Gasolina
6 A Decisão
Notas iniciais
Acordei naquela quarta-feira determinada a dar um basta naquela situação brochante com o professor de Física. Por quê? Porque eu sonhei, caro leitor, que ele estava me agarrando em cima da mesa do Grêmio! EU SONHEI COM UM PRO.FES.SOR!
Onde já se viu isso? Quem sonha com professores? Certo... Se em toda escola tivesse um professor igual à Sasuke eu garanto que muitas menininhas iriam sonhar muito com ele, contudo, isso é ridículo, ele é meu professor, eu sou o maior exemplo para todo o colégio e eu me encontro sonhando com ele.
Após todo o processo de tomar banho, me arrumar e tomar café caminhei para a escola pensando no que eu iria falar quando o visse e como eu iria falar que queria que ele parasse de dar em cima de mim.
Isso.
Entrei na escola e fiz meus deveres iniciais no Grêmio, conversei com Temari sobre algumas ideias que tive para o baile e depois ouvi o relatório de Naruto sobre o time de basquete, ping pong e atletismo. O sinal tocou e fomos para a sala de aula.
O dia de aulas passou rápido. Começando por Japonês que foi bastante proveitoso, seguido de Química e então Física. Sim, hoje tive duas aulas de Física. E acredite às aulas foram melhores do que eu esperava, o professor corrigiu a atividade da última aula e até caiu na brincadeira de Naruto, Lee e Idate.
O professor nos entregou uma lista de exercícios sobre Campo Elétrico e Lei de Coulumb e nos mandou iniciar hoje e entregar na próxima aula.
— Para amanhã? — Manifestei-me após folhear as três folhas e ver que continha 33 questões.
— A próxima aula é amanhã? — Perguntou e concordei. — Então é para amanhã.
Soltei meus ombros e encarei aquele desgraçado sem noção! Eu tenho afazeres, eu tenho mais atividades para fazer, minha rotina não se resume a fazer as coisas que ele manda, mas também teimar com as coisas desgraçadas que ele fala.
Respirei fundo e iniciei a resolver os cálculos. O professor se aproximou de mim e observou meus cálculos.
— Professor. — Chamei-o pronta para iniciar meu discurso.
Ele olhava para meu exercício, então sorriu de canto e pegou em uma parte do cálculo, olhei para o papel e vi que eu havia somado 3 + 3 ao invés de multiplicar. O professor deu a volta em minha carteira e passou ao meu lado, mas antes pegou em meu cabelo, descendo a mão até minha nuca de modo a desfazer meu coque, o que eu não esperava era a reação que causaria em meu corpo!
Uma descarga elétrica percorreu todo meu interior eriçando meus pelos, meu estômago ficou embrulhado e meu coração gelou por uns segundos. Virei meu rosto para o fundo da sala e o vi conversando com Tayuya.
Voltei meus olhos para minha atividade e respirei fundo tentando me acalmar após aquele choque interno, resolvi mais algumas questões até o momento em que o sinal bateu, trazendo o professor de volta para frente da sala.
— Quero esse exercício amanhã, entendido turma? — Levantei-me e refiz o coque.
Encostei-me a parede e observei o professor arrumar suas coisas para sair da sala, respirei fundo e aproximei-me dele, peguei seus livros e falei:
— Eu te ajudo.
Ele agradeceu e me deu passagem para sair, saímos da sala e caminhamos pelo corredor:
— O que quer, Sakura? — Perguntou, respirei fundo e falei:
— Que pare com isso.
— O que? — Perguntou puxando o celular da calça social, molhei meus lábios e então os mordi. — Quem deveria parar era você.
— Eu não faço nada! — Rebati incrédula com o que ele disse.
— Certeza, Sakura? — Perguntou me olhando de esguelha.
ESSE DESGRAÇADO TA INSINUANDO QUE EU DOU EM CIMA DELE?! Ahh não! Isso é jogo sujo e eu sei como limpa-lo! Esse pedaço de mau caminho não vai conseguir me deixar frustrada de novo de modo algum! Ele vai ver agora. Descemos as escadas e paramos no vestíbulo.
— Absoluta, professor.
— Hm. — FICA CALADO NÃO, DESGRAÇA!
— Agora, professor, eu gostaria de pedir que parasse de se insinuar para mim, se ainda não percebeu eu sou sua aluna, e está fora de cogitação eu me envolver com um professor.
— Sakura, você é irritante.
COMO ASSIM?! Sério que ele está dizendo que eu sou irritante? Ele que é irritante! Ele que está sendo a pedra em meu sapato! Ele que está me tirando do sono e me querendo fazer arrancar meus lábios.
— Professor! — Repreendi, respirei fundo e controlei minha entonação. — Professor, eu apenas quero que pare de dar em cima de mim, obrigada.
Estiquei os livros e entreguei-o, cruzei os braços esperando sua resposta e o que ganhei foi um sorriso de canto que me dá nos nervos. Engoli em seco e continuei com a postura autoritária e certa do que eu queria.
O que eu não esperava era que aqueles olhos estivessem percorrendo cada centímetro de meu corpo e meu rosto, analisando cada ação minha e cada pequeno gesto que nem eu percebo. O que eu realmente não esperava era que o professor de Física, Sasuke Uchiha, fosse ser um puto de um desgraçado observador.
Eu me sentia nua perante aqueles olhos, eu estava nervosa diante daqueles ônix redondos, virei meu rosto tentando desviar de sua vista, mas parecia que eu havia piorado a situação, eu dava uma visão privilegiada de meu pescoço esticado e de parte de meu torço (desgraça de calor que senti no começo da aula que me fez abrir dois botões da blusa).
Apertei minhas mãos e levei-as ao meu pescoço, voltei meu rosto a ele e o vi subir seus olhos para os meus. Mordi meus lábios observando-o. Ele vai me deixar louca, o professor vai me deixar louca, eu sei que vai. Apertei minha cintura enquanto me abraçava.
Sabe qual era minha vontade? Sendo sincera? Que ele me beijasse toda ali. Eu queria tirar minha roupa para ele ali mesmo no vestíbulo da escadaria e esperar que ele me quisesse tanto quanto eu o quero. Pronto, falei. Desgraça, acho que estou sexualmente atraída por meu professor.
Mas eu não sou a única. Isso, eu não sou a única que ele consegue deixar assim.
O professor abaixou a mão com os livros e levantou a mão livre aproximando-a de meu corpo. Minha respiração estava descontrolada, meu coração acelerado, meu estômago revirava, minhas pernas ameaçavam falhar, se ele me tocar não respondo por mim. Eu não respondo de jeito algum.
Ele levou as mãos ao meu cabelo e os soltou do coque que havia re-feito, senti meus cabelos caindo por meus ombros e engoli em seco sentindo sua mão passar por meus ombros e descer por meu braço.
— Só se você parar também. — Sussurrou pegando em meus lábios.
Sasuke, o professor, se afastou e terminou de descer as escadas deixando uma Sakura, a aluna, inerte no vestíbulo.
Voltei a respirar, sim, eu havia prendido no momento em que ele tocou em meus lábios. Peguei em meus cabelos e olhei para onde ele havia descido, suspirei sentindo seu cheiro desaparecer gradativamente no ar e tomei força nas pernas para me mover e voltar a triste realidade que é voltar as aulas.
A aula de Filosofia passou rápido. Não sei se passou porque eu estava tendo pensamentos profanos com Sasuke ou se passou porque a hora está a meu favor.
O intervalo bateu e caminhei para a cantina fazer meu prato e esquecer os lábios e dos olhos de Sasuke. Sentei-me à mesa ouvindo Ino e Temari conversarem sobre os preparativos para o baile e de como poderia ser o design dos convites, Neji e Tenten discutiam a possibilidade de trazerem toda semana algum aluno da faculdade de Konoha para nos contar como é a rotina em seu curso, Naruto e Shikamaru trocavam estratégias de basquete já que os jogos interescolares se aproximavam.
Hinata se sentou ao meu lado e sorriu:
— Hina... — Chamei-a. Eu preciso contar a alguém, eu preciso muito!
— Pode falar, Sakura. — Ela separou os hachis e agradeceu em seguida. — Itadakimasu.
Engoli em seco e molhei um pouco de meu salmão no shoyu, encontrei coragem necessária e cochichei:
— Eu acho que estou atraída pelo professor.
Ela arregalou os olhos e terminou de mastigar o peixe, olhou para mim e perguntou:
— Como?
— Sexualmente? — Cochichei. Hinata arregalou os olhos e olhou para seu prato.
— Sakura... Ele é... Você sabe. — Concordei e fechei meus olhos procurando meu juízo. Ele deve ter ido passear com minha boa vontade de falar com Sasori, desgraça! Deve estar muito bem perdido.
Concordei e respirei fundo. Onde eu fui me meter? E o pior é que ele provavelmente está só brincando comigo, o que um universitário, quatro anos mais velho que eu, quer comigo?
— Espero que já tenham comprado suas roupas. — Ino interrompeu meus pensamentos. Obrigada, Porca.
Droga! O aniversário de Ino! Respirei fundo e peguei meu celular, mandei uma mensagem para minha mãe pedindo para que ela viesse comigo ao shopping depois das aulas e respondi:
— Vou ver hoje.
∞
Cheguei em casa acabada! Deixei as sacolas com o vestido, os sapatos que minha mãe fez questão de comprar e a clutch em um canto e o presente da loira em outro. A festa de Ino é daqui três dias. Sábado.
Meu telefone tocou e atendi-o colocando a parte de baixo da boca no colo:
— Você não atende o celular, não? Coisa de velho ter telefone em quarto.
Temari reclamou, a reclamação dela me fez rir, mas a culpa não é minha se eu acho um charme ter um telefone dentro de meu quarto.
— Desculpa, cheguei agora.
— VOCÊ AINDA NÃO FEZ AS 33 QUESTÕES DO GOSTOSO?
Ahhh que DESGRAÇA! Eu estava tão contente a parte da tarde, que passei fazendo compras com Mebuki, que nem me lembrei da existência do professor e muito menos das trinta e três questões do inferno que ele mandou para casa.
— Não! — Gritei em resposta levantando-me e pegando minha mochila jogada no chão.
—FODEU MEU POVO, SAKURA NÃO FEZ! -Temari gritou, espera, ela queria que eu passasse as respostas? E com quem ela tá?
— SAKURA, COMO ASSIM?! — Naruto gritou também na ligação.
— Temari, onde você ta? — Perguntei franzida, eles se encontraram e não me chamaram? Que cuzões!
Em casa, anta, é uma teleconferência.
Que chique! Não sabia que dava fazer isso com telefone fixo, adorei.
— Sakura, as questões são mutantes! — Hinata dizendo isso? O negócio ta feio mesmo.
— Certo, eu vou tentar e mando foto para vocês.
Desliguei e deixei o telefone na escrivaninha, detalhe: o cabo ta cruzando o quarto inteiro. Peguei minhas coisas e liguei a luz de meu quarto começando a resolver aquelas questões que realmente estavam em outro nível, como ele faz isso? É doido.
Desgraçado! Ainda se atreve a me tirar atenção durante as aulas pensando naquele toque e naquela boca e naqueles olhos e em tudo que eu consigo ver, apesar da roupa!
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