Geração X - Fic Interativa HIATUS
3 Capítulo 4 - “Garota X”
Notas iniciais
POV Narradora
A garota de 16 anos estava na janela do seu quarto olhando o pouco movimento da rua. Era uma noite um pouco mais escura, havia pouquíssimas estrelas no céu e poucas casas tinham luzes acessas. O clima do momento era fresco e a brisa soava agradável.
A garota saiu da janela e foi vestir seu pijama. Já era um pouco tarde e ela precisava dormir cedo e estar bem descansada para acordar cedo pela manhã. Sentou-se em sua cama, respirou fundo e encarou sua estante. Esticou sua mão, se concentrou e começou a mover um grosso livro. Quando este se desprendeu por entre outros livros, ele caiu no chão. A jovem bufou decepcionada e tentou novamente. Esticou a mão e o livro novamente voltou a levitar, meio “desengonçado” até chegar às mãos da garota. O colocou em seu colo e o abriu. Era um álbum de fotos e a “estrela” dele era sua mãe, já falecida. A garota virava as páginas e a cada momento seu olhos saiam lágrimas. Ela sentia muita falta dela e sentia seu coração doer por não poder ter conseguido se despedir dela, por ser ainda tão pequena e tão frágil. Tinha apenas 5 anos e não se lembrava de muitas coisas da sua mãe, apenas do seu rosto, pelas fotografias.
Ela enxugou os últimos rastos de lágrimas e levou o álbum de volta a estante, usando seu poder. Deitou-se e finalmente dormiu.
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Pela manhã, levantou-se e arrumou-se para o primeiro dia da escola. Assim que terminou, arrumou sua mochila e o colocou nas costas. Desceu para a cozinha para tomar seu desjejum rapidamente e ir para a escola. Ela não queria ficar naquela casa mais tempo do que o necessário. A presença constante do pai ali a amedrontava.
Mas, ao chegar à cozinha encontrou a mesa vazia e apenas um jornal aberto por sobre a mesa. Ao abaixar o jornal, o pai Julie a encara.
— Não tem pão e o pó de café acabou. Eu estava te esperando para nós tomamos café na padaria da esquina. – Seu Raul disse para a filha.
— Tudo bem... – pausou. – Pode ser.
Já na padaria, o padeiro cumprimentou Seu Raul por respeito. Julie arqueou a sobrancelha, pois alguma coisa a dizia que ele tinha medo do seu pai.
— Como vai Seu Raul? – olha para a menina. – Como vai Julie?
— Muito bem, Seu Augusto. – disse ele. Julie apenas assentiu com a cabeça, esboçando um sorriso discreto.
Fizeram seus pedidos e esperaram. Seu Raul olhou para algo que Julie não soube dizer o que. Virou-se para a filha.
— Está vendo aquele moço ali. – apontou. – Está vendo a carteira no bolso dele. – apontou outra vez. – Pegue-a pra mim usando seus poderes. – disse autoritário.
— Quê? Não. As pessoas vão ver. – disse aos cochichos, mas num tom indignado.
— Não importa. Você é esperta. Você vai conseguir fazer sem ser percebida. Como acha que vamos pagar a conta, filhinha? – disse sorrindo maleficamente.
Mesmo a contragosto, ela o fez. Seu pai rapidamente pegou a carteira que vinha flutuando, tirou o dinheiro necessário e o colocou sobre a mesa, junto a carteira. Julie engoliu em seco pelo medo e rapidamente devolveu a carteira ao dono, da mesma forma que o pegou.
— Por que devolveu? Eu ainda não tinha dito que era pra devolver. – disse aborrecido.
— Você deixou a carteira em cima da mesa. O dono iria dar por falta dela e olharia diretamente para a nossa mesa. – disse e seu pai deu de ombros.
Tomaram seu café e de lá, Julie foi direito para a escola. Ao chegar lá, muitas pessoas a cumprimentam e ela retribui com um grande sorriso. Isso era a única coisa que ela se orgulhava: sua popularidade.
— Julie, depois da aula tem reunião. – sua professora de música disse. Julie era monitora das aulas de música e do grupo de teatro. Apesar de gostar de cantar e atuar, dificilmente se apresentava em público por causa da timidez, mas fazia um esforço por causa do seu cargo.
— Amiga! – Rebecca gritou escandalosamente por Julie.
— Oi. Como é que vai? – disse sorrindo.
E assim, o dia foi se passando. Depois de cumprir compromissos. Julie foi pra casa. De repente, sem querer e sem conseguir controlar, começou a ouvir a mente de algumas pessoas que passavam por ela. Ouviu vários “Tenho que pagar as contas.”, “Preciso ligar para fulano.”, “Tenho que me encontrar com sicrano.”. Ouviu até um “Nossa cara... Que gostosa!” de um cara que passava a olhando com cara de safado. Julie revirou os olhos e continuou andando até chegar a sua casa.
— Não aguento mais ouvir o que as pessoas pensam. – disse desanimada.
— Passando por maus momentos? Que pena. – seu pai disse, chegando à sala. Ouviram a campainha tocar. Julie atendeu e seu pai veio logo atrás.
— Olá Julie. Meu nome é Professor X. Eu vim até aqui porque você é uma mutante e eu quero que vá comigo para a minha escola para jovens superdotados para que eu possa treiná-la. Lá você encontrará conforto e... Proteção. – disse a última palavra olhando para o pai dela.
— Ela não vai a lugar nenhum, velho. Eu sou o pai dela e o único responsável. Por isso digo que ela não vai.
— Eu vou sim. – disse. Subiu e arrumou as malas. Voltando para a porta. – E você não vai me impedir.
— Só digo uma coisa. – seu pai pausou. – Se for... Se passar por essa porta... Você não precisa voltar. Aqui você não entra mais.
— Não se preocupe. Não pretendo voltar nunca mais. – disse e saiu.
Sorriu e respirou aliviada. Há muito tempo queria deixar aquela casa e agora, tinha certeza que teria a liberdade que ela tanto queria.
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