Genius
1 00.
Notas iniciais
Primeiramente, eu queria MUITO pedir desculpas. Eu sumir completamente sem dar o mínimo de explicações. Eu sou uma babaca, eu sei, mas peço desculpas, de verdade. Estou de férias até Março, então, pretendo me dedicar bastante a essa fanfic.
Para quem não sabe, eu exclui a antiga versão de Genius para reescrever. Eu to com esse projeto desde o final de Dezembro, de reescrever algumas fanfics antigas, mudando algumas coisas. A primeira será essa e, logo em seguida, Ghosts. Eu sinceramente espero que vocês gostem, eu me dediquei muito e estou MUITO animada com isso.
Boa leitura e, mais uma vez, peço desculpas por tudo:
Nos dias de primavera da Inglaterra, o vento costumava soprar de uma forma fresca e o sol não era tão forte quanto nos dias quentes do verão. Nesses dias, na maioria das vezes, as ruas da pequena cidade de Hogmeade não estavam tão cheias quanto estariam em um ensolarado dia de verão, onde as crianças estavam correndo pelas ruas, brincando como não houvesse um amanhã. Contudo, naquela fresca tarde onde flores começavam a surgir nas árvores que anteriormente se encontravam sem folhas, mãe e filho podiam ser os únicos vistos caminhando pelas ruas daquele específico bairro de Hogmeade. A mãe parecia verdadeiramente irritada enquanto falava sem parar: o cabelo ruivo caindo em cachos por seus ombros, a expressão claramente furiosa. Mas não era como se o garoto prestasse atenção, os olhos parados no completo nada.
— Isso é um completo absurdo, um completo total absurdo! – A mulher exclamava, mas, por um momento, olhou para o lado, percebendo que o garoto não prestava o mínimo de atenção que ela esperava. — James, você está me escutando?
— Hum? – O menino murmurou, distraído, o rosto se virando para encarar a mãe.
— Você está me ouvindo?
— Claro, mãe...
— O que eu estava falando, então?
— A senhora quer saber o que eu aprendi na escola hoje? – O garotinho de seis anos piscou de forma inocente, mas Euphemia Potter conhecia muito bem aquele olhar e aquela piscadela.
— Você é impossível. – ela resmungou, balançando a cabeça, mas deixando com que a expressão irritada fosse embora por um momento. — Certo, pode falar. O que você aprendeu?
— A professora de Ciências falou sobre a Terra.
— Sério? Que interessante. – Euphemia tinha o olhar castanho um pouco distante.
— Mas ela estava errada ao falar sobre o céu... Ela mentiu para a classe, entende? Disse que era reflexo do mar, mas nem faz sentido! Até por quê, ar, água e poeira... Os três conceitos, sabe?
— O quê? – Por um momento, a Sra. Potter prestou sincera e pura atenção no que o filho dizia, chegando a parar a caminhada para encará-lo.
— Ar, água e poeira. – James firmemente repetiu o que havia dito, um leve sorriso com alguns poucos dentes faltando em seu rosto. — A senhora sabe, não sabe? Quando a luz passa através de um prisma, seu espectro é dividido em sete cores monocromáticas, surge um arco-íris de cores. A atmosfera faz o mesmo papel do prisma, atuando onde os raios solares colidem com as moléculas de ar, água e poeira e são responsáveis pela dispersão do comprimento de onda azul da luz. Por esse motivo que o céu é azul.
— Onde aprendeu isso? – O rosto de Euphemia era um belo misto de confusão e surpresa.
— Não sei. – O garotinho deu de ombros, os olhos se desviando por um momento. — Eu... Apenas sabia. Ninguém precisou me ensinar.
— Você tem a mesma mania de seu pai. – ela balançou a cabeça, suspirando, continuando a caminhar, a casa onde morava com a família já a vista. — Ele sempre diz isso. Houve um tempo da minha vida em que me irritava seriamente, mas com o tempo, acabei me acostumando com essas pequenas peculiaridades...
— O papai costuma fazer isso? – A atenção de James foi totalmente atraída naquele momento, o garoto encarando a mãe com uma curiosidade extrema.
— Você não percebe por que também faz isso. – murmurou, rindo um pouco enquanto pegava as chaves da casa onde morava. — Mas não ache que eu não percebi que mudou de assunto ou que saiu sem punição do que fez. É a terceira escola que te expulsa por “desrespeito”!
— Não é minha culpa se o professor de matemática não sabe que todos os números são divisíveis por quatro. – ele murmurou, chateado, ajeitando os óculos quadrados que escorregavam pelo nariz.
— Pessoas normais, James, não irão pensar em coisas como essas. – Euphemia o repreendeu, franzindo a testa por um momento e abrindo a porta da casa — Tente ser normal ao menos uma vez na sua vida e colabore comigo.
— Eu estou a quilômetros de distancia de ser normal. – James resmungou, discretamente fazendo bico e entrando na casa e fechando a porta.
A casa dos Potter era consideravelmente grande, até demais para as necessidades da família, mas inegavelmente confortável. Quem pisasse os pés ali dentro poderia facilmente se sentir aconchegado. Talvez fosse o constante cheiro de biscoitos assados vindos da cozinha, os livros aleatoriamente espalhados pelo chão, papéis em lugares completamente aleatórios. Independente da sua interpretação e do motivo, os fatos não mudavam: o lar dos Potter era aconchegante, confortável e como se fosse um abraço construído em um conjunto de madeiras e tijolos juntamente com tintas. Logo na entrada, era possível observar uma moldura que carrega uma fotografia da família em um momento que aparentava ser feliz. Os olhos claros do Sr. Potter, que contrastavam com sua pele escura, tinham um brilho excêntrico de alegria enquanto abraçava a esposa, cujos cachos ruivos caíam pelo rosto, e o filho, mais novo do que o tempo atual, talvez com quatro anos, um sorriso sem dentes em sua face.
Euphemia sorriu, apenas fechando a porta quando o filho entrou na casa, inalando o ar do local. Ela amava aquela casa de uma forma que chegava a ser inexplicável. Por fim, bocejou, cansada, e pegou o controle da televisão da sala de estar, a ligando mesmo que não pretendesse assistir programa algum, uma mania que acabou cultivando com o passar dos anos. Assobiando, caminhou até a cozinha para se certificar que Fleumont Potter, seu esposo, não havia sujado o lugar completamente de café. Até por quê, se tivesse feito isso, ela iria descer no porão e obriga-lo a subir para limpar a sujeira. Enquanto isso, James correu até as escadas, animado, descendo em passos rápidos e barulhentos até o porão, um local onde a maioria das crianças cultivava certo medo, mas o pequeno Potter simplesmente adorava o lugar. Em passos mais silenciosos e com olhos brilhando de animação, observou o porão escuro, uma única luz fraca de teto ligada, onde o pai se encontrava de costas, mãos nos bolsos da calça, em frente a um quadro negro. Como sempre, o local estava incrivelmente bagunçado: papeis amassados, livros espalhados e canetas pelo chão eram características de qualquer local onde Fleumont Potter costumasse passar seu tempo.
— Pai! – James exclamou, um sorriso radiante presente em sua expressão ao correr na direção dele.
O Potter mais velho se virou, um sorriso genuíno surgindo em seu rosto, tão feliz que poderia facilmente se comparar ao do filho que corria em sua direção. O sorriso combinava muito bem com suas características, caía de uma forma charmosa com os olhos claros, a pele escura e o cabelo negro bagunçado com algumas mechas grisalhas que não fazia questão de esconder, pintar ou se envergonhar. Fleumont era um homem que já havia atingido uma idade avançada: havia escolhido, junto com sua esposa, ter filhos mais tarde. Quando James nasceu, preferiu a tranquilidade de uma vida tranquila no lugar das gloriosas coisas que já fizera no passado. Apesar das críticas de seus colegas de trabalho, Fleumont estava muito bem na sua aposentadoria. O homem se ajoelhou, rindo um pouco quando o garoto pulou em seus braços, e exclamou:
— Se não é o meu pequeno gênio! O que aconteceu para voltar tão cedo? Algo na escola?
— Fui expulso. – James murmurou, um pouco envergonhado, desviando o olhar.
— Novamente? – Perguntou Fleumont, arqueando uma das sobrancelhas em um misto de surpresa e confusão. – O que fez dessa vez?
— Mandei o professor de Matemática voltar para a faculdade...
O mais velho o encarou por um momento, os olhos cansados o fitando. James, por um momento, engoliu em seco, tendo um estranho frio na barriga, o sentimento de que havia decepcionado o seu pai. Porém, antes que ele pudesse murmurar um rápido e baixo pedido de desculpas como pretendia, o rosto em choque de Fleumont logo começou a mudar para um sorriso formado que deixava risos baixos escaparem. Por fim, os risos se tornaram gargalhadas altas e algumas poucas lágrimas estavam nos cantos dos olhos de Fleumont, que, com dificuldade, as limpava.
— Um dia respondi o meu professor de geografia. – Fleumont quando as gargalhadas começaram a diminuir, sorrindo de lado diante da lembrança – Disse a ele que americanos são todos os que moram na América, não apenas na América do Norte. Fui expulso, também! Consegue acreditar?!
Fleumont deu continuidade a própria gargalhada e James não conseguiu resistir ao som da risada do pai, rindo também, os dois como velhos amigos que compartilhavam uma piada interna que apenas a dupla conhecia. Todavia, a risada contagiante e o clima agradável que havia se instalado foi interrompido por uma crise de tosses vindas de Fleumont. James parou, sério, forte preocupação presente em seu peito ao ver o pai naquele estado. Franzindo a testa, perguntou:
— Pai, você está bem?
— Claro que sim. – Fleumont respondeu, forçando um sorriso e tossindo mais uma vez, não conseguindo convencer o filho.
— Tem certeza?
– O que acha de subirmos? – O mais velho repentinamente mudou de assunto. — Podemos jogar uma partida de xadrez.
— Okay. – James exclamou, forçando um sorriso, sabendo que havia algo de errado que o pai não queria falar, mas também tendo consciência de que não deveria insistir no assunto. — Dessa vez eu ganho!
— Tenho minhas dúvidas. – afirmou Fleumont em tom de brincadeira, lançando uma piscadela. – Vá subindo que subo em alguns minutos... Tenho que arrumar a bagunça aqui.
James lhe lançou um sorriso sincero e assentiu, começando a subir a escada que dava passagem à parte de cima da casa, fazendo barulho enquanto seus tênis faziam impacto contra a madeira dos degraus. Ao perceber que o garoto havia ido por completo, o Sr. Potter suspirou, cansado, passando a mão pelo cabelo negro, o bagunçando um pouco, encarando o conjunto de números e anotações presentes no quadro negro do seu “escritório”. Ele suspirou mais uma vez, balançando a cabeça, caminhando até a escada e se preparando para subi-la, tendo consciência de que suas escolhas atuais estavam moldando um futuro perigoso.
***
Euphemia já teve momentos difíceis de sua vida. Momentos muito difíceis onde se viu obrigada a respirar fundo, conter as lágrimas que queriam descer por seu rosto. O motivo do choro variava algumas vezes. Frustração, raiva, tristeza. Mas apesar de já ter tido tanto momentos árduos, ela podia facilmente afirmar que nenhum dia de sua vida foi tão difícil quanto aquele junho de 2011, onde saiu de um quarto da UTI, o coração acelerado, a face pálida devido o choque, as mãos tremendo, pensando em palavras corretas para dizer a James o que ocorreu. James. O nome que vinha a sua mente fazia com que quase tropeçasse em meio ao seu caminho até a sala de espera. Por fim, chegou até ali e viu o garoto levantar a cabeça, atento, observando-a com os olhos castanhos e arregalados. Euphemia respirando fundo, caminhou até ele, sabendo que não iria adiantar em nada adiar o futuro. Ajoelhou-se em frente a ele mordendo o lábio inferior, algumas mechas de seu cabelo caindo por seu rosto, tentando escolher bem as palavras.
— James. – ela murmurou tentando parecer o mais calma que conseguia. – Seu pai... E-Ele morreu. Ele estava muito fraco, não aguentou, eu...
A própria Euphemia não conseguiu terminar o que queria falar, sentindo as palavras engasgando em sua garganta em um misto de dor e sofrimento, apenas encarando o menino de dez anos, esperando por uma reação. Um grito, um choro, um desespero. A Potter não tinha exata certeza do que esperava, mas definitivamente não foi o chocado silêncio que recebeu em troca. O choque para James foi enorme. Ele amava a sua mãe, com certeza a amava, mas seu pai... Ele o entendia melhor do que qualquer outra pessoa. Fleumont não o lançava um olhar estranho quando costumava falar sozinho e não cochichava com a sua mãe sobre levá-lo para um psicólogo devido ao seu narcisismo. Fleumont Potter, um homem genial com glórias no passado, o entedia. Compreendia que ele era apenas diferente. Diferente, não anormal. Algumas lágrimas se concentraram no canto de seus olhos, de forma que começasse a segurar o choro na garganta.
— Ele prometeu que ia voltar para casa. – murmurou, o olhar um pouco distanciado da mãe que antes o encarava diretamente nos olhos, castanho no castanho. – Prometeu que ia ficar aqui apenas algum tempo...
— James, eu sinto muito. — Euphemia tentou consolá-lo, sua voz o mais empática o possível, mas ela mesma sentia dor, dificultando um pouco o seu objetivo. – Eu sinto muito, querido…
Mas para a sua surpresa, James não respondeu dessa vez. Nenhuma resposta triste, nenhuma raivosa, nenhum surto. Ele apenas ficou ali, encarando-a, os olhos cujas lágrimas antes se encontravam nos cantos começando a aumentar em quantidade. Ele chegou a abrir a boca, mas nenhuma palavra saiu, apesar de seus lábios tremerem. Ver o filho naquela situação vazia com que o coração de Euphemia doesse de uma forma que ela não conseguia expressar. Seus próprios olhos se encheram de lágrimas e ela abraçou o menino, que sufocou um soluço dolorido em seus ombros enquanto a mãe passava a mão por seu cabelo escuro, as lágrimas também começando a escorrer por seu rosto.
— Eu também irei sentir falta dele. – ela murmurou, a voz embargada. – Mas não chore, tudo bem? Seu pai não gostaria de te ver chorando. Por favor, não chore... Eu farei o possível para ficarmos bem. Nós vamos ficar bem.
Apesar de ter dito a frase com firmeza, Euphemia não tinha certeza de que iriam ficar realmente bem. Na realidade, parecia ter dito uma bela e muito bem escrita mentira. E James sabia disso.
***
A Sra. Potter dirigia aceleradamente o seu carro pelas ruas de Hogsmeade, o suor escorrendo por seu rosto cansado e repleto de sardas. Seu coração estava acelerado e ela não desacelerou o carro em momento algum, sem realmente se importar com os gritos vindos de outros motoristas e de desrespeitosos gestos com certos dedos. Os olhos castanhos dela não desgrudavam da estrada, mas seus pensamentos era uma confusa mistura de uma séria de coisas ao mesmo tempo, mas todas tinham uma única palavra central: “James”. A preocupação era tanta que ela sentia como se pudesse colocar todo o seu almoço para fora naquele momento. Euphemia Potter era uma mulher possuía mais preocupações do que deveria ter em sua vida.
“Oh, James”, ela pensou, suspirando, deixando-se ter uma pequena folga da corrida digna de um filme que fazia. “O que você fez dessa vez?”.
Quase fez com que um acidente de carro ocorresse e foi realmente sorte a dela que isso não aconteceu, o alívio lhe proporcionando um suspiro leve. As condições da família Potter não poderia consertar o próprio carro, quanto mais o de outra pessoa (sem contar uma possível multa que poderia vir). O dinheiro que a Sra. Potter ganhava trabalhando como uma garçonete em um restaurante era o bastante para colocar a comida na mesa e pagar as contas e a casa. Não podia se dar o luxo de causar um desastre. O coração de Euphemia acelerou quando viu a delegacia por perto. Estava tão preocupada que estacionou o carro de uma forma consideravelmente torta, mas não chegou a se importar com isso. Abriu a porta do carro, o coração acelerado. Saiu dele e bateu a porta com força involuntária diante de seu desespero, correndo até a delegacia. Ao chegar à recepção, perguntou preocupada:
— Desculpe-me se estiver te interrompendo, mas em qual cela está James Fleumont Potter?
— E quem seria a senhora? – O secretário perguntou, franzindo a testa e levantando os olhos da revista que lia a respeito de alguma celebridade aleatória que Euphemia nunca fez questão de saber o nome.
— Sou Euphemia Potter, a mãe dele. – quase que automaticamente respondeu, os olhos encarando o homem com expectativa.
— Ele não está em uma cela. – O homem resmungou, hesitando um pouco de se levantar da cadeira onde se posicionava. – Venha comigo, Sra. Potter.
A Sra. Potter rapidamente assentiu e então seguiu o recepcionista pela delegacia. Andaram por um bom tempo e passaram por diversas celas, onde alguns detentos presentes gritavam que eram inocentes, alguns apenas estavam deitados como se tivessem simplesmente desistido de gritar há bom tempo, até chegarem em um corredor, onde no final se encontrava apenas uma porta. Ela o seguiu até a porta e, finalmente, ele tirou um chaveiro do bolso e, com uma chave de um formato que Euphemia particularmente considerava peculiar, destrancou a porta. A mulher sentiu o coração acelerar e um misto de ódio e alívio preencher seu corpo.
Dentro do quarto, que não era tão espaçoso mas ao menos possuía um ar-condicionado (algo que Euphemia se viu obrigada a banir da casa devido a falta de condições de pagar a conta de luz), estava uma mesa e duas cadeiras. Na primeira cadeira, sentado de costas para a Sra. Potter e o recepcionista, estava um homem que definitivamente não era um policial, já que trajava um paletó que ostentava um distintivo dourado e que deveria ter sido polido mais de cem vezes. Na outra cadeira, algemado e de frente para o homem, estava um jovem que não devia ter mais que dezessete anos. Sua pele era escura, seu cabelo bagunçado era negro como petróleo e seus olhos eram castanhos. Óculos quadrados remendados com fita adesiva escorregavam por seu nariz, seu sorriso era debochado e se portava como se soubesse de tudo no mundo. Quando seu olhar se desviou por um momento para ver a mulher o encarando de forma furiosa, sua postura arrogante logo mudou para uma amedrontada. Com um sorriso amarelo no rosto, ele murmurou:
— Oi, mãe...
A Sra. Potter pareceu perder do seu rosto todo o vestígio de preocupação, que foi substituído por uma imensa raiva. O seu rosto sardento se cobriu de uma cor avermelhada, um tom que chegava a se parecer com o de seu cabelo ruivo bagunçando preso em um rabo de cavalo prestes a desmoronar, e caminhou até o jovem que pareceu se encolher na cadeira onde se encontrava. Com um olhar furioso, fogo parecendo dançar em seus olhos escuros, Euphemia deu um belo tapa na cabeça do filho, que choramingou levemente e passou a mão pelo cabelo.
— Mãe, a senhora não precisava fazer isso! – ele exclamou, indignado, mas se arrependeu logo em seguida ao ver a expressão furiosa da Sra. Potter.
— Eu não precisava fazer isso? – Euphemia sibilou e James se encolheu um pouco na cadeira. – Eu não precisava fazer isso? James Fleumont Potter, o que você fez dessa vez para acabar preso?!
— Eu… Hum… – James engoliu em seco, envergonhado, antes de responder. – Tentei hackear a Google, mas não consegui.
Euphemia o encarou por um momento, os olhos ainda irritados. Chegou a abrir a boca algumas vezes para falar algo, mas absolutamente nenhum som chegou a sair. Por fim, suspirou e enterrou o rosto nas mãos, murmurando alguns resmungos irritados. Ela finalmente levantou a cabeça, encarando o filho com os olhos castanhos estreitos e ameaçadores.
— Quando sairmos daqui, coloque essa informação no seu túmulo. – rosnou, logo em seguida virando-se para o homem de paletó, tentando parecer mais calma. — Desculpe-me, senhor, pelo que meu filho fez. O senhor não tem ideia de como é difícil criar um gênio, principalmente se ele for problemático. Quanto eu devo pagar de fiança?
— Sra. Potter, não será preciso fiança. – O homem de paletó se pronunciou e sua fala fez com que a mulher franzisse a testa. — Gostaria de conversar com a senhora em particular.
Ele então se levantou e, com a cabeça, apontou um local específico da sala. Euphemia franziu a testa por um momento, mas assentiu, o seguindo até o canto afastado. James ficou no seu lugar, inquieto, os pés e os dedos batucando de forma hiperativa, a mente trabalhando a mil enquanto pensava no que a mãe e aquele homem, que anteriormente havia se apresentado como Dumbledore para ele, discutiam. Mordeu seu lábio inferior, uma mania que havia adquirido com o tempo, mas que também lhe rendera alguns machucados na boca. Começou a assobiar, empurrar o corpo para frente e trás. Qualquer jeito de não ficar parado. Quando sua mãe voltou acompanhada do homem de paletó, James quase deu um pulo da cadeira. Seu olhar era atento e ansioso ao encarar a mãe, cujas mãos mexiam inquietamente na pulseira que usava.
— Vamos para casa. – Euphemia falou, tentando soar tranquila. – Você vai ter que fazer as malas.
— Malas? – James perguntou, confuso, franzindo a testa. – Como assim? Para onde eu vou?
— Hogwarts. – ela respondeu, a voz baixinha, como se estivesse relembrando de algo. – Você sabe... Aquela escola para gênios onde seu pai estudou.
Por um raro momento, a mente de James Potter não conseguiu processar nada para falar.
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