Terminei de distribuir os cupcakes e aproximei-me de Ino que distribuía santinhos para todos os alunos que entravam no refeitório.

Como estamos em época eleitoral no colégio, Ino e eu planejamos uma campanha perfeita que poderia nos garantir a vitória pelo terceiro ano consecutivo.

Na terça-feira, nós conversamos com todos os grupos étnicos do colégio tentando ganhar seus votos. Então, à tarde, produzimos cinco fornalhas de cookies de morango, de soja e chocolate para distribuirmos na quarta feira.

Já na quinta-feira, fomos de sala em sala conversar com os alunos e saber seus interesses nesse novo ano, conhecer os novatos e nos apresentar formalmente como Sakura e Ino, de modo que, nossos eleitores nos conhecessem, à tarde fizemos cupcakes e encomendamos santinhos em uma gráfica com nossas melhores fotos estampadas.

Ino pegou um cupcake com recheio de chocolate e deu uma baita mordida me puxando para encontrarmos nossos colegas na parte externa do colégio.

Passamos pela sala dos professores e de lá saia um em particular que me dava nos nervos:

— Professor Sasuke! — Ino chamou-o e ele se virou e caminhou em nossa direção.

— Olá meninas. — Comprimi meus lábios olhando para qualquer lugar menos para ele.

Sim, eu o ignorei a semana inteira, não poderia agir como se nada tivesse acontecido então simplesmente ignorei-o, sem sombra de dúvidas agora ele me acha uma metida, mas eu não posso dar a bola para ele... Se bem que ele nem me lançou uma, acho que ambos estão se ignorando, ou minha ignorância está tão boa que não reparei que ele também está me ignorando.

Enfim...

— Aceita um cupcake, professor?

— Aceito um sim, são de quê?

A frase que Ino mais gostou de repetir enquanto colocávamos os glacês nos bolinhos, lá vem:

— Os loiros são chocolate e os rosados de baunilha.

— Eu fico com o rosado. — Encolhi-me e vi Ino pegar um bolinho de glacê rosa e entregá-lo. — Espero que não seja tão doce.

NÃO, TÁ ZOANDO, ELE TA MESMO ME CHAMANDO DE CU DOCE INDIRETAMENTE? Esse cara precisava de umas peias quando mais novo.

O professor agradeceu e se afastou comendo o bolinho.

— Ele é muito gostoso. — Ino repetiu seu mais novo mantra pessoal, revirei os olhos e caminhei rumo à saída do prédio.

Quando nos aproximamos da árvore que todos estavam sentados abaixo, Naruto tomou a cesta de minha mão e pegou um cupcake loiro, Hinata pegou um rosa, Shikamaru e Neji loiros, Hinata, Temari e Tenten rosas.

— E aí, como está indo a campanha?

Ino sentou-se em frente a cunhada e olhou para mim, respirei fundo e puxei meu bloquinho do bolso do casaco:

— Temos aprovação dos geek.

— Tenho que me lembrar de fazer os convites deles para meu aniversário. — Ino comentou. Claro, ela comprou os nerds com convites para seu aniversário.

Vamos a um breve parágrafo sobre a festa de aniversário de 18 anos de Ino Yamanaka: A. Festa. Do. Ano. Ino todos os anos se supera com algo novo e inusitado, algo inédito jamais visto em Konoha. Ela contrata o melhorBuffet, organiza a melhor decoração, aluga o melhor hotel da cidade, os melhores convites, os melhores brindes, a melhor louça, as melhores músicas e, claro, ela garante todos os holofotes da noite com as melhores roupas e maquiagens.

Ano passado, em seus 17 anos, ela fez uma festa anos 60 e foi a melhor coisa da vida! Jukebox, disco, lambretas e muita dança, foi incrível!

Esse ano, chegando à maioridade, eu não duvido nada que a Yamanaka irá parar Konoha.

— Qual será o tema desse ano Ino?

— Surpresa, segunda-feira começarão a receber os convites, e para deixar a curiosidade no ar... Bond. James Bond.

Comi um bolinho loiro, bocejando.

Por que eu fui inventar de fazer parte dessa disputa pela presidência? Será mais trabalho, caso eu ganhe, preciso estudar para as provas e ainda o vestibular a cada dia está mais perto.

Ouvi o sinal tocar e fui para a sala me arrastando já imaginando a aula de matemática que teria que enfrentar pelos próximos dois horários. Sentei-me na cadeira e abri minha apostila, bati a caneta na cadeira ouvindo a movimentação na sala diminuir gradativamente no tempo em que o professor fuzilava os grupos.

— Bom dia, turma.

Kakashi corrigiu os exercícios e tirou as dúvidas antes de começar com logaritmo. Coisa do tinhoso. Cruzei minhas pernas e mordi a tampa da caneta olhando o professor de cabelos brancos e máscara negra, resolver algumas questões e explicar pela trigésima vez a Chouji e Naruto.

O que será que tem para o almoço? Eu tô com fome, espero que minha mãe tenha feito algo bem gostoso que me abra bem mais o apetite.

Virei meu rosto para a janela e vi uma moto negra saindo do estacionamento dos professores, depois vi um senhor levando pães na garupa de uma bicicleta, os passarinhos e um parque de cerejeiras ao longe.

O sinal bateu e recolhi meu material. Eu só queria comer e então minha cama e entrar em hibernação pelo resto da tarde, mas obviamente essa foi a última coisa que aconteceu assim que cheguei em casa.

— Sakura, filha! — Avistei Mebuki saindo da cozinha carregando uma travessa com um frango que incendiava a casa com seu cheiro devastador. — Venha almoçar.

Tirei meus sapatos e sai correndo desesperada para a mesa, sentei-me e sorri para meu pai que sorriu de volta:

— Como foi à aula?

— Normal. — Respondi servindo-me. — Acho que eu e Ino iremos ganhar novamente as eleições.

— Que bom, filha. — Sorri e enchi o garfo de comida abocanhando. Meu Deus, que fome eu estava.

Após o almoço e ajudar minha mãe nas obrigações fui para meu quarto arrastando minha mochila pelas escadas, deitei-me na cama e antes que pudesse pregar as pálpebras, ouvi meu celular tocar.

— Que é? — Murmurei caindo de sono.

— "Esse fim de semana precisamos continuar nossa campanha." — Ino disse do outro lado da linha:

— Certo, tipo...?

Os resultados já iriam sair na segunda-feira e a partir de então a vida de presidente do grêmio seria mais puxada que nunca, organizar o baile de Outono, analisar as fichas dos alunos novatos e ver o que faltava, comunicar as faltas das semanas aos pais, confiscar a produção do anuário, inspecionar as salas de aula após o término a procura de objetos esquecidos, além de proferir os discursos e mostrar o bom exemplo em sala de aula. Desgraça.

Ino contou que planejava uma aparição pública esse fim-de-semana, vulgo: festa.

— "Porque não só de pão vive o homem, Sakura!"

— Ainda bem que sou mulher. — Retruquei sonolenta. — Ino, organiza aí como quiser que a situação burocrática mais tarde eu tomo conta, vou dormir ta bom? Boa noite.

Desliguei e coloquei meu celular na opção não perturbe, adormecendo logo em seguida.

∞

Após um fim-de-semana agitado que continha desde uma festa na piscina na casa de Idate Morino até chá da tarde com os socialites de Konoha para promover o aniversário de Ino Yamanaka (ela me arrastou para esse troço), estudar muito todas as madrugadas e ficar até tarde aprendendo a estrutura de uma célula, cheguei naquela segunda-feira sem saco algum para começar o dia com aula de Matemática.

— Quem fez esse maldito horário? — Ouvi Tenten resmungar sentando-se ao meu lado. — Começar uma segunda-feira com Kakashi é o "ó".

Concordei bocejando e olhei para Karin que lixava as unhas falando ao celular com alguém. —Com quem ela tanto fala?

— Suigetsu Hōzuki. — Hinata respondeu bocejando atrás da ruiva. — O cara que ela conheceu na festa de universitários.

Senti um arrepio na espinha só em lembrar da desgraça que havia sido aquela festa. Se não me falhe a memória, o único cara que vi conversando com ela havia sido o amigo do professor, o cara de cabelos brancos e dentes pontudos. Sério que essa doida gostou daquele ser estranho?

Olhei para Hinata e a vi olhar as unhas pintadas de verde e depois se encolher dentro do casaco do namorado:

— Como sabe, Hina? — Tema perguntou se aproximando de nós. Ela sabe que está com um santo chupão no pescoço? Shikamaru seu desprovido de coragem, corajoso!

— Ela não parou de falar dele e como vocês não namoram o primo dela não souberam. — Desculpa aí fodona que namora o loiro mais cobiçado do colégio! – Acreditem, eu não to me gabando.

Claro que ela está! Lutou tanto para conseguir a companhia do Naruto que não vejo erro algum nela gritar para o mundo que fisgou o loiro mais lindo do colégio.

— Por que não foram à festa dos universitários? — Perguntei.

Hinata se encolheu corada, vulgo: estava fazendo amor a noite inteira. Temari bocejou, vulgo: preguiça. Tenten deu de ombros, vulgo: passei a madrugada com Neji no celular e depois nos encontramos na praça perto de casa e demos uns pegas o resto da noite. Sim, ela está gripada, já falei para eles pararem de se encontrar tarde da noite no meio da rua, mas alguém ouve uma pessoa de cabelos róseos? A resposta é não.

— Ótimas amigas.

— Conta como foi!

— Chata.

Apesar de confiar em minhas amigas eu não quero expor as loucuras do professor de física, quero manter a integridade dele com o colégio e esquecer que ele falou que tenho a boca gostosa. Arrepio-me só de lembrar. Ahh desgraçado! Ainda me causa espasmos por causa dessa maldita frase. O pior é que eu tenho aula dele hoje, mas hoje também sai o resultado e se Deus quiser eu e Ino iremos ganhar.

Kakashi entrou na sala sendo seguido por uma loira que esbanjava um sorriso do tamanho do mundo no rosto e uma cesta de palha coberta por um pano roxo no braço.

Kakashi teria apenas uma aula naquela segunda-feira, as próximas duas antes do intervalo seriam do professor que atormentava minha mente na última semana e me fazia querer arrancar meus lábios.

No meio tempo em que Kakashi organizava sua mesa, Ino aproveitou para fazer um comunicado:

—Atenção turma, como sabem o aniversário do ano está chegando, o meu para os desinformados, e aqui estão seus convites. Na entrada será obrigatório que levem a senha, certo? Não percam. Obrigada.

Ela se aproximou de minha cadeira e colocou o convite na mesa.

O convite era branco com um tecido de capitonê que o revestia, uma faixa também branca de renda fechando-o, meu nome perfeitamente desenhado em dourado logo acima da faixa. Tirei a tira e abri o convite, havia a assinatura de Ino, o local, um mini-envelope com três senhas. O cartão era lindo! A cara da riqueza.

Tema da festa? Ahh o tema... Adorei. Black or White. Realmente vai ser a cara da riqueza.

Após a aula de Kakashi, veio a minha tortura pessoal. Boca Gostosa.

A porta da sala se abriu e senti meu rosto queimar ao ver o professor Sasuke entrar, será que ele lembra-me do que aconteceu na segunda passada? Eu seria um ser humano melhor se não lembrasse.

—Bom dia, professor! — Ino o recepcionou sorridente.

—Bom dia — Respondeu e se encostou à mesa com os braços cruzados.

Pausa para a blusa dele: a mesma de segunda-feira à noite, mas ninguém liga, ele continua gostoso.

— Professor, este é seu convite para minha festa de 18 anos. — E entregou a ele que pareceu surpreso com a novidade. — Eu coloquei mais uma senha, certo? Para você levar namorada, esposa, ficante, sei lá.

— Pode ser minha mãe? — Perguntou. Ta brincando?! Ele é um cara caseiro? Um cara que ama a família? Deixa a notícia correr que vai ter menininhas aos pés dele.

O convite do professor era preto com a renda preta, na verdade, passando os olhos pela sala percebi que os convites eram sortidos. Virei meus olhos para Ino e percebi que a cesta ainda estava recheada de convites, essa festa vai dar o que falar.

Mas deixei-me pensar, qual será minha roupa? Ou melhor, meu longo... Acho que vou de preto, acho não tenho certeza.

O professor pigarreou chamando nossa atenção e começou o assunto com uma Introdução Sobre a Eletricidade. Olha, eu confesso que tive um preconceito com o professor bonitão, eu jurava que ele não saberia explicar o assunto, mas eu mordi minha língua, o desgraçado teve a capacidade de colocar todo o assunto na cabeça de cada serzinho dessa sala.

Se brincar, até as moscas entenderam.

Na segunda aula ele falou de Cargas Elétricas e meu Deus, ele é um deus grego da Física. Não sei se o assunto que é fácil ou o modo com que ele explica que deixa fácil. Vou crer que é a segunda opção.

— Para ficar mais fácil lembre-se daquela frase: — Ele cruzou os braços e se encostou à mesa em minha frente — Os iguais se repelem e os opostos se atraem.

Naruto, não podendo deixar a piada suja passar, perguntou:

— E se forem gays?

— Algum terá que ser a passiva. — A turma inteira gargalhou após aquele comentário, e eu confesso que ri também. Desculpem.

Ouvimos a música que indicava que haveria algum comunicado da direção, olhei para Ino que mordia os lábios olhando para os auto-falantes. É agora.

“Bom dia alunos, aqui é sua diretora, Tsunade Senju. O primeiro anúncio é com relação aos testes para o time de Basquete, que ocorrerão às quatro da tarde aqui no ginásio do colégio sob supervisão do capitão do time, Naruto Uzumaki e do professor Gai.”

“O segundo anúncio é: já foram apurados os votos para presidente e vice do Grêmio Estudantil.”

Meu estômago embrulhou de um modo que acho que meu rim mudou para a garganta e meus pulmões foram parar em meu ventre, coloquei o capuz de meu casaco e escorreguei na cadeira abraçando meu corpo, temendo o pior.

"E os resultados foram: com 87% dos votos, permanece na presidência a aluna, Sakura Haruno e como sua vice, Ino Yamanaka."

Depois disso ficou impossível ouvir alguma coisa, meus colegas começaram a gritar na sala e a me dar parabéns e tapas nas costas.

Aí você se afirma: Sakura, você não fez nada para ganhar essa eleição, quem fez tudo foi a Ino.

Correto, querido, Ino apenas faz isso pela popularidade e pelo prestígio que ganha dizendo que é vice-presidente do Grêmio, todo o trabalho quem carrega sou eu, mas não me importo, até gosto de me sentir incluída.

Levantei-me soprando tentando controlar meus batimentos cardíacos e minha respiração, passei as mãos na saia devido ao nervosismo.

— Parabéns, Sakura. — Olhei para o professor e sorri torto.

— Obrigada, professor.

Ino passou por mim e bateu em minha mão:

— Arrasa lá.

Sorri torto e caminhei para fora da sala de aula, entrei na secretária e recebi os parabéns de alguns funcionários. Sentei na banqueta preta e puxei o microfone, respirei fundo e apertei o botão que me ligava a todo o colégio.

— Bom dia, alunos do Konoha High School, professores e demais funcionários, eu sou Sakura Haruno, atual presidente do Grêmio Estudantil. Gostaria de agradecer pela confiança imposta a mim e minha companheira de chapa Ino Yamanaka, além de informar algumas medidas as quais falo todos os anos desde que fui eleita presidente. – Droga. — Isso soou rude, desculpem.

Tsunade sorriu para mim e apertou meu ombro, sorri torto e continuei.

“Primeiramente, gostaria de lembrá-los que não, nós do Grêmio não temos influência alguma nas notas, é sua responsabilidade se esforçar para atingir as médias e compreender o assunto. O Grêmio é apenas uma ponte entre o corpo docente e o decente, nossa função é garantir que exista uma relação harmônica entre professores e alunos.”

“Assim como o corpo humano, um colégio precisa da cooperação de todas as suas partes para satisfazer a vontade de todos. Digamos, biologicamente falando, que o Grêmio são os leucócitos, nós encontramos o problema, o capturamos e esperamos os macrófagos agirem para combaterem o erro."

— É minha garota. — Tsunade disse orgulhosa de minha alusão, e eu também estava, foi um exemplo perfeito.

"Então, quaisquer problemas que possam ser solucionados, não de maneira utópica, por favor, procurem-me na sala do Grêmio. Destarte, queria agradecê-los mais uma vez pela eleição, muito obrigada, tenham um bom intervalo."

— Parabéns, minha querida. — Tsunade disse e me abraçou, sorri envergonhada e retribui o abraço.

— Fui bem?

— Ótima.

Agradeci e sai da secretária. Voltei para a sala e fui ovacionada por meus amigos, principalmente Naruto:

— SAKURA, AQUILO FOI INCRÍVEL! E olha que eu nem sei o que são macrófagos!

Ri e fiz meu coque de mau jeito caminhando para minha cadeira. Expliquei o que são macrófagos a Naruto e, depois, o significado de destarte:

— Os macrófagos detectam e fagocitam os micro-organismos invasores no corpo. Por fim.

— Destarte quer dizer por fim? — Karui perguntou franzida, concordei e olhei para o professor que sorriu torto para mim.

— Foi um ótimo discurso. — Falou em um tom que só nós pudéssemos ouvir, senti meu rosto queimar, mas não desviei:

— Obrigada. — Ele assentiu e se levantou assim que ouviu o sinal tocar.

— Turma, se puderem fazer as questões das páginas 14, agradeço. Destarte, eu vou.

Levantei-me e espreguicei-me, o professor me olhou por cima do ombro e soltou seu sorriso sacana. Ele lembra. DESGRAÇA! ELE SE LEMBRA DA MERDA QUE ACONTECEU AQUELA NOITE! Quer dizer, não foi uma merda tão grande até porque não rolou nada apenas duas frustrações seguidas e eu revelar indiretamente que sou virgem ao meu PROFESSOR.

Nada que vá me fazer morrer.

DESGRAÇA!

Notas finais
Obrigada por ler.