Gates of Hell
1 Tequila Vermelha
POV HAZEL MARIE
Olho para o fundo do meu copo de tequila, esperando o tempo passar. Já são sete horas da noite e eu não havia feito nenhum progresso em minha missão.
–Ei, mocinha, quer mais uma dose?- pergunta o barman, enquanto limpa um copo com um pano gasto.
–Quero sim.- digo,sorrindo. O barman se levanta para me servir mais uma dose de tequila.
Eu examino o liquido do copo, ele tem uma cor estranhamente avermelhada, como se tivesse passado da validade.
–Por que esta vermelha?- pergunto.
–A tequila daqui da região tem essa cor meio esquisita mesmo. Ninguém sabe por que. Tem sido assim ha uns cinco anos. Eu são sei que ela tem o mesmo gosto e faz o mesmo ‘bem’ que a tequila ‘ normal’ .- ele sorri, então se apóia no balcão a minha frente.- Você não é daqui, ne?
Viro o copo com a bebida alcoólica, tomando o conteúdo de uma vez só e o coloco de ponta cabeça na frente do barman. Este me lança um olhar de surpresa e em seguida de respeito.
–Não.- digo
–Da onde veio?- ele pergunta, apagando seu cigarro na mesa.
Não o respondo, apenas encaro as fotos penduradas na parede do lado oposto. Ele segue meu olhar e ri secamente.
–São fotos dos produtores de tequila daqui e de Albuquerque. Algumas são bem intrigantes eu tenho que admitir. Já estavam aqui quando eu comprei esse lugar.
–Hm... –digo, as fotografias mostram homens sorridentes, todos de origem mexicana. Eles fazem poses segurando copos com o liquido vermelho, suas mãos estão manchadas, parecendo sangue. Decido mudar de assunto e perguntar o que realmente me interessava, -Você por um acaso conhece algum tatuador nessa região?
–Conheço vários, moca. Mas o melhor de todos é o White. Aqui, -ele anota um telefone em um pedaço de papel e me entrega – esse é o numero dele. Acho melhor ligar pra ver se ele tem horário e essas coisas, sabe. Mas a loja dele não costuma ser muito movimentada... Vai fazer mais uma tatuagem?
–Obrigada. Bem, eu pretendo. Quero fechar meu braço um dia, mas aqui eu quero tatuar uma borboleta no peito.- digo.
–É mesmo? Por que?
–Significa liberdade.
–Interessante... Bem, não quero invadir sua privacidade e perguntar o por que de querer simbolizar a liberdade. Me chamo Walter, por sinal.
–Hazel Marie. – digo, sorrindo.
–Gostei de você, Hazel. É uma garota interessante, diferente da maioria de prostitutas fracassadas que entram nesse bar.
–Obrigada, Walter.
–Bem, eu só tenho tatuagens das quais me arrependo muito de ter feito. Uma delas é uma garota pin-up semi nua em meu braço esquerdo. Meu Jesus, que coisa feia. – ele arregaça a manga, mostrando o estrago. A mulher tatuada tem rosto deformado, com nariz de porco e seios desiguais.
–Nossa. – digo, rindo.
–Fui eu mesmo que desenhei. Achei que ia ficar bom.
–Eu também tenho uma tatuagem de um desenho meu.
–Deixe-me ver.
Viro de costas e assumo que minha regata é decotada o suficiente para mostrar a minha tatuagem da menina afegã. O tatuador havia feito de modo que parecesse que foi traçado por lápis de cor, como eu havia feito meu desenho ha muito tempo.
–Está de parabéns. – ele diz. – Ficou muito bonita, mas deve ter doido muito também.
–Eu já estou acostumada.
–Essa é por conta da casa, Hazel Marie.- ele me serve mais uma dose de tequila vermelha, -Agora me de licença, tenho que atender os outros clientes.
–Claro. – digo.
Olho em volta e percebo que um homem esta me encarando. Ele está sentado no mesmo balcão que eu, uns três lugares para a esquerda. Desvio o olhar e tomo minha tequila, temendo pelo pior. Então tenho uma idéia, olho para o reflexo do homem em sua bebida. Engulo em seco, é exatamente o que eu havia pensado.
–Esse homem ta te incomodando?- pergunta Walter, percebendo o que estava acontecendo.
O homem passa a encarar Walter, segurando seu copo com força.
–Não. – eu sussurro, tirando a minha faca do bolso.
–Hazel, O-o que é isso que você esta segurando?- pergunta Walter, -Não pode ser...
O homem misterioso se levanta, derrubando o banco em que estava sentado. Seus olhos agora eram inteiramente pretos. Ele sorriu maliciosamente e começou a caminhar em minha direção.
Pego minha faca e tento apunhalá-lo, mas ele segura minha mão. Esse demônio é muito mais forte que eu. Dou um grito quando ele começa a torcer meu braço. Com a outra mão, pego a faca e corto um de seus dedos, fazendo ele urrar de dor.
Então, do nada, uma água atinge a face do demônio, fazendo com que sua pele queime. Cambaleio para trás, me segurando no balcão para não cair. Pedaços de vidro cortam minha mão e meu rosto, mas eu consigo agarrar minha faca e cravá-la no peito do demônio. Ele abre a boca, deixando uma brilhante luz amarela sair.
Olho em volta, respirando fundo e tirando a faca do peito do demônio. Todos haviam saído do bar, então quem tinha jogado aquela água benta...?
–Essa foi por pouco, hein.- diz Walter, que esta segurando uma garrafa com uma cruz preta pitada na frente.
–V-você? Um Hunter?- pergunto.
–Já fui melhor. Mas assim que você passou por aquela porta eu soube que você era uma também.- diz Walter, guardando a garrafa –Quando me disse seu nome, eu tive certeza. Da próxima vez, cubra melhor essa tatuagem de pentagrama no ombro.
–Como assim? O que meu nome tem a ver com isso?- pergunto, então encaro meu reflexo na janela, estou coberta de sangue. Minhas mãos e meu rosto começam a arder muito. Sento em uma cadeira que não foi destruída durante o ataque.
–Ei, eu tenho um kit de primeiros socorros aqui. Sempre temos umas brigas meio feias, então gosto de estar preparado.- ele se senta o meu lado e pega uma pinça para tirar os pedaços de vidro, -Hm, você realmente não se lembra de mim ne? Bem, acho sensato, você era bem pequena. Não se mexa.- eu dou um gemido baixo quando ele começa a tirar os cacos de meu braço. –Bem, Hazel Marie, eu conhecia seu pai.
–Meu pai?
–É. Você é a cara dele... Carter Young era o nome dele, certo?
–Sim... Ele morreu quando eu tinha oito anos.
–Eu sei... Seu pai era um bom homem. Um excelente Hunter.
–Não convivi muito com ele.
–Um Hunter nunca consegue passar muito tempo com a família, infelizmente...
–Eu sei... Por isso nunca quero ter família.
Walter ri e limpa meus ferimentos, então diz:
–Todos pensam isso... Mas ninguém consegue viver sem família, Hazel.
–Sei la... Walter, você sabe por que tem tequila vermelha aqui? De verdade?
–Se eu soubesse já teria dito...
–Será que tem alguma coisa a ver com... Você sabe... O que todos estão comentando?
–Honestamente, acho.
–E nos vamos, certo?
–Com certeza... Você tem lugar pra ficar?
–Na verdade, não.
–Vamos para a minha casa então. Carro você tem?
–Sim. Esta estacionado ali fora.
–Certo, me siga.- ele termina de fazer meu curativo –Temos que sair daqui logo. Esses demônios estão ficando cada vez mais espertos.
Concordo com a cabeça. Eu e Walter entramos nos nossos carros e vamos ate a casa dele. Meu carro ‘e um Ford Mustang modelo 67, eu o adoro. Esta muito escuro para que eu possa descrever a casa de Walter.
–Pode dormir la em cima, no terceiro quarto a direita.
–Obrigada, Walter.
–De nada. Sinta-se em casa.
Entro no quarto para qual fui indicada e deitei na cama sem pensar duas vezes. Quando dei por mim, havia dormido.
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