Notas iniciais
Desculpem a demora, eu realmente não tenho uma boa explicação... Mas agora vou poder me dedicar inteiramente ao andamento dessa fic, e trabalhar em outras ideias que tive durante essa semana. Espero que as leitoras ainda estejam por aqui, para me dar uma forcinha com essa história. :3

Estávamos sentados um de frente para o outro, Quinn olhava a chuva que caia do lado de fora do vagão, estava um dia frio e a chuva deixava tudo muito esquisito. Passou uma moça vendendo uns chocolates, eu comprei dois. Um para a loira e outro pra mim.

– Antony, o que você acha de uma pessoa que deu seu filho?

Ela perguntou, enquanto abria o chocolate e leva-o entre seus lábios, eu desviei meu olhar.

– Você quer mesmo minha opinião?

Ela respirou fundo.

– Quero...

Eu olhei para janela e encarei o tempo chuvoso, antes de fechar meus olhos e respirar mais algumas vezes.

– Eu acho maior egoísmo, sabe? Sei lá, a pessoa simplesmente dá seu filho sem ao menos tentar, entende?- mordi um pedaço do meu chocolate- Ela não tenta dar uma educação, não tenta conciliar o tempo, não tenta arcar com as consequências. Acho que dar um filho é a mais pura forma de egoísmo... É um ato injusto.

Ela ficou calada e também.

– E se a pessoa se arrepende?

– Será que há mesmo um arrependimento?- perguntei retoricamente- Quer dizer, ela só sente derrotada, não, não sei se derrotado é a palavra certa, talvez possa ser culpa, culpa por perceber que teria dado, entende?

Eu pensei que ela ia me xingar, ou algo assim, pois seu olhar ficou esquisito. Foi quando eu vi umas lagrimas escapando de seus olhos.

– Eu tinha quinze anos, eu não sabia o que fazer, eu era tão nova, e p-perdi minha virgindade com um menino que me embebedou, eu nem me lembro da minha primeira vez, primeira e única.- ela encarou o chão, parecia envergonhada- eu menti, menti pro meu namorado, disse que ele era o pai, quando ele não era. Meu pai me expulsou de casa, tive um minuto pra catar minhas coisas e ir embora, quando meu namorado descobriu a verdade ele também me expulsou, eu fui viver com o cara que me engravidou, e depois com uma amiga... Eu não queria dar minha Beth, mas estava tudo tão difícil, no dia quem eu a tive, minha mãe apareceu lá no hospital, disse que eu podia voltar pra casa, mas sem minha bebê, naquele mesmo dia apareceu uma mulher, eu já a conhecia, ela disse que poderia ficar com minha filha. Foi isso que aconteceu, eu dei minha filha.

O silencio se instalou no local e não fiz questão de quebra-lo, as vezes eu lançava alguns olhares à Quinn, outras horas eu me limitava a olhar a paisagem sendo distorcida pela rapidez do trem, eu gostava daquilo, daquele trajeto New Haven x New York, gostava da paisagem, principalmente nos dias chuvosos como esse.

Chegamos à New York, tudo continuava exatamente igual, eu gostava da familiaridade daquela cidade, e os meus planos incluíam trabalhar por ali, ou talvez morar, quem sabe? Eu só sei que apesar de minha formatura estar mais próxima que o esperado, eu ainda não me sentia inteiramente pronto para me despedir de New Haven. Eu gostava muito da tranquilidade daquela cidade que eu passei esses três anos, mas eu adorava a sensação de êxtase que essa selva de concreto me fazia sentir.

As coisas aqui eram como eu gosto, tudo nu e cru, ninguém precisava ser legal vinte e quatro horas, ninguém estava preocupado em parecer um bom moço. Ninguém se importava de passar por cima de ninguém, tem coisa mais realista que isso? Acho que não. Por isso eu gostava tanto disso, em New York não tinha aquela ingenuidade que as outras cidades ofereciam... Definitivamente, eu iria crescer nessa cidade.

– Quanto tempo temos?

Quinn perguntou, me fazendo despertar das divagações, eu olhei no relógio que marcava um pouco mais de meio-dia, tínhamos vinte minutos para cruzar quatorze quarteirões.

– Vinte minutos, vamos de metrô.

Murmurei, enquanto começava a andar até a estação de metrô que ficava ali perto. Quinn grudou seus braços nos meus e seguimos à passos rápidos. O metrô estava cheio, por isso ficamos de pé, eu fiquei atrás de Quinn, para que nenhum engraçadinho pensasse em se aproveitar dela. Os caras dessa cidade eram tão tarados. Chegamos à nossa parada e então segui para o restaurante que eu marquei com meu tio. O local era pequeno, quase perdido por aquela imensidão de prédios. Eu conheci aquilo num dia de caminhada por New York, e realmente gostei do ambiente, era um bistrô, com deliciosas massas caseiras e vinhos de ótimas qualidade, além é claro, de uma bela musica ambiente.

Meu tio já estava sentando, mais no fundo do local, perto da vidraça lateral. Ele estava falando no celular, vestia um terno cinza e parecia preocupado com algo.

Eu guiei Quinn até o local, e puxei a cadeira para ela se sentar, eu sentei em seguida. Meu tio desligou o celular e resolveu nos dar atenção.

– Filho, que bom que veio- ele disse animado, fazendo gestos com a mão- E... Quem é você?

Ele perguntou para Quinn, encarando-a com seus grandes olhos castanhos.

– Fabray, me chamo Quinn Fabray- ela estendeu a mão para meu tio, que apertou rapidamente- eu divido o dormitório com o Antony.

A loira disse, enquanto suas bochechas ganhava uma cor rosada, acabei dando um sorriso.

– Estão prontos para pedir?

Meu tio perguntou, enquanto nos encarava, ele tinha um sorriso dissoluto nos lábios. Com certeza pensando que eu e Quinn tínhamos algo mais do que “amizade”.

Almoçamos, trocamos conversas, notícias e afins. Meu tio falava das minhas primas e de que como estava orgulhoso de Karla, pois ela havia ganhado um solo para as regionais do coral de escola.

– Sua filha é do coral?- Quinn perguntou animada- Eu fazia parte do coral, ganhamos as nacionais no ano passado, foi um belo jeito de lembrar da escola...

Quinn ganhou um brilho nos olhos, parecia estar distante, um sorriso se formou em rosto e depois ela suspirou, um suspiro triste.

Depois do almoço fomos, andamos com meu tio até o hotel onde ele estava e depois segui caminho com Quinn, o relógio marcava duas da tarde.

– Que fazer um tour?

Perguntei, enquanto atravessávamos a rua, não pude evitar levar minhas mãos até a base das costas de Quinn, guiando-a entre as pessoas.

– Claro!

Ela disse animada, andamos por várias ruas, olhávamos vitrines, entravamos em lojas, andávamos mais e mais, vimos o céu escurecer e paramos para tirar fotos, à pedido de Quinn, claro.

Notas finais
Quero dedicar esse capitulo à NayFabray, pela preocupação em me mandar uma mensagem privada para comentar a história, foi muito amável de sua parte. Espero que essa fic esteja dentro de suas expectativas. Obrigada :)