Notas iniciais
Antes de mais nada: amo vocês ♥ Pensem nisso antes de querer me estrangular :)

(...)

Herval:

A gente ia casar numa praia, foi ideia da Pam. Ela não podia sair do Rio porque ainda estava gravando A Lei do Amor, então tirou dois dias de folga e lá estávamos nós, em Búzios! Estava tudo lindo. Brian estava posicionado num ponto na areia, e eu logo a frente dele. Havia um arco de hortênsias azuis sobre nós e eu estava da maneira mais simples que você possa imaginar: uma bermuda branca, uma camisa branca de botões, descalço.

Na minha frente, tinha um tapete branco estendido. Devia ter uns... 10 metros talvez. E sobre ele, pétalas de rosas espalhadas. E dos dois lados do tapete, enfiadas na areia, haviam tochas acesas por todo o caminho. Era um lindo pôr-do-sol... perfeito para o nosso casamento.

Como a gente não divulgou a cerimônia, só havia lá a nossa família mesmo e alguns amigos próximos: Megan, Davi, a pequena Pamela, Lara e as duas crianças, Dorothy, Joaquim, tinha a Rita também... o Moreira, que a Pam fez questão de chamar... alguém mais?

Pamela:

Acho que não. Well, e... claro, eu não posso deixar de citar mom and daddy. Eles estavam lá em espírito nos lugares que seriam reservados para os pais da noiva... eu vi. Parece loucura, mas eles estavam lá! E estavam tão felizes, tão satisfeitos...

Herval:

Pois então, eram essas pessoas, e... os pais da Pam. Eu queria poder ter visto eles também, mas isso é um poder exclusivo da Pam! E... eu posso dizer que eu estava mais nervoso daquela vez, do que no nosso primeiro casamento. Tão nervoso, tão ansioso para ver a Pamela, que por um momento eu quase esqueci o que eu ia falar para ela.

Foi quando o Quim começou a tocar violino. Era impressionante como um garoto tão pequeno conseguia tocar tão bem The Scientist. Aquele era o toque que anunciava a chegada da Pam. Foi aí que meu coração acelerou ainda mais... era como se eu voltasse a ser aquele cara da primeira vez que nos casamos. Tão inseguro e tão radiante quanto ele. Quiçá mais!

E então ela surgiu...

Pamela:

Eu achei que não estava nervosa. Achava que por já ter passado pela experiência duas vezes, já estava tão acostumada que a emoção nem seria tão grande. Mas eu estava redondamente enganada. Só foi preciso eu olhar nos olhos dele, a 10m de mim, que eu me senti tomada por uma emoção avassaladora! Lembro que estava usando um vestido branco, longo, absolutamente todo de renda e com as alças formando um V nas costas. Era um vestido maravilhoso...

Herval:

Principalmente porque depois foi facinho de tirar!

Pamela:

É, isso é o que ele mais gosta num vestido de noiva, poder tirar! Mas enfim, meu buquê era de hortênsias azuis, assim como o arco. Isso, porque nas representatividades das flores, a hortênsia representa os mais sinceros e profundos sentimentos. Eu achei isso incrível e as escolhi.

Herval:

Disso eu não sabia, mas eu sabia que ela estava linda. Linda, linda, linda! E como se não bastasse, ainda tinha uma espécie de coroa de flores na cabeça e um sorriso de orelha a orelha. Estava... celestial! Eu juro que não há no mundo imagem mais linda do que a que eu tive naquele momento. Ela parecia um anjo. Pamela era, e ainda é, dona de uma beleza tão delicada e ao mesmo tempo tão forte, que eu sempre passei meus dias me perguntando se eu sou mesmo merecedor dessa mulher.

Pamela:

Mas não se engane com ele! Herval já me falou que se perguntava isso e quando eu questionei a resposta, ele não foi humilde. Ele realmente se acha merecedor de mim! E para falar a verdade, é. A gente foi feito um para o outro, isso não tem como negar.

Mas, voltando ao casamento, enquanto Joaquim tocava The Scientist, eu caminhava em direção a Herval. A cada passo, uma sensação melhor, um pulsar mais forte do coração, uma nova lágrima se formando no olho. Assim que eu e Herval nos demos as mãos, foi como se eu estivesse flutuando...

Herval:

“Eu nunca fui um cara de me apaixonar fácil, eu já te falei isso. Mas isso mudou completamente no momento em que eu te conheci... você consegue fazer eu me apaixonar de novo a cada dia, e em cada dia, mais. Viver ao seu lado é como ter 20 anos sempre e estar conhecendo o amor pela primeira vez. Ao mesmo tempo é como ter nascido ao seu lado... é como se eu conhecesse até o mais escondido canto da tua alma e amasse ele com todas as minhas forças, assim como a todo o resto de você. A gente já passou por poucas e boas nessa vida! Estivemos diante de obstáculos tão imensos para o nosso amor, que parece impossível ele ter resistido. Na verdade, na maior parte das vezes, é. Mas eu acredito que a gente é um milagre. O nosso amor é um milagre...

Essa é a segunda vez que nos casamos. É como se a gente tivesse concluído o primeiro volume do livro da nossa história, e estivesse escrevendo o segundo agora. A gente é grande, Pamela... o que a gente tem é imenso, não cabe em palavras! Nem em gestos, nem em nada. Flutua pelo espaço, inundando tudo e todos que nos cercam. É um amor generoso, profundo, resistente. E eu quero sentir ele pelo resto da minha vida. Esse é o voto que eu te faço: te amar por toda a minha vida! A gente pode passar por coisas piores do que a que passamos, se é que isso é possível, mas o meu amor por você vai permanecer intacto. Firme como uma rocha, para todo o sempre.”

Foi o que eu falei. E eu nunca tive tanta convicção de algo, quanto tive daquilo que eu disse. Eu vi os olhos da Pamela marejados e aquele sorriso que só ela tem, e eu tive vontade de repetir várias e várias vezes que eu a amaria até o fim, porque a cada segundo que se passava, ela fazia mais parte de mim. Era como se nossas veias tivessem se unificado e o sangue de ambos se misturasse e circulasse nos dois corpos. É uma loucura, mas é verdade...

Pamela:

“Se alguém me contasse, há 40 anos atrás, que eu viveria tudo o que eu vivi, eu com certeza riria na cara dessa pessoa e chamaria o manicômio em seguida. Ninguém sabe como vai ser o futuro, e por isso mesmo ele é incontrolável. E quando o futuro vira presente, a gente nem percebe... às vezes nem o vive. Mas com você, Herval, cada segundo foi bem aproveitado. A gente planejou o futuro, e ele nos chegou completamente diferente do esperado, mas a gente o recebeu, o viveu e agora ele faz parte de um passado lindo. A gente viveu cada sentimento no seu limite! Até a raiva, as brigas, os perigos. Damn, a gente enfrentou a morte! Mais de uma vez! Agora... olha onde estamos. Você imaginaria isso?”

Ele negou com a cabeça.

“Pois é, nem eu... e veja como estamos vivendo intensamente o momento! Veja o que o futuro nos reservou! Meu coração tá batendo com força right now. E é assim que ele bate desde que eu percebi que estava apaixonada por você. É assim que o coração de todo mundo deve bater todo dia! Parece que tem uma corrente única que dita ‘viva cada dia como se fosse seu último’ ou ‘viva intensamente’, que no fim das contas dão no mesmo. E mesmo sem nem tentar fazer isso, minha vida ao teu lado me proporcionou essa intensidade. Eu te amo com essa intensidade, a vida que a gente construiu, nossa família, foi graças a essa intensidade. Você trouxe algo profundo e de tamanho imensurável pra minha vida, Herval. Então eis o meu voto: te amar com essa profundeza, de maneira incalculável! Viver cada minuto dos nossos dias que virão, com veemência, fazer seu coração pulsar forte todos os dias, assim como o meu pulsa.”

Ele pegou uma das minhas mãos e a beijou antes de acariciar meu rosto e enxugar uma lágrima que escorria. Todos os presentes aplaudiram, e assim nós nos beijamos.

Vocês sabem que tem-se uma luta persistente entre o infinito e o eterno, não sabem? Eu já vi pessoas perguntando a outras o que elas preferiam, o infinito ou o eterno. Mas se você reparar, nos nossos votos nós aliamos as duas coisas! Herval disse que me amaria para sempre, é o eterno. E eu disse que o amaria com profundeza e sem limite, é o infinito. Amazing, huh!

E então? Acham que isso é o suficiente? Estão satisfeitas?

— É mais que o suficiente! – Diz a Sophie. – É inspirador! Vocês são incríveis! E-e-eu tô sem palavras... muito obrigada por vocês existirem!

— A gente está ainda mais apaixonada por vocês dois! Eu não sabia que isso era possível! – Completa a Emília, sorrindo. – Muito obrigada, muito obrigada mesmo por ter dedicado o tempo de vocês pra nos contar sua história. Prometo que seremos 100% fieis ao amor de vocês... – Prossegue, enquanto as duas nos ajudam a levantar das cadeiras e nos acompanham até a porta.

— Obrigado vocês por se dedicarem a eternizar nossa história! – Herval responde. – É um prazer pra gente relembrar toda ela.

— É um imenso prazer nosso... agora nós vamos iniciar a todo vapor a criação do livro e assim que ficar pronto, nós fazemos questão de tê-los no lançamento! – Diz a Sophie, empolgada.

Nós estaremos lá, podem ter certeza! Não perderíamos por nada!

(...)

Dez meses depois...

E cá estamos nós, como o prometido. Viemos apenas eu e Herval de jatinho do Rio de Janeiro para Teresina — Piauí, cidade encantadora, local do lançamento do livro da nossa vida.

Joaquim quis nos acompanhar, mas tem um concerto ainda esta noite para apresentar. Plateia lotada. Impossível estar conosco.

Megan está em Paris com Davi, Pamela e o noivo da garota. Ela está resolvendo tudo sobre o casamento da filha, que, sim, resolveu que iria casar em Paris, e em algumas semanas, verei minha neta casada.

Já Branca está num intercâmbio no Canadá. Lamentou não poder presenciar o lançamento do livro, mas disse que está muito feliz por nós termos eternizado nossa história.

A Emília e a Sophie estão sentadas atrás de uma mesa, autografando livro atrás de livro, enquanto nós somos fotografados, cumprimentados e entrevistados. O livro ficou lindo! Elas não deixaram passar uma só informação e cumpriram o que prometeram: foram fiéis ao nosso amor. Elas eternizaram Pamela Parker e Herval Domingues...

Há muita gente aqui. É um verdadeiro coquetel de lançamento e há flashes por todos os lados. Sem modéstia alguma eu posso dizer que a nossa história está tendo o glamour que merece.

“Uma foto dos quatro!” – Pede algum dos fotógrafos. As meninas olham para a gente, sorriem e nos chamam para perto delas. Ficamos na seguinte formação: Emília, eu, Sophie e Herval, e o festival de flashes recomeça.

— Eu vou tatuar essa foto na testa! – Brinca uma delas, que não consigo identificar quem, já que em instantes sou rodeada por mais jornalistas me fazendo zilhões de perguntas.

(...)

Depois do lançamento estrondoso do livro, estamos voltando para casa. Vejo pela janelinha apenas vestígios de cidade através das nuvens, parece que não estamos mais no Piauí. Quero voltar aqui mais vezes...

Herval está cochilando ao meu lado, segurando minha mão, e de repente eu sinto uma sensação de missão cumprida... sensação essa que Herval disse sentir também, antes de adormecer. “Plante uma árvore, tenha um filho, escreva um livro”, alguém já ouviu falar nesse ditado? É como se a gente só precisasse fazer essas coisas antes de morrer. Não necessariamente levando ao pé da letra, mas é como se essa fosse a missão geral da humanidade.

Nós já “plantamos a nossa árvore”, por meio de nossas ações, pensamentos e sentimentos, fazendo com que a nossa essência atuasse através de nós, fazendo assim, nossa árvore crescer, nós pudemos evoluir. E evoluir significa assumir a responsabilidade pelos nossos erros e imperfeições e fazer com que eles promovam a nossa melhoria como seres humanos.

Nós já tivemos não um, mas três filhos! E no sentido figurado de “tenha um filho”, nós também o tivemos, que foi passando nossos conhecimentos adiante. Eu sou uma atriz! Eu servi de espelho para o mundo, eu ensinei algo ao povo, e Herval, salvou vidas com a ONG dele... passou muito mais do que conhecimento para centenas de crianças ao longo dos anos.

E quanto a escrever um livro... bem, nós escrevemos, não um livro, livro, mas escrevemos. Nós vivemos nossa história, contamos ela para escritoras, e agora ela virou um livro de verdade.

É, nós cumprimos nossa missão.

Herval:

O jatinho começa a bobear. Não planeia mais uniformemente. Vira para a esquerda, para a direita... eu desperto, olhando assustado para a Pam.

What’s going on? — Questiona preocupada e em resposta, eu me levanto e vou bater na cabine do piloto. Não recebe nenhuma resposta de lá de dentro, pela janelinha na porta, o vejo desesperado, apertando vários botões, puxando alavancas. E depois de forçar minha entrada, aqui estou eu.

— O que está acontecendo aqui?! – Ele me olha em desespero, ainda que tentando se controlar, e responde:

— Falha nos computadores. E-e-eu não sei o que está acontecendo! Partes do computador de bordo está tendo um comportamento muito bizarro, tá tudo errado! Pilotar isso aqui agora é como andar em campo minado. – Olho para Pamela da porta e ela continua paralisada em sua poltrona. De repente o jatinho vira para o lado esquerdo e eu sou jogado contra o piloto.

Sweet, come here! What’s wrong? — Mal me recomponho do susto e num movimento súbito, o piloto tenta desviar de um arranha-céu.

— A gente vai morrer... a gente vai morrer... – Murmura ele. Sim, a gente vai morrer. Com o coração sangrando, volto para perto da Pam, cambaleando. Consigo alcança-la e volto a botar o cinto de segurança.

— O que está acontecendo, Herval...? – Eu seguro firme sua mão e olho com muita dor em seus olhos.

A morte avisa quando chega a sua hora. E ela está nos avisando agora...

O jatinho vai ficando cada vez mais desorientado e nós já sentimos os impactos. A asa esquerda já era! A respiração da Pam fica pesada. Seus olhos enchem de lágrimas. Ataque de pânico em três, dois, um!

— Ei! Ei! Pamela! Olha pra mim! Olha pra mim! – Seguro seu rosto com as duas mãos e a olho fundo nos olhos. – É o fim. A missão está cumprida. Mas vai ficar tudo bem, meu amor... vai ficar tudo bem... – Eu abraço-a, fecho os olhos, e o que vem em seguida é só uma explosão.

Notas finais
Pra quem ficou tipo "wtf?!" com esse capítulo, é o seguinte: é como se a Pam e o Herval, já idosos, estivessem contando a história deles, desde o início da fic, para duas escritoras, Eu e a Sophia. P.S. Não nos odeiem por esse final. Mas ainda não acabou.