Gehenna
2 Capítulo 2 - Moscou
Durante a viagem ele observa a paisagem, o caminhão não podia correr por causa da neve, deixando assim, muito tempo para Bello refletir. Os sons de tiros e vozes escoavam por sua cabeça, enquanto ele tentava se distrair olhando para a paisagem, os lindos rios que corriam pelas montanhas se tornavam vermelhos de sangue, imaginava que seria simplesmente algo de sua cabeça ou se era real. E assim passou todo o período de viajem ate a cidade de Moscou.
Moscou era enorme, pelo menos para ele, que havia vivido toda a sua vida na pequena cidade de Berenovsk. Tinha acabado de chegar e fazia apenas algumas horas desde que tinha saído de sua cidade, ele passando por uma loja de televisores, viu a seguinte noticia:
“ – Após o grade desastre na cidade de Berenovsk, quando os repartidaristas seguiam para a próxima cidade,foram parados pela Interpol e o exercito russo, que ate o presente momento esta encarregada de parar esta guerra de movimentação, a guerra de Voyska, o presidente da Interpol, Rutzel Van der Capelle,não declarou nada, mas a general do exercito russo, Natasha Vertinsnki , que fazia parte da operação disse:
— O exercito russo tem uma função, ele apenas a cumpriu.
A guerra que matou aproximadamente três mil pessoas, o que é pouco em relação a população de toda a Rússia, destruiu milhões de corações sensíveis. Agora fiquem imagens do ocorrido.”
Neste momento, Bello não conseguiu olhar para a TV,e apenas virou o rosto e saiu andando.
Passara alguns dias e ele sofria de um incomodo de vozes aleatórias em sua cabeça, que nem sempre eram de pessoas que ele já havia conhecido, e também, começava a ter uns ticks, como coçar atrás da orelha insanamente, quando sentado, batia os pés, ficava virando a cabeça e piscando o olho esquerdo. Dias passaram e ele apenas pensava o que poderia fazer para melhorar suas condições de vida, mas muitas vezes, as vozes em sua cabeça não deixavam pensar, pois se confundiam com as do ambiente.
Eram dias sem comer, e sem opções, ele começou a mexer em latas de lixo e pedir esmolas em sinais de transito, mesmo sendo pouco, pelo o que ele tinha passado era muito, e só por achar um pedaço de pão em uma lata lixo, podia ser ate uma das piores que ele tinha degustado, mas como a fome era tanta, ele comia sorrindo.
A cada dia que passava, as vozes em sua cabeça ficavam mais altas. Um dia, era o final da tarde, o sol deixou uma linda coloração nas nuvens, era incrível, Bello voltava para seu abrigo improvisado, em um curto beco na periferia da cidade, ate que foi surpreendido por um homem, alto, com pele branca, e seus músculos se destacavam sobre sua camisa, o homem disse:
— Garoto! Passe tudo que tem – a voz dele era tremula as feições sérias do Bello não o deixava a vontade.
De repente Bello ouve uma voz em sua cabeça, diferente das outras, não eram apenas gritos e lamuria, era nítida, e do fundo de sua consciência ela disse:
— Bello! Não questione, apenas repita o que eu lhe disser.
E ele repetiu junto á voz:
— Você acha mesmo necessário fazer isso? Olhe para si mesmo, já parou para refletir a que ponto chegou, roubar um desabrigado?! Mas que ironia, você esta fazendo isso porque quer, o mundo esta cheio de oportunidades que podem ser aproveitadas, corra atrás delas.
— Ca...cale-se menino! – O homem sacou um canivete.
— Você não precisa fazer isso, quer mudar? Apenas queira.
A essas alturas lagrimas escorriam pelo rosto do homem. Ele disse:
— Obrigado.
Jogou o canivete no chão e correu rua abaixo. Bello agora nota que as vozes em sua cabeça tinham diminuído, e pela primeira vez em um ano ele teve um motivo para não desistir.
Algum tempo depois, uma mulher que morava em um dos prédios em que ficava seu beco, que já o observava á algum tempo e via que tinha sintomas de esquizofrenia, e uma certa noite ela desce e vagarosamente aproxima do onde Bello esta e diz:
— Olá, sou Christina, como se chama?
Ele se encantava com sua beleza, e se surpreendia com o fato de alguém querer falar com ele:
— Me chamo Bello, Bello Nazarov.
— Bello, eu trabalho em uma clinica psicológica e já te observo á algum tempo e percebo que tem sintomas de doenças mentais, apenas quero saber se gostaria de se internar na clinica onde trabalho, sim?
— Mas eu não tenho dinheiro para bancar isso. – disse Bello.
— Isso não é problema, é por minha conta. – Christina abriu um lindo sorriso.
— Deixe-me pensar sobre isso. – disse Bello ainda um pouco espantado.
Ela respondeu que sim e saiu. Ele passou a noite em claro, imaginando as portas que poderiam se abrir e no dia seguinte, bem cedo, subiu ate o andar do prédio onde morava Christina, no caminho reparou que os outros moradores olhavam com uma cara de desprezo, o que não o desanimava. Bateu na porta dela, ela atendeu e imediatamente ele disse:
— Eu aceito.
Ela abriu um grande sorriso e o abraçou e pela segunda vez, Bello tinha um motivo para sorrir.
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