Gemini Chaos - Raiden's Chronicles

2 Capítulo 01 - Forasteiro avistado


Notas iniciais
Oi pessoas, me desculpem pela demora na postagem desse capítulo, acontece que eu estou me esforçando ao máximo para fazer dos capítulos, perfeitos. Agradeço e ofereço-o à minha linda beta, ela está me ajudando pakas na moldagem da narração e da escrita, muito obrigado. Boa leitura a todos o/

Raiden andava pelo terreno branco, era a primeira vez que ele via a neve tão de perto, estava quase pulando de alegria. O garoto não conseguia parar de pensar em como tudo aquilo era tão lindo. Os pinheiros grandes cobertos por um branco magnífico exuberavam beleza. Aquele território fazia jus ao título de O Mais Belo dentre os demais. Mas onde estaria a civilização?Raiden pensava.

Após dar alguns passos, sentiu seu estômago roncar e percebeu que estava faminto. Olhando sua carteira quase vazia, lembrou-se das horas passadas, em que um senhor o trouxe em seu pequeno barco, ao local que ali estava. Aquele serviço ultimamente incomum tinha lhe custado muito caro.

Que exploração. Agora Raiden pensava que ao menos poderia ter exigido um lanche pra viagem.

De repente, ouve-se um barulho baixo vindo de trás de algumas árvores. Tendo sua curiosidade atiçada, o jovem andarilho guarda sua carteira no bolso traseiro da calça, coloca suas mãos nos dois bolsos frontais da blusa de manga comprida, e se dirige ao rumo de onde veio o barulho.

Ao chegar perto de um pinheiro, e olhar atrás dele, Raiden avista um pequeno animal. Com uma cauda longa e peluda, focinho estreito, longas orelhas pontudas, patas pequenas e graúdos olhos azuis, estes eram a única parte em seu corpo que contrastavam com o meio ambiente, já que sua pelagem tinha o mesmo tom da neve que encobria todo o lugar. Raiden percebeu que o animal tinha um tipo de colar em sua boca, enquanto tentava cavar um buraco na neve.

– Ei, o que você tem aí? – Raiden deixou escapar.

Ao ouvir a voz do garoto, o pequeno animal notou sua presença e logo em seguida, partiu em disparada para o outro lado. Seguindo a criatura em paços largos, Raiden queria o colar, já que ele devia ser de alguém que morasse nas redondezas, e devolvê-lo poderia lhe render alguma amizade. A arisca criatura ao notar que estava sendo seguida, começou a correr mais rápido e a se embrenhar na densa floresta congelada. Os pinheiros tornavam-se mais frequentes quanto mais se afastava da costa.

Franzindo a testa depois de ter sido deixado para trás, o andarilho resolveu deixar de lado, afinal aquele colar poderia ter sido perdido há muito tempo, não era certo que ele tivesse um dono atual (que não fosse o pequeno animal, claro). Porém, chateado com a derrota e perdido num lugar completamente desconhecido, Raiden abaixou sua mochila em uma árvore que estava ali perto e deu-lhe um murro. Após isso sentiu um leve tremor em seu punho que se mantinha firme no tronco, ele não queria pensar no que aquilo significava, mas com relutância resolveu voltar seu olhar para cima, e não pôde ver mais nada além de uma densa camada enorme de neve que se desprendera dos galhos da árvore.

***

– Lily, não vá muito à frente – Dizia o menino que ia procurando por algo dentre as árvores, que se dispunham perto do caminho em que sua irmãzinha ia saltitando.

Os cabelos brancos dela se misturavam com a pelagem da gola de sua camisa num tom único, enquanto que suas luvas e botas roxas não combinavam nem um pouco com sua calça cinza, e com as mangas de sua blusa no mesmo tom de sua calça. A garota aparentava ter uns onze anos.

– Venha Reavy, mais rápido – Gritou Lily, cada vez mais distante de seu irmão. Ela pulava pelo caminho, cantarolando uma canção de sua mãe. Suas bochechas vermelhas demonstravam o frio em que estava exposta, mas sua vestimenta lhe protegia do sopro gelado da mãe-natureza que vinha sobre o seu corpo enquanto pulava – Vamos logo encontrar o Lupin, o vovô deve estar preocupado por não estarmos em casa.

Reavy apressou seu passo para se juntar a sua irmã, e ao chegar perto dela, começou a cochichar em seu ouvido:

– Não vai querer se perder por andar muito longe de mim, afinal você não quer encontrar um monstro devorador de pessoas por aí não é? – o menino falou em um tom que tentava meter medo em Lily.

– Hmmm, monstro? – ela perguntou enquanto colocava seu indicador em sua boca, refletindo sobre as palavras do irmão — Você não me pega mais com essas suas histórias, maninho – fechou os olhos e voltou a saltitar em risadas.

– Mas é verdade, foi o papai que me contou sobre eles – Reavy insistia em contar para sua irmã, mas já não sabia se era para alertá-la ou apenas para lhe meter medo – Eles os chamam de Obscurius, são criaturas enormes e muito fortes. Se eles te virem, imediatamente te atacam. Têm garras enormes pelo corpo e são todas negras, nem parecem deste mundo.

Embora as palavras de seu irmão agora parecessem sérias, Lily só dava risadas, já estava acostumada com as mentiras dele com a finalidade de lhe meter medo, e aquela era provavelmente mais uma delas.

– Ei, olha ali, é o Lupin! – Apontou Reavy na direção de um galho de uma árvore – Ele está com o colar da mamãe, esse gatuno!

A criatura estava ali em cima fitando o chão embaixo da árvore, sua postura relaxada mostrava a animação que sentia por aquilo que via, talvez gostasse de alguma coisa ali. O irmão mais velho foi em sua direção, ele estava indo pegar de volta o colar e trazer nem que fosse agarrado o bichinho de estimação de sua família.

Ao chegar perto da árvore e tentar subir, Reavy foi surpreendido por várias frutas pretas que seu animalzinho lhe lançava com a boca, frutas médias que estavam em abundância ali onde tinha subido.

– Ei, desça já daí seu monstrinho orelhudo! – O garoto disse bravo, porém logo abriu um berreiro depois de ter sua cabeça atingida por uma das frutas.

Ao escutar a palavra orelhudo, no mesmo instante Lupin jogou com sua boca o colar para cima, e deixou-o cair em seu pescoço, e saltou do galho onde estava, caindo em cima da cabeça de Reavy, derrubando-o no chão. Após isso, começou a morder sua cabeça como se fosse um cão magro que não comia há semanas após ter encontrado seu primeiro osso. Os dois começaram a se debater no chão como se tivessem jogado algo precioso para eles, em que apenas um seria o dono, porém a melhor coisa seria ver o outro pedir arrego.

Lily tinha chegado mais perto para ver aquela confusão em que seu irmão se metera, quando de repente sentiu sua canela congelar. Com isso, seu corpo inteiro se arrepiou, um frio subiu por sua espinha e uma palidez que lhe faria se camuflar na neve tomou conta de seu rosto.

O que fez sua canela congelar na verdade se tratava de uma mão, que surgia do solo e lhe tinha segurado. Com bastante relutância e pavor, Lily tentou olhar para baixo com seus olhos e lábios tremendo de tanto medo, porém não precisou avistar o local, já que em sua frente se levantou uma criatura nevada gemendo estranho.

– Um... um... um... Obsbranco!!! – Lily gritou com todas as forças.

O gemido da criatura e o grito de Lily só foram interrompidos por um golpe, que Reavy desferiu na criatura com uma das frutas que estavam no chão. Ao cair, pôde-se ver que não se tratava de um monstro ou algo do tipo, já que a neve que o envolvia se dissipou no chão, mas sim de uma pessoa: Um rapaz moreno que agora parecia ter duas cabeças graças ao galo resultante do golpe.

– Uma pessoa? – Reavy falou, ao se aproximar de sua irmã.

Levando a mão à cabeça, Raiden passou a segurar o local atingido enquanto resmungava suas dores ao se levantar. Depois de já estar de pé, começou a esfregar suas mãos em seus braços, parecia estar morrendo de frio, já que sua pele estava com uma coloração arroxeada.

– Que... Quem é você? – Indagou Reavy, a última coisa que ele pensava que tinha acertado era uma pessoa – Porque está aqui? Nunca te vi pelas redondezas.

– Ah, finalmente alguém – Raiden deu um leve sorriso, tentando ser simpático – Eu sou de outro clã, queria saber onde está a civilização mais próxima.

Desta vez foi Reavy que ficara pálido. A notícia de que uma pessoa de fora estava bem ali na sua frente foi impactante. Lily não entendeu a reação do irmão, mas sabia que não parecia ser uma boa coisa.

– O que foi Reavy? O que tem? – Perguntou Lily para seu irmão.

– Lily, ele não pode ser uma boa pessoa! – Reavy dizia, ainda chocado – Ele é de outro clã, um que provavelmente matou muitas pessoas do nosso no passado. Se ele veio até aqui só pode significar uma coisa, veio trazer destruição.

De repente Reavy pega pelo braço de sua irmã e começa a correr com ela, após ter chamado Lupin para que o seguissem. Raiden por sua vez embaraçado, não sabia o que fazer, para ele também era um choque aquele contato com pessoas de outros lugares, ele não sabia que pensariam tal coisa de sua pessoa.

Raiden voltou para perto do tronco da árvore, e tirou sua mochila debaixo da neve que ali caíra. Ele sentou no chão e refletiu um pouco sobre o que acabara de presenciar. Era lamentável que uma criança daquela idade já tivesse sua moral moldada a tal ponto, ao qual a visão negativa de seus pais perante as outras pessoas já tivesse permeado em sua cabeça.

Agora já estava na hora de ele ir andando, se ficasse mais um pouco ali iria congelar. Ele olhou para o chão e sorriu ao ver a trilha de neve pisada pelas duas crianças. Tudo indicava que se fosse por lá, encontraria mais pessoas, mas agora ele estava em dúvida se isso seria bom ou ruim. Mesmo assim, Raiden se levantou e começou a andar enquanto agitava sua roupa com as palmas de suas mãos na tentativa de limpá-la da neve.

Andando pelo caminho ao qual as crianças percorreram, ele não parava de pensar. O jovem já esperava que o primeiro contato com aquele território não seria um dos melhores, mas agora tinha certeza daquilo. Será que todas as pessoas ali tinham a mesma visão? Ao ir caminhando e refletindo sobre as coisas da vida, lhe veio uma imagem em sua mente:

Raiden, bem mais novo, estava ao lado de sua mãe segurando a mão da bela loira cujos cabelos desprendidos se mexiam com grande formosura ao sopro do vento. Ambos estavam encarando um grupo de crianças que falavam sobre eles, um pouco mais distante.

– Ei, Miyuki, não fique perto deles – Falou um menino de cabelos marrons, seu nome era Fujimoto, e ele estava a segurar pelo braço de sua irmã mais nova, como forma de lhe dar um sermão por alguma coisa que ela tinha feito – Eles não têm o nosso sangue correndo por suas veias.

Miyuki estava indignada, e conseguiu tirar seu braço das mãos do irmão. O garoto teve apoio de seus dois outros irmãos que estavam ao seu lado, ambos insistiam em falar mal da dupla em que sua irmã tinha se tornado amiga, com a intenção de fazê-la desistir de sua amizade.

A pequena garota de cabelos negros tal qual aos do Raiden, porém com algumas mexas cinzas, agora estava com suas duas bochechas cheias de ar, demonstrando assim sua raiva perante os irmãos – Não sei o porquê da cisma que vocês tem com relação aos dois, pra mim eles são pessoas como nós – Dizia em tom reprovador.

Ambos os irmãos passaram a quase carregar sua irmã para longe de Raiden e sua mãe, ao mesmo tempo em que continuavam a proferir palavras que os feriam. Raiden, ao olhar para o rosto de sua mãe, notou que ela o olhava com um sorriso amenizador e suave em seu rosto. Ela não demonstrava se importar tanto com o que as crianças tinham lhe dito, apenas sorria para tornar aquele momento um pouco menos negativo para seu filho.

– Não se preocupe filho – Pronunciou ela ainda com o sorriso no rosto – Miyuki não deixará de ser sua amiga, mas ela não irá gostar de brincar contigo se continuar com esse seu rosto choroso – Ela enxugou as lágrimas que escorriam pelo rosto de Raiden com o lenço que tirara do bolso de seu longo vestido florido, com predominantes cores vivas.

Raiden por sua vez, começou a sorrir para a alegria de sua mãe. Ela demonstrava ser inabalável e ele, como seu filho, precisava aprender a ser forte como ela.

Raiden voltou ao presente sacudindo sua cabeça para um lado e para o outro com uma tentativa de afastar as memórias. Aquela visão de seu passado agora parecia lhe dar um novo ânimo: As duas mulheres que foram tão importantes em sua vida lhe ensinaram muitas coisas, e agora ele sentia que se fraquejasse, estaria de certa forma desapontando-as.

Os pensamentos lhe desprenderam tanto da noção do tempo, que ele não percebeu que já havia se passado cerca de meia hora desde que começara a caminhar na mesma direção em que os irmãos tinham fugido. Agora já estava avistando o fim do caminho, que dava entrada a uma pequena vila. Finalmente tinha chegado à primeira colônia de pessoas.

Ao cruzar a fronteira que separava a vila da floresta de pinheiros, ele pôde pela primeira vez vislumbrar as moradias típicas da região, apesar de serem simples, as residências que ali estavam demonstravam um conforto que o faria ceder a morar lá por muitos anos. A primeira casa a direita que lhe veio à visão e lhe chamou tamanha atenção, tinha uma chaminé larga no centro do telhado, e um imenso pátio que dava de frente com a rua principal em que estava, seu acabamento era de madeira e tinha um tom vermelho rubro, que já estava desgastado pelo tempo.

Depois de caminhar por mais alguns metros, teve sua atenção roubada por outra residência, esta era menor e estava ao lado esquerdo da rua, sua coloração tinha um tom predominantemente roxo, porém quase sem vida. Sua frente era o que lhe chamava mais atenção, quase na rua tinha uma placa que estava fincada no chão, não dava para ler direito o que estava escrito, pois a neve encobria quase todas as letras, porém o pouco que dava para ler ali dava a impressão de indicar que aquela casa era algum tipo de restaurante, ou casa da comida, não dava pra se ter certeza. Até que isso fazia sentido, já que na parte frontal da casa havia várias mesas redondas e cadeiras feitas de madeiras que eram fixas ao chão.

Andando por mais alguns segundos e passando por algumas outras casas, Raiden avistou pela primeira vez alguém que morasse ali. Era uma mulher de longo vestido azul celeste, estava sentada em uma cadeira de balanço no pátio de sua casa, em seu colo estava um pano com alguma coisa dentro, parecia mais um bebê pela forma com que a provável mãe o segurava. Quando seu olhar se cruzou com o de Raiden, ele lhe lançou um simpático sorriso e antes que pudesse a cumprimentar, percebeu que seu rosto se fechara na mesma hora com que o tinha avistado. A jovem mãe então se levantou de sua cadeira, e entrou em sua casa com seu bebê. Parece que a notícia de que um forasteiro teria chegado a sua terra já tinha se espalhado – Pensava.

Não se deixando abalar, continuou caminhando por mais alguns metros, nesta parte já tinha percorrido cerca da metade da pequena vila, mais uns cinquenta metros a sua frente estava o que parecia ser uma praça, com bancos em cada ponto do círculo em que ela estava contida, nela passava também outra rua que cortava a que Raiden estava localizado. Ele pôde avistar bem no centro um grande monumento, parecia talhado com detalhes minuciosos e feito pelas mãos de um especialista, lhe deu então uma vontade de chegar mais perto para que pudesse admirar aquela obra ao ar livre. Porém não pôde chegar próximo ao local, graças a um chamado que lhe dirigiam vindo da rua que cortava a sua.

– Ei você, é o forasteiro que acaba de chegar em nosso território? — Lhe disse um homem fardado, seu uniforme azul, da mesma cor da vestimenta da mãe que encontrara momentos antes, lhe destacava os olhos da mesma cor, seu cabelo ondulado e branco lhe cobria os ombros, e estava a tirar as luvas cinzas de suas mãos enquanto falava, ele estava sentado em um dos bancos localizados no lado esquerdo da praça – Acho que veio ao lugar errado e no momento errado – Disse ao se levantar.

Ao chegar mais perto de Raiden lhe lançou um olha ameaçador, enquanto guardava suas luvas no bolso frontal de sua farda – Por que está aqui? Saiba que não é bem vindo – Falou em tom rude.

– Eu estou apenas de passagem, pretendo ficar mais alguns dias por aqui – Ele não gostava do rumo com que aquela conversa estava tomando, aquela farda parecia lhe dar alguma autoridade, se fosse o caso, poderia ele o expulsar de sua terra? Achava que não teria este direito por causa do tratado, mas não queria pagar para ver.

– Acho que isso não será possível, estamos atualmente enfrentando uma crise, não é permitida a entrada de qualquer estrangeiro sem o consentimento das autoridades locais, e isso não lhe será concedido, posso te garantir.

Se sentido ameaçado, Raiden não teve escolha se não tentar argumentar com o homem que estava ali em sua frente, como uma barreira impedindo que seguisse seus planos. Achava aquilo um absurdo, ele seria tão importante assim para nem ao menos o deixar pedir permissão para algum superior, para que lhe cedesse sua estada ali?

– Mas o tratado estabelecido entre a Gemini Chaos e todos os clãs deixou bem claro, qualquer pessoa a partir daquele momento teria a liberdade para andar em qualquer lugar – Seus olhos se mantinham fixos nos do homem, ele não queria demonstrar nenhuma fraqueza ou incerteza em suas palavras, pois sabia que aquilo que estava falando provavelmente já seria de conhecimento de seu rival neste debate — Mesmo com esta crise ao qual está falando, a liberdade de locomoção tratada no acordo não é contrariada.

– Bom, se você não aceitar o pedido de um oficial, sinto que terei que te guiar eu mesmo para fora daqui – Falou após pressionar o ar ao lado de sua coxa esquerda, como se estivesse segurando com força um objeto invisível – Esta é sua última chance antes que eu tome medidas drásticas, quer mesmo persistir em ficar aqui?

– O que quer dizer com medi... – Ele não teve nem tempo de terminar sua frase, fora empurrado para seu lado esquerdo logo após ter quase sido atingido pelo ataque do homem. Por décimos de segundos antes de isso ter acontecido, ele pôde visualizar que do lado esquerdo de seu rosto até a mão de seu atacante, minúsculos feixes que vinham de todas as direções estavam se dirigindo a um centrado na horizontal que ligava o lado de seu rosto à mão do homem – Espere, isso está errado!

Logo após Raiden ter escapado de seu ataque, uma de suas sobrancelhas imediatamente se levantou, uma pessoa qualquer teria sido atingida pelo seu golpe, porém o garoto no mesmo instante em que seria atingido fora empurrado na direção contrária pelo local ao qual seria golpeado, ficando assim livre dos danos.

– Então é de láque você veio – Expôs após começar a fazer o mesmo gesto de momentos antes do golpe, mas agora com sua mão direita, enquanto isso balançou o chicote d’água que tinha se formado de sua mão esquerda na direção de Raiden, como forma de outro ataque.

Agora caído no chão, Raiden se via sendo alvo de uma nova investida, o chicote d’água que serpenteava em sua direção vinha a tal velocidade, que o reflexo que gerou no andarilho fez com que quase juntasse paralelamente as palmas de suas mãos, ficando apenas cerca de cinco centímetros de distância, no ar que estava entre as duas começou a ser cortado por correntes elétricas que iam de uma palma a outra. Se ele não usasse isso, poderia não escapar ileso dessa.

Quando Raiden voltou seu olhar novamente para frente, já estava pronto para realizar o contra-ataque antes que fosse atingido pelo chicote. Porém, eis que ele avista uma figura bem diante dele, a capa negra ainda estava balançando pela locomoção em que o homem realizara, ele tinha todo o corpo envolto por uma armadura da mesma cor que sua capa, e sua manopla direita estava a segurar aquele mesmo chicote em que o atingiria. Após o fardado ter o avistado, num instante este desfez sua técnica e demonstrou um ar surpreso em seu rosto.

O guerreiro se aproximou do homem a passos largos, e ao chegar perto dele falou em voz baixa:

– Está tendo uma atitude totalmente contrária à que queremos, se não sabe interpretar ordens corretamente, não nos servirá mais – Comentou após desembainhar até a metade sua espada que se mantinha presa a sua cintura de metal, de seu aço emanava uma energia escura que se dissolvia no ar conforme se afastava do objeto emissor.

Logo após isso, o homem fardado deu de ombros e saiu andando na direção contrária da de Raiden. Depois que o perigo tinha passado, o jovem caído se levantou e andou na direção de seu salvador, ao chegar perto estendeu sua mão direita e lhe dirigiu um “Obrigado”. O guerreiro por sua vez apenas o olhos de canto de olho.

– Aproveite sua passagem – E saiu andando na mesma direção do que já havia saído antes.

Agora que tudo tinha voltado ao normal, Raiden foi até o centro da praça e se sentou no banco que ficava de frente para a estátua ali exposta. Em um longo suspiro de alívio que deu ao se sentar ele passou a admirá-la, era de um homem, seus trajes pareciam entregar o que ele era, era um deles.Não demorou muito para que ele ouvisse uma voz que o chamava pelas costas.

– Ei garoto, velha cá – Disse um senhor que apoiava suas duas mãos em uma bengala, ele estava quase no mesmo local ao qual Raiden estava caído há poucos momentos, meio careca e com um óculos fundo de garrafa parecia ter conhecimento de sobra – Eu vi o que aconteceu agora a pouco, se está procurando algum lugar para passar a noite, eu conheço o lugar certo!

Notas finais
Espero que tenham gostado e caso sim, comentem, deixem suas dúvidas, sugestões, críticas etc etc.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.