Gemini - INTERATIVA
2 I - Aurus.
Notas iniciais
A quinta base era um laboratório de estudo situado no inicio dos campos de teste. Toda a estrutura do campo que abrigava inúmeros laboratórios, era quase o equivalente a uma cidade Grande na terra, como Nova York. Lá além das bases de estudos, ficavam o exército dos Aurus e alguns poucos civis, o restante tinha morrido na guerra que se estendeu durante milênios, dizimando quase toda a raça e os obrigando a se esconder num planeta inabitado.
Eles não tinham mais absolutamente nada. A única saída era vencer a guerra e causar uma reviravolta, mas com as próprias condições físicas era quase impossível, levando em conta que a outra raça os Damadur, eram incrivelmente fortes e brutos. Os Aurus por sua vez tinham um corpo de fisionomia humanoide, pele azulada, porém com ossos e um sistema bem frágeis, que os obrigava a usar uma espécie de exoesqueleto e uma armadura feita de metais bem resistentes. Ainda assim mesmo com a proteção eles sentiam os impactos brutos dos Damadur sendo incapazes de permanecer muito tempo em campo. Foi então que os olhos da raça tão avançada em tecnologia voltou-se para o planeta dos primatas, a terra.
O objetivo era estudá-los e ver o quão os humanos podiam evoluir ao longo dos anos, e embora parecessem apenas pequenos mamíferos irracionais, por causarem inúmeras guerras, os Aurus logo perceberam que alguns deles conseguiam fazer feitos extraordinários, e que com um pouco de biotecnologia tinham o potencial quase ilimitado. Humanos não usavam 10% de sua capacidade, por terem muitas limitações físicas e mentais, mas com o conhecimento avançado logo eles se tornariam um exército poderoso, além de os hospedeiros perfeitos. Com essa meta teve início ao experimento dos Gemini.
Quinta Base — Complexo 7
Os observadores já estavam a quase meia hora sem saber o que fazer diante da atitude inesperada de Kayo, com o qual deveriam ter o máximo de cuidado. Logo Enor, o responsável pela quinta base, e idealizador do projeto foi chamado. Os “analistas” soltaram uma dose de calmantes através de um tubo de soro, e logo Kayo caiu lentamente no sono perdendo a noção do que estava acontecendo ao redor e mergulhando no profundo do inconsciente.
As enormes portas se abriram e Enor entrou na sala, ordenando que alguns guardas removessem o espécime e o colocassem sob uma mesa de estudos para analisarem as ondas neurais, pois ele deveria estar em perfeitas condições para o próximo teste.
Dois guardas cobertos por armaduras negras, com um tecido emborrachado começaram um processo de remoção. Aos poucos desprendiam o corpo do rapaz do teto, desconectando uma série de fios. O corpo que fora removido da roupa isolante estava completamente nú, e foi preso a uma mesa de metal com algumas amarras metálicas. Depois foi coberto por um tecido térmico, logo em seguida sendo levado por um extenso corredor.
— O espécime está totalmente inconsciente. — Um dos analistas sinalizou observando os sinais vitais através de um monitor, enquanto acompanhava Enor a sala designada.
Ambos adentraram, mantendo sempre um campo de força entre o espécime e eles. Um monitor e uma mesa holográfica foram ativados, e logo todos os dados do Gemini estavam ali.
— Quando ele começou a sorrir, segundo como determinam os humanos essa reação estranha, ficamos preocupados. Geralmente Kayo é violento e pouco pacífico. — O analista disse observando o enorme monitor. – Não entendo senhor Enor.
— Ele é a coisa mais perigosa que temos aqui. Talvez seja melhor te mostrar. — Imediatamente no painel apareceu uma gravação do último teste de Kayo e sua gêmea Kalina, uma moça com um pouco menos de altura que o rapaz. Cabelos negro, lisos e olhos verdes.
No holograma mostrava quase toda a sala de testes destruída, com escombros e vários Aurus caídos no chão. – Como isso é possível, senhor? — Disse abismado.
— Olhe para o monitor. — Imediatamente apareceu a imagem de Kayo deitado sobre a mesa enquanto dormia, ao lado uma imagem de Kalina também inconsciente, presa no Complexo 12. O analista olhou atento para as informações e aquilo era quase impossível.
Taxa de sincronização 100%.
— Eles são Gemini perfeitos — Indagou e Enor assentiu.
— Sim. É por isso que colocamos Kalina em hibernação. Note que os batimentos cardíacos dos dois assim como as ondas neurais estão no mesmo ritmo. É quase como se compartilhassem a mesma mente.
— Impressionante. Eu nunca reparei, as taxas de Kayo sempre estão em 95%.
— Eles só são capazes de sincronizar se estiverem no mesmo estado. Neste momento ambos estão dormindo, por isso é possível, mas não se preocupe eles são inofensivos assim. O perigo mesmo é se ambos estiverem acordados e juntos, por isso mandamos Kalina para o complexo mais distante daqui. E ainda assim eles estão em sintonia.
Aquilo era quase um milagre. A maioria dos Geminis tinham uma alta taxa de sincronização, e eles eram divididos nas bases conforme o tipo e as habilidades. Esse era um fator importante para que os Aurus pudessem controlá-los, mas ainda assim não era tão simples quanto parecia. Humanos tinham uma essência profunda e enigmática, difícil de domar, e infelizmente os estudos ainda não tinham sido concluídos.
— Ele está acordando. — O analista apontou para a mesa receoso. E logo foram acionados os Metrons, unidades de robôs fortes e altamente sofisticada criada pelos Aurus. Inicialmente o objetivos era controlá-los e usá-los na guerra contra os Damanur, porém o fato dos robôs não terem consciência ou uma inteligência artificial alta tornava isso impossível, assim sendo usados para controlar os humanos. Eles iriam removê-lo e levá-lo ainda sob os efeitos do calmante para a sala de testes.
[...]
“O que você pode ouvir? Eu estou aqui. Para sempre.”
Kayo acordou num enorme salão, deitado no chão frio. O piso parecia com mármore, e ao redor não tinha absolutamente nada, além do campo de força. Ao lado estavam as roupas favoritas dele, um longo casaco de couro que atingia a altura dos joelhos com uma touca vermelha; uma camiseta preta com estampa de caveira; uma calça comum e um coturno também de couro.
O motivo daquilo era que os Aurus acreditavam que quanto mais confortáveis estavam os espécimes, melhores os resultados eles demonstravam, e naquele caso em específico Kayo era um daqueles que gostavam de lutar. Ao lado tinha também uma espécie de espada e uma pistola criados especialmente para ele.
Em todos os seus vinte e cinco anos de idade, e os quase dez preso no complexo 7, essa era a parte mais divertida de todas para o rapaz. Era o único momento em que estava livre para se movimentar como quisesse, estar em contato com outros humanos e usufruir de seus poderes.
Uma abertura média se abriu no chão, e um elevador se ergueu. De dentro saiu um outro rapaz, de cabelos negros, pele meio amarelada, olhos puxados. O apelido dele era Dankim, e era apenas dois anos mais velho que Kayo.
Dankim era oriental, nascido no Japão e tinha perdido seu irmão gêmeo durante os testes, por isso constantemente era usado para lutar contra outros Gemini e testar a capacidade deles. Esse era o destino de todos aqueles que tivessem algum talento promissor, e nenhum par, pois para os outros apenas a morte.
Kayo sorria de canto, sentindo a adrenalina percorrer pelo corpo. Recebeu uma descarga elétrica de alta voltagem, e logo os cabelos do rapaz de negros tornaram-se platinados, praticamente albinos. A espada que carregava nas mãos brilhou intensamente, enquanto isso o oponente apenas o observava seriamente com pouca expressão ou demonstração de emoções.
— Pronto para sentir dor? — Kayo disse com uma expressão quase sádica.
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