Gasolina

25 Pólos Opostos


Notas iniciais
a menina é tão doida, mas tão doida que quase postou o comentário da leitora aqui, vê se tem juízo?

Ótima, se tinha uma coisa que eu estava esbanjando naquele Domingo, de Julho, calorento, que derretia até minhas células, embrulhava meu estômago e me deixava prestes a ter uma diarréia de desespero, era felicidade, alegria, jucundidade e todos os sinônimos. Eu estava tão feliz, que fazia medo ao meu próprio juízo perfeito! Super feliz. Feliz demais. Tô tão feliz que posso compartilhar, vender, doar minha alegria pro mundo inteiro e para os marcianos, que ainda vai ter de sobra pra mim!

Quem eu tô querendo enganar com orações cheias de ironias e mentiras escandalosas?

Eu estava nervosa, ansiosa, trêmula. Queria chorar o tempo inteiro, queria pedir desculpas a todos por ser burra, queria sumir desse mundo! Queria dar fim a minha vida medíocre, sem sentido e vã. Sabe por quê? Porque os resultados do vestibular da UK (Universidade de Konoha) saem amanhã, dez da manhã. E eu não tenho certeza nem se escrevi meu nome certo naquele papel!

A festa acontecia na casa dos Uchiha, 99 por cento dos convidados da festa estavam ansiosos para a chegada de Sasuke e o outro 1 por cento estava encolhido no quarto dele, abraçado a um de seus travesseiros e borrando toda a porra da maquiagem que levou horas para fazer, apenas para estar bonita para quando o cara que gosta chegasse. E eu falo de mim mesma, neste quesito.

Joguei o travesseiro para o lado, respirei fundo e me levantei. Não havia motivo para todo meu desespero. Eu terminei meu Ensino Médio muito bem, recebi meu diploma com muito orgulho, fui um exemplo de aluna e estudei feito louca e desesperada — o que eu era — para o vestibular; era desnecessário todo meu medo, mas ainda estava ali.

Não há argumento algum contra meu nervosismo, eu não quero desapontar meus pais com uma nota ruim e passar pelo medo de perder meu sonho de ser médica, o que eu vou fazer se não entrar?! O quão desapontados meus pais vão ficar comigo?

Relaxa, Sakura. Vai ficar tudo bem!

Vai. Vai tudo ficar bem. Eu não vou me preocupar com o amanhã, vou focar no agora. Em minutos Sasuke vai chegar e enfim vou comer. Tô verde de fome desde dez da manhã, só quero dar uma comida cabulosa daquele salmão e aquele arroz que as mais novas chefes de Konoha prepararam.

Não preciso dizer mais nada sobre elas, né?

Respirei fundo, ansiosa. Relaxa, Sakura Haruno! Você se esforçou muito! Caso não entre, não é o fim do mundo! Não é o fim do mundo.

Entrei no banheiro da suíte, retoquei minha maquiagem e deixei minha bolsa por algum canto daquele quarto, desci as escadas e parei no meio do caminho.

— Sasuke?

Meu coração não batia feito o de gente não, é sério.

O corpo gelado, a barriga revirando, o coração acelerado e as mãos suando! Parecia que meu corpo estava atravessando o Brasil no Carnaval! Desci as escadas correndo e parei em frente a ele. Em seis meses, em apenas seis meses, ele voltou outra pessoa.

— Não. Madara, tio dele. — Ainda bem, Sasuke não envelheceu uns anos tão rápido.

Se isso que eu sinto não for amor, eu não sei mais o que é. E se a expressão que eu estou fazendo, não for uma tosca de quem está chocada com o físico do meu ex professor de Física e a semelhança com o titio, eu não sei mais o que é.

Deus, você abençoou em quanto por cento a família Uchiha?

Ele sorriu para mim e deu um passo se curvando, pegando minha mão e beijando as costas:

— Encantadora, senhorita…?

— Haruno. Sakura Haruno. — Balbuciei, fitando os olhos negros, os cabelos negros longos e aqueles ombros largos e aquela altura e… eu tô muito fodida dentro dessa família, não tô?

— TIO MADARA!

Itachi se aproximou, Madara se afastou e abriu os braços para o sobrinho e depois Fugaku chegou para falar com o irmão e eu tô em um harém. Balancei a cabeça e rumei à cozinha, encontrando Mikoto fazendo moda e Mebuki palpitando no que ela deveria fazer e a briga iniciando.

— O que estão fazendo?

— Um doce de tomate. — Mikoto cantou orgulhosa e vi minha mãe revirar os olhos.

— Tá fazendo errado. — Avisou de cara fechada.

— Não tô não. — Cantou de novo e vi Mebuki cruzar os braços resmungando.

A porta se abriu e uma Akemi perplexa entrou, ela se encostou a madeira e passou a mão nos cabelos, bagunçando-os.

— Quem é aquele bonitão?

— Titio Madara. — Sussurrei e ela abriu a boca, colocou a mão na cintura e soltou um gritinho.

— Mara-vi-lin-do! — Concordei abrindo a geladeira e procurando o que comer.

Em seis meses, eu virei uma Uchiha que não tem direito algum de obter esse sobrenome. Com minha ajuda frequente no restaurante no meu tempo livre, Mikoto me chamando para irmos às compras, almoçar e até fazer companhia a ela nos fins-de-semana aqui na pequena grande casa desta família, eu acabei por virar um membro. Só quero ver o que Sasukinho (como a mãe dele o chamou quando me mostrou as fotos de “Sasukinho” bebê), vai achar. Conquistei meu lugar. Imagina se não der certo, vamos encarnar aqueles filmes de comédia de separação, mesmo a família adorando a garota. Ai ai.

Itachi e Fugaku entraram com o titio Madara e apresentaram-no para Mebuki. Sentada na banqueta e observei aquele pedaço de homem cumprimentar minha mãe e ainda soltar uma:

— Agora vejo de quem Sakura puxou a beleza.

Minha mãe elogiada e de quebra eu peguei carona. Cada vez mais ele sobe em meu conceito, infelizmente, sei que minha mãe não tá afim de um relacionamento por agora — restaurante a 1000 por hora — e ela tá ótima, se não eu que estaria apoiando com cartaz e cara pintada e ainda aquelas luvas grandonas.

O tempo foi se passando. Todos conversando. Eu fiz um suco de limão e tomei metade da jarra pra espantar a fome. Mikoto mexendo o doce para Sasuke e ouvindo os palpites de Mebuki. Madara conversava com Akemi e Itachi querendo saber tudo sobre os dois, perguntando sobre o bebê, deixando eles constrangidos, se daria casamento e assim foi se passando os minutos.

— Quem vai buscar ele? — Fugaku perguntou e gritei um “eu” bem alto, fazendo todos olharem pra mim com aquelas bagas negras maliciosas querendo saber se eu voltaria com os lábios muito ou pouco inchados.

Saí antes de quaisquer perguntas, peguei minha bolsa no quarto, abri o carro e dirigi para o aeroporto. O pouso estava marcado para as 15h35min, estava em cima da hora, mas tendo consciência de como é o ritmo em aeroportos sabia que estava adiantada. Antes que se pergunte, eu tirei minha carta e o carro que estou usando, é o dele. Ousada, eu? Não, não foi assim, ele me autorizou usar o carro e cá estou eu.

Guardei a chave na bolsa e entrei no aeroporto, vi no painel os últimos vôos e tinha um que havia acabado de pousar, vindo de Tóquio e como ele pegou conexão. Caminhei para o desembarque e esperei, observando aquela porta abrir e fechar quando alguém saia, esperando ansiosa vê-lo atravessá-la.

Meu cu estava na mão de nervoso.

A demora foi tamanha que deu tempo de cruzar os braços, descruzar, chupar uma balinha, puxar assunto com a senhorinha simpática de meu lado que esperava a irmã, ler os nomes das plaquinhas dos turistas e ainda pensar no resultado que sairá amanhã. E foi suficiente para me deixar pra baixo.

Enfiei meus dedos em meus cabelos, os colocando pra trás e massageando minha cabeça em busca de minha paz de espírito. Ou fui bom ou fui ruim, acabou. Agora preciso relaxar.

Isso deve ser fome. Três da tarde e não comi, maldito seja Sasuke.

Falando nele.

Lá vinha ele. Maravilhoso como sempre. Uma mala de mão pequena, uma bolsa no ombro e puxando mais uma. E ao lado dele, uma humana, bem viva! SUPER viva! Tão viva que eu podia ler aquela mão pegando no braço DELE e sorrindo bem ÓBVIA! Tão óbvia quanto ela estava viva. Nossa, eu nunca vi uma pessoa tão viva. Ela estava tão viva que eu acho que se eu matar ela vou fazer um favor a humanidade. Ta roubando toda a “vivacidade” do mundo.

Céus, ele estava maravilhoso! Ainda com aquela regata preta e meu Jesus, me salva que eu tô pecando tanto nesse aeroporto que eu acho que daqui vou comprar passagem pro inferno. Nisso, ele conversando com a criatura lá, que NÃO era japonesa. Como sei disso? Ahh, ela tem olho redondo e é morena! E é muito linda!

Meus olhos voltaram a Sasuke e dessa vez ele olhava pra mim e foi como um sinal de largada para meu corpo reagir a ele, a reagir à presença de ele estar, enfim, ali. Ele falou alguma coisa com a garota, ela sorriu pra ele, deu dois beijinhos e saiu para um dos guias de plantão. Garanto que ela é a tal da Ashley, certeza! Tirei meus olhos dela e olhei pra ele que caminhava em minha direção, parou em minha frente e ficou me olhando.

— Oi. — Ele disse.

SIM! Ele começou a conversa, acredita?

Eu estava tão inebriada pelo cheiro dele, pelo calor dele, pelos olhos ele, por Sasuke que nem me lembrei de falar! Sasuke sorriu de canto, daquele jeito maroto que eu adoro, ergueu meu rosto por meu queixo e me puxou para um abraço. Seu corpo grande me acolhia perfeitamente, eu me sentia segura e bem ali, e realizada. Era como se algo grande e forte tivesse explodido dentro de mim, trazendo uma onda de paz e felicidade e alívio. Minhas mãos apertaram sua blusa em suas costas, ouvia seu coração acelerado e seus braços me apertando, fortemente.

— Eu senti tanto sua falta. — Sussurrei. Em resposta, sua cabeça encostou-se na minha e um beijo foi depositado no topo.

Estávamos em local público, então tivemos que nos afastar. Juntei minhas mãos em frente a meu corpo e olhei para as malas, perguntando:

— Você foi só com uma mala, não?

Sasuke concordou e apontou para a maior.

— Tudo que Mikoto pediu que eu comprasse.

Uma lâmpada acendeu em minha mente, eram as coisas que ela comprou para o restaurante! Os temperos, panelas, louças e talheres.

— Minhas coisas estão aqui. — E levantou o braço que estava com a bolsa de mão.

Olhei pra ele, minhas bochechas ficaram queimadas, em virtude da insinuação que eu fazia, cruzei meus braços e balancei meu corpo para os lados, tacando o dane-se às pessoas ao redor. Eu sentia falta dele e queria ao menos um selinho, poxa!

O Uchiha, super legal, sacou o que eu queria, mas esnobou. Me chamou e saímos para a garagem.

— Vim com seu carro.

— Hm. — E voltemos ao monossilábico, senhoras e senhores.

Abri o porta-malas e colocamos as coisas dele.

— Akemi como tá?

— Gravidíssima. — Falei sorrindo.

Sim, depois que ela me contou aquilo há alguns meses, depois de enumerar cada um dos sintomas que sentia nas últimas semanas (ânsia, desejos, desejos loucos, fome, muita fome), fomos atrás de uma farmácia e no banheiro de lá mesmo, esperei ela fazer o teste. Muitos ienes depois, gastos em apenas 15 testes de gravidez todos dando POSITIVO, foi a vez de minha friend surtar e sair do banheiro para o meio da rua em busca de ar.

Outra novela foi para contar a novidade. Ela ficou com medo, suplicou por minha ajuda e depois que falamos com Mikoto (a avó que mais se respeita), foi planejado um jantar no restaurante para que ela dissesse a Itachi e Fugaku e sua família. Céus, eu fiquei com pena de Akemi, pela primeira vez eu a vi roxa de vergonha, trêmula e sem fala!

— Ta rindo de quê? — Sasuke perguntou franzido. Encostei-me nele e peguei meu telefone na bolsa, procurei o vídeo do anúncio e mostrei-o. — Você gravou?

— Quer ver ou não? — Ele concordou a contragosto e tocou na tela dando o play.

O vídeo começava com a câmera em minha direção, fazendo uma careta e tentando mudar a câmera para a de trás do aparelho. Até sentiria vergonha se Sasuke já não estivesse acostumado as minhas fotos toscas e cheias de caretas trocadas nesses meses longe. Muito desengonçada, eu virava a câmera e mostrava Akemi me olhando assustada.

“Okay, eu tenho que dizer uma coisa”

— Isso é aonde?

— No restaurante.

— Vazio?

— Foi antes da inauguração, fica quieto.

Movi a câmera para Itachi ao lado dela franzido, depois virei para Fugaku mostrando também Mikoto com um sorriso enorme e cheio de dentes. A grávida do momento parou, respirou fundo e se voltou a Itachi.

“Itachi”

Ela sussurrou o nome dele, respirou fundo e fechou os olhos.

Ao meu lado, Sasuke estava nervoso, se mexia e não deixava de conter o largo sorriso no rosto. Sim! Ele estava sorrindo, muito!

“Senhor Fugaku. Família linda.”

No vídeo, Akemi se virava para Fugaku e sorria. A câmera girou para os pais e a avó da brasileira, os três curiosos e tentando compreender o que se passava com a filha.

“O que houve Akemi?”

Perguntou sua avó curiosa e nervosa, e em seguida Itachi.

“Ta tudo bem?”

— Sakura — Pausei o vídeo e olhei para Sasuke —, por que você estava nesse jantar?

— Porque eu fui convidada. — Respondi e o cutuquei, ao fazer isso o braço de Sasuke envolveu minha cintura, ele me puxou para frente de seu corpo e encostou-se a minha cabeça, levantei um pouco o aparelho e dei play de novo.

Akemi estava olhando ao redor, eu vi a hora dela desmaiar, mas então riu nervosamente:

“Ta tudo ótimo! Ta tudo tão ótimo que eu tô grávida!”

— Isso foi você pulando na cadeira não foi?

Concordei rindo e encostei minha cabeça no peitoral dele, sentindo seus braços me apertarem e me aconchegarem em si. Eu senti mesmo falta disso, hein.

“É sério?”

Itachi perguntou no vídeo já se levantando e a olhando com um sorriso e o rosto totalmente iluminado.

— Olha agora, minha cena preferida. — Murmurei.

“É, é, sério sim. Mas nem vem!” Ele se aproximava para abraçá-la e ela se retraia. “Tá achando que é seu, é? Me poupe, Itachi Uchiha, eu tenho meus conta…”

Ele cortou a fala dela, abraçando-a e ali naqueles braços ela se derreteu e se entregou. No fundo, todos felizes e vibrantes com a notícia. Foi muito fofo o momento, Akemi com seu jeito único e descontraído e Itachi chorando horrores dizendo toda hora que seria pai. Infelizmente eu não gravei tudo que rolou naquela noite, mas eu tenho certeza que daria altas risadas e até mesmo à criança quando crescesse.

Então, eu percebi que eu e Sasuke ainda estávamos abraçados. Na garagem do aeroporto, encostados à mala do carro dele e com o tempo quente. Virei meu corpo e puxei seu rosto, juntando nossos lábios. Matando a vontade de beijar sua boca, seu rosto e abraçar seu corpo inteiro, sentindo seu cheiro e embebedando-me de si.

— Sasuke. — Chamei-o, terminando nosso beijo e abraçando-o.

Ele pegou em minha cabeça, confortando-me em seu corpo.

— Hm?

Afastei-me dele sorrindo e falei com a mais pura sinceridade que existia dentro de mim:

— Eu dirijo.

Sasuke ergueu as mãos, rendido. Sorri e saltitei para o lado do motorista dar início a nossa jornada para a casa dos Uchihas. Antes que me esquecesse, saquei meu telefone e mandei uma mensagem à Itachi:

Já estamos indo!!!!

Guardei e sorri para o moreno ao meu lado que colocava o cinto e apertava a alça do teto, enquanto tirava o carro da vaga, resmunguei:

— Eu sou uma ótima motorista, tá?

Pra variar, Sasuke não disse nada, só se mexeu na cadeira e depois relaxou. Até que eu saísse do edifício garagem, permanecemos em silêncio e aquilo já estava me deixando agoniada. Seis meses sem vê-lo e não vamos conversar nesses momentos à sós? Não, eu não iria deixar isso acontecer.

Pigarreei e perguntei:

— Lá estava frio?

SIM! Eu comecei a falar do tempo! Eu, Sakura Haruno, que já fui namorada dele por menos de 24 horas, comecei assunto falando da merda do tempo?! Céus, eu parecia uma ex-namorado, louca pra voltar que não aguenta ficar em silêncio ao lado do cara que ama! Espera, não é isso que você é, Sakura? Uma ex, louca pra voltar? Não sou não. Veja bem, você mesma disse que haviam terminado, que sentia falta dele e ainda reclamou do assunto, bem típico de ex, não acha? NÃO!

— Não quero saber, esquece.

Permanecemos em um silêncio chato. Enquanto eu me ocupava em concentrar na estrada, Sasuke estava agoniado. Se mexia, bufava, se divertia mexendo na janela (super adulto) e até buscou calma para jogar no telefone. Parecia que havíamos assumido lados opostos na história, eu fiquei calada e ocupada e ele incomodado gritando de todas as formas que queria falar algo; então resolvi assumir a pose do Uchiha, eu fiquei quieta.

Sasuke mexeu no porta-luvas, olhou os bancos de trás e abriu o baú, mexeu nos compartimentos e terminou se divertindo virando os ares-condicionados em sua direção. Uma criança. Ele parecia uma verdadeira criança descobrindo um carro. Eu queria falar, puxar assunto e matar a vontade de ouvir sua voz, mas eu iria esperar que ele fizesse isso, e não demorou muito.

— O resultado sai amanhã, né?

— Sim. — Monossilabei e ele bufou jogando a cabeça na janela. Revanche seja feita.

— Ansiosa?

— Um pouco. — Respondi, simplesmente.

Ele balançou a perna, bateu na coxa e tornou a perguntar:

— Acha que entra?

Fiquei em silêncio e dessa vez ele conseguiu me ler. Por telefone era mais complicado, precisávamos ouvir a respiração, a entonação e até imaginar como segurávamos o telefone para saber o que o outro pensava, agora? Agora está bem óbvio. E convivência é foda.

— Vai dar tudo certo, você se esforçou, Sakura. — Ele se virou para mim e de canto vi um sorrisinho em seus lábios. — Eu tenho certeza.

Olhei-o rapidamente e sorri fechado.

Eu queria acreditar naquelas palavras, queria mesmo ter fé que tudo daria certo, mas eu temia demais criar expectativas para todos e falhar miseravelmente. Todo meu esforço e minha preparação ser perdida por causa de alguma falha miserável. Calma! Eu precisava ficar confiante! Não podia ter medo de nada! Tudo viria a dar certo, tudo tem sua hora. Como já disse Sasuke uma vez, só acontece e eu posso levar esse lema para toda minha vida.

— O que foi?

— Você ta falando demais, o que aprontou lá? — Perguntei já desconfiada e tentando amenizar o peso em minha consciência por conta das provas.

— Quer que eu diga mesmo? — Olhei-o e esguelha procurando quaisquer vestígios de brincadeira e só encontrei sua expressão séria.

— Se for pra me deixar pra baixo, prefiro que não.

— Você não fez nada? — Retorquiu desconfiado.

— Só uma vez. — Disse de uma vez e vi Sasuke erguer as sobrancelhas, surpreso. Ah, ele poderia vir descobrir mais cedo ou mais tarde, então o que custa? — Deram uma festa e me chamaram, fui com as meninas e tals, aí lá acabei fazendo besteira.

Dei de ombros e entrei na rua da casa dos Uchihas. Sasuke estava me olhando firme, surpreso e com uma leve pegada de dor na expressão. Evitei olhá-lo, fazendo apenas quando estacionei em frente ao casarão dos pais dele.

Puxei o freio de mão e encontrei seus ônix.

Eu nunca pensei que fosse dizer, ou pensar, mas eu queria que ele dissesse que aproveitou como nunca os dias na América e beijou, transou e o caralho à quatro. Ele não disse nada disso.

Não havia motivo para eu pedir desculpas a ele, eu não fiz nada de errado. Estava solteira e desimpedida, o lado ruim disso é que eu fiz tudo pensando nele, chamando o nome dele. Imaginando que aqueles cabelos negros eram dele e não do…

— Era meu aluno? — Ele perguntou franzido.

— Era. — Sussurrei quase inaudivelmente.

— Oi? — Retorquiu de olhos fechados e com uma veia pulsando na testa.

— Oi, tudo bom? — Sorri, cínico e ele me olhou.

— Quem foi?

— Não precisa saber.

— ROCK LEE?! — Palpitou e foi em cheio. Escondi meu rosto com as mãos e ouvi-o bufar ao meu lado, como um touro, ele se remexeu na poltrona, bufou de novo e respirou fundo. — Sabia que aquele garoto era problema.

Olhei de canto para Sasuke, rindo. Ele tinha mesmo ciúmes do Lee? Mas o que o levou a esse ciúme todo? O pedido de aulas de Biologia? Sério, Sasuke? Pensei que tivesse confiança, mocinho. Enquanto eu ria da cara feia — ainda bonita — dele, tiramos as coisas do carro e entramos na casa.

Segundos depois, foi um barulho só. Amigos de Sasuke da Faculdade, a família, a cunhada e a família dela e acho que é isso. Todos animados com a chegada dele e querendo puxá-lo para conversar sobre os meses fora. Foi um verdadeiro cabo de guerra com o coitado e pela expressão um pouco franzida e chateada dele, percebi que não estava lá afim de uma festa de chegada.

Todos já iriam ser chamados para almoçar, eu já estava na frente da fila e sentindo o gosto daquele peixe em minha boca, minha barriga dançando de fome e me vendo 20 minutos mais tarde suspirando, farta. Como sempre, não foi bem como eu fiz em minha mente. O anfitrião pediu um tempo para ir tomar banho.

— Vão comendo, depois eu como. — Ele sugeriu.

BOA IDEIA! Meu passo rumo à sala de janta foi dado e, ao mesmo tempo, Mikoto negando piamente que não iria deixar o “bebezinho” dela comer só depois de quase sete meses longe. Podia ver a lágrima descendo por minha bochecha e o choro de minhas tripas.

Sasuke, vendo que não conseguiria vencer aquela batalha, concordou e me olhou.

Vamos por partes.

Assim, eu tava fazendo minha cara de quem não aguentava ficar sem comer, que estava desesperada para pôr alguma coisa de sustância na boca e não via à hora de chegar na grávida do momento, muito bem jogada na poltrona mais fofa da casa inteira e passando a ponta dos dedos na barriga e que poderia muito bem conseguir um prato pra mim, e CONSEGUIR UM PRATO!

Nisso, Sasuke inventa de me olhar. Ele olhou fixamente pra mim. Nos meus olhos. Parou a conversa e me encontrou no meio dos cinco amigos mais duas namoradas, uma dessas, Karin muito bem fofocando com minha mãe. PÁ! Todo mundo olhou pra mim e me viu terrivelmente esfomeada, fazendo uma careta digna de meme.

Então, não sendo suficiente todo mundo olhar pra mim de forma sincronizada e ensaiada e sinônimos, me ver com fome, ainda lançarem aqueles olhares desumanos e desnecessários que me deixaram com vergonha, minha barriga roncou, ALTO! Sorri quadrado, gritando vergonha, passei por todo mundo e subi as escadas para o quarto dele, me jogando na cama.

Minutos depois Sasuke apareceu com as malas. Puxei uma para dentro do quarto e pedi desculpas por não tê-lo ajudado. Sasuke entrou, trancou a porta e tirou a regata que usava indo para o banheiro.

Minha mais nova tara são homens de calça preta e botinas também pretas, suados, sem blusa e extremamente mais gostosos que da última vez que os vi. Sem nenhum pingo de vergonha na cara, abracei um travesseiro e observei aquele homem maravilhoso voltar para o quarto, se sentar na cama e tirar os sapatos.

— Você malhou lá?

— De vez em quando.

Estava mais forte, sem dúvida alguma.

Molhei meus lábios e sentei na cama, abracei as costas dele e lhe dei um beijo na nuca. Passei as mãos por seus ombros largos e suas costas massageando-as e beijei suas vértebras.

— A gente… vai voltar? — Perguntei deitada em suas costas.

Sasuke tirou minhas mãos de seu tórax e se virou, levou as mãos a meu colar e tirou o anel ali feito de pingente.

— Você quer? — Assenti e só vi minha mão ser levantada e o anel ser posto. Alguém me explica, COMO ELE AINDA PERGUNTA ISSO?! — Por favor, tira uma foto e manda para o Rock Lee. — Pediu encarecidamente e eu ri muito. Ele ainda ficou com raiva! Se levantou e entrou no banheiro me olhando de canto, me fuzilando. Vê se mereço?

Deitei na cama de novo e ouvi-o:

— Abre essa bolsa maior, tem um pacote vermelho, é pra você.

O chuveiro foi ligado, a porta estava aberta e eu só soube colocar a cabeça dentro da porta e ver Sasuke inteiro encarnando Adão sem a folha. Ou Apolo sem a harpa e a túnica, se é que me entende.

— Pra mim?

Concordou me olhando. Tinha um presente mesmo pra mim! E não era um simples presente, era um presente e era simplesmente o melhor presente do mundo.

— UMA POLAROID?! — Gritei pulando e correndo para o banheiro. — Sasuke, você é um cuzão, mas é o melhor namorado do mundo!

— Eu não sou um cuzão. — Reclamou de olhos fechados passando shampoo, sorri e me encostei à bancada e ouvi-o. — Já configurei e ainda sou um cuzão? — Acho que alguém ficou com raiva por ter sido chamado de cuzão.

— É. — Murmurei sem pensar, impressionada com a máquina rosinha e lindinha. Como consequência, fui puxada para dentro do chuveiro. — A MÁQUINA!

Sasuke tirou de minha mão e colocou na tampa da privada, me empurrando em seguida para debaixo do chuveiro, beijando-me e sendo retribuído com tanta vontade quanto.

Ele, ousado, tirou minha blusa e jogou fora do box, depois minha calça e até que eu estivesse completamente despida, vestida somente da jóia que ele me deu, consumando nosso relacionamento. Minha costa foi prensada entre a parede e o corpo dele, suas mãos seguraram meu corpo e ergueram minha cintura para o encontro da sua, enroscando minhas pernas. Coloquei seus cabelos para trás, sentindo o gosto de seus lábios e o de sua pele, à medida que beijava cada canto de seu rosto.

Ele me apertou, mordiscou, sentiu, chupou cada canto que seus lábios eram capazes de chegar. Dedilhou os dedos por meu corpo até os lugares mais profundos e prazerosos, buscando meu olhar extático e lascivo. Ouviu meus sons e chamou meu nome contra minha orelha, sussurrando com malícia o que me atiçava e me acalmava.

Disposta e determinada, afastei-me dele e foi minha vez de senti-lo, causar tal deleite a ele. Estimulava-o com sua boca contra a minha, sugando seus lábios e sentindo-os trêmulos com meu contato direto; e então, deslizando minha boca por seu corpo, eu o senti. Apossei-me daquela parte que apontava o prazer em seu corpo, fosse com as mãos, minha boca e resvalando por meu rosto, meus seios e roçando em meu botão.

Seu contentamento era o meu e ouvi-lo gemer por minha causa e se expressar por meu corpo, era maravilhoso. No momento que se derramou em minhas mãos, foi o que percebemos o que havíamos proporcionado um ao outro dentro daquele chuveiro.

Havíamos tacado o foda-se para as pessoas no andar de baixo, para minhas roupas molhadas, maquiagem borrada e todo o resto, estávamos curtindo o momento, sentindo o momento, matando a saudade do modo mais gostoso. Tudo estava ótimo ali, mas a realidade bateu na porta. E felizmente no sentido figurativo.

Ele saiu primeiro do chuveiro, abriu uma toalha para mim e me abraçou nela.

Aí que percebi a merda: eu estava sem roupa, com a cara toda borrada e o pior de tudo: sem ROUPA!

— O que eu faço? — Perguntei desesperada saindo do quarto, seguindo ele.

Sasuke passou a mão no rosto e depois no cabelo.

— Não faço ideia.

Então ele me beijou e me abraçou.

— Agora já pode apertar nossos laços? — Perguntei, ousada. Sasuke afastou os lábios dos meus e beijou a ponta de meu nariz, pra variar ele ficou calado e se limitou a sorrir enquanto me derrubava na cama, beijando-me mais.

Estava tudo lindo, caminhávamos para aquele momento que de primeira vez doeu muito! E que eu estava me coçando de vontade, mas, o futuro papai da casa resolveu bater na porta, causando susto em mim e em Sasuke, um lábio mordido e testas batidas. Não suficiente, graças a minha inteligência e a de Sasuke, uma pergunta ofegante e bem explícita para o rei da mente perversa, e eu descobri que essa antonomásia da pior forma possível, pensar muita besteira. Ouvimos o riso baixo do irmão de meu ex-professor e então um som desconhecido, mas aí avistamos, passando pela fresta da porta, um envelope pequeno e verde.

— Akemi ficou grávida com uma dessas. — Ele murmurou do outro lado e tivemos uma noção do que era. Empurrei Sasuke, super curiosa, e peguei a camisinha.

— Limão siciliano!

Gente, nunca vi dessa! E sendo mais retardada, eu cheirei o pacote e tinha um cheirinho de limão bem gostosinho, deu até vontade de abrir só pra ver, todavia, o fato de ter sido uma dessas que fez Akemi ficar enorme, me causou repulsa. Eu tô fora.

Extra Grande.

Ao mesmo tempo em que fiquei com muita vergonha, um sorriso gigante-enorme se abriu e eu não sabia o que pensar. Em Itachi, em Akemi, em Akemi grávida e o limão-siciliano.

— O que foi? — Sasuke perguntou vestindo uma cueca e eu fiquei com mais vergonha ainda, segurando a camisinha de Itachi e vendo meu namorado como veio ao mundo. — Você ta parecendo que vai explodir.

Concordei e fechei meus olhos, pensando muita merda. Deus como eu pensei merda. Sasuke tomou de minha mão o envelope e me olhou:

— Você não era assim, Sakura. — Disse e eu o abracei gargalhando. — Você tá andando muito com meu irmão e Akemi. — Balancei a cabeça positivamente. — Preferia você puritana.

— Você que tirou minha pureza, professor. — Retruquei e o Uchiha sorriu, dando-me um selinho.

Então se afastou, acariciou meus cabelos e murmurou:

— Você aprendeu mesmo.

Franzi e abracei meu corpo, segurando a toalha contra ele.

— Seria muito errado se eu concordasse, mas não fizesse ideia?

Sasuke bufou e olhou para trás, pegou em meus ombros e me virou. Estava de frente para o armário de madeira e vidro, eu via meu reflexo e os olhos dele em minha direção.

— Entendi.

Leve essa minha fala para todos os extremos que sua mente conseguir, levou?

Agora vá mais longe, lembrando de como tudo começou, do professor despojado e pouco sorridente sentado na mesa, da cantada em baixo de uma árvore em uma festa, da fuga de casa, das vergonhas que passei, da excitação e da decisão de me afastar, de como ele desfez meus coques e quando eu desisti, e o deixei vir. Lembre do “eu me segurei à tarde inteira para não te carregar para meu quarto”, a lei de Ohm e o contra-ataque, as lingeries que comprei e usei unicamente para encontrá-lo, até da vez que encontrei a mãe e o irmão pela primeira vez e depois fui embora na garupa.

Ademais, a reunião dos pais com a descoberta de Tsunade e horas depois de meu pai, o baile quando dançamos e atiçamos nossos corpos ao som de Marvin Gaye, a ligação na banheira, os 15 minutos que me atormentaram e depois foram compensados, quando eu soube que ele iria embora e temia me contar para o meu próprio bem, minha excitação em meio à aula e o nirvana sob a privada, a sala do grêmio, o cupcake rosa e doce, as lágrimas, o último encontro e nossa primeira relação.

Vá mais longe, de minha revolta à incompreensão com a decisão de minha mãe, a revolta sob meu pai e a dor que senti por aquelas semanas. A culpa que joguei em dois caras e o tanto que os relacionei aos problemas que EU criava. Na raiva que eu tinha pelas coisas não serem como eu pensava que fossem ser, por ter saído de meu mundinho perfeito e puro e egoísta.

Outrossim, o momento em que tive um puxão de orelha contra minha insegurança e idiotice. O momento que percebi que era hora de sair de minha vida de vértices, arestas e faces, e ousei. Eu me toquei, eu xinguei, eu briguei, eu bati o pé e pus fim na imagem de boa moça que no fundo eu não era. Eu ouvi e falei, eu compreendi e argumentei. Eu beijei e quis tocar um professor dentro da escola, eu colei, passei cola e ainda disse com orgulho: “Eu namorei Sasuke” quando todos me subestimaram. Eu acabei com a maldição de prender o que amo.

Destarte, eu vi que eu cresci.

Sasuke enxugou uma lágrima que escorria em meu rosto e me abraçou por trás.

E eu também vi que estava de toalha e sem roupa. Virei para Sasuke, desfazendo do abraço e disse:

— Eu vou pular na piscina de roupa. Você ainda é um cuzão, mas eu te amo pra caralho.

Ele piscou e perguntou indiferente:

— Por quê na piscina?

Minutos depois, todos ouviam uma doida pulando na piscina de roupa e espalhando água para todo lugar. Bom, essa foi a solução que encontrei para minha roupa surgir molhada e acho que deu certo.

Os fatos seguintes foram bem peculiares.

— Por que você se jogou na piscina, Sakura, minha filha? — Mebuki perguntou.

— Ta muito calor, eu também pularia. — Madara concordou.

— Que susto, Sakura! Eu pensei que o cachorro da vizinha tinha entrado de novo! — Mikoto fechou a turma dos MMM.

— Cadê Sasuke? — Fugaku perguntou e murmurou. — Tô com fome.

— Pode entrar? — Suigetsu só não tirou a camisa e pulou porque Karin eu um tapa na cabeça dele.

— Fica quieto, Suigetsu! — Reclamou a ruiva.

— Eu também, senhor Fugaku. — Juugo fazendo parte de meu grupo dos esfomeados.

— O fogo lá em cima tava grande e ela pulou pra acalmar, safadinha. — Isso foi Akemi.

— Garanto que ela tava chupando um limão-siciliano. — E isso foi Itachi.

Minha mãe se virou para os dois com as mãos na cintura e falou:

— Eu espero que vocês não estejam querendo dizer o que eu tô pensando.

Mergulhei e coloquei meus cabelos para trás.

— Depende do que estiver pensando… — Itachi disse abraçando Akemi pelos ombros.

— Itachi! — Reclamou.

— Eu vou criar meus netos na palavra de Deus. — Mikoto sussurrou audivelmente e saiu. — Sasuke!

— Vamos comer. — Chamou ele e eu acho que voei para fora da piscina porque em uma hora eu estava na frente de todo mundo correndo para a cozinha da casa.

— SAKURA HARUNO! — Mikoto chamou com a voz mais grossa e me olhando demoníaca. — Aqui fora.

E eu fiquei de castigo do lado de fora, enrolada em uma toalha, com a roupa pesada de água esperando alguma boa alma me trazer comida. Caramba, cinco da tarde e eu não almocei. Tomei uma xícara de café de manhã e só; eu vou morrer de fome antes de saber qual é o sexo do filho de Akemi e Itachi.

Até que Sasuke apareceu com dois pratos na mão, eu sentia o cheiro da comida, o gosto e minha barriga cantando vitória, mas Akemi apareceu correndo, puxou ele e pegou um dos pratos da mão de sua mão e o mandou para dentro.

— Você é minha agora.

Engoli em seco e vi Karin cruzar a porta. As duas se sentaram à mesa, Akemi colocou o prato em minha frente e me entregou os talheres. Os primeiros cinco minutos eu apenas queria saciar minha fome e não entrei na conversa delas, apenas comi. Muito.

Em instantes, as três conversavam sobre a gravidez. Karin curiosa sobre Itachi como pai e eu faltando arrancar os cabelos de curiosidade sobre o sexo do bebê. Akemi está com cinco meses, — quando ela me contou, estava com um mês e meio — e tá enorme! Não sabe qual o sexo do bebê porque tia Mikoto fez contrato com todos os médicos de NÃO contarem nem pra mãe, ao pai, pra tia -oi-, a ninguém! Apenas Mikoto sabe.

— São gêmeos. — Akemi revelou.

— Tá porra. — Karin, de boca cheia, murmurou. — Como sabe?

— Eu sei o que carrego, tá? — Reclamou olhando pra Karin, então sorriu e passou a mão na barriga. — E são dois bebezinhos.

— Quem diria a professora de sexologia grávida de dois!

Karin e eu não deixamos de rir, até tentamos, mas não dava. Tamanha era aquela ironia. Em um mês ela nos aconselhava, alertava do uso do preservativo e quatro meses depois, aparecia grávida de um mês!

Não era possível, Akemi é doida, mas não a esse ponto, digo, gêmeos?

— Certeza mesmo? — Perguntei e ela me olhou.

Okay, isso explica o crescimento exagerado, a fome excessiva e acho que os desejos doidos. Mais cedo ela sentiu o cheiro do detergente, que era de côco, e fez Itachi ir atrás de côco pra ela comer, ele foi. E pelo biótipo dos Uchihas…

— Os Uchihas têm gêmeos? — K. Perguntou.

— É minha família que tem. — Ela disse e eu entortei a cabeça.

— Seus filhos vão ser grandes, Akemi. — Disse e ela franziu o nariz concordando.

— Bem observado, Itachi é um homão da porra. — Karin comentou.

Alguns minutos depois, dona Mikoto me emprestou uma roupa, um vestido listrado lindo! E então tomei meu banho, me arrumei e desci para o final da noite. Sentei no braço do sofá ao lado de Sasuke e ouvi a conversa, tentando inutilmente me entrosar.

Alguns amigos de meu namorado foram embora, restando apenas Karin, Suigetsu, a família de Akemi e titio Madara. E foi aí que a coisa começou a ficar mais interessante. Mikoto chamou todos para a sala de janta, porque os futuros mamãe e papai da casa iriam descobrir qual o sexo da criança, ou das, né? Vai que os genes Uchihas sejam muito potentes? Porque o instrumento do que engravidou...

Estava tudo decorado com balões, docinhos, enfeites de bebês, anjinhos e o que mais puder imaginar. Eu estava nervosa por eles! Céus!! Qual é o sexo? São gêmeos? E se forem trigêmeos?!

Akemi entrou puxando Itachi. Ele estava branco, bufando, molhando os lábios e pegando no coque o tempo inteiro. Já Akemi estava ansiosa, ela batia os dentes e balançava os braços, deu uns pulinhos e pegou na barriga e falou algo em português para os pais, que riram.

— Sakura, quando cortarem você solta esse spray. — Mikoto me deu um spray envolto de fitas pretas, tentei ver por elas a cor das serpentinas, mas não consegui. Maldita sogra.

Akemi pegou a espátula, com sua melhor cara de ansiedade e maliciosidade, aproximou do bolo verde e rosa. Tudo ali era verde e rosa. Eu me senti parte da decoração! Ela estava prestes a cortar, quando Itachi tomou o utensílio e se abaixou no chão.

— Itachi, você vai fraquejar agora? — Fugaku perguntou sorrindo e batendo o pé no chão.

— Vamos, rapaz.

— Eu dúvido que se fosse eu estaria nessa enrolação. — Sasuke, ele estava aqui!, Desafiou atrás de mim e me abraçando pela cintura.

— Sasuke, você é tão doido quanto eu.

— Verdade. — Murmurei e ele me cutucou, mandando-me ficar quieta.

Itachi se levantou, olhou para Akemi que o aguardava relaxada, eles se olharam e ela sorriu torto, moveu os lábios em uma fala muda e ele sorriu, parecendo mais calmo.

O abraço de Sasuke apertou em meu corpo, eu apertei sua mão e esbugalhei meus olhos. Itachi e Akemi pegaram a espátula juntos, aproximaram do bolo e cortaram.

— Ei. — Sasuke me chamou em minha orelha, causando um arrepio. Ele levantou a câmera Polaroid que me deu e entregou-me, pegando o spray.

Tirei uma foto da expressão de surpresa dos dois e segurei a impressão, balançando. Itachi, desentendido, franziu e tirou a fatia listrada de verde e rosa.

— Mãe, muito legal a senhora ter feito assim, afinal nosso filho vai descobrir a preferência dele, mas…

— Itachi — Akemi o interrompeu e pegou no rosto dele, sorrindo —, são gêmeos.

— Quê?

Tirei outra foto, os dois sorrindo, os olhos de Itachi brilhando e Akemi sorrindo lindamente. Os confetes parados no tempo sob suas cabeças e a agitação de todos na sala. A chuva de parabéns e os abraços em cima dos dois.

Eu quero ficar grávida. Tipo, quero mesmo.

Virei meu rosto para Sasuke, ele ainda estava atrás de mim, sorrindo para o casal e pensativo.

— Não vai abraçá-los?

— Pra quê? — Tão frio que me irrita.

Revirei os olhos e me aproximei deles. Abracei Akemi que chorava e ria ao mesmo tempo, parabenizei-a e depois pulei em Itachi. Parabenizei-o e puxei Kemi mostrando as duas fotos que tirei.

Comemos o bolo, zoaram Itachi pela pressa dele em ter dois filhos, perguntaram do casamento e então assistimos ao ultrassom. Depois de ter ouvido o som dos corações deles, eu cheguei a conclusão de que quero ser mãe. Meu Deus, o que eu faço? Sexo. Espero 10 anos, certo. Engolir essa vontade.

Não achando suficiente aquela sessão de bebês, quem já teve filho começou a relembrar. Mamãe falou de mim. Uma bolinha gordinha e pequenina, babona e risonha. Claro que tiveram que falar alguma besteira à meu respeito, do tipo “pena que agora é uma chata”.

Mikoto falou de Itachi, que ele dava muito trabalho, era levado. Aprendeu a andar rápido e parecia que queria cruzar o país só. E dessa vez Madara que falou com ele: “percebe-se que ele é rápido para as coisas”. Eu ri.

Depois, Mikoto falou de Sasuke, ele era mais quieto. Ela tinha medo dele estar morto de tão silencioso que o filho era — ou é -, era bem chato com pessoas e chorava quando era segurado por outros.

— Sasuke era muito chato. — Mamãe comentou e eu me interessei. — Eu tentava segurar ele e ele começava a chorar, espernear.

Risinhos e ele sorriu para minha mãe que sorriu de volta, só não sei se automático pela beleza ou por gostar de Sasuke, acho que os dois.

— Agora, quando você tava grávida da Sakura, ele vivia grudado.

E cada vez fica mais interessante. Olhei para Sasuke e então para minha mãe, esperando-a dizer mais, mas quem disse foi Itachi.

— Sim! — Riu e murmurou. — Ele pensava que a senhora tinha engolido uma criança porque ele sentiu Sakura chutar.

— Eu tinha o quê? Quatro anos? Três? — Mikoto concordou com três e Itachi continuou:

— Aí, ele queria salvar a criança.

— Ahh, por isso ele abraçava e dizia que tudo ia ficar bem. — Mebuki lembrou e eu ri.

Enquanto isso, sentada na ex-cadeira de Fugaku, Akemi ria e acariciava a barriga, cochichando com Itachi quando eles se mexiam.

— Mikoto, o doce está… ? — Fugaku perguntou.

Por incrível que pareça, minha mãe estava certa e a doceira oficial havia errado no açúcar. E isso resultou em uma falsidade “doceológica” de Sasuke, afagando a mãe e insistindo em dizer que estava delicioso.

— Sasuke, não minta, está duro. — Mebuki, a melhor amiga de Mikoto, disse.

— Dá pra chupar, gente. — Akemi disse chupando o da colher e eu só consegui lembrar do limão-siciliano.

∞

Soltei a bolsa no quarto de Sasuke e vasculhei o resto das coisas na mala maior, o que era de Mikoto ficou na casa dos Uchiha, o que Akemi pediu ela levou e no fim, apenas restaram umas coisinhas dele.

Meu namorado apareceu na porta do quarto e me entregou o copo d’água, sentou-se ao meu lado e foi me contando o que aconteceu nos EUA enquanto eu dobrava suas roupas e ele tirava as que iriam lavar. Ele estudou, curtiu, estudou mais, brigou nos trabalhos e foi chamado para trabalhar em uma empresa lá. Ao me contar esse último ponto, eu o olhei curiosa e desentendida. Sasuke respondeu que não quis por não se achar pronto para tal passo, queria trabalhar com o pai, mostrar os projetos e tomar a vice-presidência um dia. Ou seja, ele não tinha tanta ambição com o trabalho, da boca dele eu ouvi que gostava do Japão, de Konoha e queria continuar nos negócios da família.

Eu acho legal isso de Sasuke, esse apego pela família mostra que ele é um cara realmente família! E quando eu percebi, eu me imaginava formando uma família com ele, isso em virtude da bomba de hormônios aflorados e que até agora me fazem querer ficar grávida, nossos filhos — sim plural, e quero ter uns três — seguindo nossos passos e…

Para.

Também me contou das festas, das pessoas, das comidas, do show que foi com os amigos e me mostrou algumas fotos.

Passamos um bom tempo conversando, sentados no chão do quarto e rindo. Eu senti falta disso, de conversarmos, passarmos um tempo juntos e despreocupados.

— Vai fazer o que amanhã à noite?

— Ou vou comemorar ou vou me jogar da ponte. — Murmurei descontente já lembrando do resultado.

Sasuke me puxou e me abraçou, cochichando um “vai dar tudo certo” e então me beijando.

Um beijo maravilhoso, que me deixou extasiada e desejosa por mais. Um beijo quente e que me fez desejar matar a saudade de cada parte de Sasuke.

Beijo esse que foi tomando outros rumos, meu pescoço, minha clavícula, meu ombro. Apertei os cabelos de Sasuke guiando sua cabeça de volta à direção da minha, juntando nossos lábios de novo. Em um movimento rápido sentei em seu colo e controlei as mãos, os lábios e todos os movimentos dele. Quando eu queria, ele beijava outras áreas, quando eu deixei, ele tirou o vestido.

Tirei sua blusa e arrastei o fofo de meus dedos por seu tórax e braços, enlaçando-os em minha cintura e dando o passe verde para tocar-me.

— Estamos no chão.

— Bem que percebi algo duro embaixo de mim.

Ele sorriu com a ambiguidade. Levantamos, ele pegou em minha cintura, jogou-me na cama e beijou meus lábios. Puxou, chupou, lambeu e me deixou ofegante e precisa de mais. Coloquei minha perna nas costas dele, prendendo-o e juntando nossas bocas de novo.

Em meio ao ato profano e delicioso, simples de um beijar, tirei sua calça e fui pega de surpresa ao senti-lo escorregando as mãos para meus seios. Tirou meu sutiã e sem me deixar pensar e respirar, deslizou seus lábios inchados e sua língua quente para a região de minhas mamas. Meus seios queimavam, apontavam em pleno prazer e sensibilidade. Sasuke arrastou seus lábios de um para o outro, brincando com meu prazer. Massageando-os, beijando-os e chupando. Apertou meus seios e beijou abaixo de meu queixo, mordiscando a pele e indo para meu ouvido, beijou o fino de trás e perguntou:

— Pólos de cargas iguais se atraem, Sakura?

Meu corpo queimava, minhas pernas se contorciam, minha respiração ofegante. Eu não conseguia pensar em nada tendo as mãos dele resvalando por meu corpo, arrepiando-me.

— Eu não sei. — Disse sôfrega.

Em resposta, ele beijou minha orelha, massageando mais meus seios. Céus, como ele descobriu que sou hipersensível a eles?

— Não sabe? — Tornou a perguntar e neguei.

Sasuke levou meu corpo mais para o centro da cama, ergueu meu quadril, e arrastando seu corpo pelo meu dobrou minhas pernas e retirou minha calcinha. Levantou minha perna direita, beijou a panturrilha e subiu em minhas coxas, fitando meus olhos com intensidade. Continuou a trilha pela parte interna de minha perna, aproximando-se cada vez mais de meu botão que latejava a cada toque.

O ossinho de meu quadril e então por cima, beijando o pé de minha barriga. Meu corpo se retraia, arrepiava e tentava sustentar a imagem de que estava bem, quando eu não estava.

Apertou minha perna e sorriu contra minha região.

— Pólos de cargas diferentes se atraem, Sakura?

— Sim. — Respondi. Sasuke sorriu de canto, apertou minhas pernas levando as mãos à minha virilha, separou os grandes lábios e beijou minha área pulsante.

Joguei minha cabeça na cama e fechei meus olhos viajando no toque dele. Meu corpo se empurrando para sua boca e ele respondendo com pequenos beijos, mordiscando meu clitóris e chupando.

Meu corpo agiu por si só, respondendo aos toques dele, de uma maneira que nunca havia percebido antes e quando Sasuke pôs a língua eu me vi delirando. Apertei o lençol da cama, ergui meu tronco, baguncei meu cabelo, eu delirei. Nunca havia sentido algo tão bom, quente, prazeroso antes!

Eu pulsava, minhas mãos vasculhavam onde se prender, meu coração acelerava mais e mais à medida que eu chegava a meu ápice.

Meus sons embebedavam o quarto e a respiração do Uchiha, audível, indicava que ele estava excitado. E com isso, meus ferormônios gritavam para sentir Sasuke em mim.

— Sasuke… — Chamei e puxei-o pelos cabelos, arrancando sua boca de minha região.

Inverti nossas posições, desesperada. Queria passar todo aquele momento ir para o que me interessava, queria sentir prazer em tê-lo dentro de mim e esquecer a dor da primeira. Beijei-o ávida, usei a mesma estratégia para tirar sua última peça de roupa. E quando o fiz, não pensei muito quando percebi seu membro ereto e pulsante.

Em algum lugar, em alguma vez, eu li que homens gostam da saliva, gostam de sentir o molhado da boca “devorando” seu pênis. Gostam da mulher confiante que os olha enquanto os chupam, lambem. E foi isso o que eu fiz. Meus verdes fixos nos negros dele, enquanto eu o sugava. Ele estava, nitidamente, surpreso e eu adorava deixá-lo daquela forma. Era a gasolina para todo meu fogo. Seu olhar espantado, seu maxilar trincado e o peito subindo e descendo, rapidamente.

Dei um beijo molhado na glande e desci minha língua por sua extensão, ouvindo-o murmurar em resposta à meu toque. Apertei-o e estimulei-o.

— Sakura, para. — Disse com a cabeça jogada para trás. Seu pomo-de-adão subiu e desceu entregando seu engolir.

Sasuke xingou, minha gula cresceu. Eu o queria urgentemente em mim.

Rocei meus dentes, vendo-o se retrair e outro som sair de sua garganta. Escorreguei meus lábios para suas bolas, chupando-os. As reações dele me davam gula para continuar, Sasuke tentava se manter firme, mas caía drasticamente, mostrando-me suas caretas e os xingamentos que saíam por causa de mim. Ele se sentou, me puxou pelos braços para cima de si e puxou meus lábios. O beijo foi delicioso e só melhorou quando eu ousei e rocei minha região com seu pênis.

Meu vão até meu clitóris, tudo queimava, pulsava, doía por sua causa. Eu me arrepiava com a sucção de seus lábios nos meus e os toques sutis no andar de baixo. Inverti nossas posições, desejando-o e deixando isso claro quando enlacei minhas pernas em sua cintura e direcionei-o até minha parte aflorada.

— Eu tenho que pôr… — Tentou se afastar, mas eu neguei, mordendo seus lábios e pegando eu seu rosto.

— Eu tomo a pílula. — Ele ergueu as sobrancelhas e relaxou.

Ele me penetrou enquanto me beijava. E doeu, não uma dor igual a primeira vez, menor. Sasuke ficou alguns segundos me olhando e preocupado, sorri e lhe dei um beijo no queixo, mandando em seguida ele se mover, relutante se moveu. Diferente de minha primeira vez, quando a dor permaneceu por todo o tempo, a segunda foi mais rápido. Então, eu percebi que estava sóbria da dor e ébria do prazer. Aos poucos, ao meu tempo, eu me contentava com o ato. Eu sentia prazer. E foi maravilhoso.

Abracei os ombros largos de Sasuke, fechei meus olhos e ouvi o som de nossos corpos se chocando, o calor que emanávamos e a delícia que era. Rocei meus lábios por seu pescoço, respirando pesado. Apertei minhas mãos em sua pele, o enlaço de minhas pernas e deixei ir.

Movia-se cada vez mais rápido, respirando em minha orelha e clamando meu nome. Com seu peito contra o meu eu conseguia sentir seu coração acelerado, o mesclar da fina camada de suor em nossos corpos e sentir que éramos nós.

Abri meus olhos e o vi me fitando, intensamente. Era maravilhoso.

Mais, mais, mais.

Joguei minha cabeça para trás, revirando os olhos.

Céus.

Sasuke pescou minhas mãos, entrelaçou seus dedos nos meus acima de minha cabeça, esticando meu corpo e aumentando o ritmo de suas estocadas.

Soltei uma de minhas mãos e puxei seu rosto para o meu, beijando-o e sentindo murmurar. Ele estava chegando e eu sentia que eu também, então, realizei meu fetiche:

— Professor, o que é mais rápido no espaço? Ondas de rádio ou a luz?

Fitou meus olhos, pegou em meu rosto e sem pensar respondeu:

— Ambas se propagam na mesma velocidade no espaço. Ondas Eletromagnéticas têm a mesma velocidade que a Luz no vácuo, Sakura.

Suficiente para que nós dois atingíssemos nosso ápice.

Minhas pernas moles, meu coração acelerado e um líquido escorrendo por minhas coxas. Era tudo muito delicioso. Eu me sentia no paraíso.

Sasuke se deixou cair em cima de mim e me abraçou pela cintura. Afaguei seus cabelos e sorri para o teto. E logo em seguida, eu adormeci.



Notas finais
MUITO OBRIGADA!! Muito obrigada mesmo!!! Vocês são incríveis!!! Muito obrigada pelos acompanhamentos, pelos favoritos, comentários e tudo mais!! Sério!! Mil beijos e até breve!!!!