Notas iniciais
Antony é um personagem principal, e será de grande importância na fic.

Eu nunca entendi muito bem a palavra amor, nunca amei ninguém, nem fui amado também.

Para mim o amor é uma coisa inventada, não existe, ninguém ama ninguém, estão todos preocupados com seus próprios umbigos. Amor, uma coisa inventada por algum mentiroso, um mentiroso sem noção. E sabe esse tal de amor? Tenho uma má noticia pra você, nem seus pais te amam, simplesmente porque isso não existe. Seus pais te aturam, e só te aturam porque jogar fora é crime, é crueldade. Você é só um efeito colateral de uma noite de desejos incontidos, uma gravidez idiota e Boom, despesas e mais despesas... Definitivamente amor não existe.

Eu sei disso desde que eu tenho pouco tempo de vida, desde que eu comecei a raciocinar e ter noção das coisas, eu sei, eu sei por que eu fui jogado fora. Meu pai me abandonou e minha mãe simplesmente foi viver la vida loca. E cá estou eu, nesse exato momento, sentado no meu quarto, quarto esse que fica na casa de meus tios, que ficaram com pena de mim e me pegaram para criar.

Então, aparentemente, a pena é o mais próximo que eu conheço de algum tipo de afeto.

Eu tenho 21 anos, estou passando minhas férias de natal com minha família. Vi minhas primas se divertindo, ganhando abraços e presentes. Mas fazer parte daquilo tudo me estressava, eu só estava aqui porque os dormitórios da faculdade foram fechados para reforma e para demonstrar o mínimo de gratidão por meus tios.

...

Eu estava sentando no sofá, apreciando a queima da lenha na lareira. Senti o sofá ganhar um peso a mais.

– Antony, como está na faculdade?

Meu tio perguntou, talvez fosse a décima vez que ele me perguntasse aquilo. Eu não estava frustrado por isso, na verdade, esse era o único assunto que me sentia confortável para falar.

– Ah, é o sexto período, as coisas começam a ficar realmente divertidas, estudar medicina é muito bom, eu me sinto cada vez mais motivado...

– Isso é ótimo, filho, eu sei que você vai ser um ótimo médico.- ele virou para mim- E agora me diga, e as namoradas?

Então, chegou a hora da conversa que eu mais odiava, eu nunca tive uma namorada. Nunca, nunca mesmo. Não vou dizer que sou virgem, porque eu não sou. Eu transei um par de vezes, vezes essas que posso contar nos dedos, mas ainda assim nunca tive uma namorada.

Na verdade, eu tenho até uma aparência boa, tenho uma estrutura óssea legal, ombros largos, uma altura considerável- ah, quem eu quero enganar, eu me sinto poderoso, diante dos meus 1,87cm- tenho olhos verdes, e cabelos castanhos, tenho uma aparência legal, apesar de achar que os óculos atrapalham-me de verdade.

– Tio, você não quer realmente falar disso, não é?

Eu perguntei, meio incerto.

– Tudo bem, eu não quero mesmo falar.

Minha tia nos chamou para o jantar. Talvez eu deva dizer seus nomes, não é? Meu tio é Alejandro, minha tia é Susan, minha prima mais nova é Sofia e mais velha é Karla. Todos morenos, de pele bronzeada e aparência familiar.

Jantamos, era meu ultimo jantar com eles, pelo menos naquelas férias. Eu iria pegar um voo às onze da noite e iria para o outro lado do país, me isolar no meu belo quarto de dormitório e estudar.

Depois do jantar, eu busquei minhas malas, me despedi de minhas primas e de minha tia e meu tio me levou para o aeroporto.

– Boa viagem, Antony, bom começo de aulas. Amo você.

Eu não acreditei naquela ultima sentença, como eu disse, nunca acreditei nesse tal de amor.

Abracei meu tio, agradeci e fui em direção ao avião.

Depois cinco horas, graças a uma parada em uma cidadezinha qualquer de um fim de mundo, eu finalmente cheguei em New Haven, quatro da manhã, aquele típico vento de outono. Eu gostava muito de New Haven, gostava das arvores, do vento, gostava de tudo. Finalmente meu táxi parou enfrente ao prédio Norte de Yale, minha ala, meu dormitório. Eu cheguei ao quarto, me sentindo cansado. Deitei-me tranquilamente na cama, minha cama ficava ao lado da janela, eu podia ver a paisagem e nas épocas mais frias podia ver os flocos de neve se chocando contra o vidro.

Acordei com um barulho na porta, acordei incomodado, mas lembrei de que poderia ser o novo companheiro de quarto. Virei-me para o lado da janela e esperei a pessoa fazer o trabalho de carregar malas. Senti pelos passos, que meu novo companheiro deveria ser magro, e pequeno, pois seus passos eram feitos com dificuldade, seguidos de suspiros cansados, eu realmente fiquei penalizado e levantei para ajudar.

Não era um cara magrelo, não era um menino frangote. E sim uma garota, uma garota de cabelos curtos, uma garota loira, uma garota de olhos cor de avelã, uma garota linda. Achei que fiquei meio travado no meio do caminho, pigarreei.

– Você está no dormitório certo?

Perguntei.

– A coordenadora me deu essas chaves e me guiou até aqui. Acho que ela se enganou.

– Realmente, houve um equivoco, pois o dormitório de Yale nunca foi misto.

Ela deixou a mala onde estava.

– Eu vou falar com ela.

– Espere um pouco, vou com você.

Eu fui escovar os dentes e passar uma agua no rosto e trocar de roupa. Saímos corredor a fora, procurando por Victoria McCarty, a coordenadora. Assim que vi aquele furacão ruivo passar por mim, puxei-a pelo braço. Sabe minha transas contadas nos dedos? Duas foram com ela.

– Victoria, você colocou essa garota no mesmo quarto que eu?

Eu murmurei, acho que acabei fazendo uma careta.

– Quinn, meu nome é Quinn.- a garota protestou atrás de mim- Será que houve algum tipo de erro ou sei lá.

– Não, bom, parece que todos os bolsistas foram jogados para Ala Norte e os dormitórios ficaram mistos.

Eu apenas respirei fundo e vi Victoria se afastar. Eu me virei para Quinn e estendi a mão.

– Antony Estrabão- estendi a mão- acho que vamos ser colegas...

– Quinn Fabray, é um prazer te conhecer.

Eu poderia dizer que viramos melhores amigos depois daquilo, mas depois eu simplesmente virei as costas e fui tomar café.

As coisas na faculdade começaram a ganhar uma rotina e eu estava me acostumando a conviver com a presença de Quinn no meu quarto. Eu não me importava muito, pois até meus dezesseis anos eu dividi meu quarto com Karla, então eu estava acostumado com que postura deveria tomar, apesar de achar que aquela loira não sabia disso, já que ela insistia em trocar de roupa enquanto eu estava no quarto, ou dormir apenas de blusa e calcinha.

Naquela tarde eu estava estudando, era uma sexta-feira, quase cinco da tarde, quando Quinn entrou no quarto. Ela parecia cansada, entrou no banheiro e voltou de lá com um vestido florido e umas botas engraçadas, aquilo não lhe ficava bem, eu preferia quando ela vestia jeans e camiseta.

Notas finais
Desculpem os possíveis erros. Apreciem e comentem...