O que aconteceu ao clã dele? Morto. Foram todos mortos. Mas como Mathayus ainda está vivo? Aquilo me deixou intrigado, e curioso. Continuou ouvindo o que ela tinha a me dizer. Quem sabe a resposta que eu queria fosse ser contada em breve.

-...e tenho vivido escondida aqui, deste então...

Droga...já que ela terminou de falar o que tinha pra falar, era hora de perguntar mais coisas.

-E quem eram aqueles três lobisomens daquela noite?

-Eram...do clã Lupos. Eles acham que a única maneira de existir paz, é eliminando todo e qualquer vampiro do mundo...

-Hum...sempre há extremistas...mas...por acaso fui eu mesmo quem os matou, ou afugentou?

Ela ficou cabisbaixa, e sabe-se lá como, corou novamente. Ela tem muito sangue pra um vampiro, na minha opinião...

-Não Ezio...fui...eu...

Ah, como eu suspeitava...então, no final das contas, ela também sabia usar da força que tinha. Ainda bem. Mas eu ainda tinha mais perguntas para fazer.

-E o que foi que aconteceu hoje, no armazém?

Ela abaixou a cabeça mais ainda. \"Bingo!\", eu pensei. Havia tocado na ferida, e certamente fizera doer muito.

-Não fui eu quem fez aquilo Ezio...

Torci o nariz. Era óbvio que eu não acreditava. Ela olhou para mim, com lágrimas nos olhos, e elevou o tom de voz:

-Ezio! Acredite em mim! Não fui eu!

-E o que você espera que eu faça? Que acredite que você, a única vampira naquele estabelecimento, não...

-Eu não era...a única vampira do estabelecimento...

As palavras dela me causaram uma paralisia momentânea. Não era a única vampira no local?! Então, usaram-a como bode expiatório?! Isso sim é muito problemático...

-Quem mais estava no local, Louisie?

-Eu...não posso dizer...

Levantei-me. Já estava ficando saturado do charminho que ela estava fazendo, e queria minhas respostas. Olhei para ela, muito sério e com um leve tom de irritação na voz, e repeti:

-Louisie. Quem estava no local?

-E...eu não...

Agarrei seu braço com força, e falei mais forte:

-QUEM ESTAVA NO LOCAL ENTÃO LOUISIE?!

Antes que ela pudesse me responder, uma flecha quebrou a vidraça e atingiu o sofá. A flecha estava em chamas, e logo o sofá incendiou-se. Não pensei duas vezes. Agarrei-a pela cintura, coloquei-a apoiada em meu ombro, e saí correndo dali. Aproveitei a saída de trás da casa. Flechas incandescentes cada vez mais entravam pela janela, e eu já podia ouvir as pessoas gritando do lado de fora. Pancadas na porta. Estavam tentando entrar.

-O que vai fazer?!- ela me perguntou.

-Antes de ser um lobisomem, fui ensinado a ser um cavalheiro.

Dito aquilo, olhei para a porta da sala mais uma vez. A última pancada criara uma rachadura na madeira, e já era possível ver o exterior. Pulei pela janela da cozinha, e corri pelas ruas agora escuras por causa da noite. Aquela situação estava muito estranha, e eu ainda iria descobrir o que estava acontecendo de verdade.