Get Lost

1 Capítulo Único


Notas iniciais
O que importa é recuperar o tempo perdido.

Numa manhã de um domingo de primavera com um clima extremamente agradável em Christchurch, “quatro” jovens se reuniam para jogar tênis. Quatro em aspas mesmo, já que Oliver não jogava realmente, somente ligava seu aparelho de música e apreciava um jogo do belo e bom tênis. Não que — novamente — ele prestasse atenção especificamente no jogo. Não, não. Aquilo envolvia também olhar para Ryan e Mia e isso ele preferia evitar. Sua visão focava-se unicamente em Cooper.

Vale ressaltar que Oliver não gostava dos dois primos — Ryan e Mia — por terem implicado com ele durante toda a sua vida — e, considerando que tinha dezenove anos e os quatro se conheciam desde bebês, já fazia um bom tempo que isso ocorria; um tempo que faria qualquer um ter a imensa vontade de mandá-los tomarem num lugar não muito educado. Ainda bem que ele era uma pessoa bastante educada e paciente, além de um pouquinho covarde. Cooper também implicava com Oliver, mas ele tentava relevar esse fato por simplesmente ser um bobo apaixonado.

Sim, Oliver Miki, o loiro que mais parecia um albino por ter um tom demasiado branco, estava apaixonado — há um longo tempo, para se falar a verdade — pelo Cooper, o número um do clube de tênis nos Ensinos Fundamental e Médio e que agora pretendia se tornar o melhor tenista na carreira profissional também. Ele mesmo chamava-se de tolo por ser tão apaixonado e sequer ter as habilidades de expressar seu amor. Tentava se convencer de que se declarar não teria efeito algum e ele só seria mais humilhado. Para Oliver, a maior paixão de Cooper era o tênis e, talvez, num futuro próximo, Mia.

Ah, sim, Mia. Também tinha ela. Assim como Oliver, Mia também era apaixonada por Cooper há um longo tempo. No começo ele nem dava bola para ela, mas os seus avanços de uns anos para cá eram cada vez mais insistentes e menos sutis. Por ela ser uma menina bastante atraente e bonita, Oliver julgava que Cooper teria algum interesse nela.

Mas, por ora, distanciemos desses pensamentos e voltemos àquela agradável manhã em Christchurch. Era quase um ritual, todos os domingos, se o tempo parecesse bom, cada um em sua casa dirigia-se à quadra de tênis que tinha nos arredores do bairro em que moravam, também tinha outra coisa ainda mais surpreendente: era exatamente no mesmo tempo, às oito horas da manhã!

O relógio marcava oito e dez da manhã e todos estavam preparando-se para o jogo. Oliver estava sentado no banco com o seu aparelho de música ligado. Ryan lançou a bola e Cooper prontamente rebateu-a, Mia estava ao seu lado, encorajando-o e atiçando-o contra o próprio primo, além de dar vários sorrisinhos. “Nada novo”, pensou Oliver.

Cooper mantinha-se completamente interessado no jogo, não deixando Mia e suas falas inoportunas o atrapalharem. Então... Bem, então a bola rolou longe da quadra e caiu perto dos pés de Oliver. Num momento os olhos castanhos de Cooper fitaram as orbes azuis do outro. “Talvez isso seja alguma coisa...?”, Oliver deixou o raciocínio incompleto quando o seu amado saiu, voltando rapidamente à quadra, como se nada tivesse acontecido.

— É, é uma coisa sim: um belo e grande nada — resmungou baixinho para si mesmo.

Ao voltar para a quadra, Mia não pôde deixar de perceber os olhares entre os dois e andou em direção aos bancos, que só não estavam vazios pela presença de Oliver. Ryan e Cooper logo a seguiram com certo interesse no que a loira faria. Ryan pôs-se de frente à Oliver e puxou seus fones de ouvido. Enquanto ficava segurando seu maxilar para tentar imitar caretas e falava coisas nada agradáveis, Cooper batia de leve com sua raquete no braço de Oliver e depois provocava-o. Mia ria de toda a situação.

Oliver enfim desvencilhou-se dos três e saiu rapidamente daquele local, tentando conter as lágrimas. Mia e Ryan viraram-se, voltando para a quadra.

“Eu... odeio eles!”, pensava Oliver consigo mesmo enquanto andava até um banco atrás de uma casinha perto da quadra de tênis. Estava vazia, como sempre. A parede da casinha estava mal pintada e descascada pelo tempo, só não estava numa situação pior que a janela. Ah, e claro, também tinha o odor de algo podre impregnando o ar. Oliver já estava acostumado com isso, no entanto, sentou-se sem maiores problemas no banco e buscou a sua carteira no bolso. Lá estavam seus documentos, alguns cigarros, um isqueiro e uma foto três por quatro de... Cooper.

A raiva e a decepção o tomaram por completo e, com um pouco de calma, pegou seu isqueiro e queimou a foto ali mesmo. Não era com prazer ou satisfação que observava o fogo queimar o rosto — na foto, obviamente — do seu amado, não, não, era o contrário. Ele gostaria de olhar para a foto e lembrar de uma vida feliz com aquele homem. Mas, infelizmente, a vida não é exatamente como queremos. Portanto pegou o isqueiro novamente e um cigarro, acendendo-o.

Deu uma tragada, mas alguns passos se aproximando o fizeram virar o rosto assustado para a “entrada” do local. Cooper. Ali em pé, olhando-o de cima a baixo e aproximando-se dele. Oliver fitou-o curioso e Cooper somente deu uma sorriso cordial e sentou-se ao seu lado. O loiro, sentindo uma esperança agitar em seu íntimo, ofereceu-lhe um cigarro. Tentava ao máximo controlar seus membros para não tremerem e seus pelos estavam ouriçados, mas no momento ele não se importava exatamente com isso. Seu coração dizia para tentar agarrar uma chance dali, mas seu cérebro dizia que não daria certo. Que Cooper já o machucara demais... Quando o outro aceitou o seu cigarro e fez um gesto rápido para o isqueiro, Oliver enfim resolveu desligar-se e simplesmente agir por impulso.

Aproximou-se ainda mais de Cooper e acendeu o isqueiro próximo ao cigarro. Após dar uma tragada, Cooper empurrou de leve sua perna na de Oliver, que tentou olhar para o outro lado. Ele tentou levar isso como algo inocente, mas mesmo assim seu coração dava pulos. Outro empurrão, dessa vez a mão de Cooper tocou de leve em sua perna. A respiração leve do jogador fazia cócegas em seu pescoço — que estava perto, perto demais... — e o coração de Oliver deu outro salto. Enfim virou seu rosto — que, novamente, estava perto, perto demais do rosto do outro — e fitou-o com um misto de surpresa e curiosidade. Como ímãs, aproximaram-se lentamente e Cooper colocou sua mão na perna do outro enquanto Oliver tocava de leve sua bochecha.

Os narizes já se tocavam e só mais um pouquinho e suas bocas também se tocariam. Foi Oliver quem cuidou de tomar os lábios de Cooper. Era um beijo leve, mas mesmo assim carregado de sentimentos.

O coração de Oliver dava saltos e ele achava estar no céu. Depois de tanto tempo finalmente seu desejo estava sendo realizado e tudo aquilo, para ele, parecia um sonho ou uma ilusão... Oliver já sonhara com isso, mas agora parecia tão real que lhe dava calafrios. Os dois estavam desajeitados, mas mesmo assim... Que sonho bom...

Não bastou alguns instantes e eles acabaram por serem interrompidos por Mia e Ryan. Mia estava com seu habitual chiclete e Ryan, com sua raquete de tênis. Oliver e Cooper separaram-se na mesma hora, constrangidos demais com os olhares que o casal de primos lhe dirigiam. Oliver achava que... bem, talvez ele não estava sonhando, afinal.

Mia até fez seu chiclete estourar e fitou-os com desprezo e choque.

Ryan parecia transtornado ou... Bem, Oliver interpretava aquele olhar como “por que não sou eu aí?”. Mas digamos que ele estava transtornado mesmo.

Cooper parecia que queria enfiar sua cabeça num buraco e nunca mais sair dali. Seu rosto corava, mesmo que minimamente. Oliver percebeu aquilo e resolveu ignorar os dois primos e focar-se em Cooper, beijando-lhe ali mesmo pela segunda vez.

Era impossível saber se aquilo daria num relacionamento ou se iria durar. Também era impossível saber se Cooper sentia algo mais por Oliver a não ser uma certa atração física ou “vontade de beijar”. Seria um relacionamento cheio de incertezas e talvezes. Mas essa é uma história para outra hora. Por agora, fiquem felizes pela primeira vez que Oliver beijou um garoto e recuperou todo o tempo perdido.

Notas finais
Espero que tenham gostado, em especial meu amiguinho secreto!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!