Notas iniciais
Hello! Aqui vai mais um.

Por Pamela:

Foi complicado ter que recusar seu convite para entrar, achei até que ele poderia entender errado. By the way, o meu mal-estar naquele momento talvez tenha parecido uma forma de me livrar daquele embaraço, but, não foi exatamente... é claro que me ajudou! Eu tenho certeza de que ele não queria que eu entrasse apenas para conhecer sua casa! Se é que me entende… e eu não estava pronta para algo a mais. Mas eu really, really precisava descansar. O que eu havia feito tinha sido surpreendente até para mim mesma! Depois que conheci Herval, nunca mais imaginei a minha vida com outra pessoa, no entanto, eu havia armado um encontro so nice com o Richard! Já estava de bom tamanho para aquela noite, não?

Além do mais, eu tinha problemas demais para resolver, não dava para pensar naquilo no momento. Meus dias se tornaram intensos, eu tinha que enfrentar a Marra, as consultas com a Dra. Jennifer, os exercícios que ela pedia que eu praticasse em casa, sem falar na saudade da minha família que eu tinha que conviver. Richard entenderia... então, depois que me despedi dele, simplesmente cheguei em casa, tomei um banho e fui dormir. Não importava que horas eram, eu só queria dormir; e aproveitar o sono para colocar minhas ideias em ordem. Sequer falei com a Katy, meu corpo implorava a cama.

...

Os dias iam se passando. Dia após dia eu me sentia mais à vontade para conversar sobre os meus problemas com a Jennifer e comecei a ver algumas melhorias em mim! Of course, nada tão grandioso assim, tão depressa, mas é claro que se meus mal-estares estavam ficando menos frequentes do que in Brazil, significava que as consultas com a Dra. e o relaxamento que o Richard me proporcionava a cada vez que nos encontrávamos, estavam surtindo efeito. Então, eu comecei a acreditar que finalmente tinha começado a dar um novo rumo à minha vida.

Really?! Você realmente desistiu a carreira de atriz? Assim, forever?! – Estávamos numa fila para comprar ingressos para o cinema. Ele sugeriu que nos aproveitássemos de nosso status social para sermos um dos primeiros a entrar, e eu não o julguei por isso, qualquer um no nosso lugar o faria, mas eu preferi esperar. Queria agir como a pessoa normal que eu era. Então nós ficamos conversando, esperando a fila andar.

— Eu precisei! Depois que tive Megan Lily tive que me dedicar a ela e isso me afastou das telas. Acabei deixando o tempo passar, guardei o sonho numa gaveta à sete chaves... agora já é tarde demais, Rick, mas... that’s okay! I’m so happy como empresária.

— Tem certeza?

Yeah! Há alguns sacrifícios que valem a pena. Mesmo se eu detestasse o trabalho empresarial, não me arrependeria do que fiz, porque isso me proporcionou muitos bons momentos com a minha família.

— Isso só demonstra o quanto você é incrível... – Disse-me, olhando-me fixamente nos olhos.

— Família sempre em primeiro lugar, right? — Concordou com a cabeça, mas parecia hipnotizado. – O que está...? – Antes que eu pudesse terminar, ele me segurou pela cintura e me deu um beijo. Um beijo calmo, mas intenso; ele me fazia bem... fazia tempo que eu não me sentia tão leve, tão segura em relação a alguém, tão respeitada e tão amada.

Ele apenas me largou quando ouvimos alguém pigarrear. A fila já tinha andado e era a nossa vez de comprar os ingressos. Nós rimos e seguimos. Foi estranho, porém, bom. Não consegui entender muita coisa do filme, Richard pouco me deixava respirar e com isso me arrancou muitos risos! Yeah, because parecíamos jovens novamente; ele agia como um garoto apaixonado que não cansa de beijar sua girlfriend. E sempre so cute, um perfeito Gentleman!

And I... estava me divertindo com ele. Nos últimos 28 anos da minha vida, tudo o que eu havia vivido era regido pelo futuro. Eu tinha que fazer alguma coisa porque posteriormente aqui iria me... enfim, depois, amanhã, no futuro! Minha vida se limitou a isso e eu já não vivia o presente tão intensamente; talvez isso também tenha me afastado de Herval. Ele pensava que no futuro eu iria lhe abandonar. Tanto pensou que eu acabei longe dele... e eu também nem me dava ao trabalho de recordar o passado tão bom que tive. Namorar Richard foi como me conceder esse direito; eu podia rir das bobagens que fazia no colegial e podia fazer outras bobagens no agora, que ríamos do mesmo jeito!

Ele era extrovertido e me fazia sair, ver gente, me deixava à vontade para falar o que eu quisesse, sem falar no seu incrível bom gosto para tudo! Sei que já repeti isso algumas vezes, mas Richard estava mesmo me fazendo muito bem! Tanto que sempre que eu ligava para Joaquim, sequer lembrava de perguntar por seu pai. Me limitava a mata um pouquinho da saudade que sentia do meu baby boy, e a perguntar sobre madrinha. Acreditei que o Rick estava me ajudando a cicatrizar o coração.

— Que tal você conhecer a minha casa hoje? – Pegou-me desprevenida enquanto saíamos de um concerto certa noite.

— Hoje? Não acha que já está um pouco tarde...? Katy sempre me espera para dormir, então...

— Quem é Katy? – Me interrompeu.

— Uma amiga; na verdade, uma espécie de governanta na minha casa. Você já foi várias vezes lá, não lembra dela? – Arqueou as sobrancelhas e acenou dizendo que lembrava.

— Sim, claro! É que eu não sou muito bom com nomes... – Se tinha uma coisa que ele fazia que me derretia, era dar aquele sorriso um pouco sem jeito e passar a mão pelo cabelo cacheado. – Prometo que não vamos demorar! É só para você conhecer um pouco mais sobre mim; não quer saber quem é o seu boyfriend?

Yeah, eu quero. Bom, se não vamos demorar... tudo bem!

...

— Está bem! Eu sou um pouco desorganizado, mas dá para aguentar, come on! Garanto que não vai encontrar uma fatia de pizza embaixo do acento. – Ríamos, sentados no sofá. Ele bebia vinho e eu tinha ficado apenas com um copo d’água por precaução.

Oh yeah! Minha filha é bem mais bagunceira que você, não se preocupe!

— Mesmo que minha pequena bagunça não te incomoda? – Neguei. – E essa marquinha de copo aqui em cima da mesa de centro? – Neguei novamente.

— Eu diria que sua casa é até... que bem organizada para um homem que mora sozinho!

Hey! Está dizendo que nós somos desleixados quando não temos uma mulher por perto?

— Não foi o que eu quis... sim, estou! — Ele deu uma curta gargalhada e acariciou meu rosto.

— Ok, eu admito. Você tem toda razão! – E então sussurrou: – Mas não precisa espalhar isso para toda comunidade feminina, ok? Seria péssimo para a reputação do meu gênero. – Eu sorri e levou a taça de vinho à boca. Dei uma olhada em volta. – Ah... Mas que droga... – Olhei-o novamente e sua camisa, de um azul claro, estava manchada de vinho.

Oh my God! Eu posso p-pegar um pano para te ajudar a limpar, eu vou...

— Não, não precisa. Não vai ter jeito mesmo, eu vou ter que jogar essa camisa fora. Me enxugo com ela mesmo.

What?— Ele simplesmente desabotoou toda a camisa incrivelmente rápido e passou a se enxugar com ela. Eu tive que desviar meu olhar para o teto, para a porta, para os meus sapatos... era constrangedor, ele estava sem camisa na minha frente e parecia bem confortável com isso. Preciso admitir: estava bem melhor do que na época do colegial, se é que me entende...

— Hey, o que foi? – Chamou minha atenção.

Nothing. — Respondi nervosa e ele sorriu.

— É porque estou sem camisa?

No! Não é nada, eu só... – Me interrompe:

Come on! Nós estamos namorando, acho que isso não tem problema, né? Aliás, se quiser entrar no clima e tirar o vestido também... eu não me incomodo. – Eu dei um sorriso não só falso como também nervoso e me levantei do sofá.

— Oh Rick, sorry, mas... eu preciso ir. Já é tarde. – Não me compreendi. Se estávamos namorando e ele me atraía, por que eu estava fugindo?

— Não, espera, e-e-eu tô brincando, não precisa...

— Não! Não é isso, relax! Você não fez nada de errado e... – Tentei sorrir um pouco mais sinceramente e segurei seu rosto, dando-lhe um beijo suave. – E a proposta é tentadora! Mas...

— Sempre tem um “mas”... – Ele revirou os olhos e eu suspirei mirando o chão. Em pouco tempo os meus olhos encontraram os seus, graças a sua mão levantando meu queixo. Ele sorriu serenamente e me depositou um beijo na testa. – Tudo bem... você não se sente preparada ainda. I understand. – Eu respirei aliviada e sem que eu dissesse uma só palavra, me envolveu num abraço forte. – Eu só te digo uma coisa: vê se não demora para estar preparada. – Sussurrou no meu ouvido: – Não sabe o que está perdendo... – Eu o empurrei brincando e nós dos despedimos com um beijo.

Por Herval:

Sabe de uma coisa? Eu me tornei um completo idiota! A cada dia que se passava eu procurava um motivo para detestar a Pamela. Tentava encontrar defeito até nas suas mais genuínas qualidades e para tentar lhe esquecer, resolvi convidar aquela garçonete para sair, a tal Duda. A moça aceitou sem hesitar, acho que era isso mesmo que ela queria... então nós fomos a uma festa, um show do Quadra de Espadas na Gambiarra.

Quando cheguei e apresentei a Eduarda à Rita, ela fez questão de me chamar num canto para me parabenizar por finalmente estar tentando tirar a Pamela da minha vida. Já estava mais do que na hora, não? Ela queria viver a vida dela sem mim, nada mais justo que eu vivesse a minha sem ela também.

Passamos a noite inteira dançando e bebendo. Eu, bebi além da conta para ter coragem de continuar com a garota depois que saíssemos da festa. Eduarda vinha cheia de investidas, cheia de insinuações ao pé do ouvido, e eu já estava completamente embriagado! Não tomei nenhuma iniciativa, mas ela sim. Simplesmente entrelaçou os dedos nos meus cabelos e enfiou a língua na minha boca! É, assim, sem cerimônia, como se fosse a casa da mãe Joana. E o que eu fiz foi... bom, foi envolver sua cintura completamente com meus braços. Ela me parecia bem ousada e apenas intensificou o beijo. Por um instante afastamos nossos rostos, e esse instante foi o suficiente para eu ver Pamela Parker na minha frente.

Linda como sempre foi e com aquela cara de quem está aprontando algo, que eu conhecia bem.

— Que tal se a gente fosse para um lugar mais calmo...? – Sussurrou no meu ouvido. Eu esfreguei os olhos, mas a imagem da americana continuava na minha frente. Como ela havia ido parar ali, eu não sabia, mas algo muito estranho começou a me agitar por dentro. Eu nunca desejei tanto beijá-la, nunca quis tanto amá-la. – Eu gostaria muito de te mostrar uma coisa... – Ah que saudade eu sentia daquela maldita gringa!

Agarrei-a subitamente num beijo urgente e ainda mais quente e ousado que o anterior. De repente eu estava empolgado demais, com pressa demais; nossas línguas batalhavam e ela chegava a puxar meu cabelo. Já não sugeria, mas exigia que eu a tirasse daquela barulheira cheia de gente.

— Vem comigo. – Segurei sua mão e saí lhe arrastando até minha casa. Por sorte era dia do Joaquim ficar com a Dorothy! Mal entramos em casa e eu já caí sentado em cima do sofá.

Ela ficou na minha frente, desabotoou os primeiros botões da blusa e depois veio para cima de mim. Era Pamela na minha frente! Teria ela desistido do divórcio e aparecido na Gambiarra para me fazer essa deliciosa surpresa? Por mais que eu tentasse acreditar que aquilo era uma ilusão, eu só conseguia vê-la, ninguém mais. Ela agarrou meus cabelos e meu rosto se achou encaixado entre seus seios um pouco à mostra. Eu os beijei, beijei com urgência e desejei profundamente trancá-la ali dentro para que nunca mais fugisse de mim.

— Uau... parece que se animou depressa, hein! – Passava a mão por cima da minha calça. Eu já não podia me segurar... agarrei-a, deitando-a no sofá e voltei a lhe beijar; suas mãos tentavam tirar a minha camisa e meu beijos passaram a percorrer seu pescoço e voltar a fica entre seus seios.

— Ah Pamela... – Gemi entre um beijo e outro.

— Como é que é? – Levantou-se de uma vez, abotoando a blusa. – Do que foi que me chamou? – Eu balancei a cabeça e esfreguei os olhos, só então vi que quem estava na minha frente não tinha nada a ver com a Pamela. Era seu completo oposto e parecia brava. – Meu nome é Eduarda, entendeu? Eduarda! – Caminhava irritada para a porta.

— Ei, calma, espera aí, desculpa, eu...

— É um completo babaca! – Me empurrou. – Como pode me confundir com outra pessoa?! Cara sem noção... – E saiu batendo a porta.

Ok, maravilha! Eu estava a ponto de bala e tinha acabado de magoar uma garota que parecia ser legal. Se tinha como piorar? Claro que tinha! Tive que tomar um banho gelado para me controlar, e como se não bastasse, ganhei de presente uma baita dor de cabeça! Eu só consegui tomar um comprimido, trancar a porta e me deitar naquele sofá. Fiquei ali, olhando para a TV desligada e remoendo tudo o que tinha se passado.

Sabe a que conclusão eu cheguei? Que eu ainda era completamente alucinado pela Pamela. Não tinha jeito! Por mais que eu a odiasse, eu a amava! Daria tudo para tê-la em meus braços novamente. Iria até o fim do mundo para consertar o meu erro, pediria perdão de joelhos, beijaria seus pés se fosse preciso! Eu desejei me matar por não ter cofiado nela e só não o fiz, porque sabia que se eu me matasse, meu espírito iria se arrepender amargamente depois que visse a besteira que eu fiz. Então eu só... peguei no sono.

— Papai! Papai! – Acordei num salto com os berros e com o bate-bate incessante na porta. – Papai! Abre! – Levantei com a mão na cabeça pela dor que não passou e caminhei até a porta, todo dolorido por causa do sofá. – Papai!! – Quando abri a porta, Joaquim entrou correndo e me olhou com uma feição de dar dó até no pior assassino do mundo, com lágrimas nos olhos, o garoto ofegava.

— O que houve, Joaquim...? Cadê a Dorothy? P-por que veio correndo?

— Eu fugi dela.

— V-você o que?! M-mas por que?

— Ela foi me buscar na escola e disse que... que...

— O que? Fala, Quim! Assim eu não posso te ajudar!

— Ela disse que a mamãe ligou para ela dizendo que tá namorando outro homem, daddy! Ela não pode! Não pode fazer isso! Vocês não podem se separar! – O garoto se atirou contra mim, tentando me abraçar, mas eu só consegui sentir um vazio mortífero dentro do peito. Era oficial: eu tinha perdido a Pamela.

Notas finais
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