Geração dos Milagres
4 Ao final do dia
Embora sempre tenha que reviver o momento agradável de poder me libertar de eternas 4 horas e meia dentro de uma instituição de ensino, dentre todas as vezes, essa seria a mais demorada. A escola ocupava um território assustadoramente grande, ao ponto de alguém se perder mesmo frequentando a um tempo considerável. Tudo bem que a própria escola representava uma esperança pro futuro, mas para novatos como eu, talvez fosse preciso um mapa. Mas... eles realmente mandaram pela internet, não devo ter dado importância, bom, agora já não havia mais jeito. Segui pelo caminho detalhado no e-mail de cada aluno (sabia que algo assim seria necessário) até onde deveria me encontrar com Mayu. Era uma pequena praça que tínhamos visualizado no catálogo da escola. Quando cheguei, pude observar um garoto se despedindo dela como se fosse a coisa mais difícil do mundo e se retirando antes que pudesse cumprimentá-lo. Me aproveitei do fato de não notarem minha presença, e me aproximei de Mayu.
— Sempre fez sucesso, mas não imaginava que fosse nesse nível — procurei expressar um leve ciúmes sobre seu novo colega.
— Ei, não me assuste desse jeito. — revelou uma expressão que eu não conhecia em seu rosto: surpresa. Talvez tenha sido conquistada pelo sorriso do garoto... No que estou pensando... achei que isso não se tornaria importante o suficiente pra fixar na minha mente, além do mais, estava tentando imaginar a mesma situação para Mayu, alguém que sempre tem o coração disputado entre os garotos das respectivas salas onde já frequentou.
— Então, o que achou da nossa escola atual? — em circunstâncias normais, eu não chegaria a fazer esse tipo de pergunta, porém, estávamos cursando na famosa Geração dos Milagres, não era um lugar comum, se baseava em um projeto, fruto da parceria do Brasil com os Estados Unidos. Esse projeto consistia na ideia de reunir os melhores alunos do Brasil, com o intuito de fornecer qualidades excelentes de ensino, em busca de conhecimento para alcançar níveis superiores em todos os setores pelo mundo. Dito isso, é realmente incrível minha irmãzinha ter conseguido se qualificar em sua primeira tentativa juntamente comigo, uma escola onde se tem do sexto ano até o terceiro do ensino médio. Não só ela, mas todas essas crianças são prodígios, possuindo um Quociente de Inteligencia muito acima da média exigida. E pensar que o Guilherme ficou em quinto... um dos melhores alunos de um país inteiro.
— Foi uma surpresa maninho, achei que ao menos aqui seria diferente, que encontraria todo tipo de gênio estranho, mas não se diferenciou muito das demais escolas, as personalidades gerais não tiveram alterações drásticas.
— Tem razão, não há muita novidade quanto aos alunos, em sua maioria... — claramente acabei dizendo com aquela garota em minha mente.
— Vamos pra casa ? Mayu está com fome, vou fazer algo muito bom para comermos, prometo. — seus olhos se encheram de confiança ao final da frase.
— Dessa vez deixe seu maninho se encarregar do almoço, apenas descanse e divirta-se enquanto espera. — por algum motivo me sentia animado, talvez pelo fato de que poderia vê-la todos os dias.... a forma como penso sobre esse assunto me assusta, vou considerar apenas que estou dedicado a agradecer minha maninha, e tomar responsabilidade pelo almoço seria a forma perfeita para isso.
— Só não vale pedir pizza como da ultima vez hein. — foram poucas palavras, mas com um efeito muito grande, ela acabou com minha esperança em apenas uma frase, teria que me esforçar e usar a criatividade para impressioná-la com minhas próprias habilidades na culinária (sequer existem).
— Claro, nem pensei nisso, bobinha. — acreditei ter convencido ela.
Depois de alguns assuntos, nos dirigimos para casa a pé, afinal era realmente muito perto da escola, me arrisco a dizer que não totalizavam 200 metros. Ainda assim, preferiria um jeito mais prático, afinal qualquer esforço evitado é uma vitória. Enfim estávamos em casa, sua aparência estava impecável como sempre, uma mansão que passava uma imagem realmente agradável. Em casa, estavam contratados algumas pessoas, responsáveis por cuidar da limpeza e coisas do gênero, apesar de que Mayu e eu, não conseguíamos simplesmente deixar todas as tarefas para eles, então sempre que podíamos, oferecíamos ajuda. Por pertencermos a Geração dos Milagres, haviam juntamente alguns benefícios aos alunos, como por exemplo o fato de que havia um terreno reservado apenas para as residencias de cada família dos jovens. A casa em si não era paga pelo governo Estadunidense, o fato é que pertencíamos á uma classe alta no setor econômico. Mas não acaba ainda, além de todos esses fatores, também foi concordado que os alunos de uma unica classe morassem todos em uma parte focada perto da escola, ou seja, ao redor da escola existiam no mínimo 15 condomínios para cada classe, basicamente era um bairro extremamente grande, tendo como centro a escola, que unia todas essas regiões nas proximidades para o convívio dos alunos. Era um projeto e tanto, me fazia refletir sobre o quão importante e incrível seria cada pessoa que tem acesso à Geração dos Milagres.
— Ei, pode fazer o que quiser certo? Eu vou fazer nosso almoço e assim que estiver pronto irei te chamar, agora vamos pro quarto? — disse enquanto colocava-a em minhas costas, de modo a levá-la até seu quarto.
— Sim, por favor maninho. — disse seguido de um sorriso, até posso ter me encantado com o sorriso daquela garota, mas meu carinho por Mayu era algo inexplicável, seu sorriso me fazia sentir vontade de viver, e querer sempre cuidar dela, afinal é a unica que sempre esteve ao meu lado, fazendo dela a pessoa mais importante em minha vida. Não é qualquer pessoa que consegue me fazer sentir assim, não alguém como eu.
Deixei-a em sua cama e desci novamente em direção à cozinha. A ideia de que uma mãe é quem normalmente faz a comida me veio a mente. Já havia aceitado o fato de que perdemos ela a muitos anos, mas mesmo assim, uma lembrança como essa, não é algo agradável para se recordar. Também havia outro problema familiar... meu pai nunca estava em casa quando sentíamos vontade de ficar próximos a ele, estava sempre trabalhando no exterior, sequer sabia qual era realmente o seu trabalho, afinal quando ele está em casa, todos já estão dormindo, talvez os únicos amigos que ele tenha em casa sejam os seguranças que precisam permanecer acordados vigiando a casa. Sim, isso também me incomodava, apesar de entender as razões, preferia meu pai comigo do que qualquer outra pessoa, a sensação de segurança seria reconfortante.
Por fim consegui fazer um almoço decente, depois de 5 tentativas, afinal é com os erros que se aprende... mas claro que Mayu não precisava saber disso. Chamei-a para almoçar e fiquei feliz por ter gostado, mesmo não sendo nem perto do que ela pode fazer. O dia prosseguiu naturalmente, como entretenimento, jogamos vídeo-game juntos, onde parecia ser uma batalha onde nenhum dos participantes finaliza o oponente, ela conseguia se igualar a mim em praticamente tudo. Ao final do dia, verifiquei os lançamentos da semana, mas parece que essa temporada não seria grande coisa, ao menos no mundo da ficção. Me deitei tarde novamente, mas dessa vez, não estava tão desanimado... possivelmente seja culpa dela...
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