Garras de Uma Maldição
4 Capítulo 4
Perguntas, perguntas, e perguntas...eu não sei porque, mas ficava mais confuso a cada pergunta que a moça me respondia. Esqueci totalmente de galantear a jovem. Agora, tinha sede de informação. Pois bem, vou pedir novamente um pouco de paciência da parte de vocês, para contar o que ela me contou. Quem sabe, vocês não compreendem a situação mais rápido do que eu?
A primeira pergunta que fiz, foi:
-Como você me tirou de lá, se você estava sozinha?
-Na hora em que os três fugiram...eu olhei ao redor, e somente nós dois estávamos lá, no parque. Fui até a porta da primeira casa que vi, que por sorte, era na frente do parque, e dei duas batidas. Um senhor abriu a porta, devia ter seus sessenta anos, e eu, envergonhada, perguntei-lhe se ele poderia me ajudar a te carregar...ele perguntou o que acontecera, e eu disse que você era meu marido, e que sofrera o ataque de alguns lobos selvagens...
-Bom...você não mentiu, de certa forma.
-Sim. Então, o senhor disse que infelizmente não poderia ajudar, pois era muito fraco, mas pediu ajuda a um rapaz que estava lá dentro. Disse que esse rapaz morava com ele, e o ajudava em seu armazém. O rapaz então o trouxe até minha casa, carregando-o nos braços.
-Ah...maravilha...
-Por favor, não fale assim. Deixe de ser orgulhoso, aquele rapaz o ajudou, quando você estava em uma situação muito grave! Ele nem se importou por ficar sujo de lama e sangue. Perguntou se eu não achava melhor chamar um médico, mas, para evitar quaisquer suspeitas, eu disse que meu irmão estava aqui em casa, e que ele é médico.
-Certo, certo...e quanto à sua família? Já acho estranho não aparecer ninguém aqui para fazer um comentário, e já fazem quatro dias que eu estou aqui.
Ela calou-se durante um tempo. \"Ah...\", eu pensei. Mas antes que pudesse pedir desculpas, ela resolveu me \"torturar\" mais um pouco.
-Sou orfã...de pai, e mãe...não tenho irmãos...nem parentes distantes, que eu conheça...então, eu vivo sozinha, nessa casa...
-Eu...não sabia...desculpe-me...
-Tudo bem...mas...e a sua família?
-Bom, meus pais moram na Inglaterra. Cresci morando com eles, em Florença, mas quando eles resolveram se mudar, eu resolvi que gostaria de morar um tempo aqui em Veneza. Costumo visitá-los de vez em quando.
-E...você é casado?
Senti um tom de pergunta diferente. E então, respondi.
-Não. Solteiro. Prefiro viver assim, e parece que, agora, terei de viver assim.
-Entendo...
Não sei se ela disse aquilo em uma mistura de alegria e tristeza, ou se foi algo como \"então eu teria como te conquistar\". Acho que ela nem precisaria se esforçar, pra falar a verdade...
-Mas me diga...como você sabe tanto sobre lobisomens?
A resposta para essa pergunta, foi no mínimo, digamos...surreal. Eu nunca iria imaginar aquilo, e até hoje, quando lembro dela contando a história, eu penso que é bizarra demais para ser verdade...
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