Gefährliches Dreieck
10 Por Quinn:
Quando Antony foi trabalhar, eu voltei ao dormitório, pra tomar banho e ir para biblioteca, onde eu marquei de estudar com uma menina da minha classe.
Ela parecia legal, seu nome era Jessica, mas eu vi que alguns a chamam de Jess, ela era um pouco mais baixa que eu, com cabelos longos e numa cor-de-mel que lhe caia muito bem, seus olhos eram azuis, como duas grandes piscinas, e ela usava uns óculos de armação delicada, que lhe deixava muito charmosa. E apesar do vento frio que insistia em assolar nossa estadia no campus, ela vestia um vestido muito bonito, que ficava na altura dos joelhos e uma jaquetinha de um pano surrado, que imitava jeans.
– Hey, Quinn, pensei que não vinha mais.- ela disse, enquanto levantava da cadeira e beijava meu rosto, seus lábios eram gélidos e macios- eu separei alguns livros, talvez você queira sugerir alguns, também.
Eu apenas sentei e respirei fundo.
– Desculpe o atraso, não estava achando algumas coisas- na verdade, eu simplesmente não tinha roupa pra vestir, já que tudo estava sujo, fui obrigada a roubar uma camiseta de Antony e vestir uma calça jeans surrada- Quais livros que você pegou?
– Os que falam mais da introdução do direito e alguns de direito empresarial.
Eu apenas concordei, eram as matérias que eu menos gostava, porque os professores eram um saco.
Passamos boas horas estudando, às vezes em silencio, outras vezes debatíamos tópicos, e tirávamos duvidas uma com a outra.
O meu relógio marcava sete e trinta e cinco, quando a saímos de lá. Caminhávamos juntas pelo campus.
– O que você achava de ir até a taberna do Joe?
– Como?
Perguntei, enquanto segurava minha bolsa.
– A taberna do Joe, sabe?- ela disse rindo- perto do campus, tem uma comida legal por lá.
Ela disse simplesmente, eu olhei no relógio e depois franzi o cenho.
– Certo, eu estou mesmo com fome...
Caminhamos por vinte minutos, até chegar ao local, que não estava muito cheio. Eu pedi um sanduíche, com bastante bacon e queijo e uma cerveja. Nunca fui fã de cerveja, mas dentre as opções foi o que mais me agradou. Jess pediu o mesmo que eu, mas pediu uma dose de uísque duplo, ela sentou ao meu lado, trocamos alguns comentários sobre a aula e depois de uns cinco minutos ela acendeu um cigarro, nossas bebidas chegaram, eu bebi a cerveja vagorosamente, enquanto ela simplesmente nem respirou pra beber o uísque e já pediu outro.
Comi meu sanduíche e Jess puxava alguns assuntos mais pessoais.
– Você é de Ohio, não é?
Ela me perguntou, enquanto me encara com suas piscinas, quer dizer, olhos! Olhos.
– Uhun, como você sabe?- perguntei- não me lembro de ter comentado com alguém.
Ela sorriu sem graça e voltou atenção pro uísque.
– Pesquisei sobre você na internet, olhei seu facebook, e vi uns vídeos- ela parecia encabulada- você era boa como líder de torcida e uma boa cantora.
Eu fiquei sem graça, caramba a garota deu uma de stalker, e agora estava falando sobre isso. Minhas bochechas ardiam, eu estava mais que corada.
– Desculpe, não queria deixar você sem graça, é que eu te achei tão interessante, porém tão fechada... Não fique achando que sou uma louca ou algo do tipo.
– Certo, uhn, e-eu, Jess acho que já vou- murmurei, enquanto pegava minha bolsa e separava uma nota de vinte dólares- Nos vemos na aula.
Eu levantei e sai dali apressadamente, cheguei ao quarto e joguei minha camiseta em um canto qualquer e tirei o jeans surrado, ficando apenas de calcinha e sutiã. Desliguei as luzes e estava pronta pra dormir. Acho que beber aquela cerveja em ajudou a dormir mais rápido.
...
Antony já estava de pé, vestindo jeans e uma camisa preta. Havia uma sacola preta e grande perto da minha cama.
– O que é isso?
– Roupa limpa, já que você é uma porquinha e não coloca as roupas pra lavar.
Ele murmurou, pegando suas coisas.
– Já vai tomar café?
– Não, não- ele murmurou olhando o relógio- Você ainda tem uma hora pra dormir, vou passar no oftalmologista, essa é a única hora que eu tenho, bom dia.
Eu voltei a afundar minha cara no travesseiro, mas logo depois ouvi meu celular apitar.
Mensagem de Santana Lopez.
“Você vai ao casamento do Mr. Schue?- Lopez”
Sério que ela me mandou mensagem pra isso? Eu pensei em tacar o telefone na parede, mas lembrei de que o coitado não tinha culpa. Por isso apenas dei uma resposta rápida.
“Talvez, ainda não sei... O casamento dele é junto com alguns testes importantes e não posso perder minhas matérias.- Quinn”
“Você vai dar um jeito, e só um final de semana, você não vai se prejudicar por causa disso... E Rachel vai estar lá... –Lopez”
Não voltei a responder, apenas afundei minha cara no travesseiro, mas o sono não retornou para mim, levantei chateada, primeiro por ter sido acordada, segundo pelas insinuações de Santana e terceiro porque iria passar o dia com sono. Fui tomar banho, vesti uma camisa branca, por cima de uma regata cor-de-pêssego e vesti a primeira calça que achei, busquei meu tênis que estava debaixo da cama e procurei pelos livros que eu iria usar naquele dia, enfiei tudo na minha mochila e rumei até a cantina.
Chocolate quente e panquecas, foi isso que comi. Senti-me cheia com aquilo e rumei até a classe, onde pude pegar um lugar legal na sala de aula, fiquei perto da janela, no fundo da sala de aula. Eu podia ter uma boa visão das arvores que sacolejavam com vento, algumas pessoas andavam apressadas e outras se rastejavam, vitimas do próprio cansaço.
As primeiras aulas passaram tão lentamente, que tive medo se algum cientista louco tivesse conseguido a formula para parar o tempo. Encarei o professor que nos dava aula, ele era baixinho, careca e com uma barba horrorosa, sem mencionar aquele terno com aparência de suja, ele toda hora bebia o liquido de uma garrafinha de alumínio, que eu julgava ser de teor alcoólico.
– O teste será na próxima semana, apenas um preparo psicológico para bimestral e para as trimestrais também.
Ele disse, nos liberando da sala de aula. Eu fiquei enrolada guardando minhas canetas e meu caderno de notas.
Passei rapidamente pelo homem, a tempo de vê-lo reabastecer a garrafinha com a Vodca.
Andei até o outro prédio, o vento frio ultrapassava a camisa fina que eu usava por cima da regata. Bufei de raiva, deveria ter pegado a jaqueta.
Na hora do almoço, a hora que o Antony estava sendo liberado agora, eu corri até a lanchonete, ele tinha muito mais tempo entre as idas de New Haven à New York.
Ele já estava tomando alguma bebida e eu sentei perto dele.
– Desculpe o atraso.
– Ok, eu acabei de chegar.
Eu pedi um sanduíche de peito de peru, além de uma coca-cola. Antony ainda estava na linha natural e pediu um sanduíche de legumes com um molho de nome estranho.
Ele foi para o hospital e eu fiquei para estudar na biblioteca e aproveitar minha tarde silenciosa, às vezes preenchendo-a com musica.
Assim que deitei na cama e me livrei da minha camisa branca, eu encarei o teto e respirei fundo. Eu sentia falta de Lima, apesar de amar essa coisa toda de New Haven, eu sentia falta de estar no High School, sentia falta daquele sol e das raspadinhas que quase congelavam o cérebro. Eu sentia falta do glee club, mas acima de tudo, eu sentia falta de Rachel Berry, foram quatro anos cruzando aqueles corredores, encarando-a, vendo seus olhos, sentindo sua presença... Respirei fundo outra vez, isso estava acontecendo com mais frequência do que eu queria admitir.
Algo estava errado comigo, faltava algo. E sempre que meus pensamentos desviavam para isso, a única resposta plausível, criada por minha mente rídica, era Rachel Berry. Faltava ela, faltava sua voz aqui comigo, sua pele macia e seus abraços longos e demorados...
Eu tentei me concentrar nos exercícios, mas nada me fazia prestar atenção naqueles números chatos.
Acho que dormi depois que me deitei, pois acordei horas mais tarde, minha barriga estava revirando, eu precisava jantar.
A comida era bolo de carne, eu não gostava do jantar porque era apenas uma opção de acompanhamento, por isso peguei aquela carne, arroz e salada.
...
Antony chegou mais cedo, ele disse que era por causa do horário, mas só seria assim até as bimestrais.
Nós conversamos por um tempo, enquanto ele brincava de acertar bolinhas de papel na lixeira.
– Então, está estudando para os testes?
Ele perguntou, depois de bater na perna, era a quarta bolinha que ele errava, consecutivamente.
– Um pouco, não consigo me concentrar direito...
Murmurei, enquanto chutava o lençol para um lado e colocava minhas pernas para fora da cama.
– Sei bem como é, no meu primeiro trimestre eu fiquei assim, na verdade acho que não mudei. Eu não consigo me concentrar com muita frequência, mas sempre que posso releio a matéria, isso meio que ajuda...
Ele disse tranquilamente, jogando a bolinha na lixeira e depois virando-se em direção ao computador.
– Como está no hospital?
Perguntei, vendo-o abrir em algum tipo de jogo.
– Aparentemente a libertação dos escravos ainda não chegou lá.- ele comentou sarcástico- você gosta de RPG?
– Não...
– Às vezes acho que sou o único que ainda jogo essas porcarias.
Ele ficou jogando e eu me revirei em tédio. Depois do que eu julguei ser décadas, Antony virou-se em minha direção.
– Hey, você quer ir à Lima no próximo mês?
Perguntei, enquanto ele virou pra mim.
– Fazer o que?
– Ir à um casamento, é num final de semana, podemos ir direto de NY, depois do seu trabalho...
Ele deu de ombros e olhou no calendário que ficava pendurado ali perto.
– Qual dia?
– É no segundo final de semana, daqui uns treze dias ou menos...
– Por mim tudo bem, você pode ver os lances da passagem?
Confirmei rapidamente com um balançar de cabeça. E já comecei a ver pelo celular quais passagens saiam mais baratas.
– Preço é problema para você?
Ele encarou o computador e depois pegou o celular, vi de longe que ele fitava sua conta on-line.
– Que dia do mês é hoje?
– Dia 21.
– Certo, não tem problema...
Eu fiz a reserva das passagens de aviões, que saíram às três e meia da manhã do sábado.
– Ok, está feito.
Ele deu de ombros.
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