Gestos

1 Capítulo 1


James Potter não perdia uma oportunidade de mostrar para todos que era apaixonado por Lilian Evans, ele era conhecido pelos seus grandes gestos românticos e principalmente pelos foras astronômicos que recebia da ruiva.

Ele acreditava piamente que um dia conquistaria Lilian com suas extravagantes declarações de amor, afinal que garota não gostaria de ser recepcionada na sala comunal com uma música romântica, ouvir um poema amoroso durante o jantar, receber balões enfeitiçados para elogiar cada momento do dia dela ou fitas com as músicas mais melosas do mundo bruxo?

O que ele não sabia era que os pequenos gestos é que contavam para a ruiva.

Lilian desejava odiar James. Nada lhe daria mais prazer do que sentir desprezo pelo Potter. Estava de saco cheio das as grandes tentativas de chamar a atenção dela. Como se ela não fosse perceber um enorme quadro dela na frente da escada do dormitório feminino.

No início ela não se importava tanto com as grandes declarações de James, até achava engraçada, ela esperava (como sempre acontecia) que ele perderia o pique, da mesma forma como tinha acontecido com os presentes que ele sempre comprava para ela no início do quinto ano (e que ela nunca tinha aceitado), as cantadas no início do quinto ano ... Essas ideias idiotas dele nunca duravam mais de um mês. Mas, ali estavam eles quase no fim do ano letivo...

Ela tinha inúmeros motivos para amaldiçoa-lo, mas, o problema é que às vezes, só as vezes, ele era um garoto bem legal.

Na primeira visita a Hogsmeade daquele ano, por exemplo, ele foi absurdamente decente. Os dois ficaram presos, por puro acaso, na Dervish and Banges e durante os 20 minutos que ficaram juntos ela comentou que estava chateada porque tinha acabado o estoque do chocolate preferido dela na Dedos de Mel.

Na manhã seguinte quando ela sentou na sua mesa de sempre na aula de Poções tinha duas barras do chocolate com um bilhete que dizia “seu desejo é uma ordem”. Ela achou aquele gesto encantador.

Em outro momento ela ficou triste porque quando chegou atrasada para o jantar tinha acabado o sorvete preferido dela. Horas depois e ele apareceu na sala comunal da Grifinória com o sorvete em um pote.

Uma vez ela estava voltando da casa de Hagrid (ela estava ajudando-o com uma poção) quando encontrou sem querer James voltando do treino. Os dois conversaram cordialmente como tinha sido o dia de cada um e antes de se separarem ele conjurou um lírio laranja e deu pra ela.

Ele sempre colocava recadinhos nos cadernos dela quando tinham aulas juntos. Lilian não sabia como, mas no fim do dia ao folhear seu caderno certamente encontraria algum canto rabiscado com “Merlim, como você consegue ser tão inteligente?”; “Já percebeu que ganha todos os pontos da Grifinória respondendo essas perguntas?”; “Céus! Quase cai da cadeira quando te vi hoje, você está lindíssima”.

Ela gostava quando ele transcrevia alguns trechos dos poemas que ele fazia, desenha um pomo de ouro e colocava “L.E e J.P” no centro ou simplesmente fazia algum comentário sarcástico sobre a aula. E, a melhor parte é que ela sempre esquecia desses recados e quando revisava as aulas divertia-se sozinha.

Lilian Evans odiava com todas suas forças as investidas incessantes de James, mas odiava principalmente que ele tivesse seus pequenos momentos, que mexiam imensamente com ela, a tal ponto que ela não conseguia tirá-lo de seus pensamentos.

James Potter sorriu animado quando enxergou o pontinho com o nome da Lilian no Mapa do Maroto e correu ansioso para encontrá-la. A ruiva estava aproveitando o fim de tarde para ler sozinha no campo de quadribol.

“Lilian! Finalmente te encontrei”

“O que você quer James?”

A vontade dela era ser grossa, falar que se ela estava ali sozinha é porque não queria a companhia de ninguém, mas ele tinha um olhar tão contente que ela não conseguiu dizer.

“Mandei cartas para inúmeras editoras, mas finalmente conseguir achar o seu livro”

Comentou ele sentando-se ao lado dela

“Meu livro?”

“É... aquele que você comentou com o Remo no ano passado... que não conseguia encontrar em lugar nenhum. Acontece que minha mãe é razoavelmente conhecida nesse ramo literário e pedi para ela uma ajudinha”.

James entregou a encomenda nas mãos dela.

Lilian o olhou sem acreditar por vários segundos quando percebeu de que livro ele estava falando.

“A instabilidade das Poções”. Ela estava procurando esse livro há três anos. Três anos. Tinha falado com inúmeras livrarias. A única pessoa que sabia que ela estava procurando aquele livro era Remo e contou brevemente durante o quarto ano.

“Como... como... eu não...”

“Não diga que não pode aceitar. Porque eu odeio poções e se você não aceitar eu não vou ter o que fazer com ele”.

James comentou querendo parecer indiferente, mas desejava mais que tudo que a ruiva não recusasse aquele presente. Por mias confiante que ele pudesse parecer para os amigos, no fundo ele não conseguia parar de pensar que talvez Lilian nunca fosse dar uma chance para ele.

Não importava quão grande os gestos dele fossem ela sempre recusava ou fingia não perceber todos. Talvez, aquela fosse a única chance que ele tinha de presentear Lilian, dela aceitar de bom grado algum gesto dele.

“Eu adorei, James. De verdade. Isso foi... inesperado”

Lilian o abraçou e se arrependeu logo em seguida. Além de pequenos momentos James Potter era extremamente cheiroso.

James ficou confiante depois daquele abraço, todas as inseguranças que ele tinha foram jogadas debaixo do tapete e ele julgou que finalmente tinha conquistado a ruiva. E iria comemorar no jantar daquela noite... ele tinha o poema ideal para se declarar.

Lilian saiu do salão principal brava com James, mas principalmente chateada consigo. Os dois tinham dito um bom momento depois do abraço, tinham conversado sobre a vida por um bom tempo e então... ele lê um poema absurdamente meloso de um autor bruxo conhecido por ser machista e ainda finaliza com um pedido de namoro! Na frente de todo o castelo. Dos professores. Dos alunos. Merlim! Ela teve que sair de lá rapidamente pra não o esganar.

James estava cabisbaixo em sua cama. Não entendia o porquê Lilian tinha largado ele no salão principal.

“Ela não disse que não”.

Tentou animá-lo, Rabicho.

“Não dê esperança, Rabicho” – Comentou Sirius – “Talvez seja o momento de deixar essa história para lá”.

“Não entendo. Ela me abraçou hoje. Espontaneamente. Nós conversamos por horas e ela parecia estar se divertindo comigo, eu achei que ela gostava de mim”.

“Talvez, o problema tenha sido fazer isso com plateia”

Remo tentou indicar. Ele sabia que Lilian gostava de James e sabia que a atração por demonstrações de amor em público era o que atrapalhava o amigo. Remo já tinha tentando insinuar aquilo várias vezes para James, mas o amigo que era tão atencioso para os pequenos detalhes da personalidade de Lily não se dava conta da característica dela mais óbvia – ela odiava as declarações grandiosas dele.

Lilian não devia se sentir mal pelo olhar tristonho que James tinha no restante da semana. Ela tinha sido até muito educada para os seus padrões e finalmente ele tinha parado com os gestos grandiosos. O problema é que ele tinha se afastado a ponto de não haver sequer os pequenos gestos.

A ruiva esperou todos saírem do campo de quadribol após o último treino da Grifinória, mas ele ainda estava sobrevoando o campo quando ela se aproximou. Lilian ficou olhando atentamente James. Ele voava bem, fazia manobra bem difíceis, não atoa era um exímio artilheiro e capitão do time e como sempre ficava absurdamente mais bonito com o uniforme do time.

James demorou a notar que a ruiva que tanto encantava seus olhos estava nas arquibancadas. Desde que pediu Lilian em namoro ele estava a evitando, sabia que em algum momento ela iria querer conversar com ele, pois odiava deixar as coisas por dizer, mas o moreno não queria ouvir a justificativa dela. Nada machucaria mais seu coração do que o “eu não gosto de você” de Lilian.

“Eu sei, eu sei... você não gosta de mim. Não precisa conversa comigo eu entendi o recado. Tudo bem que fiz uma super produção, me esforcei bastante para decorar a droga daquele poema enorme, porque queria que fosse um poema verdadeiramente bom e não os idiotas que faço, passei horas tentando convencer Sirius a me ajudar os confeites e Rabicho teve que convencer os elfos a atrasarem a sobremesa, que saiba, você não foi uma tarefa muito fácil... eu merecia mais que o silêncio ensurdecedor que ficou no salão após você sair correndo... mas, eu entendo que...”

Lilian não deu muita atenção para James, a tendência dele ao exagero também servia para o drama. Simplesmente sorriu e ofereceu doces de abobora que tinha pedido pra Remo conseguir na cozinha.

James estranhou a mudança de assunto da ruiva, mas aceitou o doce. Ele não resistia a doces de abobora.

“São os meus favoritos”

Contou o moreno.

“Percebe-se”

Lilian comentou sorrindo, fazendo alusão ao fato dele ter comido quase todos os doces. James riu junto com ela.

“Gosto quando temos esses momentos.... sozinho. Você se impressionaria James com o quanto você é bem mais agradável quando não está se esforçando ou fazendo grandes gestos”.

Declarou Lilian para a surpresa de James.

“Eu sinto que se não fizer coisas grandiosas você não notaria a minha presença”.

James confessou pela primeira vez. Ele não tinha contado aquilo nem mesmo para Sirius, que era como um irmão.

Lilian deu um pequeno sorriso e olhando nos olhos castanhos do maroto, declarou:

“Acredite se quiser você é a primeira coisa que eu noto quando eu chego em qualquer lugar”.

James sorriu.

“Lily, você só faz isso na expectativa do grande gesto que eu vou fazer”

A ruiva revirou os olhos.

“James... eu vou dizer isso da forma mais gentil que eu consigo... eu odeio as suas declarações. Odeio as fitas, odeio os balões, odeio os poemas, odeio essa sua mania de querer fazer declarações gigantescas... eu simplesmente odeio”

James encarou os olhos verdes na sua frente completamente chocado. Toda a vida dele tinha sido uma mentira.

“Mas... Se isso é verdade... então por que você está aqui? Por que diz que gosta de estar comigo, por que me abraçou?”

“Porque felizmente ou infelizmente você nem sempre é completamente exagerado nas suas ações. As vezes você sabe ser atencioso, fofo, bem legal de conviver, especialmente se não tiver ninguém por perto. Você tem uma necessidade de chamar atenção que as vezes me impressiona”

James deu um grande sorriso com a declaração da ruiva.

“Então... você não me odeia?”

Perguntou aumentando ainda mais o sorriso.

“Esse é o maldito problema, James”

...

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