Gasolina
26 Epílogo
Notas iniciais
Calor. Muito, muito calor. E como se não bastasse alguém em cima de mim. Eu suava, eu suava muito! Não bastante, o humano em cima de mim suava também e virava um grude de suor e corpos quentes. Deixa de preguiça, Sakura, acorda. Céus, que saco. Eu só queria dormir!
Abri meus olhos e olhei para trás vendo o peso em minhas costas, os braços em minha cintura e a troca de suores super legal. Sasuke. Ele estava deitado em cima de mim, como se eu fosse um excelente travesseiro. Tudo legal, mas o calor tá demais e NINGUÉM aguenta calor.
Remexi-me e cutuquei ele.
— Sai de cima de mim. — Falei e ele saiu.
— Que horas são?
Sonolenta, sentei na cama e olhei ao redor do quarto procurando por um relógio e o controle do ar-condicionado, ambos estavam do outro lado, do lado dele, bufei e me estiquei para pegá-los.
— Duas e meia da manhã.
— Vai dormir, Sakura. — Disse me puxando para seu lado, peguei o controle e me deitei perto de Sasuke.
— Vou ligar no 16.
— Você vai ficar resfriada. — Murmurou me abraçando pela cintura.
Dito e feito. Naquela segunda-feira de manhã, com o quarto muito gelado e só na cama, eu senti minha garganta doer e me martirizei por isso, mas, sendo ignorante, melhor com frio e enroladinha do que com calor, suando e fedendo!
Sentei na cama e bocejei me espreguiçando, reparando minha nudez. Claro, eu me esqueci da noite anterior e que eu… tô na casa de Sasuke! Eu dormi na casa de Sasuke!
— Bom dia. — Ele disse encostado ao batente da porta.
Passei a mão em meu rosto e olhei ao redor. Não podia ser verdade, eu dormi mesmo na casa dele e passei da hora? É sério isso?
Virei meus olhos para Sasuke e me choquei ainda mais. O que ele fazia de roupa? Digo, roupa formal desse jeito? Pra quê o terno? A gravata? Ele voltou dos EUA pastor?
— Por que tá assim?
— Entrevista de emprego.
Sasuke chegou do país do Tio Sam não tem 24 horas e já estava resolvendo a vida e eu sei nem se entrei na faculdade, vê se pode. Aí, naquele momento, olhando pra ele, vendo-o totalmente gostoso com as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria, eu lembrei de meu futuro.
Em um pulo eu estava pegando uma blusa jogada no chão, da pilha de roupas sujas que nem nos demos ao trabalho de levar para a parte de trás do apartamento, por motivos de tesão maior; em outro, eu estava passando correndo por Sasuke e em outro eu estava me jogando naquela cadeira grande acolchoada de couro, que me proporcionou altos pensamentos ao telefone com ele.
Eu limpei, todas as vezes.
Liguei o computador e esperei batucando os dedos na mesa de mogno.
O telefone da casa tocou e por puro costume — sim, eu passava bastante tempo no apartamento dele e eu paguei a energia e água que consumi — atendi.
— Oi. — Estava ofegante pela correria e pelo nervosismo.
— Por que está ofegante, Sakura? — Era meu pai do outro lado da linha. Engoli em seco e me perguntei, por ele, o porquê de eu estar a essa hora na casa de Sasuke.
Era 12h45min. Exatamente.
— Estava correndo.
— É assim que chamam agora? — Questionou com uma pontada de ironia e raiva. — Passa para o moleque.
Tapei o bocal e me virei pronta para chamar Sasuke, mas ele estava logo atrás de mim. Depois do telefone entregue, fui para minha luta.
Eu estava nervosa, trêmula, minha barriga gelada e eu pressentia que a qualquer momento iria ter um ataque cardíaco. Entrei no site da faculdade e vi o aviso em negrito:
Resultados do 46° Vestibular da Universidade de Konoha.
Engoli em seco e me encostei à cadeira. Medo me definia em todas as formas, tamanhos, estruturas, materiais, planejamentos e gesso.
Em busca de qualquer ajuda, me virei e vi Sasuke com o telefone no ouvido sorrindo, largamente.
— Hu-hum. — Murmurou e colocou o telefone no gancho.
— O que foi?
— Um recado. — Franzi e ele me olhou, sorriu de canto. Esperei que ele fosse dizer algo, mas ele riu baixo e perguntou:
— Como Kizashi está?
Meu pai estava ótimo. Na verdade, ambos estavam. Ele desapegou do trabalho e passou a curtir mais a vida, voltou ao golfe e já nos programou uma viagem para à Islândia! Disse que quer usar o dinheiro dele para conhecer o mundo e ter novas experiências! Eu super apoiei e quando contei a Mebuki, ela surtou de alegria. Minha mãe está MEGA bem! O novo apartamento sua carinha, o restaurante sendo um sucesso em Konoha. Mikoto e Mebuki, a dupla mais prestigiada da cidade!
Contei a Sasuke e ele sorriu por meu pai:
— Akemi e Itachi já escolheram os nomes.
Minhas sobrancelhas ergueram.
— Naomi e Naoki.
Eu conseguia imaginá-los correndo pela casa de vovó Mikoto e Itachi pedindo penico, tentando pará-los. Foi impossível não rir com a imagem, mas então, eu lembrei dos resultados. Meu sorriso sumiu e meu coração voltou a palpitar acelerado. O mesmo aconteceu com Sasuke, sua expressão saiu de feliz para a impassível que é impossível de compreender.
— E ai?
Engoli em seco e contei-o meus medos. De não entrar, de ser um fardo para meus pais, de tudo ter sido em vão, de falhar com todos que apostaram em mim. Em resposta ele suspirou, colocou as mãos no bolso da calça e disse:
— Não vai ser o fim do mundo.
Melhor psicólogo de KONOHA! Se alguém precisar de uma bomba de auto-estima, aqui está quem deve ser consultado: Sasuke Uchiha, senhoras e senhores, disponível em Japonês e Inglês.
Entrei na página dos resultados e com o cu na mão, rolei a aba.
Meu coração palpitou alguns segundos antes de voltar ao normal. Respirei fundo e virei a cadeira para o lado de Sasuke, sorri fechado e dei de ombros.
— O mundo não acabou. — Ele olhava para a tela do computador, se inclinou e leu todo o conteúdo.
— E nem vai acabar tão cedo. — Garantiu e sorriu torto.
Suspirei e concordei. Abracei Sasuke e murmurei:
— Obrigada, professor.
Fim
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