Generation

1 Alguns Degraus na frente de uma padaria fechada...


Notas iniciais
Olá! Bem, aqui estou eu com mais uma história percabeth/thalico. Ela não está totalmente terminada, ainda faltam uns cinco capítulos para que eu termine, mas mesmo assim vou postar diariamente.
Vamos lá?

POV Thalia

Eu estou andando em uma rua que não conheço sem destino e com meus fones de ouvido. Quando tempo será que a bateria do meu mp3 vai durar? Suspirei. Eu não faço ideia de quanto tempo eu vou ter de música, nem do quanto a tinta da única caneta que trouxe comigo vai durar, nem quanto tempo eu vou conseguir ficar com esse dinheiro, mesmo economizando. A verdade é que eu não sei de mais nada, apenas que não quero mais voltar para minha casa.

Continuei andando, que horas são agora? Olhei em um relógio dentro de um bar. 18:00. Suspirei de novo, pelo jeito eu teria que procurar um bom lugar para dormir. Andei mais um pouco e finalmente achei um bom lugar, alguns degraus na frente de uma padaria. Ela tinha uma tenda, então eu estaria protegida se chovesse.

Guardei meu mp3, quero economizar a bateria dele. Peguei Desabafos, meu caderno de músicas que na realidade é meu melhor amigo. Comecei a escrever uma letra nele.

Desabafos era desde que ganhei ele, a alguns anos, o único que me entendia. Cada letra de música escrita nele é real e verdadeira, de alguma coisa que eu estava passando. Curiosamente, não tem nenhuma música de amor nele, porque sendo bem sincera, eu acho que o amor é algo que alguém que não tinha nada para fazer inventou.

- Posso me sentar? — Ouvi uma voz, que aliás me assustou. Levantei a cabeça. Um garoto estava na minha frente, ele era bem bonito. Tinha a pele pálida e ambos olhos e cabelos negros, o que eu achei bem contraditório. Ele usava uma blusa preta e calças jeans escuras.

- Claro. — Eu disse indiferente. O garoto tirou o violão que carregava das costas e arrumou sua mochila para se apoiar. Ele então ficou olhando para o nada, provavelmente pensando. Continuei escrevendo em Desabafos.

- Desculpe, não me apresentei. — O garoto disse. Ele não parecia estar querendo ser simpático apenas educado. — Sou Nico di Ângelo.

- Thalia Grace. — Eu disse fixando os olhos nele. — O que está fazendo nos degraus de uma padaria fechada a essa hora da noite?

- Acho que os degraus dessa padaria fechada vão ser minha cama por essa noite. — Ele disse. — E eu poderia perguntar a mesma coisa a você.

- Aqui também será minha cama por essa noite. — Eu disse. — Você não se parece com um morador de rua.

- Como se você parecesse uma. — Ele disse malmorado. — Eu fugi de casa ontem.

- Eu fugi de casa hoje. — Eu disse. — Problemas com a família?

- É basicamente isso. — Ele respondeu com um sorriso de canto. — O que está fazendo?

- Escrevendo. — Eu falei. Ele revirou os olhos.

- Tem milhões de coisas que você poderia estar escrevendo.- Ele disse. — Eu quero saber o que está escrevendo.

- Uma música. — Eu disse encarando ele.

- Pode ser tocada no violão? — Nico perguntou.

- Ela ainda não tem uma melodia. — Eu disse olhando para Desabafos.

- Posso tentar criar uma se quiser. — Ele disse também olhando para Desabafos. Eu entreguei o caderno para ele.

Nico se concentrou nas palavras escritas, então pegou um caderno de dentro de sua mochila e começou a escrever alternando os cadernos. Depois de meia hora, acho eu, ele me mostrou seu caderno.

- Sabe ler as notas? — Ele me perguntou. Eu assenti e peguei o caderno. Sorri quando vi que a melodia dele se encaixava perfeitamente a letra de minha música.

- Isso ficou perfeito! — Eu disse. — Não poderia fazer melhor.

- Posso tentar tocar no violão? — Ele me perguntou. Eu concordei.

Ele pegou o violão e começou a tocar e cantar. Algumas pessoas que passavam pararam para escutar. Comecei a cantar junto com Nico e as pessoas jogaram dinheiro para nós dois. Quando acabamos fomos aplaudidos. Nico olhou animado para mim.

- O que acha de ser minha parceira? — Ele perguntou. — Podemos escrever as músicas e cantá-las. Depois repartimos o dinheiro.

- Essa é a melhor proposta que me fizeram hoje. — Eu disse sorrindo.

Passamos a maior parte da noite fundindo as melodias dele nas minhas letras. Quando acabamos, tínhamos no total trinta e três músicas prontas. Decidimos que iríamos até uma praça que Nico tinha descoberto, no dia seguinte e tentaríamos ganhar dinheiro lá.

POV Nico

Chegamos na praça bem cedo. Nós dois escolhemos um banco que ficava mais ou menos no centro da praça e eu tirei meu violão de dentro da capa. Thalia colocou uma pequena caixa de papelão no chão e nós dois escolhemos uma das músicas para começar. Eu estava um pouco nervoso, nunca tinha feito isso antes.

Comecei a tocar tomando todo o cuidado para não errar nenhuma nota. Um pouco depois, Thalia começou a cantar e eu junto com ela. Aos poucos, pessoas iam se aproximando e gostando de nossa música. Alguns colocavam dinheiro na caixa, e outros jogavam até mesmo balinhas, o que eu achei legal porque gosto de balinhas.

Quando a noite chegou, resolvemos que já estava bom e arrumamos tudo. Thalia contou o dinheiro.

- Temos o dinheiro suficiente para a janta. — Ela disse sorrindo. — E se economizarmos talvez amanhã não precisemos dormir na calçada.

- Tem algum lugar que quer ir? — Perguntei retribuindo o sorriso.

- Podíamos passar na padaria que dormimos em frente. — Ela disse dando de ombros.

- Isso é bem contraditório. — Eu disse sorrindo de canto. — Vamos lá então.

Andamos até a padaria. Thalia me disse que tinha uma nova ideia para uma música e eu disse que faria a melodia se ela quisesse.

- Nico, isso está ficando bem legal. — Thalia disse. — Acho que poderíamos trocar de lugar amanhã, sabe, para não ficar muito cansativo. E também poderíamos lucrar mais com pessoas diferentes, o que acha?

- É uma ótima ideia. — Eu disse sorrindo. — Depois que comermos podemos andar um pouco procurando outro lugar.

- E também vamos precisar de outro lugar para dormir, acho que não vamos poder usar a mesma calçada de novo. — Thalia disse. — Espero que amanhã nós tenhamos dinheiro para um hotel ou pousada.

- Se nós não comermos nada caro vamos ter. — Eu disse me sentando e olhando as opções.

- Pelo jeito vamos ter que comer coxinha. — Ela disse. — E dividir um suco.

- Depois de sobreviver de pão ontem isso é um jantar de luxo para mim. — Eu disse. Ela riu.

Eu chamei a atendente e fiz o pedido. Um pouco depois já estávamos com duas coxinhas e um suco de laranja na nossa frente. Eu só percebi que estava morrendo de fome quando dei a primeira mordida, e acabei devorando-a rapidamente. Olhei para Thalia, ela estava comendo na mesma velocidade que eu. Depois de bebermos o suco nós dois pagamos e saímos em busca do nosso próximo "escritório" e da nossa próxima cama.

Achamos um pequeno lugar que tinha uma estatua para tocarmos no dia seguinte. Depois, procuramos um lugar para dormir e acabamos em uma calçada que tinha alguns vãos na parede, assim poderíamos nos acomodar em um deles.

Eu coloquei meu violão do meu lado e arrumei ambas as mochilas para que nós dois pudessemos encostar. Me sentei e Thalia a meu lado.

- Posso encostar em você? — Ela me perguntou. — Está frio.

- Claro. — Eu disse e ela encostou a cabeça em meu peito me abraçando. Confesso que é um pouco estranho tanto contato físico, principalmente com uma garota. Percebi que Thalia estava tremendo, então tirei minha jaqueta e joguei por cima dela, que como era menor que eu ficou quase como um cobertor.

- Obrigada Nico! — Ela disse se ajeitando.

- Prometo que amanhã vai ser melhor, okay? — Perguntei. Ela concordou com a cabeça. — Boa noite Thalia.

- Boa noite Nico. — Ela disse e dormiu. Eu também não demorei muito para dormir.

Quando acordei Thalia já estava acordada e escrevia em seu caderno, que eu descobri se chamar "Desabafos".

- Escrevendo uma nova música? — Perguntei. Thalia se virou surpresa.

- É, acordei com uma ótima ideia, então resolvi escrever. — Thalia disse. — Ah, um carinha que passou por aqui me deu um copo de café, deixei um pouco para você.

- Obrigado. — Eu disse enquanto pego o copo. Bebi um pouco. — Você quer começar a tocar agora?

- Acho melhor você arrumar seu cabelo antes. — Ela disse e eu fiz careta.

- Okay. — Eu respondi olhando meu reflexo em uma janela. Até que não estava tão ruim.

Quando eu terminei de tomar o café nós nos arrumamos e fomos até a fente da estátua. Como ontem, Thalia colocou a caixa no chão e eu comecei a tocar.

Hoje mais pessoas do que ontem pararam para nos ouvir. Nem mesmo conseguimos fazer uma pausa, eles sempre pediam mais músicas. Uma garotinha se aproximou e disse que queria cantar como Thalia quando fosse mais velha. Thalia sorriu e cantou uma música especialmente para a garota. Como agradecimento, a mãe da garota colocou uma nota bem alta dentro da caixa.

Quando terminamos ambos estávamos exaustos. Thalia sorriu quando terminou de contar o dinheiro.

- Nico, isso paga umas duas noites confortáveis e nossa comida. — Ela disse. Eu sorri.

- Vamos procurar algum lugar para ficar então. — Eu disse e saímos em busca de um hotel ou alguma pousada.

Incrivelmente, não achamos nenhum, então resolvemos perguntar para alguém. A primeira pessoa que passou por nós era uma senhora que deveria ter um pouco mais de sessenta anos.

- Com licença, a senhora poderia nos dizer onde tem um hotel ou uma pousada por aqui? — Perguntei. A senhora olhou para nós dois e sorriu.

- Por aqui não tem nenhum. — Ela disse.

- Parece que vamos dormir na calçada de novo. — Thalia disse triste para mim. Concordei com a cabeça sem acreditar na nossa falta de sorte.

- Vocês fugiram de casa? — A senhora perguntou. Nós dois concordamos. — O que o amor jovem não faz não é?
Thalia corou e eu olhei surpreso para a senhora.

- Não é isso. — Expliquei. — Nos encontramos a alguns dias por acaso, e desde então temos nos virado juntos.

- Ah, me desculpe. — Ela disse sorrindo. — Bom, se vocês quiserem tem um motel aqui perto.

- É melhor do que nada. — Eu disse sorrindo e olhando para Thalia, que retribuiu o sorriso. — Pode nos explicar como chegar lá?

A senhora nos explicou e fomos seguindo as instruções dela. Finalmente chegamos. Não era exatamente o que eu poderia chamar de cinco estrelas, acho que só tinha uma, mas era melhor do que a calçada.

Pedi um quarto para nós, já que não teríamos dinheiro para dois quartos e a comida, só se quiséssemos dormir na calçada de novo amanhã. O homem que estava atrás do balcão nos deu a chave e nós fomos até ele.

O quarto era... estranho. Ele era bem pequeno, tinha camadas de mofo nas paredes e o único móvel dentro dele era uma cama de casal. Ele tinha um pequeno banheiro com um chuveiro e um vaso.

- Pelo menos vamos ter uma cama. — Thalia disse. — E vamos poder tomar banho.

- Pode tomar banho primeiro. — Eu disse. Ela assentiu e pegou uma roupa dentro da mochila. Não demorou muito e ela saiu de lá usando a nova roupa.

Eu peguei uma roupa e fui até o banheiro, que era minúsculo. Eles esperavam que um casal tomasse banho ali? Não tinha espaço nem para mim. Depois que sai Thalia já tinha colocado meu violão encostado em uma das paredes e as mochilas perto dele.

- Vamos ter cobertor essa noite. — Ela disse sorrindo. Eu ri.

- É estranho ficar feliz por ter cobertor. — Eu disse e suspirei.

- Eu estou cansado.

- Eu também. — Ela disse. — Você acha que tem tomada aqui?

- Tem uma ali, porque? — Respondi apontando para a tomada. Thalia correu até sua mochila e tirou um mp3 de lá.

- Eu estava economizando bateria. — Thalia disse. — Não gosto de ficar sem música.

- Se nós dois continuarmos assim não vamos ficar nunca sem música. — Eu disse me jogando na cama. Ela riu.

- Eu sei, mas ainda sinto falta de solos de guitarra, e das batidas da bateria e do som legal que o baixo faz. — Thalia disse se jogando do meu lado.

- Entendo o que quer dizer. — Nico disse. — Eu não ouço esse tipo de música a três dias.

- Quando meu mp3 carregar eu deixo você escutar música nele. — Thalia disse. Eu concordei com a cabeça e peguei o cobertor. Thalia me ajudou a jogar sobre nós.

Ela colocou a cabeça no meu peito e eu acariciei seu cabelo. Não sei exatamente quando ficamos tão próximos, mas até que é bom.

- Você cumpriu sua promessa. — Ela disse. Eu ri.

- Verdade. — Eu disse. — Mas com sua ajuda.

Senti ela sorrindo. Um pouco depois minha blusa estava um pouco molhada e eu deduzi que Thalia tinha dormido(e babado). Fiquei mais um pouco acordado, pensando em quanto tempo vamos aguentar viver assim e acabei adormecendo.

Notas finais
Espero que tenham gostado... até amanhã!
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