Notas iniciais
Olá pessoal!! Como meus dias têm sido uma imensa correria, uma loucura só, eu vou precisar me organizar de forma a dar tempo pra tudo! Então vou ficar fazendo assim: três capítulos por semana, que tal? Não é muita coisa, mas é uma maneira de não deixá-los esperando por muito tempo e uma maneira de me obrigar a escrever isso e não "empurrar com a barriga" Boa leitura! ^^

Por Pamela:

Com muita alegria, o sol quis nascer no outro dia. Tudo o que se sucedeu no dia anterior se desfez assim que eu abri os olhos e me deparei com Herval dormindo sossegadamente ao meu lado. Alguns fios de seu cabelo caíam-lhe sobre o rosto e ele respirava tão lento e profundamente, que parecia estar tendo um sonho tranquilo...

Foi praticamente instantâneo um sorriso em mim surgir, contanto que eu não visse a cara de Brian, sentia que aquele dia compensaria todo o estresse do anterior, e uma vontade incontrolável de acariciar o rosto de Herval me surgiu... erguendo a mão, tentei afastar aqueles fios de cabelos de seu rosto que tanto o estava deixando so cute, mas acabei por acordá-lo, achei que estava dormindo pesado, mas na verdade dormia leve como uma pena.

A luz do sol transfixava a janela do quarto e o dia que já me parecia abençoado, ficou ainda mais, quando ele abriu os olhos e aquela luz, devidamente controlada pela espessura e opacidade do vidro, fez o lindo castanho de seus olhos brilharem, assim como o sorriso que ele abriu, assim que viu o meu.

–Good morning, dorminhoco...! – Falei num tom relativamente baixo.

–Bom dia, meu amor... você já tá acordada?! – E ele se erguia, esfregando os olhos como uma doce criança que tentava afugentar o sono.

–Acabei de acordar também, sweet... – Respondi, pousando a mão esquerda sobre seu rosto e fazendo-o reabrir aquele lindo sorriso. Sorriso esse que subitamente me deixou inerte, eu senti uma sensação estranha e imagens sem nexo de eu na cama do hospital, com Herval ao meu lado, chorando, me vieram a mente. Um amor sem tamanho parecia embrulhar meu coração e eu não entendi aquele curto momento, só senti a necessidade absurda de falar: — Eu te amo, sabia? – Seu sorriso aumentou de perfeição e ele me respondeu:

–Sim, eu sabia... mas é sempre bom ouvir você repetir. E eu te amo muito mais! – Sua voz entrou como linda sinfonia nos meus ouvidos e seus lábios tocaram os meus como os dedos de um pianista nas teclas de seu amado piano.

–Hum... ainda é cedo, right? – Falei, ao fim do maravilhoso beijo, e com uma ideia em mente. Ele acenou que sim. – Então todo mundo ainda está dormindo, não precisamos nos apressar para sair do quarto.

–Aonde você quer chegar? – Perguntou formando uma fofa ruguinha na testa e com um fofo sorriso no canto da boca.

–No banheiro! Vamos tomar um banho so delicious, juntos? Quero recuperar todo o tempo perdido, ao lado do meu hubby...! – Disse, brincando com seus cabelos e grudando nossas testas. – O que você acha, han?! – Afastamos nossos rostos novamente e Herval me olhava meio sem expressão...

–Eu acho ótimo! Maravilhoso! Vo-vou preparar esse banho agora mesmo! – Disse, levantando-se da cama, sorrindo e caminhando para o banheiro, de costas para não me perder de vista, embora fosse impossível já que meu rosto parecia estar sempre refletido em seus olhos. Me sentei à beira da cama, sorrindo de sua quase queda, em tentar chegar ao banheiro de costas, e fui tirando a faixa do meu pé, esperava que ele ficasse 100% logo! E logo em seguida, tirei a que estava na minha cabeça, já não havia muita serventia mesmo, só estava incomodando. Com cuidado, fiz um coque no cabelo, tirei a roupa e me enrolei num roupão que havia ali perto. – Prontinho, a banheira tá pronta, a água tá quentinha, perfeita para um banho a dois! – Herval apareceu, e eu caminhava em sua direção, tentando mancar o mínimo possível, enquanto ele pousava as mãos na minha cintura, tentando me ajudar.

Chegando ao banheiro, fiquei um instante parada, enquanto ele, sem muita pressa, tirou a roupa e entrou na banheira, Herval continuava lindo, do mesmo jeito... sinceramente não sei como aguentei sobreviver tanto tempo sem estar vivendo aquela nossa linda intimidade, vê-lo como veio ao mundo, me provocando um instantâneo ardor interior, mas que logo fiz passar, e estendeu a mão para me ajudar a entrar também. Dei um rápido sorriso e desamarrei o roupão, tirando-o sem demora, e percebendo que Herval me olhava por inteiro, peguei sua mão e também entrei na banheira, sentando-me entre suas pernas e deixando a cabeça repousar em seu ombro.

Seus braços envolveram meu corpo, e parecia que eu estava protegida de qualquer coisa, com ele ali. Sua presença e seu cheiro me acalmavam e eu fechava os olhos gradativamente, enquanto tinha meu pescoço rendido em incansáveis beijos e tinha a pele arrepiada em incessáveis “eu te amo” ao pé do ouvido.

Embora a água da banheira já estivesse morna, era seu forte corpo unido ao meu que me fazia sentir aquela sensação agradável. Embora o sabonete líquido que Herval passava em minhas costas, e com uma delicadeza absurda, em meu ventre, fosse de rosas, era seu cheiro que estava presente na minha pele e era ele mesmo que eu queria sentir. Não queríamos sair dali nunca mais, estava tão bom só nossa presença, só nossas vozes numa conversa agradável e sem compromisso, só nossos corpos unidos em um sentimento sublime e um banho delicious... mas o banho chegou ao fim, saímos daquele marasmo delicioso e voltamos à nossa vida em Family.

Como a faixa da cabeça me incomodava, não a coloquei novamente, apenas a do pé, que era essencial para que eu ficasse boa logo. Depois de no aprontarmos, de mãos dadas saímos do quarto, já dando de cara com Joaquim, que bem provavelmente iria nos acordar, como sempre adorava fazer.

–Mommy! Daddy! – Um sorriso lindo surgiu em seu rostinho e seus olhinhos pareciam duas pequenas estrelas...

–Hey garotão! – Em gestos sincronizados, Quim ergueu os braços e Herval o pegou no colo. – Acordado tão cedo?!

–Clalo, papai! Eu tenho que ir pla escola, esqueceu? Já tô até de uniforme!

–Ah!! – Fez cara de que acabara de lembrar e de perceber que estava de uniforme.

–É que o seu daddy está ficando velho, Quim! Está esquecendo de tudo! – Falei sorrindo.

–Tá velho, papai? Mas eu não tô vendo nenhum cabelo blanco! – Eu e Herval rimos juntos.

–A mamãe é que tá ficando doida, Joaquim, o paizão aqui ainda tem muito o que viver, pra ser considerado velho! – Disse, enquanto caminhávamos para a mesa.

–Hi, madrinha! Bom dia! – Disse, enquanto Herval sentava Joaquim ao meu lado e sentava à cabeceira da mesa.

–Bom dia dear... Uau, posso saber o motivo desse lindo sorriso aí nesse rostinho?

–I do not know... só sinto que hoje será um bom dia...!

–Oh Lord! God hear you! – Deus já estava me ouvindo, se eu não vi a cara de Brian Benson ainda, já era um bom sinal.

–E Megan Lily? Onde está?

–Oh essa está surpreendendo, Pam! Levantou antes de todos nós e já está na Parker TV, cuidando da empresa que será dela!

–Oh madrinha, estou tão orgulhosa de my baby girl... ela se tornou uma mulher tão responsável, está tão engajada com a Parker TV right?!

–É, a Megan tá saindo melhor do que a encomenda... – Herval se pronunciou, enquanto colocava as “comidas” que me eram permitidas pelo médico, na minha frente.

–Oh sweet... eu tenho mesmo que comer essas coisas?! Este iogurte aqui não tem gosto de nada! – Protestei.

–Tem que comer sim! E nem vem com cara de criança malcriada, que até o Quim, quando tá doente, toma remédio direitinho, não é filho?

–Yeah! – Disse em alto e bom som, orgulhoso, mas no momento em que Herval virou o rosto para falar com Dorothy, ele pôs as mãos em concha e me falou no ouvido: — É só a senhola tampar o naliz e colocar na boca de uma vez! Engole que nem sente o gosto! – É, para quem já estava reclamando, Joaquim me puxara para aquela sensação boa novamente, me fazendo soltar uma gargalhada tão animada! Ele conseguiu tornar aquele café da manhã tortura, numa coisa agradável. – Mommy, você e o papai vão me levar na escola? – Perguntou, ao fim da refeição, levantando-se da cadeira.

–Eu adoraria, Darling! Mas só se seu daddy deixar... porque você sabe que mommy tá doente e que é ele que tá cuidando de mim...

–Deixa, deixa, deixa, deixa, deixa papai!! Faz tempo que vocês não me levam juntos... – Juntava as mãozinhas, implorando. Herval o olhou e me olhou, deixando-o curioso por alguns segundos, mas respondeu:

–Tá bom, nó dois vamos te levar para a escola!

–Eba!!!! – Joaquim saltou em seus braços, em agradecimento e em seguida correu para o quarto, para pegar a mochila.

–Mas a senhora não vai sair de dentro do carro, ouviu?! – Herval advertiu-me. – Nada de desobedecer!

–Sim, senhor, doctor Herval! – Zombei.

Enquanto estávamos no carro, parei para pensar que agora minha vida estava tomando o seu rumo normal, se tudo continuasse como estava, seria sinal de que minha vida estava retomada. Eu estava muito feliz porque finalmente havia saído do hospital e Herval estava me permitindo sair de casa também... era bom voltar a ver rostos diferentes e eu já estava com saudade daquela paisagem linda do Rio de Janeiro.

Deixamos o Quim na escola e ele se despediu de mim, muito fofo, com cuidado, me deu um abraço e disse que estava feliz de eu poder acompanha-lo até a escola, como antes. E eu estava muito mais feliz por poder fazer isso novamente! Vê-lo entrar todo lampeiro e sentir-se orgulhoso de seus pais terem levado ele juntos, para a escola. Coisa que quando estivesse adolescente, dispensaria com certeza, era sempre um presente para mim! Eu e Herval voltamos para casa, mas dentro do carro eu estava com algo martelando na cabeça, tinha que lembrar de alguma coisa importantíssima que tinha que acontecer e que não demoraria muito.

Por várias vezes, Herval me olhou, buscando entender o porquê de eu estar tão pensativa, mas assim que pusemos os pés em casa, lembrei:

–Honey! Daqui a uma semana é o aniversário do Joaquim, right?! – Nó comemorávamos o seu aniversário no dia em que o vimos pela primeira vez... no dia em que tivemos a certeza de que encontramos o nosso filho de coração e que tivemos a certeza de que nossas vidas jamais seriam as mesmas!

–É mesmo...! Eu tinha esquecido... tanta coisa acontecendo ultimamente, que I don’t remember! – Sorriu, ao terminar de falar em English.

–Então sorte nossa que eu lembrei! Madrinha! – Falei, ao entrarmos na sala e ver Dorothy com uma revista na mão e parecer estar em outra dimensão.

–Hi sweet...

–Semana que vem é o aniversário do Joaquim! Nós iremos preparar alguma coisa para ele, right?!

–Esse “nós” não inclui você, Pamela Parker Domingues! – Herval falou, já vindo com seu lado doctor. – Você não está 100% recuperada, portanto não pode fazer o menor esforço, tá me ouvindo?!

–Mas eu quero ajudar a preparar uma big party para meu filho...!

–Você vai ajudar ficando quieta, e consequentemente, viva, pra passar outros vários aniversários junto com ele!

–Mas...

–Nem mas, nem meio mas! – Eu estava me sentindo uma criança, com aquela forma com que ele estava me tratando, e para falar a verdade, ele estava mesmo me tratando como criança! Pois assim que terminou de falar essas palavras, sorriu, como fazia quando dava bronca no Quim, e tentou amenizar o que dissera, com aquele sorriso que ele já tinha total noção de que me dobrava. – Meu amor... você prometeu que se cuidaria...! Eu tô responsável por te ajudar a melhorar e eu vou fazer de tudo pra que isso seja logo, e te deixar ajudar nessa festa não é uma opção. Eu não quero te ver numa cama de hospital de novo...

–Nem eu! Então está decidido. Nó prepararemos uma festa de 5 anos para o Quim e a Sra. não moverá uma palha! – Dorothy ficou ao seu lado, o que me restava? Eram dois contra uma, perdi.

Tive que me conformar, e como eu saí para levar o Quim na escola, e como o pegaria, juntamente com Herval, ele me fez ficar na cama o tempo inteiro. Me levou lanche e remédios, mas a melhor coisa que ele me levou foi sua presença... deitou-se ao meu lado e pediu que eu deitasse a cabeça em seu peito. Eu o fiz com muito carinho e sabe aquilo de que seu coração acelerava quando eu estava com ele? Continuava sendo verdade...

Senti seus braços tomarem meu corpo para si, e seus dedos se entrelaçaram, não me deixando escapar. Ele me deu um suave beijo na cabeça, e devagar, enquanto eu sentia a necessidade de unir-nos ainda mais, o abraçando forte. Daí senti sua respiração ficar menos devagar e ele começou a fazer um movimento uniforme de sobe e desce, com a mão, em meu braço, me deixando ainda mais aconchegada a ele e sentindo um calor tão bom no coração... quando no vimos inertes a qualquer coisa, fomos despertos pelo despertador que nos avisava que era hora de buscar o Quim na escola.

Quando o fizemos, passamos por um parque, o qual ele sempre adorava brincar e pediu, pediu não, implorou para que fizéssemos uma parada.

Por Herval:

O doutor disse que a Pam precisava ficar de repouso, mas ela havia se levantado tão bem naquele dia, que eu achei que dar umas voltas não lhe fariam mal. Agora o Quim estava querendo brincar um pouco no parque e o ar puro havia de fazer bem a ela também! Estacionei o carro e fomos para esse bendito parque... Joaquim não perdeu tempo e correu para os brinquedos, enquanto eu e Pam ficamos sentados num banco, admirando-o e conversando sobre como ele crescera rápido... sobre como o tempo e os anos passaram-se depressa! E sobre como tudo isso não deixou o nosso amor esfriar.

Em certo momento o Quim me chamou para brincar com ele e Pamela fez questão de que eu fosse, disse que ficaria bem ali só nos olhando. Eu não via nada demais, ela me parecia mesmo bem, até o momento em que ao longe avistei um rosto mais que familiar... Jonas tinha tido a cara de pau de aparecer ali pra ficar olhando ela. E pior, não se disfarçara nem nada, estava com a sua típica cara de pau e todos ao redor lhe olhavam curiosos, mas eu pude perceber que além de curiosos, as pessoas estavam também com nojo, horror, raiva e desprezo por ele!

Todo mundo adorava Pamela Parker e àquela altura, não havia uma pessoa sequer que ainda não soubesse de tudo o que ele fizera com a Pam. Sem demora chamei o Quim, disse que já estávamos atrasados para ir para casa, e numa tentativa alucinada de proteger a Pamela, corri para ela, chamando-a para irmos pra casa e nos vermos longe daquele serial killer.

Notas finais
Continua...