Gefährliches Dreieck
27 Por Antony:
Notas iniciais
Lauren estava estressada, Rachel parecia cansada e eu não sabia o que fazer. Eu não conseguia dar atenção pra Rachel, porque toda hora eu lembrava do olhar triste que Quinn deu à ela, a dor estava estampada, eu me sentia sujo, mas também não conseguia deixar de dar atenção já que ela era minha namorada e mãe do meu filho ou filha...
Por fim, eu resolvi continuar calado, mas busquei suas mãos por cima da mesa, sentir seus dedos em contato com os meus.
A garçonete chegou com nosso lanche, eu me deliciei com aquela quantidade de queijo, que provavelmente me faria morrer antes de chegar aos quarenta, mas quem ligava? Rachel estava meio fora do ar, pensativa também. Lauren bebeu sua cerveja e depois voltou sua atenção pra coca-cola.
– Então, onde vocês se conheceram?
Sua voz saiu mais calma agora, ela não era má pessoa... E deve ter notado que toda aquela pose de durona não lhe caiu muito bem.
– Numa festa de casamento.- Rachel comentou animada, seus olhos ficaram vagos, ela parecia lembrar do que estava acontecendo- No bar da festa, né?
– Uhun.
Minha amiga sorriu. Eu gostava de vê-la sorrindo. Lauren Crabbe é uma menina que evita distribuir sorrisos, então quando isso acontecia era algo raro. Apesar dela ter um humor muito maleável, facilidade para fazer piadas inteligentes (e outras um pouco mais idiotas), a incapacidade dela de rir era algo muito irritante.
– Estão juntos desde então? Eu ainda não acredito que você fisgou o garotão aí...- ela comentou, sua voz saiu duas oitavas mais alta. Ou seja, ela estava debochando de nós- Só quero ver a cara da Susan quando souber, que o meninão dela está namorando.
Eu revirei os olhos, e Rachel deu um sorriso divertido.
– Você é tão difícil assim, Antony? Nunca ficou interessado em alguém?
– Esse aí? Difícil é apelido, ele não ficava com ninguém- Lauren disse- Eu achava que ele era assexuado.
– Idiota!
Eu disse, chutando a perna dela por baixo da cadeira.
– E se quer saber, meu namoro com a Rachel é recente, passamos três meses sem nos falar depois da festa.
– O sexo foi tão ruim assim, Rachel?
Ela perguntou, deixando Rachel corada...
– Cala a boca, Crabbe.
– Como vocês se reencontraram?
– No hospital, no PA, Rachel passou mal na faculdade e então descobrimos que ela está gravida.
O silencio se fez presente, e Lauren bebericou a coca-cola.
– É menino ou menina?
Eu me calei, para deixar Rachel se inserir na conversa.
– Ainda não sabemos, Antony disse que iria ser um menino, mas eu acho que é uma menina.
Eu sorri, ela ainda lembrava-se do nosso reencontro, eu realmente achava que poderia ser um menino, mas essa visão já não me agradava mais. Agora eu via com clareza, uma menina pequena, sentada na grama do Central Park, enquanto sorria, sem alguns dentes na frente, mas ainda assim bonita, com sua pele perfeitamente dourada (como a de Rachel), assim como um nariz que chamava a atenção, mas que lhe cairia perfeitamente bem, ela seria tão bonita. Ela vai ser tão bonita! Ela vai ser um pedaço de Rachel, e se eu tiver sorte vai ser idêntica à ela.
– Eu também acho que vai ser um menino, só espero que ele seja menos lerdo que o pai.
Lauren comentou, enquanto se ocupava com o sanduíche...
Depois do nosso almoço/lanche, fomos até o carro.
– Minha tia vai estar em casa, Laur?
–Provavelmente não, se não me engano ela vai buscar Sofia no pré.
– E a Kaká?
– Ela disse que iria no shopping depois da escola, provavelmente está com as meninas, o que pode demorar muito...
Pegamos a avenida principal, até cortar o centro de Miami, nos afastando daquele centro comercial cheio de gente.
– Nossa, aqui faz muito calor.
Rachel comentou, enquanto enxugava o suor do rosto.
– Quando chegarmos, eu ligo o ar-condicionado, e vamos ficar livres disso.
Ela sorriu e eu sorri de volta.
O carro entrou na rua 67, até sair na estrada para praia.
Rachel grudou seus olhos no vidro do carro, enquanto encarava o mar, ela estava sorrindo como uma criança pequena, enquanto não desviava os olhos daquela imensidão de agua salgada.
Lauren pegou a estrada que ia para parte mais alta de Miami, apesar de tudo ser tão plano, realmente havia uma parte alta, morávamos num condomínio de casas planejadas, todas brancas de telhados vermelhos.
Nosso condomínio ficava escondido, acho que porque era o único naquela parte... Eu sorri ao ver a placa com o nome, eu lembro quando nos mudamos para aquele lugar, eu deveria ter uns quinze ou dezesseis anos, Lauren já havia se mudado para lá fazia um tempo e depois foi nossa vez, eu gostava daquele lugar, era tudo grande, e eu tinha um quarto pra viver minha privacidade.
Casa 12, nada parecia ter mudado.
Lauren, tirou a mala de Rachel de dentro do porta-malas, eu peguei o objeto cor-de-rosa.
–Tenho que ir, Septimus está em casa, e provavelmente mexendo em minhas coisas...
Lauren se afastou do meu gramado, indo até a casa dela. Pude ouvir seus gritos contra Septimus, também ouvi os gritos dele. O garoto era mesmo um intrometido...
Rachel grudou suas mãos nas minhas, e me olhou, eu tentei lhe encorajar com olhar, e beijei sua testa.
– Seja bem-vinda ao lar.
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