Gateway - Camping Green hil
28 Surpresa
Notas iniciais
Quando saímos da reunião, havia me esquecido totalmente que estávamos sendo atacados e embora não houvesse mais luta o corre corre era intenso. Não entendi bem o porquê daquilo. As fadas deveriam ter saído com o pó do extermínio, mas elas faziam o papel de fadas enfermeiras trazendo corpos para dentro do campo de força.
Avistei Troy, coelho amigo de Kevin, e perguntei:
“-O que houve?”
“-Eles armaram uma armadilha. Atraíram-nos para fora com dragões, assim que os exterminamos e já estávamos voltando para o lado de dentro, eles nos atacaram pelas costas com animais menores e mais rápidos. Muitos ficaram perdidos, sem saber o que fazer e nem tiveram tempo de reagir.”
“-Mas como? Vocês não os viram se aproximando? Não podem dar as costas.”
“-Sabemos disto Davi, mas a luta já havia acabado. Eles nunca fizeram isto. Não esperávamos.”
“-Eles nunca fizeram nada disto, daqui pra frente tudo será diferente, estamos lutando em pé de igualdade desta vez.”
Troy abaixou a cabeça. Senti-me estúpido por dar uma bronca e mudei de assunto com uma pergunta.
“-Onde está Elizabeth?” Perguntei já preocupado. Tinha perdido-a várias vezes e de várias maneiras, não a perderia novamente, por mais que ela nunca mais falasse comigo.
“-Estou aqui”. Disse ela se aproximando como se respondesse a um estranho. “-Mas perdemos muitos. Todos estão dentro do campo de força, as fadas refizeram o hospital para atendê-los. Inclusive os corpos das baixas estão lá.”
Ela falava comigo mecanicamente, como se fala com um estranho, sem qualquer intimidade ou sentimento, mas eu tinha que ignorar. Embora doesse muito.
“-Você sabe os números?”
“-Oitenta e cinco feridos e trinta e dois mortos.”
Arregalei os olhos de surpresa, não esperava tantos assim.
Depois soube que Kelly, amiga de Laila, havia morrido nesta batalha.
Fiquei pensando quantas pessoas mais morreriam, não temia mais por mim, mas por meus amigos e Elizabeth. Acho que não adiantaria eu falar pra ela não lutar, mas eu poderia falar com Leonor, pedir para ela a proteger, neste momento qualquer coisa ajudaria.
Depois do almoço segui em direção ao escritório do ministro, ainda estava um pouco apreensivo, poderia dar de cara com Elizabeth e não queria uma nova cena entre nós dois.
O escritório tinha a mesma aparência do lado interno, já o lado externo era do tamanho de uma cabine telefônica.
Tive sorte! Leonor estava sozinha sentada no Divã com um grande livro em suas mãos. Quando me dei conta já estava tentando bisbilhotar o título, era estranho existir tantas coisas em comum com a Terra, mas não era uma linguagem conhecida.
Ela percebeu que eu olhava o livro:
“-Você vai aprender muitos tipos de linguagem. Aprenderá sobre muitos mundos e seus diferentes modo de viver. Verá que muitas coisas que você conhece aqui também existem em outros mundos da mesma forma ou com diferenças mínimas. A propósito, me desculpe por não vê-lo nos últimos dias.”
Eu senti falta dela, na verdade de qualquer um que eu confiasse, mas tentei forçar um sorriso, até por que ela estava consolando Elizabeth que estava no topo de minha lista de prioridade, estava perdoada.
“-Tudo bem! Entendo.”
Ela sorriu em resposta.
“-Vim aqui pedir que você use seu poder para fazer um milagre e levar Elizabeth para longe da batalha. Para o castelo de Napta.” Brinquei, mas Leonor apenas arregalou os olhos, espantada com meu pedido, o que me fez acreditar que se ela quisesse, talvez fosse possível.
“-Acho que ela não gostaria muito se eu fizesse isto.”
“-É, acho que não! Na verdade, vim aqui, pois estou mesmo preocupado com ela. Embora não estejamos mais juntos e nem sei se estaremos no futuro....” Doeu pensar assim. “-... gostaria que você a convencesse a ser cautelosa. Sei que ela quer participar da batalha, mas ela não precisa estar na primeira fila de ataque. Em contato direto. Não suportaria perdê-la novamente.”
“-Você realmente gosta dela, não é?” Embora seu tom de voz sugerisse uma pergunta, ela não estava a fazendo, pois fitou através de meus olhos e se perdeu em lembranças.
Eu apenas assenti pesarosamente, pois agora estava tudo perdido, pois Elizabeth me odiava.
“-É impressionante. Sabe que eu também passei por isto?”
Nunca havia pensado no assunto, mas agora sabendo como as coisas funcionam, imagino que Leonor e Demétrius passaram exatamente a mesma coisa quando eram adolescentes. Não a parte de alojamento, se preparar para a grande batalha e não saber se sobreviveriam, mas a parte de serem prometidos um para o outro.
“- Eu era brava como Elizabeth, fui até mais resistente do que ela. Isto que conheci Demétrius na infância. Nos encontrávamos duas vezes por ano e eu odiava a idéia. Quando tivemos idade suficiente para namorar, ele me cortejou e eu o rejeitei. No ano seguinte, ele tinha outra namorada, quase me matei de raiva, larguei tudo e quis casar com ele antes do planejado. Tinha quinze anos, dois a menos que ele. Éramos duas crianças..... Desculpe novamente, meu passado já não importa mais. Você estava me dizendo?”
“- Para convencer Elizabeth a ser cautelosa e que você a proteja no momento da batalha. Preso muito por sua vida. Quero que fique bem, com ou sem minha companhia. Eu a amo.”
Acho que foi a primeira vez que disse em voz alta que a amava, fez meu coração bater mais forte. Eu deveria ter dito antes, a ela, mas era tarde.
Ela sorriu.
“-Eu faria isto sem você pedir, embora não seja realmente, eu a considero minha filha. E não se preocupe, vocês vão se entender, mais cedo ou mais tarde.”
Não tinha tanta certeza assim e, além disto, não queria me permitir ter esperanças em vão, quanto maior a esperança, maior o sofrimento.
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