Geração Pamerval - A história do início ao fim
69 Capítulo 69
Notas iniciais
Por Herval:
Eu estava certo desde o começo. Nossa vida estava mesmo precisando da presença de um filho... O amor que aquele molequinho provocou em mim e na Pam foi tão grande, mas tão grande que só o que conseguíamos pensar era em como colocar esse amor todo para fora! Se o nosso dia tivesse sido estressante, quando visemos a carinha o Quim tudo mudava! Se tivéssemos algum aborrecimento, era o Quim que nos curava o mal humor!
Os primeiros dias do Quim na mansão foram complicados, mas não tão difíceis, foi um período de adaptação bem rápido e bem engraçado... A Megan não chegava nem perto quando era hora de dar banho, troca-lo ou lhe dar comida, até certo dia.
–Megan! Come here! – Pamela, que estava dando comida ao Joaquim, chamou-a antes que ela pudesse sair de fininho.
–O que foi mom?
–Você não quer dar comida ao Quim? Ele gosta tanto de você, Megan!
–Oh no mom... Eu não levo jeito para essas coisas... E by the way, eu estou indo para a Plugar agora.
–Não seja por isso! Por hoje você está liberada! – Retruquei. Eu estava sentado à cabeceira da mesa, só observando a cena, enquanto tomava meu café da manhã.
–Resolvido! Ah Megan! Qualquer um pode alimentar uma criança! Ande, sente aqui, termine de dar o café da manhã do seu irmão, que eu preciso ir no quarto terminar de me arrumar, hoje eu tenho uma reunião importantíssima na Parker TV e não posso faltar! – A Pam se levantou da cadeira, dando lugar a Megan e foi para o quarto. Megan sentou fazendo algumas caretas ao mesmo tempo que tentava parecer o mais amigável possível.
–Vamos comer Joaquim?! Seja um good boy okay? Abra a boquinha, ahhhh... – Ela tentava faze-lo abrir a boca fazendo suas caras engraçadas. – Hum! Very good! – Ela cantou vitória antes do tempo, assim que ela terminou de dizer isso o menino pôs a comida para fora. – Oh no, Joaquim...! Bad boy! Ai, ai, ai! – Ela colocava o prato em cima da mesa, derrotada.
–Ué, já desistiu, Megan? – Falei, dando um gole no café.
–Ah Herval, eu não levo o menor jeito para cuidar de baby... Não tenho paciência!
–E quando você tiver o seu próprio filho?
–Ah mas eu tenho Davi! Ele que vai fazer isso por mim! Além de que eu posso contratar uma babá! – Eu sorri e voltei a beber o café. – A propósito, por que você e mom não contratam uma?
–Porque a gente decidiu que nós que cuidaríamos do nosso filho... Foi uma decisão bem complicada, até porque envolvem muitas coisas, mas o Joaquim é prioridade nas nossas vidas... – Ela fez cara de que entendeu e voltou a fitar o Quim. — Tenta mais uma vez, você desiste tão fácil assim das coisas?! É tão fácil assim de se derrotar? – Provoquei-a.
–Of course not! Ninguém vence Megan Lily Parker-Marra! Nem esse bad boy, quer ver?! – Ela me desafiou. Acenei que sim e ela voltou a pegar o prato. – Quim! Help me please... Preciso manter a minha fama de bad girl! Vamos, abra a boquinha, ahhh... – Repetia a mesma operação de antes.
–E então Megan, está cuidando bem do seu irmão? – A Pam voltava do quarto, com a bolsa na mão, algum tempo depois.
–Yeah! – A essa altura o Joaquim já tinha cedido e estava comendo tranquilamente.
–Viu?! Não é nada difícil, é?
–No... É até divertido! Veja como ele se lambuza! – Ela falava, rindo e fazendo caras e bocas para o Quim, fazendo-nos rir também.
–Well, já que até Megan consegue ficar com Joaquim, posso ir para a Parker mais tranquila... Hubby, você não vai para a Plugar hoje?
–Não Pam, hoje eu resolvi tirar o dia de folga para ficar com esse moleque aqui...! A gente vai brincar muito, né não filhão?! – E o Joaquim me respondeu com uma gostosa gargalhada.
–Okay...! – Ela sorriu, me deu um beijo, um outro no Quim e o último na Megan. – Até mais tarde, Family!
Depois desse dia, vários outros vieram e a gente tentou fazer a Megan se acostumar a cuidar do irmão também, afinal, teria dias em que precisaríamos da ajuda dela! Eu não poderia deixar a Plugar na mão da Rita o tempo todo e nem a Pam poderia deixar a Marra e a Parker de lado!
O episódio mais engraçado foi o da Megan tentando trocar a frauda do Quim! Ela tirava a suja com a ponta dos dedos e por pouco não vomitava. Olhava para a gente com olhar desesperado, implorando para que não insistíssemos que ela fizesse aquilo, mas eu e a Pam ficamos olhando-a da porta do quarto e enquanto eu cerrava os lábios me contendo para não rir, Pamela não fazia a menor cerimônia! Ria, e muito, mandando ela continuar o trabalho.
A verdade é que nossa vida virou o Quim... A gente acordava cedo para cuidar dele e ia dormir super tarde, exaustos! Mas não estou reclamando não! Nós estávamos adorando tudo aquilo... Sempre soubemos o quão complicado seria! A única parte ruim nessa história é que eu e a Pam mal tínhamos momentos a sós, os únicos que tínhamos, era na hora de dormir e era isso que fazíamos mesmo, dormíamos de tão cansados que estávamos. Vez ou outra ela recebia ligação do Brian, dizia que era reprogramação a distância, para aguentar o tranco daqueles longos dias que tínhamos.
A gente passou quase duas semanas sem aparecer nos nossos trabalhos, eu tinha mesmo que dar uma passada na Plugar e a Pam tinha uma reunião atrás da outra, pepino em cima de pepino para descascar naquelas benditas empresas! Então, em certo dia, estávamos os dois tomando café da manhã, apressados para irmos para o trabalho, enquanto a Dorothy dava a comida do Quim.
–Dorothy você tem certeza que fica com o Quim sem problema? – A Pam perguntou.
–Claro Darling! É sempre um prazer cuidar dessa fofurinha aqui! – Exclamou, apertando as bochechas do Quim.
–Oh madrinha... Não sei nem como agradecer...!
–Agradeça indo para o trabalho tranquila dear! E você também, Herval!
–Obrigado, Dorothy. – Lhe agradeci.
–Bom, já está mesmo na hora... Ah mas que maldade ter que deixar my baby boy aqui... Se eu pudesse não desgrudava de você, sweet... – Ela pegou-o nos braços por um instante, sorrindo fofamente e dando-lhe um leve abraço carinhoso, para se despedir. – Mommy vai sentir muitas saudades de você, my sweet prince... Só que mais tarde estou de volta, okay? I love you so much, Quim... – Cada palavra que saía de seus lábios, expressavam o absurdo amor que ela tinha por ele... — No fim da tarde eu estou de volta, madrinha, e qualquer coisa, me ligue okay?!
–Fique tranquila Pam... Pode deixar comigo! – Eu também me levantei me despedi do Quim e da Dorothy e eu e a Pam saímos de casa ao mesmo tempo, eu a deixei na Parker e em seguida fui para a Plugar.
Havia algum trabalho acumulado lá na ONG, mas nada de muito grave. Passei o dia inteiro lá, dei aula, recebemos algumas visitas que seriam importantes para a Plugar, depois fiquei no escritório lendo e assinando alguns papeis, doido para ir para casa, tudo o que eu queria era minha cama... A tarde estava chegando ao seu fim, o céu já tava pegando um tom mais encorpado e as estrelas começavam a surgir, quando eu fui surpreendido.
–Pamela? O que você tá fazendo aqui? – Ela apareceu sorridente na porta.
–Surprise! A Marra vai muito bem nas mãos de Davi e o trabalho lá na Parker TV não foi tão complicado... Decidi vir para cá para irmos para casa juntos! – Ela entrava e logo ia me dar um beijo.
–Meu amor... Olha, eu ainda tenho alguns papeis para dar uma olhada aqui, mas se você quiser me esperar... Eu vou adorar voltar para casa com você... – Lhe respondi sorrindo, animado.
–Okay... – Ela se sentou no sofá que tinha ali e cruzando as pernas, ficou olhando para o nada e enfiando a mão por debaixo dos cabelos, massageava o pescoço, ela parecia exausta também, ficou assim por vários minutos.
–O que foi, Pam? – Lhe perguntei, terminando de organizar os papeis e levantando da cadeira.
–Oh... Nada honey... Só um pouco de dor no pescoço. Nada que uma boa noite de descanso não resolva.
–É pode ser, mas... A gente ainda tem um tempinho, — Disse olhando o relógio. — Eu terminei mais rápido o que eu previa. Vem cá, deixa eu te fazer uma massagem.
–Oh really...?! – Sentei no braço do sofá e ela se acomodou para ficar em posição confortável. – Você não existe, Herval Domingues... — Ela prendeu os cabelos num coque e eu comecei a massagem. Ela fechou os olhos, relaxando e soltava alguns grunhidos como sinal de que estava gostando e aos poucos eu me via aproximando o rosto de seu pescoço, me via hipnotizado por seu perfume, já o sentia se apossar dos meus pulmões e da minha sanidade, como sempre acontecia, e quando dei por mim, eu já beijava cada milímetro daquela pele. Eu só ouvia sua respiração acelerar a cada milissegundo que eu começava a descer o fecho do seu vestido e o barulhinho das suas unhas começando a agarrar o tecido grosseiro do sofá. Eu já lhe ia desatacar o sutiã, quando de repente, seu celular tocou.
–Ah não Pam, deixa tocar... Já faz mais de uma semana que a gente não... – Ela me interrompeu.
–É Dorothy, deve ter acontecido alguma coisa com Joaquim... – Ela atendeu. — Hello Dorothy! Aconteceu alguma coisa? – Pam ficou em silencio por alguns segundos, ouvindo o que Dorothy lhe dizia e eu aproveitava para fechar logo seu vestido e me recompor. – What?! Nós já estamos indo para ai, madrinha, wait a minute! Bye.
–O que foi que aconteceu, Pam? – Preocupei-me.
–Joaquim de repente ficou com febre, vomitando, madrinha disse que apareceu algumas manchas no corpo dele... Dorothy acha melhor levarmos ele para o médico!
–Claro, claro... Vamos logo resolver isso! – Peguei a chave do carro e a gente saiu de lá às pressas, pedi para a Rita fechar a Plugar mais uma vez!
Nos apressamos em chegar em casa e quando eu vi o Quim com aquela carinha manhosa que bebê sempre fica quando tá doente, juro que senti o coração doer. Preferia mil vezes absorver a dor que ele sentia, do que vê-lo assim. Ele chorava muito, berrava até, peguei-o nos braços, tentei distraí-lo, colocá-lo para dormir, nada adiantou, então a Pam que o pegou, experimentou dar-lhe um banho, quis dar-lhe de comer, mas ele voltou a vomitar! Nem o meu colo e nem o da Pam resolveu. Levamos ele logo para o pediatra que cuidava dele desde que chegara na mansão. Como a Pamela estava bem mais descontrolada do que eu, eu que acompanhei o doutor e pedi para que ela ficasse na sala de espera junto com Dorothy e Megan. Ele me explicou tido direitinho e então eu pude relaxar.
–E então Herval? O que o nosso baby tem?! – Ela mal esperou eu aparecer para levantar do sofá e me fazer essa pergunta.
–Não precisa se preocupar! O doutor falou que não é nada grave... Calma... São só vestígios dos dentes dele que estão nascendo, meu amor... Ele ter ficado com febre, vomitando e com essas manchinhas, é super comum! – Ela respirou um pouco mais aliviada.
–E cadê ele então? Se é comum, ele já pode ir para casa, right?!
–O médico falou que acha melhor ele passar só essa noite aqui... Pelo menos até a febre ceder...
–Eu quero ver my baby! – Ela ainda estava nervosa, só sossegaria quando visse que ele estava bem. Eu a acompanhei até o quarto em que ele estava dormindo tranquilamente e vi uma singela lágrima lhe escorrer do olhar. Ela acariciava lhe os cabelos e baixinho’ cantarolava uma canção de ninar e aos poucos, ela se acalmava, como se a canção fosse para ela mesma e não para o Joaquim.
–Que música é essa Pam?
–Uma canção que mom cantava para mim quando eu era criança... D. Branca morreu cedo, mas todos os momentos que vivemos juntas ficaram bem gravados no meu coração... E depois daddy continuou a canta-la para mim... Para me fazer sempre lembrar dela... Eu quero ser tão importante e especial para Joaquim quanto eles são para mim... – Ela disse com um sorriso sereno. Eu me aproximei dela, e a envolvi com um braço, lhe disse:
–Você já é, meu amor... Você já é... – Lhe dei um beijo na cabeça e então meu outro braço a envolveu, e eu a abracei forte, tenho este abraço recíproco.
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