Gekiha (Esmagador)
5 Ino X Desconhecido: round 5 - Uma carona perigosa
Notas iniciais
Ino acordou sentindo-se tonta. A cabeça girava e doía bastante. Ela levantou tropeçando entre outras pessoas que estavam estiradas no chão e no sofá. Arrastou-se até o banheiro mais próximo, quando olhou no espelho quase deu um grito. A maquiagem escura dos olhos estava completamente borrada, o batom nas bochechas, os cabelos desgrenhados, nenhum glamour após o fim da festa, era sempre assim. O dia ainda não havia raiado, então era melhor ela dar o fora dali antes que alguém a visse naquele estado. Lavou o rosto tirando a maior parte da maquiagem, retocou o batom, arrumou minimamente os cabelos e saiu.
Muita gente esparramada pelo jardim e piscina da casa, garrafas, latinhas e bitucas de cigarros, além de papelotes, seringas, camisinhas. As festas do Neji eram famosas pela liberalidade. Rapidamente deixou o local e andou até o ponto de táxi mais próximo. Temeu que pelo horário demorasse algum pra passar, olhou no relógio e faltavam poucos minutos para as cinco. Tentou ligar no ponto de táxi, mas só chamava. Pensou seriamente em voltar para a casa de Neji e aguardar por lá até conseguir uma carona, mas não podia correr o risco de ser vista desgrenhada como estava. Tinha uma reputação a zelar. Resolveu aguardar. Cerca de alguns minutos depois, viu um carro saindo da garagem da mansão de Neji. O carro parou diante de si, o motorista abaixou o vidro.
― Quer uma carona?
Ino observou o rapaz. Já havia visto aquele rapaz antes, mas não lembrava aonde. Os cabelos avermelhados e o olhar meio perdido, parado no nada. A íris de um tom que ela não conseguiu identificar no momento, devido a distância que estavam e a falta de claridade, bem no centro da esclera, porém um pouco deslocada para a parte superior, talvez devido ao ângulo que ela olhava. O rapaz quebrou o gelo com um sorrisinho charmoso.
― Vamos princesa! Não temos o dia todo.
Relutante, Ino entrou no carro.
― Qual o seu nome? – o rapaz perguntou.
― Ino. E o seu?
Ele não respondeu.
********
Ao ver Sakura sair correndo Naruto foi atrás, mas ela entrou no primeiro táxi que apareceu, ele demorou um bom tempo para conseguir um. Quando chegou no seu apartamento, ela estava com a porta do quarto trancada. Naruto encostou na porta e ficou tentando ouvir algo, mas ela estava em silêncio. Pensou em bater, precisava conversar com ela, mas se ela abrisse ele não saberia o que dizer. Optou por dar um tempo. O que fizeram não foi algo comum, então não podia esperar que ela o aceitasse de imediato. Tomou um banho rápido e deitou-se, remexeu-se muito no sofá antes de pegar no sono, ainda com o gosto dela na boca.
Sakura ouviu os sons de Naruto chegando. Estava apreensiva, pensou em não abrir aquela porta nunca mais, mas estava claro o que precisava ser feito, ela tinha que sair daquele apartamento o mais breve possível. Sentiu-se um lixo, a culpa do que acontecera era dela. Sempre sendo carinhosa e o estimulando, com certeza o seu irmão ficara confuso e a beijou daquela maneira. Ela era a culpada por fazê-lo beijá-la. Sakura se enrolou no lençol, cobrindo a cabeça, chorou por um bom tempo antes de pegar no sono, o motivo maior do choro não foi porque o beijou, mas porque gostara muito do beijo e agora sabia que estava apaixonada pelo próprio irmão. Chorou porque por sua irresponsabilidade havia perdido a pessoa que mais amava no mundo, agora depois desse beijo, ela e Naruto não poderiam mais ser como antes, eles não conseguiriam.
O dia seguinte foi difícil para Naruto. Sakura demorou muito para dar as caras, ele precisava treinar, mas o que havia acontecido era muito sério, temeu que se saísse antes que pudessem conversar, ela pensasse que pra ele aquele beijo não significou nada. Então, em muito tempo, optou por não fazer o seu treino matinal, por sorte era sua folga na lanchonete então teriam tempo para conversar. Preparou o café da manhã e aguardou. Sakura costumava levantar as 7h para começar a procurar emprego, mas já eram 9h e nada. O café já estava frio quando ele resolveu que precisava tomar uma atitude, bateu suavemente na porta, não houve resposta, mais uma vez.
― Sakura?
Suaves passos foram ouvidos, a porta se abriu e ele viu um rosto pálido e olhos inchados. Ela manteve o olhar no chão, não conseguiria olhar para ele nunca mais.
― Sakura, precisamos conversar.
Ela abriu a porta e deixou ele entrar, uma hora teria que resolver aquela situação, o quanto antes melhor. Naruto entrou e viu uma mala pronta em cima da cama, algumas outras coisas reunidas em sacolas.
― O que é isso? – ele perguntou preocupado.
― Eu vou embora, Naruto.
― Não!
― Eu vou sim, o que aconteceu ontem foi algo muito terrível e a culpa foi minha.
“Então é isso, para ela foi terrível”, ele pensou com desagrado.
― Por isso eu resolvi que não serei mais um peso pra você, não depois de bagunçar tanto a sua vida. – Sakura continuou.
― Não, Sakura! Você não bagunçou nada! Eu quero você aqui comigo.
― Não podemos mais, Naruto. O que eu te fiz fazer ontem foi...
― Não foi você, fui eu quem te beijei! Eu quis fazer aquilo!
Sakura olhou pra ele, não havia marcas de choro, mas claro porque homens não choram. Naruto não parecia estar se sentindo tão mal assim pelo o que fizeram. “Será que de agora em diante ele vai querer...?” ela afastou o pensamento sem coragem de concluí-lo, não poderiam ter uma relação incestuosa, isso não era certo. Se ele estava pensando assim era por culpa dela, por sempre estar no colo dele ou o abraçando, acariciando e permitindo todo tipo de brincadeira que aos olhos de outros eram de teor sexual.
― Sakura, eu estou apa...
― Não! Você não está nada! Pára com isso Naruto! – ela impediu que ele terminasse aquela frase. Pegou a mala da cama e foi saindo.
― O que está fazendo?
― Eu vou embora.
― Não, Sakura, por favor.
― Eu tenho que ir Naruto, não vou mais conseguir olhar pra você.
― E pra onde você vai?
― Não sei, vou dar um jeito.Talvez fique na casa da Ino, ou vou ver se o Jyraia pode me acolher por uns dias.
― Não, Sakura! Nós somos irmãos, é nossa obrigação cuidar um do outro! Não quero você contando com pessoas estranhas, quero que você possa contar comigo.
― Não Naruto, me perdoe, mas acho que temos que nos afastar, pelo menos por enquanto, assim ordenaremos nossos pensamentos, eu te deixei confuso.
― Não, não! – ele disse aproximando-se dela, e lentamente tirou a mala do chão e a pousou ao lado do corpo – eu não estou confuso, eu realmente amo você – ele concluiu tocando de leve o queixo dela e fazendo com que ela o encarasse.
Sakura ficou olhando aqueles olhos tão azuis, ele estava sendo sincero. Ela também o amava, mas não poderia amá-lo como homem, somente como um irmão. Resolveu estabelecer naquele momento os limites da relação de ambos, para que não houvesse dúvidas futuras.
― Eu também te amo, Naruto. – ela disse tirando as mãos dele do queixo dela e as segurou à frente do corpo – mas como meu irmão. Se eu ficar aqui vou continuar confundindo a sua cabeça, não podemos sujar a beleza desse amor.
― Não é sujo!
― É sim, duas pessoas do mesmo sangue não podem se amar desse jeito.
― Mas eu...
― Não insista, Naruto. – para Sakura estava sendo difícil rejeitá-lo daquela maneira, mas era necessário. – eu estou indo embora.
Sakura pegou as coisas e foi até a porta. Naruto impediu que ela a abrisse, uma das mãos segurou a porta no alto do batente, enquanto a outra tirava a mala das mão dela pela segunda vez. Sakura de frente para a porta, Naruto atrás dela, ela pôde sentir a respiração quente dele na sua nuca, imediatamente lembrou das sensações da noite anterior. Se ficasse, estaria à mercê dos desejos baixos do seu corpo, a chance de perderem o que tinham de mais belo era grande demais, logo não seriam mais irmãos, não se tratariam como irmãos, não seriam mais nada um do outro.
― Fica por favor, Sakura. Não vá sair de qualquer jeito, não quero você exposta a nenhum perigo.
Ela virou-se de frente para ele. Ele realmente tinha razão, não poderia sair de qualquer jeito. Não tinha dinheiro, nem um local para ir. Por pior que fosse ainda teria que ficar ali por um tempo, esse era o plano inicial. Naruto em pé, bem na sua frente oferecia a segurança que o lar de uma família, mesmo que com só dois membros, pode oferecer. Mas ao mesmo tempo que ele oferecia segurança, oferecia perigo. Seria muito perigoso para ambos viverem na mesma casa e não caírem na tentação de se tocarem novamente, ainda mais eles que tinham como hábito desde infância se abraçarem o tempo todo. Só por tê-los alguns centímetros diante de si ela já sentia como uma corrente elétrica percorrendo o seu corpo, se acidentalmente se encostassem, pegariam fogo de novo.
Sakura pensou no que o seu pai e sua mãe pensariam a respeito deles, se os vissem da maneira em que estavam: sujos e iludidos, achando que uma nojeira daquelas pudesse ser chamada de amor. Então algumas lágrimas finas começaram a escorrer pelo seu rosto.
― Hey Sakura-chan... não chore por favor. – Naruto sentia-se quebrado ao ver sua irmã chorar. Sempre que isso acontecia, ele instintivamente a acariciava para tentar diminuir a sua dor, e como um hábito antigo não pode ser quebrado assim tão facilmente, foi o que ele fez.
― NÃO ENCOSTE A MÃO EM MIM!!! – O grito saiu quase que automaticamente assim que as pontos dos dedos dele tocaram a face dela.
Naruto recuou imediatamente. “Então é isso, ela realmente me despreza como homem”, ele pensou magoado. Da maneira que Sakura foi receptiva com ele na noite anterior, ele achou que ela sentisse o mesmo, mas mesmo ela falando que só o amava como irmão, ele ainda nutria alguma esperança, porém diante da reação dela ao mínimo toque dele, Naruto entendeu que ele sempre seria irmão dela, nada mais.
― Me desculpa, Naruto. Eu não queria gritar com você – ela disse suspirando com os olhos fechados. Com certeza estava fazendo um esforço sobre-humano para não perder a cabeça. – Mas eu te IMPLORO que nunca mais toque em mim... nunca mais.
― Me perdoe Sakura... eu realmente... eu realmente não vou mais fazer nada desse tipo. – a voz dele estava entrecortada, mais um pouco e quem começaria a chorar seria ele – só te peço que fique aqui.
Se ele realmente não fosse mais tocá-la, e ela poderia confiar na palavra do seu irmão pois ele nunca mentia, então duas coisas aconteceriam. A primeira é que ela sofreria em silêncio e nunca deixaria que ele soubesse que o amava e o queria como um homem na sua vida, trancaria esse sentimento no fundo da alma e não permitiria que saísse de maneira alguma. A segunda coisa, é que com isso poderia ficar mais algum tempo, até arrumar um trabalho e poder cuidar de si mesma. Sakura tinha noção de que provavelmente nunca mais o seu relacionamento com Naruto seria o mesmo, ela não conseguiria mais tratá-lo como tratava antes, pois qualquer coisa poderia ser interpretada como um incentivo e ela não queria ter que gritar com ele de novo para ele não tocar mais nela.
― Tudo bem, Naruto. Eu fico. – ela suspirou profundamente antes de concluir – mas eu realmente peço que...
― Pode ficar tranqüila, Sakura – ele a tranqüilizou. O olhar bondoso e triste – eu nunca mais vou colocar a mão em você.
Nunca mais era um tempo muito longo, mas era a única maneira de eles conseguirem continuar juntos como irmãos.
***
A taça de vinho marcada com uma suave mancha de batom na borda e ao fundo restos do líquido delicioso que a mulher acabara de provar. Ter aceitado aquela carona acabou se revelando muito vantajoso para Ino. Assim que entrou no carro, associou alguns objetos do interior do veículo e puxando com dificuldade da memória, conseguiu finalmente se lembrar quem era o rapaz que conduzia de maneira segura, enquanto vez ou outra olhava para ela. Um sorriso de canto, quase imperceptível, o olhar prepotente e arrogante, as roupas caras, o carro do ano, o perfume de luxo. Aquele era o tipo de homem que Ino gostava, um que tinha algo mais a lhe oferecer do que a maioria dos lutadores pé-rapados, embora viris com quem ela estava acostumada a sair. Olhou bem o rapaz e ele também não deixava nada a desejar nesse aspecto, mesmo sentado, ela podia perceber que ele era alto, pelo menos 1,80m, o porte era elegante, os braços musculosos, os ombros largos, as coxas grossas. Ino ficou olhando o rapaz de cima abaixo tentando ser discreta, mas ele percebeu.
― O que foi? – ele perguntou de maneira amistosa.
― Nada.
Continuaram em silêncio por mais um tempo, até que ele perguntou onde era a casa dela. Ino indicou o endereço, mas ele tomou outro rumo. Ela perguntou onde ele queria ir, estava preocupada, afinal só o conhecia de vista, não sabia exatamente que tipo de pessoa ele era.
― Relaxa, só vou levá-la para tomar um café da manhã, o que acha?
― Tudo bem.
Depois do café da manhã, em uma padaria de luxo no centro da cidade, onde eles puderam conversar mais e Ino descobriu como ele era galanteador e agradável. Eles tinham muitas coisas em comum e ela pôde falar com ele, de coisas que nunca tinha falado com outro garoto, ele resolveu que a levaria para casa. Porém ao entrar no carro, Ino disse que gostaria que ele a levasse para a casa dele. O sorriso de canto ficou mais intenso. Entraram no carro e ele partiu cantando os pneus. Ao chegar ao apartamento, uma cobertura de luxo na zona nobre da cidade, eles tentaram manter a formalidade por alguns momentos. O de praxe: ela elogiou o bom gosto da casa dele, ele ofereceu uma bebida, quando viram já estavam aos beijos. Transaram no sofá da sala, as janelas de vidro abertas, mas nenhum deles se importou, pois estavam no prédio mais alto da cidade, nenhum curioso poderia saber o que acontecia ali. O rapaz penetrou Ino de todas as maneiras que ela conhecia e algumas novas. Ele parecia faminto pelo corpo dela, ela estava acostumada a despertar esse tipo de reação nos homens, mas ele parecia uma fera, uma máquina de sexo, cujo combustível era ela. Foi a manhã pós-balada mais deliciosa na vida da garota. Exaustos pela intensa atividade matutina e por terem passado a noite praticamente em claro, sim porque ele também estivera na festa de Neji, embora tenha permanecido com outro grupo, acabaram dormindo no tapete macio da sala.
Algumas horas depois acordaram. Ino achou que era hora de ir embora antes que virasse uma abóbora de vez. Estava com a mesma roupa a quase 24 horas, sem maquiagem alguma, exceto o batom já quase apagado, os cabelos embramados, principalmente porque o rapaz puxou-os e apertou-os de vários jeitos enquanto a penetrava de quatro. Levantou na ponta dos pés e de mansinho começou a se vestir.
― Aonde vai? – ele perguntou. A voz totalmente desperta, pelo visto ele estava acordado a mais tempo que ela.
― Ah, hã... bem... eu preciso ir. – Ino disse meio sem graça.
― Passe o dia comigo.
― Não posso.
― Por que não? Tem algum compromisso importante?
A noite seria a luta de Sasuke e ela seria a ring girl da noite junto com outras duas garotas. Além do bom dinheiro pela luta, tinha o fato de querer assistir a luta dele. Mas o rapaz estava sendo bem legal com ela, convidando-a para passarem o dia juntos. Isso era algo raro, fazia muito tempo que ela não passava o dia com rapaz nenhum, normalmente só passava a noite com eles, ou pelo menos parte dela. Resolveu aceitar.
― Mas eu queria pelo menos tomar um banho... – ela falou meio envergonhada.
― Mas é claro. – ele levantou calmamente e enrolando o lençol na cintura, conduzi-a à um elegante banheiro.
Uma banheira imensa, plantas ornamentais, espelhos, mármores e peças douradas, tudo era lindo, claro e iluminado. Ao canto um closet, ele abriu e ela pôde ver inúmeras peças de roupas femininas, todas com etiquetas, algumas ainda embaladas. Ino ficou estarrecida, insanamente pensou se aquelas roupas eram dele, se fosse ele seria o gay mais macho que jamais vira.
― São da minha irmã – ele disse como se imaginasse o que ela estava pensando – mas pode usar, ela já não as usa há bastante tempo.
Ino tocou algumas peças, tecidos suaves e caros, com certeza a irmã dele tinha um excelente bom gosto. O rapaz saiu dizendo que precisava tratar de alguns assuntos particulares e a deixou à vontade.
Sozinha, Ino agiu como uma colegial. Vasculhou as roupas, girou nas calcanhares, cheirou os perfumes, passou os cremes todos que encontrou e por fim, depois de sossegar os ânimos, encheu a banheira e derramando espumas e sais tomou um banho relaxante enquanto bebericava do delicioso vinha importado e pensava em como ter aceitado aquela carona tinha sido vantajoso.
Em outro cômodo do mesmo apartamento, através das câmeras o rapaz observava tudo o que a garota fazia. Um sorriso sinistro surgiu nos lábios dele. Demorou mas ele finalmente conseguira uma substituta, com essa ele seria mais esperto, ele não a deixaria sair dali nunca mais.
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