Gemini - INTERATIVA
6 VI - Oculto
Notas iniciais
As ordens eram que Kalina fosse levada imediatamente para o setor de segurança máxima, uma vez que tanto ela quanto Kayo tinham tornado-se incrivelmente perigosos a partir do momento em que ele conseguirá fugir. Erin olhava atentamente através da do campo de força a figura da moça, de 25 anos, adormecida no chão. Ele notou que os sinais vitais alteraram repentinamente, a adrenalina junto aos batimentos cardíacos elevaram-se num instante e logo a taxa de 95% de sincronização saltou para 100% no momento em que ela acordou, assustada e num salto como tivesse acabado de ter um pesadelo. A respiração era ofegante e aqueles números perigosos. Isso queria dizer que mesmo distantes, ela acabará de se tornar uma ameaça.
— Inibição máxima. — Ordenou Erin e logo uma quantidade muito grande gás inibidor atingiu a cela fazendo-a adormecer novamente e diminuindo aos poucos as taxas.
Kalina caiu no chão frio com os cabelos negros sob o rosto, os olhos verdes fecharam-se lentamente e logo ela não fazia nenhum movimento. Os Aurus responsáveis pela perícia tinha esperado alguns minutos, para que não restasse a menor dúvida de que ela tinha sido alvejada com sucesso. Depois da fuga inimaginável de Kayo todo cuidado era pouco, por isso um par de metros fora enviado para injetar uma versão líquida dos inibidores por precaução.
Não era por acaso que Erin, talvez muito mais do que Enor, conhecia melhor os gêmeos e a capacidade de Kalina. A primeira vista o rosto delicado e jovem-, já que ela aparentava ainda não ter mais que 18 anos-, despertava uma sensação de que ela era plenamente indefesa, no entanto quando provocada ou quando a estabilidade emocional era prejudicada ela manifestava suas habilidades naturais.
A primeira delas ocorrerá quando a Kalina tinha apenas 13 anos de idade, ou talvez fosse quando ela e Kayo e fato tornaram-se mais evidentes para os Aurus. Eles estavam sendo observados em um lago congelado perto da cidade onde moravam, no Canadá. Naquele dia os irmãos tinham ido, como de costume patinar no gelo desacompanhados de outros adultos, afinal de qualquer modo não tinham muita opção.
Kayo que era o mais corajoso e imprudente logo calçou os patins e afastou-se da margem, deslizando sob a estrutura gelado e dando giros com perfeição. Ele era um excelente jogador de rock no gelo, e por isso tinha extrema facilidade em fazer aquilo. No entanto, a irmã que não deixava a desejar, parecia hesitante naquela manhã.
— Vamos. Vai ser divertido. — Ele disse com um sorriso no rosto e estendeu a mão da distância em que estava, enquanto ela permaneceu imóvel na margem.
— Eu não acho uma boa ideia. — Disse preocupada. — Tenho um pressentimento de que isso não dará certo. Na verdade eu quero que saia já daí.
— Não seja boba. — Ele afastou-se um pouco mais. — Não vai acontecer na- ele ouviu o barulho de algo se trincando. Quando olhou para os pés percebeu que a camada de gelo estava se rompendo.
O garoto teve apenas tempo de prender a respiração para não se afogar imediatamente, mas cair no gelo era um problema grave uma vez que não sabia nadar e se afundasse de uma vez não teria volta. Imediatamente a irmã correu até a borda onde o gelo tinha trincado, e no primeiro momento em que ele emergiu, percebendo que aquela seria a única chance esticou a mão para segurá-lo.
De longe Erin olhava o pânico e desespero dos dois adolescentes, mas algo o deixava perplexo. Naquele momento de perigo eles tinham atingindo 20% de sincronização, o que era muito comparado a capacidade dos humanos comuns de apenas 10%.
— Sai daqui. Você vai se machucar. — Ele disse de forma desconexa. Os lábios tremiam com o frio e o pânico o tomava, no entanto ela-não sabia de onde-reunirá forças o suficiente para puxá-lo de fora da água e trazê-lo para a margem em terra firme. A garota percebeu que o irmão ficava cada vez mais gelado seguido de um empalidecimento da pele.
Imediatamente ela pegou um celular no bolso e ligou para um tio que não morava muito longe dali, irmão do falecido pai. — T-tio. Meu irmão. Ele caiu no lago. Não sei o que fazer.
— Eu estou indo pra aí com médicos. Remova as roupas dele e coloque-o perto de uma fonte de calor. Qualquer uma. Abrace se for preciso, estou indo. E mais importante, sobre hipótese alguma não o deixe dormir. — O homem disse rapidamente. O tio dos dois gêmeos era um guarda-florestal que trabalhava não muito longe dali, por isso tinha uma noção básica de resgate. Apesar de se perguntar que adulto em sã consciência os deixaria perto de um lado sozinhos.
Feito como foi instruindo ela removeu todas as roupas do irmão, e imediatamente começou a vesti lo com o que tinha. Ela retirou o longo e pesado casaco, vestindo-o com ele, as luvas, o gorro, e até mesmo as meias. Depois aproximou-se de um tronco caído e o abraçou pelas costas, tentando se manter o mais perto possível. Isso não adiantaria muito, embora pudesse ser o suficiente para salvá-lo.
— Eu vou morrer. Não vou? — Ele disse confuso e mal conseguia se mover ou meramente sentir os membros do corpo. — A parte mais difícil disso é ter que deixá-la sozinha.
— Não seja idiota. Você prometeu que não ia morrer antes de mim.
— Prometi, não é? — Os lábios dele temiam incessantemente. Ele tentava respirar fundo. — Você tem razão. Não posso deixá-la com um monte de idiotas. — O garoto mal conseguia falar. — Não chora. — Ele percebeu algo molhado, uma lágrima cair sob o rosto.
Erin estava completamente pasmo diante daquilo. Ele não conseguia compreender como dois humanos tão pequenos eram capazes daquilo. Ele acompanhá-la toda a trajetória deles ao longo dos anos, desde que saíram do berço, cada um com sua peculiaridade, e com o passar do tempo os níveis de sincronização tendiam a aumentar.
Mais tarde naquele mesmo dia. ele acompanhará de perto os humanos no hospital onde o garoto estava internado, aparentemente sem nada grave. Os Aurus conseguiam isso, pois tinham uma capacidade se projetar astralmente em outros lugares através da mente por um curto período de tempo. Ele acompanhava a discussão acalorada.
— O que você tem na cabeça de deixá-los sozinhos num lugar desses. — O tio profundamente irritado alterou a voz cobrando explicações da mãe dos gêmeos.
— A culpa não é minha! Eu estava ocupada e eles já são grandinhos. — Ela retrucou. — Eu tenho minha vida para cuidar e não posso perder meu tempo ficando de olho neles! Não vou parar a minha vida por causa de ninguém.
— Eles são seus filhos! — Vociferou, no entanto viu que aquilo de nada adiantava.
Erin percebeu que a garota estava parada diante da porta, ouvindo a conversa, lágrimas desciam pelos olhos. Ela deu as costas e caminhou até o quarto onde o irmão estava repousando. Erin acompanhou cada passo dela e quando entrou viu que ela entrelaçou a mão a dele chorando o máximo que podia. As lágrimas contidas pareciam ter apenas um refúgio. Quanto ao garoto milagrosamente ele estava bem.
Os pensamentos do Aurus foi interrompido por um de seus ajudantes. — Sedação completa.
— Ótimo. Vocês já sabem o que fazer.
[...]
Stlevana não teve tempo de pensar, a partir do momento que viu Kayo sendo jogado ela saltou imediatamente para salvá-lo. Era como se o corpo reagisse imediatamente, ela conseguiu ficar submersa boiando na superfície enquanto o segurava. Ela olhou para Dankim incrédula.
— Você está maluco Dankim! Ele poderia ter morrido. — Gritou. — Qual é o seu problema? — Aquela explosão não poderia acontecer em hora mais inadequada, enquanto isso Kayo tossia recuperando-se do susto.
—Eu ia salvá-lo. — O Gemini oriental disse com naturalidade. — Talvez ele jamais pularia se fosse de outro jeito. E não tem outra forma de sair do complexo 7.
— Ainda assim foi perigoso. — Ela ainda estava visivelmente irritada.
Dankim nadou até próximo dela. — Deixe que eu ajudo. — Ele se referia a transportar Kayo até a outra extremidade, mas a garota recusou desconfiada e decidiu ela mesma ajudá-lo. Estava evidente que Kayo não sabia nadar, e aquilo foi muito perigoso mesmo para os padrões de Geminis que tinham sido criados para serem mais resistentes e poderosos.
— Não se preocupe. Eu consigo ficar até 5 minutos sem respirar. — Kayo disse tranquilamente. — Ainda assim foi crueldade me chutar de guarda-baixa Dankim. quando eu chegar do outro lado vou te dar um soco.
A situação parecia estar aparentemente bem. E isso fez a garota ficar mais aliviada. Se fosse em outras circunstâncias aquela enorme piscina de água, que tinha aproximadamente 10 metros de profundidade criaria grandes ondas, correntezas ou soltaria metrons aquáticos, uma vez que embora Kayo pudesse ser parado com água, qualquer outro gemini poderia escapar com facilidade caso soubesse nadar. A única maneira de atravessar era sob uma plataforma flutuante que pairava no ar 5 metros acima da água.
Ao sair da água Stlevana percebeu que as roupas estavam sequer molhadas, isso porque os Aurus a tinham criado impermeáveis e resistentes a diversos tipos de situações. Dankim tirou das costas a bolsa que carregava, o local ainda estava pouco iluminado e não tinha sequer um sinal de vida próximo. Kayo sacudiu os cabelos molhados e pegou uma lanterna dentro da bolsa.
— E agora?
— Vocês já ouviram falar da catedral? — Os dois geminis tinham talvez uma vaga noção do que poderia ser aquilo.
— Dizem que tem uma no lado oculto da lua. — Kayo deu de ombros. — E dai?
— Catedral? — Perguntou Stlevana.
— Existia uma teoria na terra baseada em algumas imagens de que tinha uma cidade no lado oculto da lua. Aqui é semelhante, antes dos Aurus chegarem e construírem a cidade havia aqui outra cidade, só não sabemos que tipo de vida existia aqui. A única coisa que sei é que assim como a terra esse planeta tem os mesmos recursos, a diferença é a quantidade e claro que muita coisa foi adaptada. No entanto, da para supor que existia vida aqui.
— Se existia então o que aconteceu?
— Isso eu não sei, mas tenho certeza que eles não fariam nada aqui se não fosse seguro. A nave mãe deles é enorme e poderiam muito bem se manter lá, ou construir uma estação. Até mesmo permanecer na terra. Se eu não estiver errado deve ter uma entrada para antiga cidade.
— Vamos. — Kayo colocou as mãos no bolso e caminhou. Parecia um pouco abatido e apático. — Que foi?
— Eu não vou mover o pé daqui até o Dankim explicar como ele sabe tanto dos aurus. Pode me achar desconfiada, mas eu não acho que os Aurus iam deliberadamente contar isso a ele.
— Você pode confiar nele. — Kayo interveio.
— E se isso for mais um teste? — Ela permanecia hesitante, pois até então todas aquelas ações foram incrivelmente suspeitas. Jogar Kayo na água, saber tanto como se fosse um próprio aurus. Stlevana passara por tantos jogos psicológicos que era difícil confiar tão facilmente assim.
—Nós não podemos te obrigar a vir. — Disse Dankim. — Porém, logo eles vão estar por aqui para nos localizar. Eu prometo que explicarei tudo, sou um de vocês e não um deles. — As palavras do homem oriental pareciam sinceras.
Eles seguiram pelo chão de pedras em formatos geométricos variados. Estava incrivelmente escuro, e pelo menos naquela parte não tinha nenhum dispositivo elétrico. De qualquer modo não era bom chamar atenção dos Aurus da cidade, uma vez que logo buscaram pistas sobre eles.
Os geminis chegaram perto a uma formação rochosa e entraram por um buraco estreito. Estava escuro, Dankim pegou uma lanterna e logo eles notaram um extenso corredor. As paredes pareciam ter sido esculpidas nas próprias pedras, no entanto tinham detalhes delicados e bem esculpidos. Eles caminham pelo escuro, portando apenas uma lanterna. Embora velho e empoeirado o lugar estava bem conservado. Eles chegaram até um salão, onde tudo parecia abandonado.
— Podemos descansar aqui. Eles não nos acha. — Concluiu Dankim sentando no chão, ele pegou uma espécie de garrafa onde tinham pastilhas do tamanho de um biscoito comum. Na verdade era um cilindro. e deu um para cada.
— Odeio essa maldita ração. — Murmurou Kayo mordendo a pastilha. — Isso não tem gosto de nada. — Os outros dois pareciam concordar,
Dankim pegou na mochila um disco redondo de metal, apertou algumas vezes e logo uma projeção holográfica apareceu diante dos outros dois. conforme ele apontava com o dedo no ar, o sistema ia respondendo e mostrando imagens. — Antes de avançar na direção do complexo quatorze precisamos resgatar mais cinco pessoas. Alguns estão no complexo seis, outros no complexo oito. S[o que invadir não sera tao fácil quando sair. Provavelmente eles vão estar mais espertos agora.
— Você não acha que a primeira coisa que eles vão fazer e buscar numa cidade subterrânea? — Questionou Stlevana mexendo numa mecha de cabelo.
— Não. Aqui em baixo no ar tem uma substancia que e altamente tóxica e venenosa pra eles, pode matá-los em minutos. Além disso, não podem mandar metrons porque aqui em baixo bloqueia sinais de recepção, eles nem sabem que temos consciência da existência desse lugar. Essa será nossa maior vantagem.
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