Generation
7 Um pouco de paz
Notas iniciais
POV Thalia
O médico que me examinou disse que não quebrei nada, mas que seria melhor se eu não andasse por algum tempo. Depois ele examinou Nico, e graças aos deuses ele não tinha nada grave. Quando o médico saiu eu tentei me levantar.
– Onde pensa que vai senhorita? — Nico perguntou me colocando de volta com as costas apoiadas na cabeceira da cama.
– Eu quero sair! — Eu disse emburrada. — Não passei por tudo isso para ficar presa em uma cama!
– É só por algumas hora Lia! — Nico disse colocando uma de suas mãos na minha bochecha. — Se quiser eu fico aqui com você.
– Se você ficar por mim tudo bem. — Eu disse dando de ombros. Ele se sentou na beirada da cama.
– Você ainda tem balinhas? — Ele me perguntou. Eu ri.
– Não. — Eu disse. — Você comeu todas.
– Que triste. — Nico disse fazendo bico. — Elas são realmente gostosas!
– Não se preocupe, provavelmente Annabeth e Percy vão ganhar balinhas e trazer para você! — Eu disse. Ele sorriu.
Ficamos um tempo em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
– Nico, você não ficou com medo? — Perguntei quebrando o silêncio. — Quero dizer, lá, você parecia extremamente calmo.
– Aprendi a algum tempo esconder o que sinto. — Ele disse. — Mas, respondendo, sim, eu estava com medo. E também estava preocupado com você e eu tinha que tentar fazê-lo esquecer de Percy, vai saber o que ele podia ter feito se nós dois mostrássemos medo. Aliás, você também parecia calma.
– Você não deixou eu ficar com medo. — Eu disse. — Falando nisso, só você para me fazer rir naquela hora.
– E aquele cara era esquentadinho não é? — Nico perguntou. — Credo, me deu um soco só porque eu ofereci balinhas!
– E me bateu só porque eu disse uma pequena mentira para ele. — Eu disse. — Ele está precisando de um terapeuta.
Nós dois rimos.
– Olá! — Annabeth disse entrando no quarto. — Nico, eu trouxe balinhas, elas tinham acabado não é?
Nico concordou com a cabeça e Annabeth jogou um pequeno saquinho com diversas balinhas lá dentro para ele. Um pouco depois Percy entrou no quarto.
– Annabeth nem entrou e Nico já pegou as balinhas? — Percy perguntou olhando para Nico. — Que rápido.
– Thalia, você está melhor? — Annabeth perguntou se sentando do lado de Nico.
– Se fosse por mim eu já estaria andando. — Eu disse. — Mas Nico não deixa.
– O médico disse que é melhor você não andar até amanhã. — Ele disse.
– Mas eu quero sair! — Eu disse. — Não gosto de ficar presa! Principalmente se eu não puder andar.
– Thalia são só algumas horas. — Ele disse com cara de tédio. Eu fiz careta e Annabeth riu.
– Tudo voltou ao normal. — Ela disse rindo. — Hum, nós dois conseguimos dinheiro para comer e passar mais uma noite aqui. Amanhã vamos ter que procurar outro lugar, nós passamos tempo demais aqui.
– Ah, Thalia não se esqueça que você vai ter que carregar meu violão por dois dias! — Nico disse sorrindo e colocando uma bala na boca.
– Eu cumpro minha palavra. — Eu disse sorrindo. Ele riu.
– Ah, Lia, enquanto você dormia Nico passou algumas músicas para seu mp3. — Percy disse. — David deixou ele pegar o notebook emprestado.
– Sério Nico? — Perguntei olhando para ele.
– Eu já estava me cansando de sempre escutar as mesmas músicas. — Ele disse dando de ombros. — Coloquei algumas músicas que gosto, acho que você vai gostar.
– Obrigada Nico! — Eu disse. Ele sorriu para mim.
– Quer uma balinha? — Ele perguntou. Eu ri e peguei a bala da mão dele.
– Gente, desculpa por ter colocado vocês em perigo! — Percy disse.
– Tudo bem Percy, é sério. — Eu disse. — Não aconteceu nada de mais.
– Mas podia ter acontecido. — Percy disse.
– Aliás, como vocês escaparam? — Annabeth perguntou franzindo a testa.
– Diríamos que eu e Thalia temos a arte de irritar as pessoas. — Nico disse. Eu concordei rindo.
– Disso nós dois já sabíamos. — Percy disse. Eu joguei um travesseiro nele.
– Vocês escaparam de um maníaco irritando ele? — Annabeth perguntou confusa.
– É por ai. — Eu disse dando de ombros. Percy riu.
– Vocês dois são estranhos. — Ele disse. — Geralmente as pessoas tentam não irritar o maníaco.
– Para quê ser igual né? — Nico perguntou colocando outra bala na boca.
Eles continuaram sentados comigo e depois de muita conversa acabamos todos nós dormindo juntos.
POV Annabeth
– Eu estou cansada de andar! — Reclamei quando virávamos mais uma rua. Já estávamos andando a quase três horas e não achamos nenhum lugar para dormir. Nico olhou para mim.
– Sobe ai. — Ele disse se abaixando para que eu pudesse subir nas costas dele. Eu subi e arrumei a cabeça de um jeito que pudesse ver o que estava na minha frente. Nico era encantadoramente alto. — Você é bem mais leve que a Thalia.
Thalia resmungou alguma coisa que eu não entendi, mas Nico entendeu e riu.
– Não estou te chamando de gorda! — Ele disse. — Só disse que Annabeth é mais leve que você.
– Olha, Thalia, aquele menino está olhando para você! — Percy disse. — Vai lá perguntar para ele se tem algum hotel por aqui.
Thalia fez careta e logo se virou para o menino, com um grande sorriso. Ela conversou um pouco com o menino, riu e no final deu um beijo na bochecha dele, que corou. Ouvi Nico bufar mas não disse nada.
– O que foi toda aquela melação? — Percy perguntou quando Thalia voltou.
– Cale-se. — Ela disse. — Tem um hotel há uns cinco minutos daqui.
Nós continuamos andando. Quando chegamos no hotel foi a vez de Nico ir até a recepcionista, ainda comigo nas costas.
– Você tem um quarto disponível? — Ele perguntou para ela. A mulher sorriu para ele avaliando-o.
– Para quantas pessoas? — Ela perguntou fazendo a voz mais doce que conseguiu.
– Quatro. — Ele disse sorrindo.
– Estão de visita na cidade? — A mulher perguntou enquanto fazia a ficha para Nico.
– Viemos visitar um familiar. — Nico disse. A mulher olhou pelo canto do olho para mim.
– É sua namorada? — Ela perguntou. Me segurei para não rir.
– Não, ela é minha prima. — Nico disse pacientemente. A atendente sorriu.
Thalia apareceu de sabe-se lá onde, dando um susto em mim e em Nico.
– Já fez a ficha? — Ela perguntou irritada e depois olhou para a atendente. — Ah, está xavecando.
– Não fale isso, não fui eu quem deu um beijo na bochecha daquele garoto. — Nico disse.
– Mesmo porque seria estranho você dando um beijo na bochecha dele. — Thalia disse. Eu ri.
A atendente olhou confusa para Thalia.
– Ah, essa aqui é minha irmã mais nova. — Nico disse sorrindo para a atendente.
– Olá! — A atendente disse sorrindo. — Você é bonita.
– Obrigado. — Thalia disse docemente. — Pena que não podemos dizer o mesmo de você, não é?
– Thalia! — Nico repreendeu. Eu ri da careta que a atendente fez.
– Dá para vocês irem logo? — Percy remungou aparecendo do nada também. A atendente de mal humor entregou a chave para Nico, que sorriu para ela.
Enquanto estávamos subindo Nico e Thalia começaram a discutir. Eu e Percy estávamos rindo.
– Hoje vocês se parecem mais com namorados do que com irmãos. — Percy disse.
– Se vocês forem ficar brigando assim Thalia fica sem mp3 e Nico sem balinhas. — Eu disse autoritária.
– Se você tirar minhas balinhas vai perder as caronas comigo. — Nico disse. — E eu não recebo ordens de alguém que está andando de cavalinho em mim.
– Ama tanto assim balinhas? — Perguntei. Ele balançou a cabeça positivamente.
– Você não faz ideia do quanto. — Ele disse. Eu ri.
– Okay, eu não tiro suas balinhas. — Eu disse rindo.
– Você é uma pessoa muito legal Annabeth! — Ele disse. Thalia riu.
– Como vocês dois conseguem ser tão bipolares? — Percy perguntou.
Thalia resmungou alguma coisa e entramos no quarto. Desci das costas de Nico e ajudei Thalia a contar todo nosso dinheiro. Nico pegou o caderno de músicas de Thalia, que por alguma razão eles chamavam de Desabafos e começou a lê-lo. Percy se jogou na cama e fechou os olhos, mas eu sabia que ele não tinha dormido.
Eu e Thalia terminamos de contar o dinheiro e Thalia passou seus olhos pelo quarto, fixando-os em Nico. Olhou para ele por algum tempo até que seus lábios se abriram em um pequeno sorriso.
– Nico, toca para mim? — Ela perguntou. O garoto olhou para ela saindo de seus pensamentos e sorriu.
– Thals, você me ouviu tocar o dia inteiro. — Ele disse sorrindo. Thalia se levantou e se sentou ao lado de Nico.
– Por favor. — Ela pediu olhando para ele. Eu sorri.
– Também quero te escutar tocando Nico. — Eu disse e ele olhou para mim. — Faz alguns dias que você não toca para nós.
Nico suspirou e pegou o violão. Eu me levantei e me sentei do outro lado dele.
– Que música vocês querem que eu toque? — Ele perguntou.
– Pode ser a primeira que fizemos juntos. — Thalia disse sorrindo.
Nico começou a tocar. Percy abriu um pequeno sorriso, mas não abriu os olhos. Quando Nico terminou de tocar Thalia e eu sorrimos.
– Nico você é muito bom. — Eu disse.
Nico sorriu para mim e me puxou para mais perto. Eu encostei a cabeça em seu peito. Thalia também fez isso.
– Percy vem cá também. — Thalia disse. Percy abriu os olhos e virou a cabeça para nos ver. Ele sorriu e se levantou, abraçando nós três.
– Olhe, vocês são o mais perto de uma família que já tive. Nunca ninguém se preocupou tanto assim comigo. — Thalia disse
– Já fazia tempo que eu não tinha alguém que acreditasse tanto em mim assim. — Nico disse beijando minha testa e a de Thalia. — Vocês são minha família agora.
– Olhe, eu perdi tudo e cara, você me acolheram. — Percy disse.
– Vocês são as melhores pessoas que já conheci, as únicas que acreditam que sou capaz. — Eu disse.
Não sei exatamente por quanto tempo ficamos assim, mas eu acabei dormindo no quentinho entre Nico e Percy.
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