Notas iniciais
Yay, mais um...

Eu sai do quarto e fui até a cantina, havia poucos alunos, eu peguei um copo de suco e algumas torradas e fui em busca de um canto mais afastado. Peguei meu notebook de dentro da bolsa, conectei ao wi-fi da cantina e entrei no e-mail e vi uma mensagem de Mr. Schue, ele me chamava para passar um final de semana em Ohio para ser tutora de alguém do coral. Não respondi, não tinha certeza se queria voltar à Lima, eu estava acostumada com Yale e tudo mais, sair fora da rotina não me agradava, mas no outro e-mail eu vi que Santana, Noah e Mike tinham concordado, eu resolvi aceitar também, eu esperava que Rachel estivesse lá... Eu estava um pouco chateada pelo fato dela não ter usado os passes de trem.

Depois do café eu voltei ao quarto, com o chá de Antony, ele estava coberto até a cintura, com livro na mão e um semblante sério. Assim que eu abri a porta ele tirou a atenção do livro e sorriu para mim.

– Você foi rápida, eu tentei dormir, mas lembrei de que segunda-feira eu tenho um teste.

Ele disse tranquilo, enquanto levantava. Usava uma bermuda e uma camisa. Era a primeira vez que o via fora do jeans, ele tinha uma tatuagem na panturrilha, uma bússola.

– Gostei da tattoo, é interessante.

Ele deu de ombros e sorriu, foi buscou o chá. Fazendo uma cara relaxada assim que o liquido passou por seus lábios.

Ele voltou a sentar na cama e recomeçou a ler o livro. Eu aproveitei pra estudar também, eu preciso manter minhas notas, ou então adeus bolsa de estudos.

Depois de cinquenta minutos de silencio, eu já estava incomodada com aquele silencio infernal. Antony parecia não se importar, ele já estava lendo seu caderno e depois finalmente levantou, se esticou e virou para meu lado.

– Vamos almoçar?

– Claro.

Ele trocou de camiseta e arrumou os óculos no rosto, depois de me esperar colocar o chinelo de dedo, seguimos até uma lanchonete que havia perto do campus, onde comi um sanduíche com bastante bacon e tomate, além de um suco de laranja. Antony escolheu um sanduíche de queijo branco, com tomate seco e orégano e um suco de clorofila.

– Você é estranho!

– Claro que não, eu só não estou com vontade de comer nada gorduroso, ontem eu comi pra caramba daquelas pizzas que você escolheu.

Ele murmurou, enquanto dava uma mordida no sanduíche dele, um cara entrou na lanchonete e veio em nossa direção.

– Estrabão, você vai à festa do Travis Willians?

Ele perguntou pro Antony, eu me senti meio excluída.

– Não sei ainda, David, eu... Uhn, vou ver. Quando é mesmo?

– Você sabe, depois das provas do segundo semestre, como sempre.

– Vou ver o que posso fazer, ainda mais que agora eu estou no sexto período, vou começar à arrumar estagio e tudo mais.

– Ok, boa sorte. Até a aula do Lancaster.

Antony apenas concordou levemente e o garoto saiu.

– Porque essas festas são marcadas com tanta antecedência?

– É a festa do semestre, o Travis faz isso todo ano, em todos semestres, a do primeiro já teve, foi junto com a festa de boas-vindas, e agora vai ter essa... São totalmente infernais, toma o campus todo, bêbedos por todos os lados e camisinhas espalhadas por todo o gramado.

Ele disse enquanto revirava os olhos.

– Eu fui às duas primeiras, mas desisti quando fui jogado na piscina, estava frio pra caralho e eles não tiveram nenhuma dó em me jogar por lá. Foi horrível, se não fosse por Victoria eu teria morrido congelado naquela piscina.- ele reclamou, enquanto bebericava o suco- Eu nunca mais fui depois daquilo...

– Victoria te olha meio estranho, sei lá, parece que ela te vê diferente, mais que um aluno que ela tem que auxiliar e tirar duvidas.

Eu comentei, vendo ele se engasgar.

– O que? Não, nada disso.- Antony estava falando rápido demais- De onde tirou essa ideia?

– Eu sei que você está escondendo algo.

– Não estou. Não aconteceu nada.

Ele disse, mordendo o sanduíche, eu comecei a me interessar mais por meu lanche do que pela conversa quando eu vi que ele não iria abrir a boca pra dizer que comeu aquela mulher.

– Você não vai mesmo dizer que comeu ela?

– Não.

– Porque?

– Não quero ser indiscreto, acho feio dizer... Você sabe, essas coisas.

Ele murmurou, enquanto suas bochechas ganhavam um tom róseo. Eu respirei fundo.

– Eu vou à Lima no próximo final de semana, são as regionais de coral.- eu comentei- A competição da sua prima também vai ser nesse dia?

– Não sei, mas acho que não, se não ela já teria me ligado desesperada para pedir ajuda. Karla é muito neurótica com esse tipo de coisa, com os compromissos e a musica, é irritante na maioria das vezes.

Ele comentou, mas não parecia chateado de verdade com aquilo, ele até falava meio orgulhoso.

– Rachel, minha colega também era assim, chamávamos ela de Drama Queen.

Murmurei em meio à um suspiro, de onde veio esse suspiro? Não faço a menor ideia. Passamos a tarde conversando, andamos no campus e sentamos perto do campo de futebol, enquanto olhávamos as Líderes de Torcida no treino. Elas vestiam uma saia curta, azul e branca e uma camiseta que deixava boa parte da barriga de fora, com a imagem de um bulldog estampada.

– Da pra acreditar, elas ganham bolsas de estudo para ficaram fazendo piruetas e abrindo as pernas, enquanto os outros têm que ficar se matando de estudar pra conseguir pelo menos metade de uma bolsa- ele murmurou- Agora me diz, no que uma líder de torcida vai ajudar o planeta, além de mexer os traseiros como um bando de vadias loucas!

Ele comentou, enquanto apontava para uma garota loira, que rebolava sensualmente.

– Eu era líder de torcida.

Comentei. Ele me encarou.

– Não zoa!

– To falando sério, eu era uma a chefe de torcida, todos me respeitavam na escola... E eu gostava de mexer meu traseiro como uma vadia louca, me sentia poderosa, hoje isso não faz mais sentindo pra mim, mas na época de escola era tudo...