Notas iniciais
Olá, pessoal! Aqui vai mais um capítulo! Obs: o que a Megan, o Brian e o Jonas vão relatar na primeira parte desse capítulo, se passa nos dias que antecedem a noite que a Pam chegou em casa bêbada, okay?! Boa leitura!

Por Megan:

Eu definitivamente estava por fora de tudo que estava acontecendo na minha família! Na verdade, sabia o que estava acontecendo, mas não podia fazer nada, então era a mesma coisa e estar por fora. Brian e mom haviam se entendido, mas eu ainda não havia perdoado aquele traidor! Lara estava quase tendo um filho do cara que era o “braço direito” de Jonas Marra! Coitada dela...

Nos últimos dias em que mom esteve dedicada a Parker e a Marra, eu não tive também muito o que fazer na Parker, então, sempre que podia, fazia uns passeios com Davi e “acidentalmente” encontrava com Brian e daddy. Óbvio que eu os ignorei o máximo que consegui, aliás, não só eu, mas todo o mundo agora ignorava Jonas Marra!

É... acho que o grande gênio da tecnologia estava bem ferrado!

–Megan, eu quero falar com você... – Neste dia eu estava sozinha numa lanchonete, parei apenas para pensar um pouco e pedi só um suco, quando Brian apareceu. Ele estava me seguindo?!

–Querer não é poder! – Tentei me levantar, mas ele me impediu.

–Escuta! – Me fez sentar e eu fechei a cara, cruzando os braços. – Você não acha que está sendo rígida demais com seu pai, não? – Isso é sério? Acho que tinha alguém ali que queria levar um tapa na cara...

–Não. – Respondi seca, me controlando.

–Mas ele é seu pai!

–Não é não! Meu pai está morto! Jonas Marra foi apenas o cara que acha que me criou, mas para falar a verdade, tudo o que realmente importou e importa para ele, é respeito, poder, dinheiro!

–Não fala isso...

–Não estou mentindo, Brian Benson. Você deveria fazer a mesma coisa que eu faço dele. Fugir! – Me levantei, dessa vez ele não tentou me impedir. Deixei o dinheiro do suco em cima da mesa e saí dali o mais rápido que eu pude.

Por Brian:

Estava difícil! Jonas me disse que queria se reaproximar da Megan, disse que a filha dele o Herval não podia roubar. Bom, eu achei que aquilo era o desespero de um pai e resolvi ajudar. Mas parece que Megan tem pedra no lugar do coração! Tenho que admitir, Jonas errou muito, muito mesmo, mas todo mundo merece uma segunda chance, right?!

–Jonas, não tem jeito. Se eu fosse você, desistiria de tentar uma reaproximação com a Megan. Você sabe como aquela bad girl é! Não vai dar o braço a torcer de jeito nenhum!

–Não nega a origem... – Respondeu sorrindo, com o olhar perdido. Estava se referindo a ele mesmo. Megan não é sua filha de sangue, mas uma ilusãozinha de vez em quando até que cai bem... – Mas eu não vou desistir! – Sua expressão mudou. – Aquele idiota não vai me tirar o direito do amor da minha peanut!

–O Herval não te tirou nada, Jonas... você cavou sua própria cova.

–Não vem querer jogar a culpa para cima de mim não, tá?! – Fugindo das responsabilidades, Jonas Marra?

–Eu não tô jogando nada em cima de você. Essa culpa já está incrustrada em você, Jonas. Você errou muito! Aqui se faz, aqui se paga, você fez, agora tá na hora de colher o que plantou. – Jonas revirava os olhos, era impossível ele levar alguma coisa a sério? Custava ele entender que precisava dar um rumo certo a vida dele?

–Eu achei que você fosse meu amigo, Brian.

–E eu sou. Por isso que eu tô te dizendo isso. Se seu único amigo não disser isso para você, Jonas, você vai acabar muito mal... pensa, repensa, refaz a tua vida! Desiste da Pam e de fazer mal à família dela. Quem sabe assim pelo menos o amor da Megan você possa reconquistar...

–Nunca!

–Pois bem, eu fiz o que eu pude. Ninguém mais fala de Jonas Marra nos jornais, a família que ele tinha, o próprio está tentando destruir, a empresa, ele perdeu e agora se você não decidir tomar jeito, vai perder a única pessoa que ainda tá do seu lado: eu. – Fui muito duro? Se fui, achei eu devia ter sido mais. Assim que falei isso, lhe dei as costas e sai do quarto do hotel onde ele estava hospedado. Jonas sentiria na pele o poder do esquecimento, da solidão.

Por Jonas:

Era isso mesmo?! Até o meu melhor amigo estava me abandonando?!

Perdi minha mulher, perdi minha empresa, perdi minha filha, perdi meu sossego, perdi minha boa fama, perdi uma parte do meu dinheiro... só o que eu tinha até aquele momento era Brian e agora até ele estava me deixando.

O que eu tinha mais a perder?! Só a vida, mas isso pouco me importava agora. Me joguei na cama, pensando no que faria. Herval Domingues se apossou de tudo o que era meu, ele tinha que pagar caro por isso! Não podia ser com a própria vida... morrer não seria uma coisa ruim pro desgraçado... ele tinha que sofrer, chorar, perder tudo o que tinha assim como eu perdi.

Já comecei ferrando com a Plugar. Aquela ONG de favelados estava sucumbindo aos poucos... meu segundo passo foi a família. Mesmo que esse povo idiota esteja me “esquecendo” eu ainda sou Jonas Marra! No dia em que Herval prometeu jantar com a Pamela, eu arrumei um pepino pra ele descascar na Plugar! E com apenas uma ligaçãozinha disfarçando a voz, convenci Ernesto à ir para o restaurante que a Pam estava. – Ele era apaixonado por ela...– Conclusão: CABUM! Crise de ciúmes daquele babaca. O casamento dos dois ficou abalado. – Bem abalado! – Só faltava atingir um ponto daquele infeliz... o único para ele desmoronar de vez: Joaquim Parker-Domingues! O moleque era o calcanhar de Aquiles de Herval, era só eu aprontar uma coisinha com o garoto que ele sucumbia, virava pó!

Por Pamela:

Uma claridade sem tamanho me incomodou os olhos. Eu os abri e percebi que a janela do quarto estava aberta. Droga! Atrapalhou meu sono que estava tão bom... mas daí me dei conta de onde eu estava deitada. Herval! Sua mão estava em meu ombro, eu estava abraçada a ele com a cabeça em seu peito. Oh no... me levantei, ficando sentada na cama. Alguns flashes da noite passada, vinham na minha cabeça.

–Ai... – Gemi sentindo uma dor de cabeça dos infernos! Levei as mãos aos cabelos e perdi meus dedos dentro deles. Olhei para o lado, Herval dormia tão lindo... será que nós...?!

Oh não! Claro que não! Eu estava devidamente vestida e ele... well, estava meio impróprio... – pelo menos para mim — aquele peitoral forte exposto parecia que implorava os meus beijos, mas ele usava uma bermuda. Além de que eu não me lembrava de ter acontecido nada! Ele abriu os olhos – oh my God– ele me viu lhe observando, o que estaria pensando?

–B-bom dia, Pamela... – Ele se erguia, contraindo a barriga, deixando cada grumo que lá continha, mais visível. Golpe baixo!

–Good... – Respondi num sussurro, passando a mão pelo rosto e cabelo, não aguentando o latejar da cabeça.

–Você tá melhor? – Do que estava falando? Franzi as sobrancelhas. – Você não lembra do que fez ontem? – Neguei. Tudo o que me lembrava eram pouquíssimas coisas! Eu chegando numa festinha com Ernesto, bebendo feito uma esponja, voltando para casa... oh my God! Eu... eu beijei Herval?! – Amnésia alcoólica... – Falou com meio sorriso desanimado. Será que queria que eu lembrasse do beijo?

–What? – Preferia fingir não lembrar de nada.

–Você bebeu ontem à noite e passou mal, vomitou e tudo... eu achei melhor passar a noite aqui para o caso de você precisar de ajuda, mas dormiu feito uma pedra. – Sorriu e eu senti o corpo estremecer com aquele sorriso. – Você não tá com uma baita ressaca não, né? – Afirmei com a cabeça, que estava e seu sorriso aumentou, estaria ele debochando da situação?

–Estou é com uma baita enxaqueca... – Resmunguei, fazendo careta.

–Eu não sei como você foi capaz de beber uma coisa daquelas! Mas você é Pamela Parker, não é?! Sempre surpreendendo! – Ué, cadê o “Domingues”? – Bom, eu vou te deixar acordar em paz... vou pedir pra prepararem alguma coisa que te tire dessa enxaqueca o mais rápido possível. – Ele se levantou da cama, se espreguiçando de costas para mim, parecia querer me provocar com todo aquele perfeito desenho de costas e logo em seguida mexendo no cabelo, deixando-o bagunçado e profundamente sexy. Oh God, Pamela! Sem pensamentos pervertidos!

Ele não ia tocar no assunto do beijo? Teria se arrependido?

Depois de desperta e arrumada, saí do quarto para encontrar todos, inclusive Herval, à mesa. Joaquim estava profundamente animado e tagarelava o tempo todo, pena que a minha dor de cabeça não me deixou prestar muita atenção ao que ele dizia...

–O que você tem, mom? – Megan me perguntou encostando a mão em meu ombro.

–Não é nada, sweet... só uma enxaqueca, mas já vai passar...

–Isso é ressaca, Megan! Sua mãe saiu ontem à noite, sabe-se Deus com quem e pra onde, e bebeu todas! – Das duas, uma: ou Dorothy era uma dramática de mão cheia, ou Herval havia lhe contado tudo distorcidamente. Preferi acreditar na primeira opção.

–Hey! Não venha querer me difamar, okay, Dorothy Benson?! Foram apenas quatro copos! – Droga! Me entreguei! Herval me olhou imediatamente como se acusasse “você lembra de tudo!”, mas eu tentei consertar o erro: — You mean, quatro copos que eu me lembre... – Ele pareceu respirar aliviado.

–Olha aí! Sua mãe está virando uma bebum! Será que eu vou ter que te inscrever no AA, Pamela?

–Ah madrinha! Não exagere! Só preciso de um café quentinho que fico boa! – Levei minha mão até o adoçante, e ela esbarrou com outra mão, quente. Era Herval. Ele logo a retirou e me deixou pegar primeiro. Eu queria tanto falar com ele sobre o beijo e o quanto eu havia gostado... além de lhe agradecer por ter cuidado de mim.

–Mommy! Você sabia que é depois de amanhã que começam as minhas aulas de violino? – Joaquim me perguntou.

–Oh really?! Mas que notícia maravilhosa, Quim! Por isso que você está tão animado, right?!

–Yey! Mal vejo a hora de poder tocar uma música pla você e plo papai...

–Ah isso ainda vai demorar um pouquinho, Quim... – Herval se pronunciou. – Violino é um instrumento muito difícil de se aprender a tocar! Mas pode ter certeza de que a gente vai esperar... – Trocamos um rápido olhar e voltamos a nossa refeição.

Coincidentemente saímos os dois na mesma hora de casa, e enquanto tirávamos os carros da garagem, Herval falou:

–Você não se lembra de mais nada de ontem à noite? – Era do beijo que ele queria saber! Não tinha dúvidas!

–Não... deveria? – Se eu queria que ele falasse sobre aquilo comigo, por que eu estava negando lembrar? Pamela, Pamela... você está perdendo o juízo completamente!

–Não... – Senti um aperto no coração, vendo sua carinha de triste. Quis desfazer o que acabara de dizer e falei:

–Herval...

–Sim?

–Eu queria te agradecer por ter cuidado de mim... – Ele soltou a porta do carro e foi até mim. Não se aproxima!

–Você lembrou disso? – Chegou perto demais!

–No... remember que você me contou? – Arqueou as sobrancelhas, lembrando.

–Tudo bem, não precisa agradecer, eu quis ajudar. – Ele virou de costas para voltar ao seu carro, e involuntariamente segurei seu braço, ele voltou o olhar para mim.

–Mesmo assim, obrigada. – Disse sincera e serenamente. Ele voltou a se virar, seu corpo quase colado com o meu e seu rosto a alguns centímetros apenas. Senti o ar faltar e um frio na barriga, quando ele abriu a boca, só penso besteira, oh God...

–Quer me agradecer? Beba mais vezes feito ontem! – Sorriu. – Embora a ressaca seja poderosa, você estava bem engraçada! – Sorri sem tirar os olhos dos seus e por vezes da sua boca, estava prestes a lhe atacar! Ele se virou e foi pro seu carro. Ah qual é?! Eu estava tomando coragem...!

Entramos nos carros e fomos cada um para o nosso lado!

(...)

–Pamela! Você tá bem? – Eu mal entrei na Marra e já dei de cara com Ernesto. Acho que ele tem um imã que gruda em mim...

–Yeah! Estou apenas com uma dor de cabeça, mas já está passando... sorry por ontem...

–Não, você não tem porquê se desculpar... eu que não soube te divertir... – Mas se não fosse você, eu não teria bebido e não teria tido a coragem de beijar Herval!

–Oh no... ninguém saberia me divertir, carismático Ernesto! Acho que é momento de ficar quieta mesmo. – Caminhei em direção a minha sala e ele foi para o seu próprio setor.

Por mais óbvio que já pareça, vou falar mesmo assim, passei o dia inteiro pensando em Herval, em mesmo estando brigado comigo ainda ter me ajudado... naquela cena da garagem... eu juro, estava mesmo prestes a beijá-lo!

–Ei, Pamela! Você não quer ir ao cinema comigo hoje? – Nos reencontramos na saída a empresa. Ernesto era irritantemente insistente, mas eu sabia que ele estava tentando me ajudar.

–Não Ernesto... não sou uma boa companhia nem pra mim mesma, hoje! Tudo o que eu preciso agora é de um banho e da minha cama! Boa tarde! – O sol estava se pondo ainda, quando saímos da Marra. Eu estava completamente desnorteada lembrando de Herval. Lembrando dele deitado ao meu lado, coisa que ele não fazia há algum tempo já... da minha cabeça em seu peito, de seus braços me envolvendo... acho que passei bons minutos rodando pela cidade, pois quando cheguei, o céu já estava escuro.

Quando cheguei em casa, recebi o recado de que Dorothy tinha saído com Joaquim para um parque de diversões que estava em sua inauguração e que Megan não dormiria em casa, só para variar... eu estava sozinha em casa, Herval ainda não tinha chegado, para a graça de God! Fui para o quarto, no intuito de tomar um banho de banheira. Deixei a banheira enchendo, enquanto tirava a roupa e tentava relaxar a mente e o corpo.

Enquanto tomava meu banho, consegui me manter inerte a tudo. Estava tudo silencioso, nem a minha própria respiração eu ouvia de tão silenciosa que estava! Sentia uma água morna envolver meu corpo e um cheiro agradável de rosas do sabonete líquido começar a entranhar na minha pele, quando finalmente percebi que já era hora de sair, olhei em volta – shit – esqueci a toalha!

Levantei da banheira, já secando-a, e com cuidado para não escorregar, fui caminhando até o quarto para pegar a toalha. Olhei para um lado, para o outro, e nem sinal dela. Quando a porta se abre de uma vez, me dando um baita susto e mostrando uma figura caminhando apressada.

–Onde será que está esse... – A frase ficou no meio. Ele ficou estático ao me ver. E eu numa mistura de envergonhada e excitada.

–Oh meu Deus! – Tentei procurar algo para me cobrir, mas não havia nada e antes que eu encontrasse, ele virou de costas.

–D-desculpa, Pamela, eu... eu não sabia que você tinha chegado... – Gaguejou, enquanto eu tentava me cobrir com as mãos mesmo, enquanto meus olhos nervosos procuravam alguma coisa.

–Nem eu sabia que você tinha chegado! – Retruquei.

–Eu cheguei agora, estava procurando um documento... – Ele inclinava a cabeça um pouco para o lado, querendo se virar. Tenho que confessar que a situação me provocou intermináveis arrepios. – D-desculpa, e-eu volto pra procurar depois...

–Se o documento é importante e precisa dele agora, pode procurar! Essa não é a primeira vez que você me vê assim... – Mas que...? Acho que bebi de novo, só pode!

–Não, não é... e é por isso mesmo que eu vou sair. – Ele se virou, me dando uma última olhada, e eu me encolhi. – Porque se eu ficar, vou acabar fazendo o que eu faço quando te vejo assim... – A pele ferveu! Um arrepio me subiu até a nuca... e a vontade de dizer que eu queria que ele fizesse!

Por Herval:

Eu não esperava. Definitivamente não esperava encontrar a Pam em casa, muito menos inteiramente nua na minha frente... aquilo acendeu um fogo em mim... mas em respeito à nossa situação, me virei, mas confesso que poderia ficar o resto da noite olhando-a daquele jeito. Decidi me retirar do quarto, e ao lhe dar uma última olhada, vendo-a encolhida e acanhada... aquilo deixava ela ainda mais sexy. Senti algo lá embaixo querer despertar e vi que era a hora de sair mesmo, antes que desse vexame. Mais uma vez ao tocar a maçaneta hesitei, e mais uma vez, saí.

Mas quer saber?! Com seu perdão pela expressão, foda-se as “conveniências”! Eu a queria mais eu tudo! E àquela noite, ela seria minha! Caminhei apressado de volta para aquele quarto e empurrei a porta, ela tinha virado de costas, e agora surpresa, virou e uma vez. Continuava nua, eu não lhe dei tempo de procurar algo pra se cobrir. Fechei a porta provocando um estrondo enorme e Pamela parecia atônita.

–O que...

–Chega dessa palhaçada... – Falei, caminhando até ela, Pamela ainda deu um passo para trás, mas eu lhe segurei pela nuca e a outra mão lhe envolveu a cintura, quando meus lábios esbarraram com os seus e ela gemeu, surpresa. Suas mãos começaram a esmurrar meus braços, ela tentou me empurrar, tentando fugir do que ela também queria, mas eu lhe segurei mais firme e fiz minha língua penetrar sua boca, lhe deixando claro que não me escaparia.

Notas finais
Continua...