Gefährliches Dreieck
8 Por Quinn:
Notas iniciais
Antony estava com a boca inchada e um roxo enorme no olho, além de estar com uma cara de chateado. Quando eu comecei a perguntar o que houve, ele fez beicinho e seus olhos encheram de lágrimas como uma criança pequena faz quando apronta.
– Eu não briguei.- ele sussurrou manhoso- Eu fui tirar satisfação com o senhor Martín e sem querer acertei um soco nele, mas foi sem querer.
Ele disse, fazendo uma cara de cão abandonado. Eu sentei ao seu lado na cama e respirei fundo.
– Porque fez isso, Antony?- perguntei- Eu disse que não era nada, eu ia resolver!
– Já ta resolvido, ele tá com a cara quebrada, sem emprego e com uma fixa na policia, porque você é menor de idade, pelo menos aos olhos da lei.
– Tenho 19 anos, sei cuidar de mim mesma.
Retruquei. Quer dizer, eu vivo como maior de idade desde os quinze, eu tenho 19 agora, e 21 é só um numero idiota. Eu fui até o banheiro pegar os curativos pra cuidar do rosto do Antony que reclamava sempre que eu passava o algodão com o antisséptico em seus ferimentos.
– É assim que você vai ser médico?- perguntei- Como vai motivar seus pacientes?
– Eu vou ser obstetra, não é como seu fosse cuidar de ferimento de pessoas.- ele murmurou- Eu acho que não teria paciência para convencer os pacientes e tudo mais...
Ele respondeu, enquanto um biquinho se formava em seus lábios. Eu sorri.
– Obrigada por defender minha honra, meu médico brigão.
Eu depositei um beijinho em seus lábios. Ele me encarou e franziu o cenho.
– O que?
Ele perguntou confuso, enquanto tirava o biquinho dos lábios. Eu dei um meio sorriso, ele levantou, segurou meu rosto e beijou-me nos lábios. Eu senti uma sensação estranha, nunca senti aquilo, mas sabia que ainda faltava algo, porque de repente eu vi a imagem de Rachel em minha mente, eu não sabia porque, mas acho que por esse motivo eu me entreguei ao beijo. Eu segurei seu ombro e ele retirou a mão do meu rosto e deslizou para minha cintura, apertando um pouco. Quando o beijo encerrou, ele me encarou com meio sorriso, que havia formava covinhas.
– Acho que achei um remédio indolor. – ele murmurou risonho- Preciso de mais...
– Parece que o príncipe brigão é um beijoqueiro também.
Ele franziu o nariz e roubou mais um beijo, me fazendo sorrir. Eu terminei de cuidar dos seus machucados e depois sentamos pra conversar.
– Como foi em Lima?
Ele perguntou, enquanto tirava a camisa xadrez que usava e buscava o notebook na mesa de estudos.
– Eu revi alguns amigos e passei um final de semana infernal na mesma casa que minha mãe, acabei discutindo com uma amiga e bem, nos estapeamos. O grupo perdeu as regionais, foram desclassificados, porque uma das garotas desmaiou no meio da apresentação.
Murmurei desanimada, lembrando dos tapas doloridos que Santana acertou no meu rosto. Isso tudo porque eu comentei sobre o professor de 35 anos que queria colocar as patas em cima de mim e ela disse que eu deveria aceitar, já que isso estava valendo nota. Trocamos ofensas e algumas bofetadas.
– Então eu não sou o único brigão nesse recinto?
Ele comentou risinho, enquanto abria o notebook e me encarava.
– Ela me provocou, ok? E só foi uns tapinhas, não uma troca de socos e derramamento de sangue.
Comentei, enquanto ele fazia careta, só então eu senti falta de seus óculos de grau.
– Cadê seus óculos?
– Aquele cara não respeitou a regra de não bater numa pessoa de óculos... Ele simplesmente me acertou e meus óculos quebraram no meio daquilo tudo.- ele reclamou- Eu marquei o oftalmologista pra mim.
Ele disse, enquanto teclava incessantemente. Eu peguei um livro e comecei a folear, sem realmente prestar atenção. Acabei dormindo com aquele livro no rosto, mas fui acordada tempos depois, com Antony tirando meu sapato e me cobrindo.
– Boa noite, princesa Fabray.
Ele sorriu pra mim, enquanto beijava minha testa e me cobria. Senti o quarto ficar escuro e voltei ao sono.
...
Acordei de manhã cedo, Antony já não estava mais no quarto, o relógio marcava seis e vinte, eu tinha quarenta minutos pra tomar um banho e ir pra minha sala de aula, nem tomei café da manhã, encarei aulas chatas, mas fomos liberados mais cedo, já que o professor Martín ainda não havia sido substituído. Os outros alunos não pareciam saber o real motivo da demissão dele, o que eu achei bom.
“Meu primeiro dia na residência, estou no ultimo tempo de aula... Vou direto pra estação, por isso tenha uma boa noite, chego depois da meia noite. Beijos. –Antony”
“Você não vai nem comer algo? Os lanches do trem são caros.- Quinn”
“Gostaria, mas não dá tempo, o tenho apenas quinze minutos pra sair do campus pra estação. Aliás, tenho que prestar atenção nesses últimos avisos. Tchau.- Antony”
Eu corri até a lanchonete e comprei um sanduíche de carne com queijo e cebola roxa, além de um refrigerante, corri até a saída do prédio dele, vi que ele corria em direção ao ponto de ônibus, eu corri também.
– Antony.- chamei, ele parou e me encarou- Espere um pouco.
Entreguei a sacola com o lanche e ele abriu pra ver o conteúdo.
– Você é dez, garota.- ele disse, enquanto inclinava pra me dar um selinho- Tenho que ir, durma bem.
Ele virou as costas e continuou sua corrida até o ponto de ônibus.
Voltei pro quarto, estudei a tarde toda e recebi algumas mensagens de Puck e Mike. Eu não me interessei em responder, por isso assim que terminei de estudar, fui até a cantina jantar e voltei para dormir. O relógio marcava um pouco mais de oito da noite.
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