Get Mad, Ear.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A propósito, o único capítulo com menos de 1800 palavras é esse. Então considere-o um prólogo.
O primeiro treino da manhã, Aizawa informou, seria em conjunto com a 1-B, fazia algum tempo que isso não ocorria, então todos esperavam algo bem complexo. Jirou estava se trocando no vestiário, junto com as outras garotas, todas especulando sobre o treino para o qual estavam se preparando.
Quando chegarem ao campo de treinamento, eles foram informados que deveriam escolher alguém da turma oposta para treinar suas habilidades. Exceto três duplas, as quais foram decididas previamente. Bakugou e TetsuTetsu, Midoriya e Honenuki, Jirou e Shinsou.
— Midoriya e Honenuki receberão instruções prévias de Kan-sensei, enquanto Bakugou e Tetsutetsu receberão instruções minha – Explicou Aizawa na frente de todos – Jirou, Hitoshi, sem individualidade, vão – Foi tudo o que disse aos dois antes de voltar a atenção para Bakugou e Tetsutetsu.
— Sim, senhor! – concordaram os dois seriamente e saíram juntos para o final do campo.
Ao contrário da ordem curta destinada aos dois primeiros, Shota detalhou o que queria dos dois adolescentes por tempo suficiente para os demais encontrarem duplas por livre escolha. Todos então começaram a treinar juntos, os professores acompanhando as lutas e definindo o melhor modo de explorar a combinação aleatória que foi feita.
Quando as duplas estabeleceram um ritmo de treino constante, Jirou e Shinsou já estavam bem adiantados e o treino perdeu a característica séria do início e tornou-se uma luta bem-humorada de sarcasmo e provocações.
— Muito lento, soneca – debochou Jirou fugindo das fitas de Shinsou – Qual foi a última vez que você dormiu?
Ela fugiu novamente e intrometeu-se em uma luta que ocorria a poucos metros dos dois entre Yaomomo e Kendo.
— O que foi, Jack? Não é tão valente sem uma espada, não é? – ele retrucou correndo atrás dela e acertando suas faixas em um canhão que Yaoyorozu havia deixado de lado.
Eles seguiram a perseguição por mais alguns metros, Kyouka dançando em sua fuga e provocando o garoto todas as vezes que ele errava o alvo. Por duas vezes ele precisou pedir desculpas por ter acertado um dos seus colegas, já que Jirou os usou como escudo. Em um desses momentos ele perdeu a garota punk de vista e sente um forte impacto na lateral. Ela havia pulado sobre ele, quase derrubando Ashido no processo, e antes que Hitoshi percebesse, Kyouka está com um braço sufocando-o na garganta e os joelhos em sua costela.
— Não acredito que você sempre cai nessa, não vai aprender nunca né? – ela provocou novamente.
A única mão livre de Shinsou lançou a ponta de suas faixas e prendeu o pulso de Kyouka puxando-a para trás dando tempo para Hitoshi prendê-la em um abraço de urso. Segurando a garota contra si, ainda que ele estivesse deitado de costas para o chão, sua musculatura um pouco mais desenvolvida permitiu que seus braços impedissem a garota de usar os dela e suas pernas cruzadas sobre os joelhos da garota a imobilizaram por completo.
— Eu aprendi uma coisa ou duas — riu ele vendo a garota se contorcer tentando escapar.
O único membro livre de Jirou eram seus fones, cujos quais ela prontamente ergueu e mirou na direção de Shinsou. O garoto arregalou os olhos surpreso, quando as temidas pontas tocaram seu ombro ele jogou sua amiga de lado com um “Puta merda” e preparou-se para a dor.
Tudo que sentiu foram os ecos da risada de Kyouka ao seu lado.
— Você quebrou as regras, você não podia usar sua individualidade! – ele protestou irritado.
— Eu não usei – ela gargalhou sentada ao lado dele – Ah cara, você tinha que ver sua cara quando pensou que eu fosse ativar minha individualidade!
No segundo seguinte, Kyouka assumiu uma expressão catatônica e voltou novamente. Shinsou havia usado sua individualidade na garota.
— Hey! Isso não é justo! – ela repreendeu com as testas franzidas enquanto Shinsou gargalhava.
— Foi você quem começou, Jack.
Antes que Jirou pudesse protestar, Aizawa-sensei surgiu ao lado de ambos com uma expressão assustadora.
— O que pensam que estão fazendo? Isso aqui não é uma festa do pijama. Vocês estão aqui para treinar, não para brincar.
— Desculpa, sensei – Pediram os dois levantando-se assustados.
— Continuem o treino – Ordenou ele saindo tão rápido quanto apareceu.
Eles suspiraram aliviados.
— Ei pessoal, o que foi isso? – perguntou Ashido aproximando-se com um sorriso.
— Nós levamos uma bronca, foi isso – Kyouka suspirou com uma careta.
— Vem, vamos voltar a treinar, ou vamos ficar aqui na hora do almoço – concordou Shinsou monotonamente.
Jirou acompanhou-o, deixando Ashido sem a resposta que realmente queria.
Quase uma hora depois, um apito anunciou o fim do treino, Jirou estava com os tornozelos amarrados pelas faixas de Shinsou e ele a estava ajudando a desatá-las quando Momo, Uraraka e Ashido se aproximaram.
— Estamos esperando você para irmos para o vestiário – Uraraka disse.
— Ah, só um segundo, estamos quase terminando aqui – pediu Jirou apoiando-se nas costas de Hitoshi enquanto ele libertava suas pernas.
— Prontinho – respondeu ele tão monótono que soou debochado.
— Eu vi vocês treinando – comentou Ashido.
— Desculpe por aquilo, nós quase derrubamos você, não foi? – Shinsou desculpou-se coçando a cabeça.
— É, mas tudo bem, — Mina desdenhou com um aceno – Vocês pareciam bem confortáveis antes do Aizawa-sensei aparecer – ela continuou com um sorriso travesso.
— É o costume – Hitoshi encolheu os ombros.
— Sensei geralmente reclama quando não ficamos muito sérios – concordou Kyouka.
— Isso é por que vocês não dão o seu melhor quando estão brincando – interpôs Aizawa se aproximando – Agora, me digam a avaliação que fizeram um do outro.
Ambos acenam com a cabeça e Shinsou inicia a resposta como um relatório.
— Jirou ainda hesita muito e usa muito espaço para lutar, isso seria um problema em ambiente fechado, ela não teria para onde fugir. Mas quando o espaço é aberto ela usa bem todo o terreno. E a defesa também melhorou, só consegui prendê-la com as faixas, todas as vezes que usei o corpo, ela conseguiu escapar.
— Hitoshi ainda erra na base de pernas e sempre deixa a esquerda livre, se ele demorar em uma luta, qualquer um pode perceber e explorar isso. Pelo menos ele melhorou na saída da imobilização e as faixas estão cada vez mais firmes quando pegam.
— Bom, aprendam com isso – aceitou Aizawa – Mas, Jirou, você está parando quando faz uma imobilização, por isso Hitoshi melhorou a saída, um vilão não vai desistir da luta só por que caiu uma vez. E você também quase derrubou Ashido na luta e usou dois colegas como escudo. Na vida real, ambos seriam civis que você deixou nas mãos do vilão. Preste mais atenção aos arredores – Kyouka ficou vermelha e murmurou um ”Sim senhor” antes que Aizaza vira-se para Shinsou – E você, Hitoshi, ficou mais lento apesar de acertar a mecânica da captura, com o tempo você pode melhorar isso, então pratique mais. Sua previsão precisa melhorar também, você só pegou Jirou tantas vezes assim porque não podiam usar suas individualidades e ela saiu em desvantagem, já que ela estava desarmada e você tinha as faixas.
— Sim, sensei – Hitoshi concorda com a cabeça.
Depois de serem dispensados pelo professor, Jirou e as outras garotas foram para o vestiário. Elas mal entraram no local e uma enxurrada de perguntas surgiu.
— Aizawa-sensei foi bem duro com vocês – comentou Uraraka fechando a porta.
— Duro foi pouco, o que foi aquilo? – concordou Momo.
— Quem liga? O que eu quero mesmo saber é como você e o Hitoshi-san ficaram tão próximos – interrompeu Mina puxando Jirou para si com um sorriso malicioso.
— Não é nada disso, Mina. – Jirou murmurou envergonhada, sabendo o que aquele sorriso ronronante significava – Nós dois temos um estilo de luta mais defensivo e de captura rápida, assim como o Aizawa-sensei, então ele acabou nos treinando em horários extras uma vez por semana.
— Oh, então é por isso que você se atrasa para o jantar de vez em quando? – compreendeu Momo
— Sim – ela enrolou os dedos nos fones – Nós treinamos no ômega, é muito longe e, como as aulas são tarde, às vezes eu perco o jantar.
— Você disse uma vez por semana? – perguntou Tsui. Kyouka assentiu — Mas você perde o perde o jantar mais de uma vez por semana.
— Aizawa-sensei aparece uma vez por semana – respondeu Kyouka retirando a roupa – Mas nós treinamos juntos sempre que podemos.
— Então vocês ficam sozinhos tarde da noite? – sugeriu Hakagure.
— Nós treinamos sozinhos tarde da noite – retrucou Kyouka ríspida.
— Vocês deviam usar a academia da 1-A, talvez até a da 1-B – sugeriu Momo – sabe, quando não estão com o sensei. Assim você não perderia o jantar tantas vezes.
— Eu não sei...
— O quê? – provocou Mina maliciosa – Tem algum motivo especial para treinarem sozinhos e tão longe?
Aquele pequeno demônio sabia exatamente onde encontrar uma brecha para distorcer as coisas.
— Eu vou falar com ele – ela bufou corando.
Depois do almoço, antes de entrarem na sala para a aula da tarde, o corredor só falava de uma coisa: O herói número 20, Fahrenheit, cuja individualidade é mudar a temperatura corporal das pessoas, ele havia sumido por três dias, sem nenhuma explicação e retornou agindo como se esses três dias nunca tivessem existido.
Fale com o autor