Gemini
2 A Verdade
Quando pisam fora do quarto, não aguentam e correm em disparada para a sala da Olga. Quando
chegam, Anastácia e Hugo já estão lá.
– Bom dia, queridos, — Diz Olga com um sorriso forçado no rosto – Os novos pais de vocês estão no
estacionamento. Vamos indo? Peguem suas malas.
– Meu Deus, nossos pais devem ser muito corajosos! Adotar quatro filhos... sendo vocês dois dos filhos!
– Brinca Anastácia, rindo apontando para os gêmeos, e os quatro riem.
Quando chegam no estacionamento, estão lá um homem bem alto e uma mulher baixinha. E Hugo diz:
– Olha! Aquela moça baixinha deve ser sua mãe, Lira. Olha o tamanho dela! – E todos riem novamente
– Hugo! Não fale assim da sua nova mãe! – Diz Olga.
– Oi crianças! – Diz a mulher baixinha arregalando seus grandes olhos castanhos que combinam com o
cabelo. – Sou Ane, a nova mãe de vocês!
– E eu sou Breto, o novo pai de vocês! – Diz o homem alto, que naturalmente tem cabelo castanho, mas
foi pintado de loiro.
– Oi, meu nome é Lira!
– Eu sou Otto, irmão gêmeo da Lira!
– Eu sou Hugo, prazer!
– E eu sou Anastácia!
Ane vai conversar em particular com Olga, e Breto vai falar com os novos filhos:
– Olha, crianças, nós moramos bem longe daqui, então, espero que não tenham medo de altura. Alguém
tem?
– Nós vamos voar?! – Diz Otto, animado – Nós nunca voamos antes! Vai ser demais!
– Mas espere ai... aonde nós vamos morar? – Pergunta Lira, animada e curiosa.
– Em Long Island. Nos Estados Unidos – Responde Breto.
– Estados Unidos?! Eu sempre quis ir para lá! – Diz Hugo, agora mais ansioso ainda.
Ane volta e diz para todos:
– Estão prontos? Vamos logo ou perderemos o voo.
Os seis entram na mini van, indo diretamente para o aeroporto de Guarulhos. Quando chegam lá, Lira e Otto estanhamente se sentem “em casa”.
Em menos de uma hora eles já estão fazendo o Check-In. Todos estão extremamente ansiosos. Principalmente Anastácia. O que mais ela poderia ganhar de presente de 15 anos? É claro, nada mais a não ser sair daquele orfanato horrível, e ainda mais ir morar nos Estados Unidos!
Meia hora antes do horáro de embarque, eles vão comer pão de queijo. Ane diz que era apaixonada por eles. Quando acabaram, Ane diz:
– Meninas, vamos no banheiro antes de embarcar para não ficarem com vontade no voo!
Elas foram e entraram em três cabines diferentes, simultaneamente. E quando sairam, havia apenas uma faxineira no banheiro limpando uma das pias. Quando Ane foi abrir a porta, ela não abria. Ela cutuca a faxineira e pergunta educadamente:
– Moça, perdão, mas a porta não está abrindo... você poderia nos ajudar?
Mas quando a faxineira se vira para as meninas, elas veem seu rosto, que na verdade, quase não existia. A pele estava destruída, assim como seu olho esquerdo, suas orelhas e seus lábios. Lira e Anastácia deram um grito em coro, assustadas.
– Meninas, fiquem calmas – começou Ane – Vão para o canto, e fiquem quietas.
Elas obedeceram sem hestiar. Ane pega uma vassoura que estava junto com os outros objetos de limpeza. E então uma correu em direção a outra, e se atacaram. A faxineira parecia ser mais forte, mas Ane era extremamente ágil, como se já tivesse lutado com faxneiras-monstro várias vezes. As meninas perceberam que as mãos da faxineira haviam se tornado garras com longas unhas pretas. Mesmo com sua forte resistência, Ane levou um soco no braço e largou a vassoura, e no mesmo instante, o monstro a empurrou e ela caiu no chão.
– Ane! Cudado! — Gritou Anastácia.
– Nast, vem aqui! Me ajuda! — Diz Lira.
Lira correu para onde Ane havia pego a vassoura e encontrou um pano de chão, pegou-o e correu em direção a monstra, que já estava em cima de Ane, e enforcou-a com o pano. E com toda a força que tinha apertou o pescoço dela. Anastácia segurou seus pés para imobiliza-la melhor, Ane correu, pegou a vassoura e acertou em cheio a cabeça da monstra, que explodiu em cinzas. As três estavam ofegantes e assustadas por causa da situação. Anastácia diz, com uma leve voz de choro:
– Ane... o que... — Mas Ane a interrompe e diz:
– Meninas, me perdoem por isso. Queria contar isso pra vocês só quando chegássemos nos Estados Unidos, mas por causa dessa situação terei que dizer agora, e vou falar num português bem claro: vocês são semideusas. Otto e Hugo também são. E vocês vão para o Acampamento Meio-Sangue, um acampamento de semideuses nos Estados Unidos, onde estarão seguros e situações como essa não acontecerão mais. E eu e Breto não somos seres humanos. Breto é um sátiro e eu sou uma ninfa. Entenderam?
As duas estavam perplexas e assustadas com o que Ane havia acabado de dizer. E, desconfiada como sempre, Lira começou, num tom calmo, mesmo que por dentro ela esteja super brava. Ela podia ser forte, mas não gostava de expressar sua raiva para os outros:
– Como isso é possível? Você é doida! Deve estar enganado a gente! Nast, vamos fugir antes que ela conclua esse sequestro e nos leve para algum lugar pior do que aquele orfanato. Sabia que Olga nos odiava, mas não a ponto de nos deixar ser adotados por dois malucos!
– Não, Lira! Não é isso! Estou dizendo a verdade! Eu posso provar! — Respondeu Ane, com uma cara meio triste.
– Lira, vamos ouvi-la. Ela pode estar dizendo a verdade. E você não viu o que acabou de acontecer? Aquele monstro desapareceu na nossa frente! — Diz Anastácia
– Ah sim, vamos dar ouvidos a essa maluca que acha que somos filhos de deuses ou deusas. Nast, nossos pais morreram. E deuses são imortais. Isso não faz o menor sentido. E aquela faxineira deveria ser apenas um truque de ilusão. Vamos. — Respondeu Lira
– Lira, veja isso! — Diz Ane, que quando abriu a mão direcionada às meninas, saiu uma linda margarida branca, como se ela fosse um pedaço de terra fértil. Era a flor predileta de Lira. Os olhos dela brilharam. Ela não tinha mais argumentos contra Ane, não conseguia fugir. Estava maravilhada com tamanha beleza da flor. Era tão simples, porem tão linda. Pegou a flor, tímida.
– Lira, ela está dizendo a verdade. Consigo sentir. — Diz Anastácia. Seus olhos estavam coloridos, mudando do amarelo ao roxo, e ela também havia ganhado uma flor, que parecia ter sido pintado num arco-íris, mas com tons pastéis.
– Ah, bem... me perdoe... fui meio grossa com você. Mas se Anastácia diz que é verdade... eu acredito. Sério, me desculpe... — Diz Lira, tímida.
– Não se preocupe, minha querida – Responde Ane – Voces não são as primeiras semideusas que eu tenho que ajudar a buscar. Vamos, temos que contar aos meninos. Eles ficarão surpresos!
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