Gateway - Camping Green hil
6 A beleza
Notas iniciais
Boa leitura!!
Lavei-me e coloquei uma camisa azul clara, calças e botas escuras e saí do quarto em direção a tenda principal. Antes de sair da barraca encontrei Kevin que me acompanhou até a tenda.
“- Como está se sentindo Davi?” Kevin perguntou.“- Na mesma, Kevin, cada vez tenho mais informações para absorver. Época boa era quando eu jogava basquete.”“- Jogava o que?”“- Deixa pra lá.” Respondi imaginando que não deveria ter basquete no mundo de Kevin.Aproveitei nossa pequena caminhada para tirar mais uma dúvida.“- Kevin, quando você me despertou poucos dias atrás, o mal me descobriu e estava atrás de mim para me destruir. Fico pensando que tipo de mal era? Já que apenas sentia a energia ruim e não via nada me perseguindo.”“- O mal que estamos lidando é uma energia negativa e muito poderosa. Não tem forma definida, pode se transformar em qualquer coisa, mas o que estava atrás de você era um escorpião gigante.” Kevin respondeu ao aproximarmos da tenda.“- Ah!”Já dentro do salão, corri os olhos procurando por Elizabeth, não há encontrei em lugar algum. Sentamo-nos perto de algumas fadas e Kevin me apresentou a elas. Entre elas conheci Laila, uma fada linda, cabelos loiros encaracolados, olhos verdes como jades, era de um tom um pouco mais amarelado que o de Elizabeth, a pele clara e corpo escultural, é claro. Onde estavam as garotas feias? Não que eu quisesse saber, mas todos os jovens daquele lugar eram bonitos, pelo menos os humanos para humanos como eu.Kevin, Laila e eu conversamos sobre várias coisas em nossos mundos, acabei explicando para eles o que era basquete, descobri que existia alguma coisa parecida no mundo de Kevin, com outro nome, que não me lembro mais e que havia jogos no mundo de Laila também, só que lá tudo envolvia a magia, era muito interessante.Ao final do jantar, não tinha avistado Elizabeth e nem a menina ruiva que andava com ela, acho que se chamava Caroline, decidi procurá-la em seu quarto. Neste momento, já estávamos em pé, divididos em pequenos grupos nos preparando para nos retirar. Alguns iriam sentar e ouvir histórias dos anciãos ao redor das fogueiras, outros iriam para seus próprios quartos e outros, sei lá pra onde. Então, perguntei a Kevin.“- Kevin? Onde encontro Elizabeth?”Kevin levantou uma orelha com uma expressão de curiosidade. Ainda era estranho falar com um coelho inteligente.“- Preciso falar com ela, descobri que faremos algumas coisas juntos e preciso saber qual a opinião dela quanto a isto.”“- Você está sendo meio formal.” Kevin percebendo que havia segundas intenções por trás da minha curiosidade, prosseguiu sorrindo ceticamente com nosso diálogo.No meu grupo estava Eu, Kevin, Laila, mais uma fada chamada Kelly e duas humanas, Rose e Tati quando Caroline se juntou a nos, não percebi de imediato e respondi a dúvida de Kevin:“- Já que vou ter que casar com ela, quero saber por que ela me odeia tanto? O que há de errado?”“- Ela não te odeia Davi.” Interrompeu Caroline. “- Está apenas assustada por ter te conhecido pessoalmente. É tão difícil pra ela quanto é pra você, pois ela nem imaginava com o que você se parecia há alguns dias atrás. Apenas esperava que qualquer um a tomasse e casasse com ela, podia ser quem for e ela já havia aceitado seu destino, estava conformada, não se importava o quão feio seria o cara, mas quando você apareceu, acho que ela se surpreendeu.” Caroline disse com um risinho no rosto.“- Se surpreendeu?” Agora eu que estava confuso.E todos caíram na risada. Tá, eu era bonitinho na escola, mas nada fora do comum. Entrei no clima das risadas e gostei da história de Elizabeth me achar bonito.A conversa tomou outro rumo e sai da tenda com Kevin e Laila. Do lado de fora, Kevin percebeu que havia deixado seus pertences à mesa do jantar e correu de volta para pegá-los.Fiquei com a Laila do lado de fora. Ela iniciou a conversa:“- Não diga que você não tem espelhos no seu mundo?” O que ela estava falando? Não respondi e ele continuou: “- Claro que você sabe que é bonito.”“- Sei?” Perguntei experimentando até onde ela queria chegar. Será que teria mais informações de Elizabeth, como Caroline?“- É mais que bonito, é alto, forte.” Disse aproximando de mim com um sorriso malicioso e tocando levemente com as pontas dos dedos em meu peito. Contive a surpresa e continuei olhando nos olhos dela, avaliando. Que fada atirada. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ou afastar-me, ela ficou na ponta dos pés sustentando meu olhar. Quando percebi sua intenção, já era tarde demais, chegou muito mais perto me pegou desprevenido e me beijou. Foi um pouco mais que um selinho, pois não correspondi seu beijo, mas também não queria constrangê-la empurrando-a para longe como tive vontade de fazer. Afastei-a suavemente segurando em seus cotovelos, olhei em seus olhos para ler sua expressão e a vi encarando algo atrás de mim. Quando me virei, dei de cara com Elizabeth, parada com uma cara terrível, em choque. Soltei Laila e dei um passo na direção de Elizabeth que saiu do transe e correu em direção a escuridão sem dizer qualquer palavra. Olhei para Laila novamente e perguntei sem nenhum tom de raiva na voz:
“- O que houve com você? Por que você fez isto?” Ela apenas sorriu diabolicamente.Revirei os olhos e segui atrás de Elizabeth, mas no meio do caminho, não sabia que direção ela tinha tomado e nem em qual barraca ficava seu quarto. Fiquei parado fitando o escuro, tentando avistá-la na entrada de alguma barraca. É claro que ela não estaria lá. Havia ursos, em uma das barracas, elfos na seguinte e resolvi procurá-la por eliminação. Hoje já eram quinze barracas, a cada dia chegava mais tralhos, as barracas continuavam a ser arranjadas em formatos de U, mesmo com a inclusão de algumas mais em torno da tenda principal. Podia eliminar as oito barracas dos tralhos, uma das fadas, outra dos Elfos, dos Ursos, dos Metaformos, dos Anões e dos coelhos. Só sobrava a minha barraca. Será que ela estava lá? O tempo todo tão perto? Voltei para meu quarto o mais rápido que pude.Cada barraca deve ter aproximadamente umas oitenta pessoas, uns quarenta quartos, sala de TV, outra de computador, dependendo da necessidade de cada reino. Podia eliminar mais da metade dos quartos, pois havia ala feminina e masculina. Mas mesmo assim eram muitos quartos para procurar. Assim que pus os pés dentro da barraca, senti um leve tremor, conforme adentrava na barraca este tremor foi se intensificando aos poucos até parecer um terremoto de pequena escala. Não que já tivesse sentido um, mas foi o que imaginei na hora. O que seria aquilo? Olhei pra cima e estava tudo bem, nada caia, estava tremendo, mas pelo menos não desabava. Não havia gritos, apenas pessoas correndo com suas armas para fora das barracas. Estava muito perto do meu quarto e resolvi pegar minha espada e sair da barraca também. Havia ganhado uma de verdade no segundo dia de treinamento. Eu deveria mantê-la comigo o tempo todo, mas não sentia uma real necessidade até agora.Quando saí, percebi que havia uma neblina preta batendo no campo de força em volta do acampamento, era isto que provocava o tremor. Examinei mais criteriosamente e vi que a neblina estava tomando alguma forma. Não consegui identificar o que era, mas pude ver muitos olhos brilhando. Que coisa estranha. Parecia uma aranha, não era possível, mas após poucos segundos pude identificá-la e realmente era uma aranha, gigante. Estava se tornando concreta e quanto mais seu estado passava de gasoso para solido, mais tremia o acampamento.Olhei em volta e percebi que havia uma passagem pequena para o lado de fora feita pelas fadas. Segui alguns tralhos que atravessavam a passagem e sem pensar passei por eles com minha espada em mãos e minha bolsa de magia presa ao cinto.Num instinto que não soube de onde veio descobri exatamente o que fazer. Escalei as pernas da aranha que deveriam ter pelo menos uns três metros de comprimentos, cheio de pelos duros que serviram de degraus para mim, em três grandes pulos. Ela não tinha percebido minha aproximação até eu já estar prestes a pular em suas costas. O corpo dela deveria ter o dobro do meu tamanho. Conforme eu andava sob suas costas se debatia tentando me jogar ao chão, mas eu me segurei e alojei-me perto dos olhos, ergui a espada enquanto a aranha ainda se debatia e cravei a espada em um olho que estava em maior evidência na aranha. Neste momento ela se contorceu e encolheu as pernas, deixando cair o corpo morto no chão.Olhei para a minha direita e notei que havia mais umas cinco aranhas sobre a proteção mágica, havia uns dez guerreiros em torno delas, tralhos, Ursos e Elfos lutavam contra as aranhas, a maioria já estava morta, quando olhei para o outro lado vi Jake correndo ao meu encontro e atrás dele avistei mais umas cinco aranhas e outros tantos guerreiros matando os grandes monstros. Ele me orientou rapidamente para dentro do campo de força e falou:“- Davi? Você está maluco? Não tem treinamento suficiente para enfrentar estas feras. São assassinas e cospem veneno que imobiliza seu corpo até a morte. Você foi muito rápido, acho que o primeiro a matar a aranha e por sorte não deu tempo de ela tentar te envenenar.”“Como descobriu que somente um dos olhos é vital para elas? Você cravou no lugar certo, como deveria fazer.” Pensei sobre aquilo e não soube responder, apenas fiz o que achava que era certo. “- Deixa pra lá, mas não faça isto de novo, não teve nenhum treinamento de como lidar com seres das trevas. Ainda está no básico. Assim não consigo te proteger.”“- Desculpe. Quando dei por mim, a aranha já estava morta. Uma força muito grande me atraiu para matá-la. Como se eu nascesse pra isto.” Depois de falar, me dei conta da verdade contida em minhas palavras.“- Você se deu bem, mas peço que nunca mais saia correndo feito um maluco ao encontro de um ser das trevas sem estar preparado.” Ele pediu.Assenti com um bufar. Era fácil prometer aquilo em sã consciência, mas poucos minutos antes quando corri pra fora tive uma força que não consegui controlar. Queria ver o bicho morto no chão. Acredito que podia ter matado mais de uma. Foi como correr no garrafão e fazer uma cesta, aquelas cravadas que eu estava acostumado a fazer. Gostei de fazer aquilo.Entrei dentro do campo de força novamente e todos que passaram por mim me dirigiram palavras de encorajamento e agradecimentos. Notei que fui o único adolescente novato que tinha saído do campo de força. Passei pelo ministro que não falou nada só assentiu com um sorriso no rosto. Cheguei ao grupo em que se encontrava Kevin e dei uma breve olhada ao redor para tentar encontrá-la, mas nenhum sinal de Elizabeth. Lá estava o coelho Troy, Kevin, Caroline, outra humana que eu não lembrava o nome e Jake.Estavam eufóricos quando me juntei a eles. Enchendo-me de perguntas de como eu sabia o olho certo para matar a aranha? Como eu tinha matado-a tão rápido? Se eu não estava queimado pelo veneno?Respondi as perguntas sinceramente, mas a pura verdade é que não sabia como tinha matado a aranha, não tive tempo de pensar em nada e com uns poucos saltos e uma apunhalada já tinha matado o animal. Por fim disse:“Deve ter sido o gene que está despertando o desejo de eliminar o mal”.Quando ergui a cabeça com uma gargalhada encontrei os olhos de Laila no grupo ao lado me lançando um olhar sedutor. Parei de rir de imediato, ela sorriu e fez um beicinho como se mandasse um beijo. Não expressei nada e voltei minha atenção ao meu grupo novamente.
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