Garçom, uma cerveja para o visitante!
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Garçom, uma cerveja para o visitante!
Por Rebeca/Pikenna
Capítulo Único
Ele estava sentado em uma mesa de bar, uma cerveja gelada em sua mão e aquele sorriso cativante de que tudo está ótimo iluminando seu rosto. Estava no aguardo de uma pessoa e não sairia dali enquanto ela não chegasse. Bradava para os outros que não possuíam rostos que ele havia acertado no fim das contas. Ele se foi primeiro, primeiro que seu pai, a pessoa por quem esperava sentado àquela mesa de bar. Nada melhor que comemorar a morte bebendo uma cervejinha no bar do sagrado, não é verdade? Para quê se lamentar se há um novo mundo para se viver? Brindar! Brindar pelo descanso!
E parece que seu pai compartilhava a mesma opinião, pois após algumas semanas ele decidiu aparecer no bar, sentando-se defronte ao seu filho mais livre de todos. Mais uma cerveja garçom! Há mais um convidado à mesa! Pai e filho beberam cerveja juntos, brindando não à morte, mas a um novo começo que viria com aquela passagem, porque a morte é isso, apenas uma passagem. A alma é eterna!
Brindaram. Riram juntos. Conversaram sobre tudo o que puderam falar e contaram piada que era típico deles, deixando por fim uma flatulência sair, ambos gargalhando daquela ação que era comum no cotidiano deles. Marca registrada do pai e dos filhos. Aquilo realmente estava divertido, mas chegou o momento de deixarem o mundano para finalmente descansarem em paz no plano superior, onde se preparariam para um provável regresso à Terra.
Então se levantaram, os olhos nos olhos, tímido sorriso de aceitação riscado nos lábios. Um grupo de estranhos brancos aguardava por eles na porta do bar das almas. Seu filho lhe ergueu a mão e o pai a pegou sem hesitar. Pai e filho. Unidos. Prontos para encararem aquela passagem juntos. Para casa! Iriam para casa juntos e esperariam pacientemente pelo restante da família para completar o verdadeiro lar.
Deixaram o bar de mãos dadas, permitindo serem guiados e envolvidos pelos esquisitos de branco. As duas cervejas vazias descansavam em cima da mesa, como as duas almas que tinham bebido essas mesmas cervejas.
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