Notas iniciais
Ai gente, cheguei kkk à muito custo, mas estou aqui. Eeeeiii queria falar uma coisa com vocês, vamos conversar u.u: Sabem esse nome que aparece ao lado do meu, "Sophie Carsifur"? É, gente, poooois é! Ela não é um fantasma, ela existe e está disposta a responder seus comentários. Então, quem quiser ser respondido pela primeira vez pela Sophie *-*, avisem no review que é pra ela, okay? Aproveitem que encham ela de pergunta que quiser, pq sim né, a moça demorou 148 capítulos pra aparecer... só acho que ela merece! U.u kkkk Mas chega de papo, é hora de leitura. ^^ A trilha da vez é "Na sua estante" - Pitty: https://www.youtube.com/watch?v=DP3j6hgS4VY

Por Pamela:

— O que dói não é o amor... são as atitudes de quem ama. Ou a falta delas...— Respondi com a voz um pouco fraca. Ele abaixou a cabeça e passou as mãos nos olhos. – Herval? T-tá tudo bem? – Toquei seu ombro.

— N-não! O estrago foi grande demais, você não acha...? – E me olhou fundo nos olhos. Por mais que ele tentasse não chorar, não conseguia.

— Herval... please... não faz assim...!

— Eu que te peço! – E segurou meus braços firmemente. – Pela última vez, Pamela. É a última vez que eu vou te pedir: Para! Não faz mais isso com a gente; me perdoa, vamos recomeçar do zero! – E enquanto ele falava, eu fechei os olhos. Não podia olhá-lo, não podia fraquejar.

Minha garganta apertou e eu não contive as lágrimas nos olhos. Era demais para mim! Eu não estava mais aguentando, tive a sensação de que explodiria de tristeza a qualquer momento. Não era simples; tinha muita coisa envolvida!

— Daqui a alguns dias... o documento do divórcio estará nas suas mãos pra ser assinado. – Falei, ainda de olhos fechados. Eu preferia levar dez chicotadas a ter que falar aquilo, mas foi necessário. Ele me soltou e a sensação foi de que eu tinha sido jogada em alto mar sem direito a bote salva-vidas.

— O que?

The end, Herval Domingues. — Abri os olhos finalmente para pronunciar tais palavras. Ele mordeu o punho e virou um pouco de lado; respirou fundo e eu só não desabei porque algo além de mim me mantinha de pé.

— Por que? Eu só quero entender porquê...! – Perguntou, me olhando profundamente.

— A vida é uma estrada. Às vezes longa, às vezes curta, mas uma estrada. Essa estrada pode ter buracos, imperfeições, pequenas, outras maiores, uns trechos fáceis, outros perigosos... curvas arriscadas... e tem muita gente andando nela, Herval. Muita gente mesmo! Quando duas pessoas se casam, elas só se diferenciam das demais, por andarem amarradas uma a outra. Mas não há corda que aguente tanto buraco, tanta curva, tanto tranco, tanto empurra-empurra, tanto puxão! Tanta adversidade. A nossa... – Pigarreei, formulando as palavras. – A nossa rompeu; se partiu e a gente não percebeu. Então... no meio da multidão que segue pela vida, nós fomos nos afastando, nos perdendo de vista, até perder completamente o alcance um do outro. – Ele virou, interessado na metáfora. – Eu não te conheço mais, Herval. Você não me conhece mais também. Nós trocamos palavras horríveis e você não confia em mim. Não notou que só acreditou que eu não tenho nada com o Ernesto porque soube dos fatos e não porque eu te jurei isso? Se nós continuássemos, nada seria como antes... teríamos que conviver como quem pisa em ovos! É isso que você quer...? Viver por um fio? Com medo de tudo? Sem confiança?

— Não. – Disse, depois de muito refletir.

— Pois bem. Eu não quero que isso acabe com a gente e nós nunca mais queiramos olhar um para a cara do outro. Eu te tenho carinho demais para te odiar, Herval... então vamos colocar um fim, antes que acabemos em guerra.

— E se eu não conseguir?

— Eu acho que você não tem escolha.

— Tenho. E eu escolho ficar com você.

— Herval, por favor, não torne mais difícil. Será que eu vou ter que explicar tudo de novo...?! Nós. Não. Nos. Completamos. Mais. – Disse pausadamente. Ele respirou profundamente e caminhou com pressa até a porta.

— Ok, se é assim que você quer, é assim que vai ser. Pode mandar a papelada para eu assinar quando quiser. Se quer se livrar de mim, eu não vou empatar o seu caminho.

— Não é isso, Herv... – Ele bateu a porta, sem que esperasse eu terminar. No mesmo instante meu corpo caiu sobre a cama.

Era ele que me mantinha de pé esse tempo todo; sem Herval, eu perdi minhas forças, perdi grande parte da minha alegria, perdi o meu grande amor...! Só que não adiantava me arrepender, sair correndo atrás dele, me atirar em seus braços e pedir perdão por ser tão dura com nós dois, não adiantava... eu sentia que não pararíamos de brigar um só segundo! E eu não queria viver assim, não mais.

Ali, sozinha naquele quarto, eu derramei todas as lágrimas que consegui. O vazio ocupou um espaço muito grande dentro de mim. Minha cabeça doía, meus olhos ardiam, meu corpo enfraquecia mais e mais e parecia que a dor não tinha fim! Era um pouco de morte, mais um pouquinho da morte que por longos e longos anos eu já vivi com todas as perdas e traumas que tive. Só que com Herval era diferente; ele me devolvia a vida! Agora... não mais.

Então senti um enjoo sem precedentes. Simplesmente saí correndo em direção ao banheiro e em instantes estava ajoelhada ao pé do bidê, colocando tudo o que eu pouco comi para fora.

Darling? Está tudo bem por aí? – Ouvi a voz de Dorothy, mas não consegui responde-la. O refluxo era forte, por um momento eu achei que vomitaria meu estômago! – Pamela? – Sua voz ficava ainda mais perto do banheiro, até que ela apareceu na porta. – Oh my God! — E correu para me ajudar a levantar. – O que diabos te deu, dear?

— Eu não sei, madrinha... – Disse com dificuldade, enquanto lavava o rosto. – Mas... já estou melhor...

— Não. Não está. Ao contrário, você está muito mal! Se olha no espelho, Pamela! Você está pálida! Magra! Não come direito há muito tempo, anda com os nervos alterados... – Olhei para o espelho, vi meu reflexo, mas não consegui sustentar o olhar por muito tempo. Caí no choro novamente e ela, sem entender nada, apenas me abraçou. – Oh sweet... venha comigo, eu vou cuidar de você... – Passando a mão pela minha cintura, me conduziu de volta ao quarto. – Você não quer conversar sobre o que aconteceu aqui?

— Cadê o Joaquim?

— Está no quarto fazendo a lição de casa. Não fuja do assunto, Pamela Parker... você precisa desabafar! Ninguém aguenta ficar assim por muito tempo!

— Foi uma conversa, madrinha, só. Eu apenas o avisei sobre a papelada do divórcio. Também tenho que viajar amanhã, não vou ficar adiando esta pendência. Melhor colocar mesmo um fim nisso!

— Então você vai mesmo levar isso adiante? – Ela me deitou na cama e ficou sentada ao meu lado passando a mão por meu braço.

Yeah... não há motivos para seguir com este casamento. Joaquim é uma criança inteligente, vai entender e aceitar, então...

— E o seu coração, o que diz?

— Meu coração é burro, madrinha! Chega de ouvi-lo! Foi seguindo o coração que casei com Jonas e por causa dele daddy morreu, eu fui sequestrada, meu filho também, Herval foi baleado, eu sofri um acidente e fiquei em coma! E como se não bastasse, no fim das contas ele tirou a própria vida na minha frente! Eu não vou seguir meu coração de novo...

— Mas o Herval não é o Jonas, Pamela.

— Eu sei! Eu sei que não é! Herval é muito melhor, melhor até do que eu mereço! E é por ele não ser como Jonas, que eu não posso mais ficar com ele! Herval não merece alguém assim...

— Assim como?

— Problemática, cheia de traumas, fraturas e rachaduras na alma. Um coração em trapos, com feridas expostas... o meu problema não é completamente o que eu disse para ele; nós nos perdemos sim, dissemos coisas horríveis, a confiança se foi... mas é também o medo de não ser mais suficiente. Eu não fui capaz de dar a segurança que ele precisava numa relação, não fui capaz de fazê-lo plenamente feliz e... – Senti a garganta doer e pigarreei enquanto ela me olhava atentamente.

— E...?

— E não fui capaz também de lhe dar o filho que ele sempre quis... – E esse foi o cume que as minhas forças aguentaram. A partir daquela frase eu não cessei o choro um só segundo.

— E o Joaquim? Não é o filho que ele sempre quis ter? Ele não é o filho querido de vocês? – E o soluços vinham sucessivos, enquanto eu estava abraçada a ela. Nesse momento eu a soltei e enxuguei os olhos.

Of course... mas você me entendeu. – Ela confirma. – Eu queria poder gerar um filho dele, lhe dar um filho biológico, sangue do seu sangue!

— Você acha que isso realmente importa, Pam...? – Ela acariciava meus cabelos e eu já sentia as pálpebras pesadas de tanto que chorei.

— É lógico que o amor seria o mesmo que temos para Joaquim, isso não diminuiria o Quim em nada, mas... – Não consegui concluir. Ela não entenderia o que eu queria dizer, se nem eu mesma entendia. De repente senti a necessidade de ir falar com Joaquim, de estar perto dele, de poder observá-lo; então levantei da cama, mas no mesmo instante tudo perdeu a forma na minha frente e eu caí novamente.

— Pamela? – Dorothy passava a mão nas minhas costas, enquanto a visão voltava. – Você quer que eu te traga alguma coisa? Aposto que não comeu nada...

— Meu filho. É só ele que eu quero agora.

(...)

Como uma criança que tem medo de dormir sozinha no escuro, dormi em companhia de Joaquim. Na verdade, mal preguei os olhos e rodei todo o quarto em busca de algo que eu sequer sei o que é, mas ter o Quim ali era uma forma e me manter consciente, era uma maneira de eu ver o que ainda me mantinha de pé. E uma maneira de não fazer besteira.

O menino dormia tranquilamente na minha cama e eu apenas o observava. Ele estava crescendo depressa... para o meu desespero de mãe. Estava lindo... um presente para a minha vida. No dia seguinte, Dorothy me acordou com a notícia de que iria me levar para algum lugar e que se eu insistisse na história de viajar naquele dia, ela me trancaria no quarto. Madrinha sempre foi dramática, mas eu tive que concordar com ela em relação a minha aparência; eu só podia estar doente. Eu devia ter pregado os olhos há pelo menos uma hora, quando me acordou, porque realmente madruguei. Joaquim se acordou, já que eu reclamava com Dorothy por ter me acordado e assim que abriu os olhinhos castanhos, abriu um sorriso ao me ver. Ali com certeza eu obtive forças para iniciar mais um dia... ele envolveu o braço em mim e ficamos ali abraçados enquanto Dorothy continuava tentando me tirar da cama.

Eu fazia caretas e gestos, ignorando madrinha, e isso só fez o Quim sorrir mais. Se eu soubesse que era tão fácil e tão maravilhoso lhe arrancar risadas, faria isso mais vezes. Para manter a mente ocupada, ajudei Joaquim a se vestir para ir para a escola. Dorothy fez questão de leva-lo e disse que quando voltasse, queria ter a notícia de que eu tinha desmarcado a viagem. Não seria tão grave se eu adiasse a viagem por pelo menos mais dois dias, right?

Hello, Murphy?

Hi, Mrs. Parker, bom dia, antes de mais nada, já está tudo pronto para s...

— Eu não vou mais viajar hoje, Murphy. Estou ligando justamente para desmarcar. Peça desculpas ao piloto por mim, mas não dá para sair do Brasil hoje.

— Mas, e o problema na Marra International?

— Isso pode esperar um pouco. Apenas faça o que estou mandando sem mais perguntas.

— Ok, Mrs... – Ao desligar o telefonema, fiquei numa espécie de marasmo por algum tempo. O dia anterior não tardou a repassar por inteiro na minha cabeça e uma tristeza aguda voltou a me atormentar.

— Aonde vai me levar, Dorothy Benson? Não estou num dia bom para sair... me deixe ficar no meu quarto até resolver que estou bem para viajar... – Tentei convencê-la depois que voltou para casa.

— Vai te fazer bem. Eu sei qual é o seu problema e vou te ajudar, dear... só que para isso você também precisa querer.

— Tudo o que eu quero é voltar a ser feliz, madrinha, mas... isso me parece quase impossível agora.

— A vida não acabou, Pamela! Muita água ainda vai rolar!

Eu só espero não me afogar.— Lhe dei as costas e fui para o quarto; deitei na cama e lá fiquei reflexiva por um bom tempo. Ainda não tinha colocado nada na boca e algum tempo depois, Dorothy bateu à porta dizendo que já era hora de sairmos.

Mas antes, claro, me fez comer. Sob ameaça, mas comi. Minha garganta parecia fechada e a muito custo o alimento passou. Dorothy me ajudou a me vestir, já que eu me recusava a isso e saiu me arrastando até o carro. Durante o trajeto eu parei para pensar nas vezes em que quase aconteceu uma tragédia na estrada; quantas vezes eu e Herval brigamos e algum dos dois saiu de carro alucinado. Quantas vezes eu chorei no volante até sofrer um acidente grave.

Enquanto Dorothy dirigia e tentava conversar comigo, comecei a sentir uma certa dificuldade em respirar. Estava suando frio e algo fez meu coração acelerar; eu sentia seu pulsar descompassado e diferente da maioria das vezes que isso acontecia, eu senti medo, muito medo. Mas madrinha estava ocupada demais prestando atenção no caminho, para perceber meu estado e eu também não queria falar nada; ela com certeza me levaria para um hospital e isso eu não queria. Apenas fechei os olhos tentando obter controle sobre meu corpo e enquanto isso acontecia gradativamente, minha mente voava para algum lugar que eu vagamente lembrava que conhecia.

— Pamela? – Abri os olhos com sua voz me chamando. – Chegamos.— Olhei pela janela do carro e avistei um prédio bastante sofisticado.

Voltei a mirar Dorothy e ela nada falou, apenas desceu do carro; eu não tinha escolha, tive que descer também e segui-la por onde fosse. Ela entrou no prédio, cumprimentou algumas pessoas, foi até um elevador e eu apenas lhe segui. Não sabia o que ela estava tramando até que, ainda no elevador, ela falou:

— Estou te levando para conhecer o Dr. Afonso. Ele é um ótimo psicólogo.

What?! Dorothy, eu não estou louca! – Protestei e ela revirou os olhos.

— Psicólogos não são para loucos, Pam, mas para quem não está dando conta... – A porta se abriu e nó duas saímos. – Você vai se abrir para ele, contar tudo o que te aflige e ele vai te ajudar, de alguma maneira, te aliviar. Simples.

— Não se resolve um problema desse tamanho numa única sessão, madrinha! E eu não posso ficar no Brasil para levar tal loucura adiante.

— Sra. Pamela Parker? – Me virei em direção a uma porta, onde vi um homem grisalho sorrir para mim.

— S-sim, s-sou eu... – Gaguejei.

— Sou o Dr. Afonso; chegou na hora certa! – Eu e Dorothy nos entreolhamos e ela foi me empurrando até ele. – É um prazer conhece-la. A Dorothy me falou muito sobre você. – Me deu um aperto de mão e eu fuzilei madrinha com os olhos. Fiquei imaginando o que ela poderia ter falado para ele. – Por favor, queira me acompanhar. – Indicou a sala e Dorothy mais uma vez me empurrou para dentro; quando olhei para trás, vi o Dr. Afonso fechando a porta e Dorothy não tinha entrado comigo. – A conversa é sempre particular... – Adivinhou que eu a estava procurando. Apenas assenti e sentei no divã que ele me indicou. – Pode deitar, fique à vontade. É nossa primeira consulta, não quero deixar má impressão. – O olhei e ele estava sorridente. Eu lhe daria uns 50 anos, era meio barrigudo, usava um bigode estilo Hitler, no entanto, seus óculos pequenos e redondos lhe dava um ar paternal que me acalmou. – Podemos começar com informações básicas; me conte um pouco sobre você.

Well... — Deitei finamente no divã e respirei fundo enquanto olhava para o teto. – Eu... eu... – Começava a perceber que não sabia quem eu era.

— Você...? – Ele esperou um pouco, mas como eu não conseguia formular palavras, foi mais direto: – Como foi a sua infância?

— Sob holofotes.

— E isso te incomodava?

— 50% sim. 50% não.

— Explique-se melhor...

Daddy and mommy já eram muito famosos quando eu nasci. Por um lado, eu gostava de ser bajulada, elogiada e de ser popular, mas por outro sentia que nada daquilo era real. Que... era tudo parte de um filme, que aqueles que se diziam meus amigos estavam só encenando...

— Se sentia vivendo numa mentira.

Isso.

— Interessante... – Olhei-o de canto e pude vê-lo anotando alguma coisa. – E essa sensação continuou te perseguindo na fase adulta? – E imediatamente lembrei do meu casamento com Jonas. Perante a mídia éramos perfeitos, mas em casa... brigas frequentes. Éramos uma mentira!

— Não só continuou, como se agravou. – Revelo. – Eu vivi um casamento de aparências que no final... me destruiu.

— Em que sentido?

— O senhor, como qualquer outra pessoa do mundo deve saber... Pamela Parker e Jonas Marra foi um erro e quando eu percebi isso, Jonas enlouqueceu. Até hoje, às vezes tenho pesadelos com tudo o que ele me fez. – E mais uma vez ele anotou alguma coisa.

— Que tipo de pesadelos? – Suspirei.

— Do tipo que... ele pode estar vivo e tramando alguma coisa, algum sequestro, pode querer matar meu filho e... – Comecei a ter a sensação de estar subindo e descendo naquele divã.

— E...? – Minha visão começou a ficar turva. Me sentei e os objetos, livros numa enorme estante e tudo ao meu redor estava desfigurado. – Sra.? Está se sentindo bem?

— Podemos encerrar por aqui? E-e-eu acho que estou tensa... eu... não me sinto bem para falar esse tipo de coisa...

— Tudo bem. – Abaixou a vista e voltou a escrever. – Posso fazer uma última pergunta? – Minha cabeça deu uma pontada, mas respondi que sim. – Esse mal-estar a acomete sempre que toca em assuntos do tipo? – Então eu parei, pensei...

Yeah... Nos último tempos, sim, sempre que passo por algum estresse no trabalho, brigas, tristeza e afins, sinto enjoo, tontura, falta de ar, dentre outras coisas. – Respondi convicta. Ele assentiu e levantou-se de onde estava. Me senti à vontade para levantar também, mas com sua ajuda, já que a tontura não se tinha ido por completo. Ele abriu a porta e eu pude ver Dorothy mexendo no celular até nos avistar.

— Eu preciso que volte sempre, Sra. Parker. Ao que me parece, temos um grande trabalho pela frente.

— M-mas eu vou precisar viajar por um tempo e...

— Então arrume uma maneira de frequentar um psicólogo onde estiver. – Franzi o cenho sem entender o porquê. – Ao que me parece, os seus problemas estão afetando todo o seu corpo. Pelo estado em que ficou ao relembrar os pesadelos, as lembranças que possui são horríveis e isso desencadeou uma série de traumas. É assim que você reage a esses traumas: com tonturas, enjoos, falta de ar...

— E ela também não tem comido direito, Dr. Afonso. – Dorothy me dedurou. Ele arqueou as sobrancelhas grossas e continuou:

— Pois bem, tudo isso está afetando o seu organismo. Esses mal-estares, ao que me parece, são puramente emocionais. Se vai viajar, evite estresse ou qualquer coisa do tipo, viaje para relaxar, tire férias!

— Mas isso é...

— E não esqueça do psicólogo. Enquanto não estiver de volta para que eu possa cuidar do seu caso, é bom que tenha um acompanhamento. – Apenas assenti.

— Obrigada, Dr. – Nos cumprimentamos com um aperto de mão e eu e madrinha fomos embora.

— Ficou tão pouco tempo lá dentro, Pamela... – Observou Dorothy, enquanto dirigia.

— Não me senti muito bem... preferi não continuar.

— Mas gostou da consulta? – Olhei-a de canto e a imagem do senhor sorrindo paternal para mim, me veio à mente.

Yeah... ele é um bom profissional. – Ela sorriu satisfeita e não me perguntou mais nada até chegarmos em casa. – Oh Lord! E Joaquim, madrinha? – Lembrei.

Relax... eu pedi para o Herval ir buscar ele na escola e levar para a aula de violino. E ele que vem trazer o Quim em casa, também. – Respirei um pouco mais aliviada. Porém, incomodada com a notícia de que Herval iria na mansão.

Okay... — Ia lhe dar as costas para ir para o quarto descansar, quando ela me perguntou:

— Quando você vai viajar?

— Depois de amanhã. Tenho que deixar algumas ordens na Marra e na Parker para ir tranquila.

— Não quer que eu vá com você?

— No, madrinha, thanks, mas eu prefiro que fique aqui com o Quim. Eu não posso levar ele e Herval não tem tanto tempo para passar o dia todo cuidando dele. Se você puder cuidar do meu baby...

Of course, dear... — Sorri agradecida e fui para o quarto finalmente.

— Era só o que me faltava... tristeza me deixar doente... – Disse, sentando na cama. Viajar para descansar? Acho que não.

Notas finais
Vou plagiar uma brincadeirinha que vi numa fic u.u Em cada capítulo farei 3 pgts pra vcs me responderem nos reviews. Além de que eu tô aprendendo uns lances autor/leitor na faculdade, que me faz ficar curiosa em relação a vocês. Mesmo que a Sophie vá respondê-los, respondam as perguntas, lerei! 1. Nome e idade? 2. Dia ou noite? 3. Doce ou salgado?