realmente perdendo as pessoas. – Ela apontou o indicador no nariz de Katsuki com o cenho franzido.
— Tá, tá – Ele concordou exaurido, os ombros caindo e a cabeça encostando-se na parede.
— Bom, agora vamos nos cobrir – Ela rapidamente rangeu os dentes com frio e se enrolou nos cobertores.
Bakugou riu e a seguiu com um pouco mais de calma. Ele realmente não sentia tanto frio assim no inverno. Um par quentinho de calças, uma camisa e um edredom eram o suficiente para lidar com alguns poucos graus abaixo de zero.
— Droga, por que você não usa o maldito aquecedor, Katsuki? – Jirou rosnou esfregando as mãos embaixo do cobertor, a voz abafada pelo tecido que cobria até a ponta do nariz, deixando só os olhos de fora.
— Tem mais de um jeito de se aquecer, Orelha – Bakugou disse, a voz rouca ao pé do ouvido, antes de afastar levemente o edredom e colar os lábios nos de Kyouka.
Ah, as vantagens de ter um namorado literalmente quente. Katsuki apoiou-se em um cotovelo e deslizou uma mão para dentro da primeira camada de roupas de Jirou. Aprofundando o beijo, Bakugou moveu-se embaixo dos cobertores para inclinar-se sobre Kyouka, fazendo a garota afrouxar um pouco sua posição encolhida e passar os dedos pelas costelas de Katsuki.
Ainda sentindo o efeito do frio, Jirou puxou os cobertores sobre a cabeça de Bakugou e a sua para movimentar-se com mais liberdade. A respiração pesada dos dois esquentou o interior do casulo improvisado, por isso Kyouka não fez objeções enquanto Katsuki a deixava com dois casacos a menos.
— Por que só eu estou perdendo roupa aqui? – Jirou ofegou apertando a camisa de Katsuki.
— Só estava pegando meus casacos de volta, Kyouka – Katsuki respondeu lambendo a base da orelha de Jirou.
Jirou puxou-o pelos cabelos e beijou-o com força. Era raro quando Bakugou usava seu nome, isso sempre surtia um efeito na garota. E pelo sorriso arrogante que Kyouka sentiu nos lábios de Katsuki, ele tinha plena ciência disso.
Lentamente, Bakugou deslizou sua mão pela última camada de roupa de Jirou. Ele tomou cuidado para não expor a pele de sua namorada ao frio, e também para não avançar sem a permissão da garota. Quando suas mãos alcançaram os seios de Kyouka, rapidamente ela segurou suas mãos.
— Quê? – Bakugou a encarou com uma sobrancelha erguida.
— Você pode não fazer isso aqui? – Ela pediu engolindo em seco.
— Qual é, Kyouka, eu tenho livre acesso aos peitos – Katsuki argumentou beijando-a no pescoço e movendo sua mão mesmo com a dela o segurando.
— Não use o “Kyouka” em mim – Ela reclamou ofegante e retirando o edredom de suas cabeças – Você sabe o que eu penso sobre o seu quarto.
Sim, ele sabia que Jirou era totalmente contra basicamente respirar no quarto de Bakugou. Ela tinha completa certeza de que Kirishima ouviria alguma coisa, já que o quarto do ruivo é ao lado. Se não ele, Shouji tinha as mesmas chances, especialmente agora que ele tem aumentado suas habilidades de rastreio nos últimos treinos.
— Tch. Eu já disse, Orelha, ninguém vai ouvir – Katsuki deslizou sua mão para fora da roupa de Jirou somente para substituí-la por sua cabeça.
Subitamente o barulho de metal maciço batendo no chão assustou os dois. Algo pesado havia caído no quarto ao lado, o que só reforçou o pensamento de Jirou. Um pouco frustrado, Bakugou se aninhou novamente na cama murmurando irritado. Kyouka aconchegou-se no garoto, recuperando os casacos e ajustando os cobertores o mais perto possível. Com um pouco de paciência, Jirou conseguiu acalmar o mau-humor de Katsuki e convencê-lo a dormir.
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